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sábado, outubro 14, 2006

Peça desculpas, Maguito!

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Desde ontem, temos de volta o programa eleitoral gratuito (que não é grátis). A mera comparação dos programas dos presidenciáveis contesta o conceito tucano “Geraldo venceu”: não mostraram a má educação do pseudo médico, nem conteúdo em sua “proposta” de governo; Lula, por seu lado, expondo ao “Proparoxítono” razões para admitir que o Brasil melhorou.


Continuo cobrando três pontos cruciais ao presidente Lula da Silva: a solução para a malha rodoviária; uma educação decente; e a racionalização na cobrança de impostos. Geraldo, que fala em saúde e segurança, só fez construir presídios e pregar uma história incompatível com ele mesmo, a de ser um profissional da saúde (ele não é ubíquo).


No âmbito estadual, fiquei bobo de ver: Maguito disse: “Ofereço ao povo a minha história”. Ele a tem? Os redatores de Maguito devem sofrer por falta de argumentos, pois tudo o que se disse de positivo sobre ele, aplica-se, sim, a Alcides, como coadjuvante de Marconi. E Maguito cospe no prato ao renegar Íris, dizendo-se melhor que seu padrinho. A história de Maguito começa na Arena, o partido do sim-senhor que dispensa comentários, e tem como último feito a agressão à residência de Alcides, em Santa Helena, com um helicóptero destelhando a casa, numa indiscutível invasão à privacidade, assustando Dona Guri, a mãe do governador, de 80 anos.


Peça desculpas, Maguito. Isso te faria menos prepotente e atrapalhado.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Falácias nada palacianas

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Ora, ora... outro debate! Agora, devidamente polarizada a disputa, como manda a regra. “Deste lado, o vencedor”, já chegou pensando Geraldo, sobrinho-neto do folclórico José Maria, o de Minas, amigo de Juscelino, convenientemente golpista de 31 de março de 1964, vice-presidente alegórico do marechal Castelo Branco). O Alckmin de agora , segunda geração do velho cacique das conveniências, não difere muito do titio: fez-se vereador aos 19 anos, pelo MDB, com uma votação fragorosa em Pindamonhangaba graças ao prestígio de um tio que se fez ministro do Supremo. Para os militares e a Arena, nada melhor que um Alckmin (em Minas, é oxítona; em São Paulo, proparoxítona) no MDB...

O vociferante tucano, se eleito, há de seguir a cartilha de seu partido no tocante às privatizações e à extirpação definitiva dos direitos trabalhistas. Diz ser médico, mas consta que não pôde nem pode exercer a medicina por falta da residência médica. Nesse duelo, ele juntou o ódio que trouxe do primeiro turno ao de Heloísa Helena (que, em vez de adversária, mais parece ex-esposa de Lula) e dirigiu-se ao concorrente, o ainda Presidente da República, em termos que, dirigidos a qualquer um de nós, resultaria em ações nada civilizadas, em pancadas ou palavrões.

E aí, os tucanistas dizem “Geraldo venceu”; e os petistas afirmam “Lula venceu”. Para mim, perdemos nós, que vimos e ouvimos tudo aquilo. Mas perder a eleição será benéfico ao sucessor do “fernandismo”: nesses quatro anos, ele poderá fazer a residência médica que lhe falta.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Se chover

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Ponho um carinho
nesse seu céu
de sorriso e bonança.

*

Deixo descer
do azul e das nuvens a chuva
que lhe dá carícias.

*

Pouso meu beijo,
silêncio e tesão,
na sua boca de pétalas.


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sexta-feira, outubro 06, 2006

Que cumpram um sexto

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Centenas de caras-de-pau disputaram a loteria do voto, tentando abocanhar, sem concurso nem escolaridade, um empreguinho temporário de quatro anos, com direito as ser taxado de autoridade e ser chamado de Excelência, com E maiúsculo. Este ano foi o da campanha pela ética, pela educação e pela segurança, tal como a de 2004 foi a do asfalto. Mas nenhum − eu disse “nenhum” e foi nenhum mesmo! − deles, para qualquer cargo, falou em cultura. A observação é da Nice, funcionária do condomínio onde moro.

Nenhum deles, eleito ou derrotado, até agora se preocupou com os rumos das investigações que a ANAC, a Força Aérea Brasileira e a Polícia Federal desenvolvem no sentido de conhecer os responsáveis pelo maior acidente aéreo da história do Brasil, enquanto o consulado americano no Rio dá abrigo em lugar secreto aos pilotos do jatinho que causou a “coisa”. Se fosse o contrário... Ah, queria ver diplomatas brasileiros na terra do tio-sam protegendo algum de nós! Gente, e eles tinham um repórter na comitiva que, agora, é tido como perito em assuntos de aeronáutica!

Será bom se eles forem julgados por homicídio culposo. Afinal, mataram 154 nacionais e estão tripudiando sobre nós, com o patrocínio de um advogado ex-ministro (dos que já não se fazem como antigamente...). Imaginem se os dois gringos pegarem três anos para cada brasileiro morto “involuntariamente”: seriam 462 anos de cadeia; eles poderiam cumprir um sexto da pena, sairiam daqui a 77 anos. E a soberania norte-americana sequer seria arranhada.

sábado, setembro 30, 2006

Apesar de vocês


...Eu vou ser feliz.

Enfim, acabou-se a campanha. A bem da verdade, e apesar das “pílulas”, o ingrato horário gratuito foi menos chato do que nos anos pares anteriores. Pregou-se a moralidade, falou-se tanto contra a roubalheira e as ações questionáveis dos políticos... Nem parecia que eram políticos os que pregavam tanta “honestidade”.

Lembrei Juca Chaves, lá pela década de 1960, num livro chamado “Eu, baixo-retrato”. Dizia o menestrel que o Brasil é um país estranho, onde estudantes falavam em revolução, generais falavam em paz e políticos falavam em honestidade. E lá vieram eles, os que têm rabos presos em várias ratoeiras, prometendo até absolvição no juízo final.

Ah, sim! Incrível isso de candidatos dispostos a fortalecer bancada unida para tudo, até mesmo para receber mensalão ou transportar malas de dinheiro de origem duvidosa. Incrível também o apego ao poder, o que induziu incautos a agir como se para eles não houvesse lei nem vigilância, como no episódio do dossiê. Incrível que tentem abafar a responsabilidade de alguns com a mera exigência de que investigue a origem do dinheiro para comprar dossiê, mas que se esqueça o que denuncia o mesmo dossiê.

Incrível! Alkmin, comprometido com apenas o Estado de São Paulo, busca votos por todo o Brasil em nome de uma moralidade que seu grupo não respeitou no passado. Incrível também como Lula entenda, agora, que deve fazer mais pela Educação e pela saúde (mas que se faça sem superfaturamento de ambulâncias nem comercialização irregular com derivados de sangue).

Também é incrível a cara-de-pau de quem, em busca da cadeira saudosa na Casa Verde da Praça Cívica, se esquece do que não fez e atire no próprio pé: Maguito Vilela diz ter encontrado o Estado, em 94, em 25º lugar em Educação, e o deixou em 6º lugar... Estranho isso, porque a secretária de Educação foi a mesma do governo anterior, do qual era Maguito o vice.

Mais incrível, ainda, é o vereador já condenado por desviar dinheiro do INSS ser candidato a deputado estadual, atrelado ao candidato à reeleição como federal, sobre o qual pesa um inquérito que, também, deveria impedi-lo de se candidatar. Não consigo entender como os tribunais eleitorais permitem candidaturas de pessoas sob investigação, já que um foro privilegiado, ou o tráfico de influências, procrastinará o andamento de qualquer processo.

De certo, entendo apenas que vou votar. Ainda que chova toda a previsão de um mês num só dia, eu vou votar. Ainda que o voto fosse voluntário, eu seria um desses voluntários. E não vou até a maquininha só para votar em branco ou anular meu voto. Vou votar pela bandeira da Educação; vou votar pelo acerto que se vê agora em Goiás; vou votar porque quero ser representado por alguém igual a mim, ou melhor que eu.

Este ano, nestas seis semanas de campanha, cuidei de não me aborrecer. Não abri panfleto eletrônico enviado pela Internet − uso a rede de computadores para me divertir e trabalhar, e não para ouvir bobagens de fanáticos mal-informados. E agora, neste primeiro domingo de outubro, dia nacional de votação, vou à rua com aquela mesma alegria que me põe brilho nos olhos em dias de Copa do Mundo (antes de ver Roberto Carlos arrumar a meia para não incomodar o atacante adversário). Vou votar, sim; com a almazinha do beija-flor que leva água no bico para apagar o incêndio da floresta.

Faço isso de cabeça erguida. Para votar, não me alinho entre os mal-informados; nem entre os mal-intencionados. Em bandido, decididamente, eu não voto.

domingo, setembro 24, 2006

Entre colunas

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Dias finais de seca, vésperas de primavera. Céu leitoso de névoa sem ranço nem esperança de chuva. Ar seco, de arder e sangrar narinas. É setembro, ainda, e é dezenove; prefiro escrever com antecedência: é terça-feira, tenho tempo, mas o dia branco de alma cinza causa em mim o triste que não se cala. Nestes dias, faço anos; mas costuma chover antes. Este ano, não; a meteorologia faz o ano atrasado.


Era aniversário de minha mãe, 19, desde 1923.

Foi num também 19 de setembro, 1999, que morreu José J. Veiga, o dos contos e de Pirenópolis e Corumbá e Goiás Velho. José, o do mundo, cidadão, não tinha fronteiras: cresceu menino de fala abreviada “cóo rorosé cá senluz, cá vi”; locutor em Londres BBC, leitor compulsivo da Biblioteca Nacional Rio de Janeiro, moço bonito e galante, conquistou Clérida e se fez dela pelos seguintes cinqüenta anos, até que o morte etc.

Setembro é tempo de aniversário meu; o dia é o de menos, festejo-o o mês inteiro, porque se o dia exato me fizer triste, há os outros de me sentir alegre, feliz ou ainda cheio de luz e esperança. Mas 19 é triste, sim; e este é esbranquiçado de nuvem distante, uma só a revestir todo o céu que, de avião, eu veria azul.


Céu do Planalto Central é assim, muito azul. Feito os olhos daquela amada distante em tempo e geografia. Distante, sim; nunca esquecida. Azul é bonito, muito. Penso, mesmo, que azul é a cor do bem da gente. Acho que uma alma feliz é ligeiramente azulada, como a lua de abril, no céu do Planalto, a abençoar a cerrado. Aquele azul que lembra levemente um tom de prata, mas que resplandece feito um lampejo de certeza, sucedendo esperança.

Penso em ligar, teclo zero operadora seis quatro... Não, não ligo. Meu pai há de estar triste; se eu ligar, aumento-lhe a tristeza. Melhor esquecer o aniversário de Dona Lilita. Então, ligo para o Gabriel, zero operadora dois um... Desligo outra vez. Gabriel está, é certo, pensando no Tio José. Também não me concentro no retrato da mãe, obra impecável de mestre Amaury Menezes; nem pego na estante livro algum do José J. Veiga. O dia é, mesmo, para ser triste; e as chuvas esperadas ainda se fazem tardias.

E lá está meu pai, em Caldas Novas; ele, que é filho da bucólica e musical Pirenópolis, que agora é do Canto da Primavera, prefere o calor das termas. Eu, não: filho de Caldas Novas, não me esqueço do cascalho avermelhado nas ruas, das enxurradas onde brincar com barquinhos de papel, dos quintais de frutas e esculturas em talo de buriti, anos tenros e verdes da década de 1950.

Meu pai é decano e remisso na Loja Maçônica Segredo e União. Foi o primeiro a iniciar-se nos mistérios dos pedreiros-livres, 19 de setembro de 1946. Vez em quando, eis o velhinho, mais de oitenta anos, ostentando gravata e paletó e avental de mestre elevado, Escocês Antigo e Aceito...
Sessenta anos de irmandade, meu pai! Parabéns! Você, meu velho, soube, sim trabalhar com a trolha, erguendo “templos à virtude e cavando masmorras aos vícios”.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Sede e seda

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Há sede de sedas,
de verbos, de versos.



Bastam-nos os sons
das unhas nas sedas,
de arrulhos nos versos,
de bêbados verbos
que entornam-me o cálice,
derramam metáforas,
embebem-me o poema.



As musas que me dessedentem.