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Penso seriamente em adotar uma postura sobre críticas: reproduzi-las aqui, para apreciação de todos. É que há inúmeros comentários sobre meus textos, quase todos favoráveis. Elogios, ainda que agradem, não nos aperfeiçoam. Gosto muito de comentários, desses que entram no tema e acrescentam, e ilustram. Mas, às vezes, recebo alguma crítica, e sempre procuro publicá-la.
Desta feita, porém, não foi comentário sobre texto do blogue, mas, sim, de um poema do meu livro “As uvas, teus mamilos tenros” (obviamente, de poesia erótica). Uma poetisa, escorada em décadas de amizade, achou que podia me dizer desaforos e qualificou o poema “Lábios, túrgidos lábios”(*) de “macarrônico e pornográfico”.
Bem, pornográfico todos sabem o que é: algo relativo à pornografia; e pornografia, é:- “PORNOGRAFIA s.f. Tudo o que se relaciona à devassidão sexual; obscenidade, licenciosidade; indecência. / Caráter imoral de publicações, gravuras, pinturas, cenas, gestos, linguagem. (2002 Enciclopédia Koogan-Houaiss Digital);
E a outra palavra:MACARRÔNICO adj. Fig. Diz-se da língua mal falada ou de composição literária mal executada: latim macarrônico, poesia macarrônica (segundo o mesmo dicionário).
O meu livro, está nos créditos, teve revisão de três professoras universitárias de Literatura, todas são também autoras literárias e mães de filhos e filhas; esse livro não é unanimidade, mas tem sido bem aceito em todos os locais aonde chegou. E justo uma velha amiga me dá essa “qualidade”!
Vou simplificar: A qualidade de texto, cuido dela desde a minha infância. Fui aluno de professores exigentes e aprendi a distinguir um texto fraco ou medíocre de um bom texto. E sei bem separar o que é pornográfico do que é erótico ou sensual. Portanto, rechaço com dignidade os epítetos que a amiga (?) me atribui. Omito seu nome, porque não darei fama a quem me agride; pela minha lavra, letra de forma só a quem realmente a merece. E concluo:
Macarrônico, cara senhora, é o seu texto, não o meu. Quanto à pornografia, entendo que é assim que você vê o sexo. Eu o vejo com amor.==========================================(*) Eis o poema em questão:
Lábios, túrgidos lábios
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Eu te caço, Loba,
pelas sendas da noite quente
e me asseguro de que o sol
não se anuncie tão cedo!
Eu te quero, Loba,
e nos teremos plenos
de volúpia e pêlos.
Inquieta-me o instante,
o agora em que toco teus lábios
com meus lábios e recebes minha língua,
e tenho a tua. Sorver tua saliva e sentir
teus seios a me ferir o peito.
Minhas mãos, sem pedir licença,
abrem-te os laços, os fechos, os botões.
Eu te toco com intimidade,
tateio tuas costas, sinto o volume
de tuas nádegas e o calor que elas abrigam.
Ah! O alimentar-me de tua pele eriçada,
a têmpera exata do forjar de Baco
quando nossos corpos, na efervescência de hormônios,
desejam-se plenos e prometem prazeres sonhados,
desejados, felizes...
Eu te quero,
esguia e clara como te vejo e tenho,
e sentirei teu úmido sexo
a festejar com o meu
a primavera da carne.
Com o cuidado de porcelanas,
beijarei teu corpo
com a delicadeza das sacristias.
E de joelhos, venerarei teus pés,
procurando a idolatrada,
amada mulher!
Tocarei teus cabelos e teus pêlos
com o toque dos mágicos e farei verter
de tuas entranhas
o mel de me saciar,
porque o beberei de tua virilha,
buscarei fruir dos pequenos lábios
essa seiva enérgica, doce e acre,
para untar-me a boca...
Meus dedos passearão tua pele
buscando entradas.
Sutis, entrarão em tua boca, ouvidos e narinas.
Explorarão o declive do teu colo,
as colinas dos teus seios e os picos,
bicos túmidos, sensíveis e sensuais.
Descobrirão teu umbigo,
cingirão tua cintura, farão pouso
em tuas nádegas suaves e excitantes,
e entrarão entre elas
à busca ávida do olho pulsante.
"Tuas nádegas abrem-se para receber meus dedos... E me delicio com tuas contrações sistemáticas que fazem brotar ainda mais o mel que te desce nos pêlos pubianos, encharcando os pequenos lábios, umedecendo os grandes e vertendo para os meus”.
A cabeça, erguida em prece,
vislumbra a fêmea, ereta e dócil
a acolher-me terna.
Genuflexo, enlaço-te as nádegas
e inebria-me o perfume
de teu ventre pleno
da volúpia ardente, ansiada
e finalmente vindoura!
A língua busca teu néctar.
Bocas que buscam prazeres e licores...
Adoro sentir-me lambendo tua virilha,
deliciando-me com teus pêlos.
Mãos que adoram seios e costas,
mamilos e nádegas e entre as nádegas!
E te bebo toda!
Sinto-te vibrando em minha boca!
Contorcendo, estertorando... goza!
Meus dedos te adentram, atrás...
Brinco com a língua, o clitóris.
Deslizo mais: pequenos lábios
(beijo-os, e minha língua encontra a gruta
gostosa e úmida e quente...).
Beijo-te costas, desliso a língua
em tuas nádegas, exploro-as,
penetro.
Beijo-te as coxas. Beijo-te o sexo.
Delícias ao acariciar-te os mamilos
e beijar-te devagar e quente; e ao morder teus lábios
como se morde uma cereja.
Sugá-los, como sugo morangos maduros.
Ah, nossos pés que se tocam nus,
peles que eriçam simultâneas!
Beijinhos e lambidinhas,
suaves, ternas, sacanas... Quero entrar em ti
com intimidade e conforto...
Viver todas as chances
de gozar.
Penetrar-te.
Abraçar-te por trás,
ter teus seios em minhas mãos,
entrar.
Absorver teu cheiro, e te pôr o meu.
Sentir teu corpo na leveza
de minha língua andarilha
que não se cansa de te saber sabores.
E tuas mãos, quero-as no meu corpo:
exploradoras, passeantes e desinibidas.
Porque as minhas
exploram-te também e sabem
onde parar, onde indagar,
onde entrar...
Mãos de amparo e de toque,
de espera e carícias...
Dedos que tateiam a pele
e percorrem dorsos,
descobrem vales e grotas.
Aceita a intimidade de minha língua
que desce por teu corpo
como a água do teu banho,
escorre, corre e
alcança tuas partes íntimas
e se deleita...
E tua língua na minha...
Salivas cúmplices!
Vou beijar-te: costas e nádegas,
mordiscá-las...
Demorar nos mamilos,
deixá-los túmidos e excitados...
Descer devagar,
brincar nos pêlos...
Acolho o cheiro de teu púbis,
a essência de teu sexo,
a pressão de tuas coxas
e a carícia de tuas nádegas.
Ah, mas preciso antes beber teu néctar mais íntimo! Sentir o pulsar do teu clitóris nos meus lábios, o roçar de teus pêlos no meu rosto, o calor de tuas entranhas nos meus dedos. Mulher, eu te quero! Eu te beijo o sexo e me molho de teu molho, eu te entro, então, com volúpia e amor, e te beijo a boca... Teu cheiro doce em minha boca... Tuas coxas em meus quadris... E molhas-me a virilha e me beijas a boca...
... e te convido
para gozar comigo,
e te espero, e me esperas,
e te sinto convulsiva em mim,
e te exploro feliz,
e te sinto a me descobrir
no êxtase do gozo pleno!