
Ir-e-vir, flores e cidadania
O que é um cidadão? São tantos os conceitos! O primeiro sugere-nos “indivíduo que vive em cidade”. Muito primário. Na tevê, vemos campanha institucional dando conta de que se é cidadão desde que se obtém a certidão de nascimento. Há quem entenda que cidadão é quem paga impostos (no Brasil, somos cidadãos além da medida). Mas a palavra em moda não é propriamente “cidadão” e, sim, “cidadania”.
Ao cidadão, concedem-se todos os direitos estabelecidos na Constituição. E cobram-se os deveres ali definidos, também. Direito à saúde, à educação, à segurança... À vida, enfim. O mais corriqueiro deles, parece-me, é o direito de ir-e-vir (o primeiro a ser cortado quando se instituem cerceamentos à liberdade).
Qualquer empecilho ao trânsito afigura-se, para qualquer um de nós, como agressão à liberdade de se deslocar. Sejam ruas interditadas, calçadas em obras, árvores caídas ou congestionamentos no trânsito. Há que se ver (já que está na moda, como cenário da novela global das oito) os abusos cometidos em Copacabana. Sob o pretexto da segurança dos moradores, centenas de edifícios invadem as calçadas (que já são muito estreitas para o volume de tráfego de pedestres); e uma análise leiga já nos mostra que aqueles gradis são totalmente inúteis, além de prejudicar a paisagem. Estranhamente, a Prefeitura do Rio faz vista-grossa (aliás, parece que a única coisa que César Maia não quer obstruindo as calçadas são os mendigos; para isso, ele manda jogar creolina nos passeios).
Minhas idas ao Rio são rápidas: o bastante para visitar parentes, rever amigos e colegas de colégio e sorver, com prazer indescritível, o chope carioca. Desta vez, pude desfrutar de Edir Meireles, Stella Leonardos, Antônio Olinto e Beth Almeida. E aí, volto a Goiânia, à realidade das árvores derrubadas a bel-prazer de comerciantes sem compromisso com a cidade e a cidadania (querem suas fachadas à vista de todo mundo) e a triste realidade que enviou as petúnias para a nossa saudade. Prefeito Íris, mande replantá-las, em nome da beleza da cidade!
O que mais nos incomoda? O desrespeito de inúmeros motoristas de automóveis e até de veículos de trabalho para com o xadrez nos cruzamentos. Há poucos dias, num cruzamento do Setor Oeste, um caminhão obstruiu o xadrez; uma jovem, conduzindo um carro pequeno, conseguiu uma brecha para cruzar a rua; além do caminhão, uma moto desceu sem se dar conta e foi atropelada pela moça (no caso, caminhoneiro e motociclista não levaram em conta o xadrez, que deve ser deixado livre). Lembro a campanha que se fez em Goiânia sobre a faixa de pedestres. Falta ação igual para o xadrez, e nisso é bom que se envolvam a SMT do coronel Sanches e o Detran do meu amigo Bráulio, com extensão às demais prefeituras de todo o Estado.
E assim, pouco a pouco, vamos estendendo ainda mais o conceito de cidadania, identificando-o com o indispensável respeito de um para com a coletividade e vice-versa. Acredito que a prática integral da cidadania implica justamente o respeito a esses procedimentos, restabelecendo a dignidade do homem comum (digo outra vez: “homem”, aqui, é o genérico da espécie).
E, paralelamente, que se restabeleça a beleza dos logradouros públicos, além de se espalharem flores e jardins, iluminação e respeito a todos os pontos desta Goiânia septuagenária e adolescente. Assim, Senhor Prefeito e demais governantes, restabelecemos o respeito aos direitos fundamentais, pouco a pouco. Especialmente ao direito de ir e vir.
Quanto ao direito ao livre pensar, ainda não se conseguiu impedi-lo. Graças!













