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terça-feira, janeiro 11, 2011

Goiânia Canto de Ouro

Cena do Calçadão do Choro (Grande Hotel): MPB de Goiás.

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Larrisa Moura e eu




Maria Eugênia e eu
Começa esta semana, no Goiânia Ouro (Rua 3, esquina com Rua 9, Centro) mais uma versão do Canto de Ouro, o maior evento de MPB em Goiás. Às quintas, sextas e sábados, desde o dia 13 de janeiro até o dia 16 de abril, vamos curtir o que há de melhor na MPB feita em Goiás, com inserções de peças do cancioneiro nacional.  Cantores e instrumentistas são nativos ou residentes daqui... 
Karine Serrajno
Ah, gente! Aí vai a programação, os elencos e um "release" da primeira semana. (Meus ingressos já estão reservados com o guru dos grandes feitos nessa área, meu amigo e ex-aluno dos tempos de Lyceu Carlos Brandão!).


L.deA.








PROGRAMAÇÃO

O Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro está pronto para receber a 4ª edição da maior festividade voltada específicamente para a Música Popular Brasileira em Goiânia. O Canto de Ouro 2011 será, sem dúvidas, a maior edição desde quando o festival começou. Acontecendo entre 13 de janeiro e 16 de abril do próximo ano, o evento englobará 13 semanas de shows com 15 elencos de artistas; entre eles 65 instrumentitas e 68 cantores e cantoas, o que resultará em 58 atrações diferenciadas.

Confira a programação completa e programe-se para fazer parte desse evento:
1º Elenco  
Data: 13, 14 e 15 de janeiro
Márcia Jácomo
Marcos Antônio
Xexéu
Nilton Rabello
Banda: Jader Steter, Bororó, Sérgio Pato, Emídio Queiroz e William Cândido

2º Elenco

Data: 20, 21 e 22 de janeiro
Wanderson Postigo
Yara de Mello
Valter Mustafé
Gilberto Correia
Banda: Moka, Bororó, Henrique Reis
, Sérgio Pato e Emídio Queiroz
3º Elenco
Data:
 27, 28, e 29 de janeiro
Milla Tulli
Grace Venturini
Senhor Blanchu
Darwinson
Banda: Guilherme Santana, Nonato Mendes, Emídio Queiroz, William Cândido e Sérgio Pato

4º Elenco

Data: 3, 4 e 5 de fevereiro
Kleuber Garcez
Anthony Brito
Larissa Moura
Laércio Correntina
Banda: Guilherme Santana, Bruno Rejan, Gleyson Andrade, Diego e Henrique Reis


5º Elenco
Data:
 10, 11 e 12 de fevereiro
César Canedo
Karine Serrano
Sabah Moraes
Débora de Sá
Banda: Guilherme Santana, Nonato Mendes, Edilson Morais, Ney Couteiro e Henrique Reis

6º Elenco
Data:
 17, 18 e 19 de fevereiro
Lucas Faria
Cristina Guedes
Tonzera
Grace Carvalho
Banda: Fred Valle, Bruno Rejan, Luiz Chaffin, Diego e William Cândido

7º Elenco
Data:
 24, 25 e 26 de fevereiro
Elisa Canuto
Grupo Essência
Cláudia Vieira
Fernando Perillo
Banda: Fred Valle, Bororó, Sérgio Pato, Front Jr. e William Cândido

8º Elenco
Data:
 10, 11 e 12 de março
Quinteto Harmoniza
Ingrid Goldfeld
Fernanda Guedes
Francisco Affa
Banda: Fred Valle, Marcelo Maia, Dimar Viana, Diego e William Cândido

9º Elenco
Data:
 17, 18 e 19 de março
Horton Macedo
Beto Cupertino
Cristiane Perné
Diego de Moraes
Banda: Guilherme Santana, Nonato Mendes, Front Jr., Sérgio Pato e Henrique Reis

10º Elenco
Data:
 20 de março
Radiografia
Gustavo Carvalho
PretoCoresPreto
Super Super
Space Truck
Ponto de Escambo
Ton Só
José Teles
Direção de elenco: Dênio de Paula

11º Elenco
Data:
 24, 25 e 26 de março
Fausto Noleto
Octávio Scapin
Henrique
TomChris
Banda: Guilherme Santana, Bruno Rejan, Henrique Reis , Edilson Morais e Luiz Chaffin

12º Elenco
Data:
 31/março, 1 e 2 de abril
Adalto Bento Leal
Fé Menina
Maíra
Gustavo Veiga
Banda: Fred Valle, Marcelo Maia, Edílson Morais, William Cândido, Luiz Chaffin

13º Elenco
Data:
 3 de abril
Kabiotó
Passarinhos do Cerrado
Gloom
Umbando

14º Elenco
Data:
 7, 8 e 9 de abril
Walter Carvalho
Taís Guerino
Luiz Augusto e Amauri Garcia
Maria Eugênia
Banda: Fred Valle, Marcelo Maia, Edílson Morais, William Cândido, Luiz Chaffin

15º Elenco
Data:
 14, 15 e 16 de abril
Bel Maia
Juraíldes da Cruz
Camila Faustino
Pádua
Banda: Fred Valle, Marcelo Maia, Edílson Morais, William Cândido, Luiz Chaffin






Release primeira semana:






Palco do Canto de Ouro, 2010...

Vem aí: Goiânia Canto 
de Ouro 2011


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A 4ª Edição do Goiânia Canto de Ouro englobará 15 elencos e acontecerá de 13 de janeiro a 16 de abril de 2011
por Caio Sena - Assessoria de Comunicação

Márcia Jácomo estará no primeiro elenco de 2011 Foto de Divulgação
O Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro está pronto para receber a 4ª edição da maior festividade voltada especificamente para a Música Popular Brasileira em Goiânia. OCanto de Ouro 2011 será, sem dúvidas, a maior edição desde quando o festival começou. Acontecendo entre 13 de janeiro e 16 de abril do próximo ano, o evento englobará 13 semanas de shows com 15 elencos de artistas; entre eles 65 instrumentistas e 68 cantores e cantoras, o que resultará em 58 atrações diferenciadas.

Canto de Ouro foi concebido pelo secretário de cultura Kleber Adorno com a realização da Prefeitura Municipal de Goiânia através da Secretaria de Cultura. A produção fica por conta do compositor e jornalista Carlos Brandão, já a direção musical é de Luis Chaffin.
FlashBack
Goiânia Canto de Ouro começou com o pé direito no ano de 2008, quando inovou ao produziu 8 semanas ininterruptas de Música Popular Brasileira com vários artistas goianos. Em 2009 o evento foi ampliado para 10 semanas. No ano passado, além de preencher o palco do Centro Cultural com 12 semanas de música, o festival se expandiu para o Café Cultura com mais 12 artistas.
Desde a primeira edição, o Canto de Ouro teve como objetivo aproveitar a diversidade cultural principalmente de artistas goianos, oferecendo uma atração de qualidade para quem fica em Goiânia durante as férias e até mesmo turistas que pretendem visitar a cidade no primeiro semestre do ano.

Horizontes
Nas edições passadas o festival acontecia de quinta-feira a sábado. Em 2011 foram adicionadas duas semanas especiais com atrações também aos domingos. O primeiro acontecerá dia 20 de março com Ton Só, Gustavo Carvalho, PretoCoresPreto, José Teles, Ponto de Escambo e Super Super. Todos esses artistas foram dirigidos por Dênio de Paula quando participaram do CD Radiografia (um trabalho que de ganhou muita visibilidade no cenário goiano) e que acabou sendo selecionado pela curadoria do Canto de Ouro para este primeiro domingo especial.
O segundo domingo extra acontecerá dia 3 de abril, nesse dia, quem comanda o palco são os grupos: Passarinhos do Cerrado, Kabiotó, Gloom e Umbando. Os grupos selecionados possuem instrumentistas próprios que fazem parte do eixo central da banda, compondo a identidade. Tal fato deixou as quatro bandas com um registro musical diferente do que normalmente aconteceu nas últimas edições do Canto de Ouro. "Na 4ª edição, criamos dois elencos paralelos para ampliar ainda mais a programação do festival", explica o produtor Carlos Brandão.

Primeiro Elenco 2011

O elenco da primeira semana de 2011 já está definido. Abrirão o palco nos dias 13, 14 e 15 de Janeiro os músicos Marcos Antônio, Xexéu, Nilton Rabello e Márcia Jácomo. Acompanharão os cantores em cima do palco uma banda formada por Jader Steter, Bororó, Sérgio Pato Emídio Queiroz e William Cândido.

Marcos Antônio: Cantor, compositor e instrumentista. Marcos é bastante conhecido nas noites goianienses e em todo interior de Goiás e Tocantins. Começou a cantar aos 10 anos de idade no extinto programa da Tv Anhanguera "O mundo é das crianças".
No seu percurso profissional passou por diversas bandas de baile até chegar a carreira solo em 1985, quando participou de diversos festivais em Goiás, seguindo mais tarde para outros estados.
Lançou seu primeiro disco em 1996, com o título "Quero ter você pra mim", nele o músico colocou composições próprias e uma regravação de "Pra você não ir embora" de Benito di Paula.
Márcia Jácomo: Iniciou a carreira musical na década de 1980 no "CORAL DA CIDADE" sob regência de Luiz Graciliano Salles. Por lá a artista permaneceu 12 anos, sendo solista. Durante esse tempo se apresentou em Goiânia, Anápolis, Brasília, Belo Horizonte e arredores.
De 1999 a 2003 morou na Georgia (USA), época em que representou o Brasil acompanhada pelo violonista Ednaldo Queiroz.
Durante sua carreira fez vários Shows sobre o Dia Internacional da Mulher; Consciência Negra e foi backing vocal de Gustavo Veiga e Tonzera. Recentemente participou do FICA na cidade de Goiás e canta em bares e shoppings na noite Goiana.
Nilton Rabello: Cantor e compositor, Nilton Rabello atua desde 1977, e toda sua experiência pode ser percebida em Nação, CD de 2006 que aponta diferentes estilos, desde baladas românticas como Por VocêAlarmes e Navegante; músicas mais balançadas como Toda Forma e Cigana; bossas como Saudade Boa; rock, pop, funk e dance emVocê Me Entende.
O primeiro disco veio em 1985. Era um compacto simples, com duas composições que marcaram época: Avesso, um dos principais hits goianos, e Céu Goiano. Ao longo da carreira, gravou ainda o CD Minha Luz, de 1995, e o CD A Trilha, do grupo formado por Rabello, Henrique, Luiz Augusto e Marcos Morgado, em 2000. Em 2002, foi lançadoFaço Tudo Pra Te Conquistar, um passeio por bossas, sambas e outros ritmos brasileiros, que confirmava a abrangência da obra de Nilton.
Serviço:
4ª Edição do Goiânia Canto de Ouro
Data: 13 de Janeiro a 16 de Abril de 2011
Local: Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro
Endereço: Rua 3, esquina da Rua 9, Centro

domingo, janeiro 09, 2011

Educar, só com qualidade


Educar, só com qualidade


Minha iniciação escolar deu-se naquele março, há muitos anos. Mais precisamente, em 1950. Lápis, borracha, apontador, caixa de lápis de cor, caderno de desenho, tabuada, cartilha... Não tinha aquilo de pré-escola ou jardim da infância, começamos logo a decorar o abecedário, em seguida os algarismos, as sílabas, o que eram unidade e dezena... Dona Vanda Rodrigues da Cunha, a professora, era eficiente e brava. Virou personagem de um poema meu, Rondó de Menino Pobre, que o Jorge Braga ilustrou tão bem que chega a pensar que é dele; e é, meu irmão Jorge; somos sócios!




1956




Assim, o curso primário esticou-se; não tínhamos graduação alguma naquele primeiro ano (preciso citar alguns nomes... Posso não! Certamente as meninas vão parar de falar comigo, pois trairei o segredo das idades). Alguns dentre nós tornamo-nos professores de formação e ofício; outros pegaram outras pás do leque. Eu fiquei em desvio de função, acabei jornalista.




Cadernos: motivação cívica

Nunca me esqueço dos cadernos com escoteiros na capa; na contracapa, ora a letra do Hino Nacional Brasileiro, ora a do Hino à Bandeira ou ainda a do Hino da Independência. Aprendíamos também a cantar canções próprias de crianças, algumas de cunho religioso, outras relativas às histórias infantis que mães e professoras não deixavam de nos contar.

1957, Escola Evangelina
Era o tempo em que se dizia que “a criança é o futuro do Brasil” (havia intelectualóides que corrigiam: “serão o futuro”; redundância ou hipérbole, Leda Selma? É o mesmo que dizer “foi ex-marido dela”). Numa fase seguinte, uma década depois, tinha eu, já, a consciência de que sem Educação nada se faz. E decidi que seria professor.

Os tempos de faculdade corroboraram a crença de que a Educação era, sim, a única coisa indispensável para se construir um futuro de qualidade. Infelizmente, desde aquela década de 1960, com o advento da ditadura militar e a soberba de que se revestiu a geração da redemocratização, a complexa atividade do ensino com qualidade passou a ser adiada “sine die”. Nem mesmo alguns professores investidos em funções políticas cuidaram de implantar a ideia que, ainda na infância, tornou-se meu propósito de vida.


Colégio Pedro II, 1961
A escolinha da Dona Vanda, em Caldas Novas; a Escola Evangelina Duarte Batista, em Marechal Hermes, e o Colégio Pedro II (Tijuca e Centro), no Rio de Janeiro, e o Lyceu de Goiânia (na época, estranhamente intitulado Colégio Estadual de Goiânia) deram-me as bases para o magistério. Infelizmente, fatos só justificáveis em tempos de arbítrio conduziram-me ao desvio: bancário, auxiliar administrativo, escritor, jornalista... Enfim, a vida fora das salas de aulas.

Por que repito esta história, ainda que com outra linha? Só para complementar o que colegas jornalistas andam enfocando com muita ênfase ultimamente. E vários são os jornalistas que enveredaram-se pela trilha do ensino; a esse propósito, na madrugada desta quinta-feira (6 de janeiro, 2011), ouvi Alexandre Garcia, da Globo News, contar que desistiu de ser professor de jornalismo quando, numa classe de trinta alunos, perguntou se alguém já ouvira falar sobre Winston Churchil; o único que levantou a mão assegurou que o homem do charuto fora presidente dos Estados Unidos.

Está certo, o Alexandre Garcia! Professor universitário é muito diferente de professor de ensino fundamental e médio, precisa ensinar o ofício, e não as bases acadêmicas. Jornalista tem que conhecer História e Geografia. E estudantes de faculdade desconhecendo a História recente da humanidade é algo realmente lamentável! Ensinar o quê? Esses moços têm que chegar à Universidade com um mínimo de informações indispensáveis!

Com uma réplica do uniforme dos anos 1960, eu, ex-aluno e ex-professor do
Lyceu, entre alunos e as professoras Klaudiane Rodovalho e Júlia Franco (2010)

Há que se investir mais e com mais interesse nos ensinos básicos! O Lyceu, na Cidade de Goiás e em Goiânia, referência maior na Educação de Goiás, precisa resgatar-se como o grande colégio de dezesseis décadas! O professor precisa resgatar sua autoestima e ser melhor remunerado! A escola de base e a média precisam ser de tempo integral, com uma Educação igualmente integral, constituída não somente de aprendizado acadêmico, mas enriquecida com artes e música. E, sobretudo, com a prática constante da cidadania, revestida de informações sobre as leis, os valores morais e a consciência social.

O tempo passa... Precisamos correr e alcançar o futuro, que já começou por aí, mas deixamos que passasse por nós, feito um cometa. É tempo de agitar professores, comprometer a direção e arregimentar ex-alunos de todas as profissões para devolverem ao Lyceu de agora o que dele recebemos no passado.


* * *

Luiz de Aquino - escritor, membro da Academia Goiana
de  Letras. E-mail: poetaluizdeaquino@gmail.com


sexta-feira, janeiro 07, 2011

Marcela Temer, a Dama


Marcela Temer, a Dama


De repente, a moça se tornou evidência inevitável em todos os veículos noticiosos do país, ou, pelo menos, nos que não têm como preencher devidamente seus tempos (nos casos de tevês e rádios) ou espaços (jornais e revistas). De repente, porque um deputado federal por São Paulo, que por duas vezes, ao menos, se fez presidente da Câmara Federal, presidente de seu partido (o maior do país) e que foi candidato (e venceu) a vice-presidente da República revelou ao mundo que é casado!
Até parece que Michel Temer, presidente licenciado do PMDB e vice-presidente da República, empossado no primeiro dia deste mês (e deste ano), escondia sua esposa! Até parece que a moça só se mostrou no momento da posse, ao lado da primeira mandatária, Dilma Rousseff. E só então a imprensa mundana, mais desocupada do que aparenta, descobriu que Temer tem mulher e filho, e que a cônjuge é jovem e bonita.
Cônjuge é uma palavra feia; muito feia. Só perde para “esposa” e sua equivalente masculina, sobretudo quando pronunciada em tom melífluo, com fingido e respeitoso carinho demonstrado por quem fala. Esposo, esposa diz respeito ao momento das núpcias; o mesmo que nubente, nubentes... ou esponsais; depois da cerimônia, o certo é mulher e marido.
Voltando a Marcela, a Sra. Temer, o susto dos repórteres sem ocupação ficou por conta da beleza e da juventude da mãe de Michel Jr. )ou será Michel Filho?). E aquele longo intervalo: 43 anos tinha o político quando nasceu Marcela, que viria a ser Miss. O homem Michel encantou-se com os predicados físicos de Marcela; certamente é um homem inteligente e sagaz, e vislumbrou outras qualidades na moça. O resultado foi o que todos já sabem e não merece mais descrições.
O que merece atenção, de fato, é a ociosidade dos profissionais da imprensa. Facebook, Twitter e outros sites sociais estão repletos de pessoas desocupadas, gente que vai ter o que fazer ao longo dos próximos três meses, quando as tomadas diárias da TV Globo com o seu BBB substituírem o tema preferido dessa gente. Mas que jornalistas empregados em grandes estruturas  gastem tempo e espaço com especulações e maledicências sobre o vice-presidente e sua musa, ah!... isso extrapola qualquer limite de bom senso!



É inveja, claro! Os homens, com inveja indisfarçável do septuagenário substituto de Dilma; as mulheres, com inveja de Marcela. E entre as mulheres a inveja deve ser muito maior. O que não falta no Brasil é mulher jovem e bonita. Aliás, e repetindo Ziraldo, “Não há como alguém ser feito nessa idade” (disse ele em Goiânia, durante uma entrevista a mim para o Zeferino, jornal de humor do Jorge Braga, lá por 2004); o humorista referia-se a adolescentes, mas Marcela, naquela época, era um pouquinho mais que adolescente; mas já era casada com o deputado Temer.
Inveja feminina, dizia eu, e muito mais apropriada que a dos homens. Desconheço homem mediano que não tenha namorado, alguma vez, namorado uma mulher bonita; mas são muito poucos os homens casados com mulheres bonitas. Na hora da definição ante o futuro, não é a beleza física que conta, todos sabemos disso. Mas as mulheres sonham, sim, com um parceiro que seja um príncipe; não sendo possível, que seja ao menos meio príncipe; ou barão: educado, gentil, cavalheiro, decidido, com boa projeção social e... e... O principal: que esteja bem de vida; se for rico, melhor ainda. E se juntar todos esses predicados, vira príncipe, sim!
Um homem rico, maduro, experiente, bem sucedido nos negócios e em sociedade, presidente da Câmara... Pô, esse cara é quase um príncipe! E nas medidas republicanas, ele é o primeiro na sucessão. Quer melhor? Temer talvez não seja um exemplo de beleza para as mulheres, mas reúne, sim, itens indispensáveis para a escolha de dez entre dez mulheres contemporâneas.
Então, gente, eis aí, de novo, o abuso das regras comezinhas de comunicação: afinal, queremos liberdade de expressão para que mesmo? Para mostrar que essa moça é bonita? E daí? Interessa-nos saber se ela, na parceria conjugal com o homem mais poderoso da República (claro: a pessoa mais poderosa é a Dilma; ele é a segunda pessoa, mas o primeiro homem), vai gerir algum programa social de relevada importância, como inaugurou a Sra. Darci Vargas, mulher do poderosíssimo Getúlio; e Dona Gercina (em Goiás), durante os períodos de poder de Pedro Ludovico. A mulher do presidente Lula preferiu ficar de braços dados com o marido, não se manifestou como elemento capaz de atuar na sociedade brasileira.
Espero, sinceramente, que Dona Marcela cumpra esse propósito. Afinal, suponho-a bem preparada intelectual e socialmente, por meras evidências; o convívio com o marido certamente a mantém a par da realidade brasileira; as línguas (ou ínguas) da futilidade, repetindo o tom e as intenções da campanha eleitoral (tal como vimos nos e-mails enviados por eleitores e simpatizantes do principal candidato de oposição em 2010) chegaram ao disparate de afirmar que a moça deu um golpe do baú, que ela é isso ou aquilo (isso mesmo: entendam aí as palavras que estou evitando, mas elas chegaram nuas e cruas em alguns e-mails e pela falta de um nível ao menos respeitoso, removi da minha lista os remetentes de tais notas).
Neste últimos 60 anos (isso mesmo: sessenta), desde quando li o primeiro livro da minha vida, interrompi a leitura de inúmeras obras por encontrar trechos, palavras ou ideologia que não acrescentava nada ao meu conhecimento. Assim tenho feito, também, com os jornais e os noticiários de rádio e tevê: desprezo a notícia. Jornalistas são profissionais de quem se espera nível superior – e esse nível não é, necessariamente, o de escolaridade; Nelson Rodrigues, por exemplo, sequer concluiu o ginasial, ou seja, o que hoje chamamos de Ensino Fundamental. Mas era Nelson Rodrigues, superior! A muitos, a gente vê, não basta um diploma de faculdade – o aprendizado e o senso crítico passaram ao largo.
Até agora, não me consta que alguém tenha realizado, com a mulher do vice-presidente, uma entrevista de peso e (ou) profundidade intelectual. Neste caso, caímos na mesma figura da entrevista com jogador de futebol: há pouco mais de um ano, um comentarista de futebol entrevistava uma jovem e bela repórter de campo; a moça, sorridente e bem embasada, respondeu à primeira pergunta de modo a demolir a anta que a entrevistava; perguntou o cara: “Entrevistar jogador é difícil, não é? Eles sempre respondem igual”, disse ele; e a moça respondeu: “Sim, eles respondem igual, mas é porque os repórteres perguntam sempre igual”.
Fiquei com vergonha por ele; mas o despreparado, certamente um desses que sempre “perguntam igual”, não percebeu a força da jovem e iniciante colega.
Enfim, é isso! Espero que Marcela Temer reapareça no noticiário, mas como a parceira que o Brasil precisa para atuar no quadrante social do novo governo, já que a presidente Dilma não tem marido e, se o tivesse, talvez ele não fosse preparado para executar projetos nessa área – coisas para as quais as mulheres, ainda que não formadas na área, costumam realizar com maestria.

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Luiz de Aquino – jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.

A cidade e os monumentos

Goiânia atual
Goiânia (Praça Cívica), 1944.














A cidade e os monumentos




Anhanguera
Em 1979, sopravam os primeiros ventos de liberdade depois de 15 anos de mordaça total… Por tempos, imaginávamos que a opressão pelo silêncio era uma mortalha; ninguém tinha mais pose de poderoso do que os censores, regiamente pagos pelo poder público. No mesmo patamar, posavam para a plateia ignara os dedos-duros, delatores sem fundamentos que apenas apelidavam de esquerdistas ou comunistas.



"Três Raças", de Neuza
Morais
Do outro lado do balcão estavam os idealistas que acreditavam na resistência. E estes dividiam-se entre os que atuavam com perseverança na construção das ideias e do ideal de liberdade; eram pacifistas. E havia, ainda, os que preconizavam a luta armada. Também essa ala era dividida, embora não fosse o momento de desunir: entre os que criam na luta armada como modo ideal de mudança, havia os oportunistas. Estes mostraram-se com seus reais perfis na fase conhecida como de redemocratização. Apresentavam-se como teóricos da luta, mas não pegavam em armas – preferiam teorizar sempre, elaborar teses verbais, de preferência às mesas dos botequins e nas esquinas.

Passado o tempo de adaptação à nova realidade, um pouco da biografia de cada um é relembrada por detalhes incoerentes ao discursos difundidos. Há até os que se beneficiaram das indenizações por males sofridos, mas alinharam-se entre os delatores que conquistaram benefícios às custas de dores alheias.


Mon. às vítimas da ditadura
Bem, vou ceder aos apelos fortes desses falsários e não discorrer sobre isso; eles gostam de evocar o perdão e o esquecimento como modo de manter na escuridão da história seus atos inconfessáveis. Recordemos, porém, outros fatos: comecei falando em 1979, o ano da Anistia, que pretendíamos ampla, geral e irrestrita; foi  uma espada de dois gumes e, assim, perdoou-se também a falange de torturadores, à revelia da legislação internacional que não concede prescrição nem perdão para crimes de tortura.

Praça Simão Carneiro (Foto: Marcus Brandão)




Em 1979, no “Cinco de Março”, recordo-me de ter  realizado trabalhos importantes, mas destaco as entrevistas com exilados e clandestinos que retornavam à vida de origem, de um lado; e, de outro, uma série de reportagens sobre o espaço urbano de Goiânia. E falar sobre o espaço urbano de Goiânia, naquela época, era cair no mais comezinho dos problemas: as invasões.

Pobres migrantes invadiram o que se tornou Vila Nova, Universitário (antes chamado de Bairro Botafogo) e Pedro Ludovico, bairros discriminados por agregar gente humilde; o primeiro a se redimir da pecha foi o Botafogo, ao tornar-se Universitário justamente por sediar o “campus” das duas universidades – a Católica (PUC) e a Federal (UFG). A Vila Nova tornou-se aceitável por emprestar seu nome ao time mais querido da capital.
Por meses, denunciei invasões várias; além das já citadas, cometidas por levas de migrantes humildes, havia as invasões milionárias, concentradas em vales aprazíveis como a margem esquerda do Botafogo, no Centro e no Setor Sul, e, em registros da década de 1970, a margem direita do Vaca Brava, no setor Bueno.
Não era tudo: constatei, também, que o poder público era um grande invasor. Empresas do Estado (BEG, Celg e Saneago, além da telefônica Cotelgo, precursora da Telegoiás) invadiam; administração direta também (Policia Militar, Organização de Saúde do Estado de Goiás), e seus alvos eram principalmente fundos de vales e praças. Mas havia também invasões de ruas, como uma das pistas de uma bela e arejada avenida no Universitário, além de ruas da Cidade Jardim obstruídas para que existisse o clube da Cotelgo/Telegoiás.

Até a Prefeitura de Goiânia invadiu. E invadiu espaço estadual, a própria Praça Cívica.

A rigor, a sede provisória (?) da Prefeitura, na Praça Cívica, deveria ser
 uma réplica do Museu Zoroastro Artiaga (foto).

Acontece que, por ter sido concebida e edificada no decurso dos governos de muitas fases de Getúlio Vargas, o Estado e a Capital se confundiam, e em nome dessa confusão alguns erros foram cometidos com sabor de injustiça – ou de abuso de poder, coisa comum nas ditaduras. Por exemplo, extinguiu-se, sem que fosse necessário, o município de Campinas para ampliar o território da nova capital. E o Estado manteve, até a década de 1970, um tal Departamento de Terras que gerenciava os negócios de lotes urbanos de Goiânia, tomando para si o poder de gestão que deveria ser da Prefeitura.

Teatro Goiânia
Até hoje o Governo tem sob seu controle patrimônios que deviam ser do município, como o Teatro Goiânia e os estádios – o Serra Dourada e o Olímpico, este sob o suplício de uma obra interrompida há quatro anos. E sabe-se, como novidade, que a Praça Cívica é propriedade do Estado, pois foi concebida como tal, ou seja, a municipalidade não tem autoridade sobre aquele logradouro público; sendo assim, as leis que dão a ela o nome de Pedro Ludovico (Venerando de Freitas, primeiro prefeito de Goiânia, tentou convencer a Câmara a não fazer a mudança; não conseguiu) e quaisquer outras ficam mortas de origem. Ou não?

Na planta original da cidade, argumentam os que insistem em manter no gramado do Centro Administrativo a estátua eqüestre do fundador da cidade, a Rua 82 era o limite da Praça Cívica; logo, a estátua está em lugar apropriado. Contesto: se tenho uma bela obra de arte, sobretudo se essa peça equivale a uma homenagem, hei de ostentá-la em lugar nobre da casa, ou seja, na sala, e não no quarto de despejo, e a estátua de Pedro está no quintal do Palácio das Esmeraldas, trecho escolhido pelo filho do homenageado para erguer um edifício que protegeria o Palácio do Governo caso a cidade crescesse para o Sul e algum governador, no futuro,resolvesse expandir a Avenida Goiás, demolindo o Palácio.

Coreto - Praça Cívica

Ora: se a Rua 82 é parte da Praça Cívica, o lado de lá dessa avenida estaria fora do complexo arquitetônico da Praça? Ali há casas ao estilo dos anos de 1960, marcadas pelo modernismo de Niemeyer e seus seguidores; há grandes edifícios que destoam do conjunto; e na própria praça, nas quadras que determinam as avenidas Tocantins, Goiás e Araguaia há o conjunto de prédios em “art déco” que bem identificam a época da construção de Goiânia (década de 1930) – mas o poder público silenciou-se quando os Correios desfiguraram sua sede.
Praça Latiff Sebba (do Ratinho)
Vivemos, pois, a dissonância entre o original e o atual; a civilização ocidental, em seu berço legítimo – o Velho Mundo, ou Europa – sabe harmonizar o antigo histórico com a modernidade das sociedades contemporâneas. Por que não aprendemos com a Europa? Mas a Europa está distante para nos ensinar, e sabemos que mal aprendemos com nossos pais, bem como não ensinamos bem aos nossos filhos. O lamentável é que, em questões como essas, damos poder a alguns dos remanescentes daqueles tempos da década de 1979, ídolos que cultuamos por uns tempos, mas que hoje sabemos com pés de barro; são pessoas que alegavam leituras sofisticadas nos botequins daqueles tempos, mas que não resistem a frágeis perguntas dos jovens atuais, muitas vezes “intelectuais” cuja formação acadêmica se dá nas páginas da Internet, sem a interveniência saudável das gerações imediatamente anteriores, como professores, pais e avós.

Falta conhecimento de causa. Falta vontade de fazer certo. Falta humildade para aprender. Falta competência para decidir.
Sobra soberba. Sobra autoridade sem conhecimento. Sobra má intenção.
Mas é sempre tempo, e o tempo pede coragem para estudos e decisões. É tempo de mão na massa, com respeito ao passado, compromisso com o presente e fé no futuro.

Centro Cultural Oscar Niemeyer




Luiz de Aquino – Escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras.





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sábado, janeiro 01, 2011

A vez dos bens culturais

A vez dos bens culturais



Era final de maio, ou começo de junho de 2005; publiquei uma crônica com o título “Tempo de templos de cultura”, aqui nas páginas do DM:

Marconi só nos deve um item no leque de benfeitorias culturais: restituir aos artistas e intelectuais do Estado a Secretaria da Cultura, que nos foi tomada de modo truculento, injustificado. Vale anotar: um mês antes da eleição de 1998, num café da manhã com o candidato Marconi Perillo, apenas dois escritores compareceram, demonstrando acreditar no moço pretensioso que afrontava o cacique: Maria do Rosário Cassimiro e eu. Depois de eleito e empossado, ele deu mostras de boa intenção ao nomear Nasr Chaul e, ato contínuo, desencadear uma torrente de fatos e eventos que marcam bem estes seis anos e meio”.

Coincidentemente, na manhã do dia da publicação o governador Marconi Perillo e o presidente da Agência de Cultura Pedro Ludovico, Nasr Chaul, encontraram-se, em audiência, com o ministro da Cultura, Gilberto Gil; e nesse encontro, Gil sugeriu que o órgão gestor da política cultural de Goiás fosse uma secretaria. Ao sair da audiência, por ter lido minha crônica, Chaul telefonou-me, o governador estava disposto a atender ao que propunha o ministro (e que era também o meu pedido).

Mas razões políticas ou de orçamento, ou sabe-se lá de que natureza, impediram a concretização do nosso sonho antigo, frustrado numa canetada infeliz em 1991, com encenação de autoria por parte de um deputado chamado Prestes. Tivemos de engolir a transferência dos trabalhos de gestão de cultura para a pasta da Educação (a professora secretária tinha de autorizar até fotocópias), mascarada com um título pomposo: Fundação Pedro Ludovico. A independência só aconteceu em 1999, com Marconi no governo e Chaul na Funpel, com a elevada colaboração de Fernando Perillo e José Eduardo Morais. A Fundação, quando da reforma administrativa do Estado, transformou-se em Agência, mas no concerto dos órgãos culturais estaduais, há que se explicar, sempre, que em Goiás funcionamos com agência, e não com secretaria. Consta que, integrado à administração direta, o órgão tem mais funcionalidade que uma autarquia – coisas da administração pública.

Aqueles dois governos de Marconi, todos sabemos, marcaram-se por grandes realizações na esfera cultural. Fortaleceram-se o folclore, o cinema, a música e o teatro; na esfera dos livros, criou-se a feira que, na segunda edição, pretendeu-se bienal (fui contra; preferia ver acontecer por umas três ou quatro edições, antes de assim ser chamada; o governo seguinte deu razão aos meus temores, infelizmente).

Marconi deve, aos escritores, um empreendimento que atenda efetivamente o setor. É que a feira do livro é um evento para a confraternização de leitores e escritores, mas uma festa para os fabricantes e comerciantes; não beneficia, propriamente, escritores. A feira traz autores dos grandes centros, privilegiados pela mídia de grande alcance; esses escribas são regiamente remunerados para comparecer (e ainda lhes oferecem títulos de cidadania), enquanto os locais são pagos, quando inseridos nos programas, com cachês de 10% do que se dá aos forasteiros. Estes dados são apenas para ilustrar.

O que queremos é a Secretaria da Cultura de volta; a Agepel poderia, na hipótese da recriação da Secretaria, ser o órgão incumbido de gerenciar o patrimônio físico (histórico e artístico) do Estado, subordinada à Secult e transformada numa Superintendência de Patrimônio Artístico e Cultural, nos moldes do federal IPHAN.


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Luiz de Aquino é escritor, membro da Academia Goiana de Letras.  
E-mail: poetaluizdeaquino@gmail.com

O sonho de Thiago Peixoto


O sonho de Thiago Peixoto


Há quarenta anos, um jovem professor da rede estadual de ensino, em Goiânia, foi dispensado de sua função em dois colégios: o tradicional Lyceu e o Dom Abel, no Setor Pedro Ludovico. Em ambos, mandaram-no procurar outros colégios, que vários foram abertos, que havia os convênios com a rede privada etc. e tal. Mas o jovem professor não conseguiu se firmar em nenhum outro estabelecimento, pois misteriosos telefonemas aconteciam para levantar suspeitas: o moço parecia comunista. Não se fez acusação formal, mas a boataria foi bastante para tirá-lo da profissão.

O jaleco, os mapas geográficos, os planos de aulas e de cursos, o giz e o quadro – tudo isso virou saudade. Bancário que era, o moço esqueceu o projeto de vida, sepultou um sonho. Fixou-se na carreira do banco, perambulou por outros empregos, apegou-se de vez ao jornalismo (que exercia como diletante) e tornou-se repórter, repórter fotográfico, redator, editor, assessor de imprensa. Paralelamente às reportagens, artigos e editoriais, escrevia crônicas, contos e poemas. Ou seja, mudou a sintonia, e o sonho de ensino bandeou-se para o da escrita.

Pouca diferença, pensava ele... Tudo era comunicação. A Educação exigia, sim, algo mais; não bastava informar, era preciso formar. Aquele sonho frustrado pela fofoca denunciante não morreu: adormeceu. Era importante não esquecê-lo. Desde aquele esforço de auto-salvação profissional, vão-se quatro décadas! Os perseguidores ainda vivem, mas esquecidos. O jovem cuja carreira foi ceifada no início tornou-se jornalista e escritor; sem a lousa e os cinquenta minutos de aula, foi compensado com os espaços nos jornais e a oportunidade de produzir livros.

Como fruto inevitável, tornou-se também palestrante para turmas várias de escolares e acadêmicos. Certamente, sua primeira clientela, ouvinte de temas literários e políticos, passa hoje dos cinquenta anos. Sente-se, assim, vitorioso sobre a maledicência dos velhos colegas daquele tempo, já então professores grisalhos.

Claro: o professor conduzido ao fracasso de um sonho sou eu.

Vendo, agora, a teimosia do jovem deputado Thiago Peixoto por aceitar o convite do governador Marconi Perillo para ocupar a pasta da Educação, não consigo evitar uma enorme simpatia. Disse ele: “É o meu sonho”. E essa frase bastou: ela justifica tudo. Um grupo de filiados ao PMDB, partido de Thiago Peixoto, fala em expulsá-lo; ao assim agir, eles repetem o que fizeram aquele velho professor e as duas senhoras professoras que impediram-me de continuar professor. Thiago não jogará fora esta chance, que ele tentou realizar na Prefeitura de Goiânia, na administração do prefeito Iris Rezende. Agora, é Iris quem propõe que Thiago renuncie.

Engraçado! Para ser ministro da Agricultura no Governo de Sarney, Iris não renunciou ao Governo de Goiás – licenciou-se. E para ser ministro da Justiça de FHC, não renunciou ao Senado – licenciou-se. Porque ele exige a renúncia de Thiago? É incoerente. Até porque, ao preservar-se titular da cadeira de deputado federal, Thiago assegura uma oportunidade de retornar ao cargo, caso aconteça incompatibilidade no governo “tucano”.

A persistência do jovem em dedicar-se à Educação é admirável, louvável até! Acho que Goiás terá muito a ganhar, bem como o novo governo de Marconi Perillo; e também o PMDB, porque ele é um jovem e promissor líder na velha sigla (tão velha que continua insistindo no comportamento dos coronéis de antanho, para usar uma palavra que cai bem no caso).

Ao convidá-lo, Marconi Perillo mostrou não apenas  grandeza política, compondo seu governo com valores de siglas várias, mas também a argúcia do executivo que bem sabe escolher auxiliares. A derrota de campanha já é coisa do passado e lamentar o leite derramado é inútil e triste. Afinal, o PMDB não foi maduro o bastante para aliar-se ao PT de Lula, sigla e líder antes abominado? Porque essa rejeição sistemática a Perillo? E porque tolher, agora, o sonho de um jovem e dinâmico político, um moço diferente no trato do fazer-político e de vislumbrar o futuro? Sem uma Educação de qualidade, não cresceremos; e o Século XXI é o desafio que o Brasil tem ante o Mundo; que Goiás tem ante o Brasil.

Neste dezembro de 2010, um péssimo estudante mineiro matou o professor em cuja matéria não conseguiu ser aprovado; o fato foi, por si só, chocante. Mas a frase de um estudante, colega de turma do assassino confesso, definiu bem o mestre: “Ele não saía de casa para ganhar dinheiro, mas para construir outra pessoa”. Entendi bem isso; foi para isso que me formei. E entendo bem a postura de Thiago Peixoto: ele quer construir um novo método, de modo a viabilizar a construção de outras pessoas.

Boa sorte, Secretário Thiago!


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Luiz de Aquino