Manhã de beca
e capelo
Há dois tipos de festas que
considero enfadonhos – casamentos e colações de grau. Os primeiros, em qualquer
rito e lugar, cercam-se do corriqueiro, de noivas engalanadas, noivos enganados
e convidados desagradados; as formaturas, muvucas de familiares mal-educados a
tumultuar o que seria clássico e tradicional… Enfim, prefiro sempre um bate-papo
à mesa de um bar… Ah, serei franco: já gostei muito, agora gosto mesmo é de um
grupo relativamente pequeno numa varanda, numa sacada ou num puxadinho. Cerveja
gelada, bom tira-gosto e papo pra cima.
Ao que chamamos festa, gosto
de vernissages e sessões de autógrafos literários – de preferência, sem
discursos. Gosto também de sessões solenes em academias de letras. Divagações
desnecessárias, estas. Meu propósito é falar de uma festa, na manhã da última
quarta-feira, dia 10 de outubro, acontecida no Auditório da Reitoria da
Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Eis que, de repente, vi-me três
vezes convidado... Não faltaria. As mestrandas Allyne Pimenta e Elisabeth Lemes
e ainda a coordenadora do Mestrado em Letras, professora doutora Fátima Lima,
distinguiram-me com o chamado. E fomos, Lucas e eu, para assistir a alegria
daqueles mestres, mulheres e homens, construindo sua formação acadêmica e
oferecendo, assim, ao meio universitário e produtivo, valores humanos mais
aprimorados, aptos a colocar a sociedade em patamares mais elevados.
Entendi que o horário
dificultava presenças. Poucos eram os “becados”cujas famílias estavam lá, pois
era horário de trabalho. Porém, e por abranger mestres de variados segmentos –
não menos que vinte novos titulados – a festa ficou de bom tamanho,
aconchegante e sem tumultos. Discursos breves e improvisados (tomara que tenham
gravado; transcritos, hão de ser publicados, para o registro indelével de uma
festa recém instituída e que há se fazer tradicional) deram o tom das emoções.
Particularmente a mim, quando Elisabeth Lemes, falando em nome dos diplomandos,
citou-me como alguém que representaria sua família ausente e que, sendo quase
que o único (Lucas Leão Alves ainda não se firmou como escritor na memória das
pessoas; é questão de tempos e novos livros) a demonstrar o meio dos escritores
e, de certo modo, frequentador do ambiente do Mestrado de Letras da PUC. Senti-me
lisonjeado, obviamente!
As becas pretas; pelerines,
faixas e capelos nas cores representativas de cada profissão – vermelho para os
de Direito, verde para os da Saúde, azul para os de Letras, Educação e outros
licenciados e bacharéis. Professores da PUC, pró-reitores e coordenadores,
todos na indumentária que a tradição exige e uma nova ritualística, similar às
já existentes nas universidades, mas específica para o momento.
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| Allyne Pimenta e eu, momentos antes do início da solenidade na PUC-Goiás |
Emocionei-me, pois, como
quem acolhe em casa um momento expressivo da vida social e acadêmica. E
envolvi-me na emoção da Allyne, bem como na homenagem que, inesperadamente,
fez-me Elizabeth. Esta manhã, meninas-mestras, já é inesquecível!
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