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terça-feira, junho 09, 2009

Louvação a Minas

Ouro Preto

Louvação a Minas
Luiz de Aquino



Leitor me liga e pergunta, mais para se expressar que para saber: “Você gosta mesmo de Minas, hem?". Gosto mesmo, é claro! Na minha pequenina Caldas Novas, anterior ao asfalto e ao surto de turismo, não havia vivente sem origem no estado vizinho; houvesse o termo, éramos o “entorno” de Minas – ou um pedaço desse entorno: gente importante, os mais velhos, estudaram em Uberaba;
Uberaba precisássemos de médico, iríamos a Araguari; era de Araguari que vinha a jardineira de Siô Odilon levando gente para Goiânia – faziam pouso no Hotel Avenida, de Juca Godoy, com direito a banho nas banheiras térmicas (temperaturas vaiáveis entre 38º e 42º centígrados) e conversa demorada no alpendre.

Conquista Minha mãe, de veias italianas, nasceu em Conquista, à beira da ferrovia, não muito longe do Rio Grande e da Usina Junqueira. Como não gostar de um lugar que, além de minas, tem gerais? Minas da História do ouro e das lutas; gerais do feitiço literário de tantos rosa-guimarães, dos bugres dos chapadões, de Isaura escrava de guimarães-bernardo...
São João Del Rei
Gabeira, escriba e deputado, falou de sinais de vida num tal planeta Minas; e são tantos os cantos de tantas cores mineiras que entendi cinco países no planeta gabeira: norte-bahia, sul-sampaulo, leste-rio e triângulo-goiás. Basta saber-lhes os sotaques e as semânticas – Minas não é uma terra só, tanto que só se fala no plural: Minas Gerais.
Belo Horizonte
Hei de gostar, sim; e sempre. Porque são de Minas: Dênia, Fátima, Adélia, Lúcia, Marisa, Leila, Mara... Tantas encantadoras mulheres queridas! Como trocamos falas e idéias e versos, e como lhes devo, mulheres mineiras!
Serrania
Dentre as amigas das Minas que me chegaram por último, faço ênfase para Mara, doutora de glândulas que tanto me ensinou sobre glicemia e, muitas vezes, empresta-me idéias que nunca devolvo: transformo-as em temas destas crônicas duas vezes na semana. Por isso, falar de Minas não é evocar apenas os homens Tiradentes, JK, Drummond, Ari Barroso, Antônio Olinto, Pintangui, Sabino e outros miles: há as mulheres − e não falei de Adélia Prado, a que nunca me responde. Mas se poucos ainda parecem ser os argumentos, conduzo o leitor à leitura dos meus poemas “Cálidas mineiras em termas Goiás” – que pode ser encontrado na Internet ou nas páginas do meu livro Razões da Semente (republicado na coletânea Meus Poemas do Século XX, pág. 174) − e “Minas: mulher, terra e ar”, do livro Sarau (pág. 24 a 27).
Caparaó
Então, leitores goiases e leitores d’outros pagos, fiquemos na homenagem que não se acaba à terra e ao jeito de ser da gente mineira: é de Minas o melhor dos cenários do trem; é de Minas o silêncio oportuno e a força na hora certa, de Felipe dos Santos a Itamar Franco; é de Minas a cachaça que já se chamou pinga; é em Minas que o Brasil se sintetiza; é em Minas que nasce o melhor dos textos da boa língua brasileira; é em Minas que a saudade acontece sem doer.Nova Era

É em Minas que a alma se enriquece. E se renova. E cresce.




Luiz de Aquino é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras. E-mail: poetaluizdeaquino@gmail.com.br.

sábado, junho 06, 2009

Tempo inteiro para amar

Tempo inteiro para amar

Luiz de Aquino

Planto pinças no tempo memória, busco arquivos remotos e junto cores de auroras quando me acometo de amor. Mas de amor sou assaltado a todo instante, porque é este o sal dos meus instintos.

Para um 12 de junho, ano qualquer, pintamos o dia de arco-íris, de aurora polar e calor amazônico. Egoístas, fechamos nas mãos as mãos com que sonhamos. Abrimos vinhos e sorrisos, aquecemos em banho-maria o coração de Eros e Afrodite. Não existem lugares disponíveis nas casas de jantares nem nas de encontros de pares. As peles nos são eriçadas, os olhos se vestem de ternura e esquecemos os males quotidianos.

Vou à estante de poesia. Busco três livros, não preciso de mais, por agora. São poetas femininas (poetisas, no dizer de antes de Cecília Meireles), gente da minha esquina próxima, meninas vividas e amadas, e amantes conscientes de seus eleitos merecedores de versos (sim, porque não é qualquer humano merecedor de versos, muito menos se femininos).


Em “A dor da gente”, escolho duas estrofes de “Segredos de amor”, quando Leda(ê) Selma canta:


Na sala rosa

o abajur acende

o desejo filtrado

da penumbra”.

(...)

E da madrugada

estrelas vigiam nossa paixão

e ouvem segredos dizerem

promessas a meia voz.


Ah, o amor a meia voz! Acontece muito, eu sei. Mas acontece demais quando chega e, geralmente, desaparece depois de instalado. É assim que o amor se acomoda e vira intimidade, até (infelizmente) vir a ser presença incômoda. O amor “a meia voz” tem que ficar, tem que se repetir, renovando-se nas noites de “a sós” ou nos fortuitos encontros cruzados pela sala, na cozinha, no corredor. Quer melhor que roubar um beijo num momento desses? Assim, o amor nunca envelhece.

Viajo outro livro de poemas. Poetisa local (não que eu não goste de Cecília e Clarice, Lya e Martha, Adélia e outras mais, mas estas me são próximas), elejo Maria Helena Chein, em seu livro “Todos os Voos” (que feio o que nos impõe o Acordo... “Vôo” é mais bonito de se ler). Ali, acho o poema “Propósitos” e destaco esses versos:

...

Não venhas com tua boca

de salmos e beijos,

tornar-me confusa

a cada oração que recitas

em minha alma e meu colo.


E prossegue:


Vem, como amigo,

pronto para ouvir

trinados e rugidos

de meus dilúvios.


Amor de dilúvios! Belíssimo! Um achado! A evocação, ainda que negativa ( “Não venhas...”), sugere distância. Amor distante tem tempero diferente, sobrevive às lembranças e aos reencontros. Vivi amor de longo intervalo, e que belo não me foi o reencontro!

E, para fechar este curto espaço de um tema infinito, vou ao futuro, a uma década nonagenária, Berenice Artiaga, com o seu livro “Poentes Interiores”. Em “O Retrato”, ela diz:



Ele está me olhando sem me ver.

Prisioneiro da vida já distante.

A fé, a esperança no futuro ali guardados

Nos olhos mortos há longo tempo.

Não gosto de vê-lo assim preso no retrato.


Sim, Berenice, “filha do tempo” (mas o tempo não te alcança, não é?), é triste ver o amor contido num retrato... Mas amor é isso, amar é assim: ter por perto, conservar distante, guardar no tempo.

E ainda assim, a gente ama. Muito. E sempre.

Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras e escreve aos domingos neste espaço (poetaluizdeaquino@gmail.com)

quarta-feira, junho 03, 2009

Jornal SESC Brasil


Entrevista ao jornal SESCBrasil
(edição nº 69, maio de 2009. Distribuição nacional)


Ele nasceu em Caldas Novas (G), em 1945. Com a mãe, tomou gosto pela leitura. No Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, começou a escrever. É professor por formação - fez pós-graduação em Docência do Ensino Superior na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) -, jornalista e escritor e cronista do Diário da Manhã, de Goiânia. Gosta da poesia moderna, por sua cadência e liberdade da música popular brasileira e de conversar sobre literatura e coisas do quotidiano. Autor de 15 livros, Luiz de Aquino Alves Neto é membro efetivo da Academia Goiana de Letras (cadeira nº 10).




1 - Como foi seu primeiro contato com o SESC? 


Ah, não tenho memória exata do primeiro contato... Foi na infância, certamente. Lembro-me que antes de descobrir as piscinas já fazia uso das bibliotecas.

2 - Quais os benefícios que o SESC traz para o estado de Goiás? 


São muitos. O SESC dignifica a atividade comerciária, proporciona a inserção social do comerciário e de sua família, realça a importância dessa que é uma das mais antigas e nobres ações humanas, razão de aproximação entre os povos, de permuta e comunhão de costumes, de intercâmbio cultural... Enfim, é o comércio uma das mais expressivas formas de relações humanas, além de assegurar o provento e a sobrevivência dos seres. No Brasil todo, o SESC é o instrumento de normalização e integração classista e, sabiamente, exerce essas funções valendo-se do equilíbrio cultural variado de nosso povo.

3 - Dentre as realizações no estado o que você destacaria como sendo mais importante? 


Não vejo atividade de menor importância. Talvez eu analise pelo meu lado intelectual, como escritor e professor (por formação acadêmica), mas entendo como altamente valiosas as atividades de formação e aperfeiçoamento profissional, a de ensino formal em todos os níveis (orgulha-me o fato de ter um filho e um neto como alunos do Centro Educacional SESC Cidadania) e as ações na esfera cultural. Envaidece-me o fato de ter obras minhas nas bibliotecas do SESC em Goiás.

4 - Qual a colaboração do SESC para a Cultura do Estado? 


Em Goiás, o SESC detém o maior e mais importante conjunto de obras de escritores goianos. Nenhuma biblioteca, pública ou particular, equipara-se, neste particular, com o que existe na “Estante do Escritor Goiano”. A instituição sempre esteve aberta aos autores locais, a validar sua vocação cidadã e demonstrar que Goiás dispõe de valores intelectuais próprios. É surpreendente o número de usuários das bibliotecas SESC em todo o Estado (em Goiânia, não tenho dúvida ao afirmar que a Biblioteca Central, na Rua 19, é líder de consultas). O auditório do SESC Cidadania, no Jardim América, desenvolve um valoroso programa com músicos da terra, há espaço para atividades de artes plásticas e de outras práticas... Enfim, o SESC, em Goiás, está integrado irreversivelmente às atividades culturais.

5- E na área da Educação? 


Pois é, já citei o SESC Cidadania, colégio que, em menos de uma década, já se alinha entre os expoentes do complexo de Educação no Estado. Como pai de aluno, sinto-me plenamente à vontade para analisá-lo, pois nenhuma questão levada à escola, seja pessoalmente ou nas reuniões de pais e mestres, é menosprezada. E sou testemunha do apreço que os alunos têm para com o colégio.

6 - Conte algum envolvendo o SESC que tenha destaque em sua trajetória.

Quando o escritor José J. Veiga, goiano de Corumbá de Goiás, faleceu (19 de setembro de 1999), fiquei incumbido, por vontade dele, manifestada à esposa, Dona Clérida, de receber, preservar e zelar pelos seus livros, móveis e objetos que ele próprio entendia como sendo de seu acervo literário. “O José me recomendou entregar a você as coisas dele para ficarem em Goiás”, disse-me ela; compreendi que o meu velho amigo (e ídolo) cuidava de não ser esquecido, especialmente por sua gente.

O governador Marconi Perillo dispôs-se a apoiar meus esforços, mas não tive a mesma resposta da parte de seus auxiliares nas áreas de Cultura, Educação e obras. Confesso que receei não dar conta da missão que ele, antes de morrer, me confiou. Num dado momento, tomei uma decisão acertada: procurei o presidente da Fecomércio, José Evaristo dos Santos, e o diretor Regional do SESC, Giuglio Settimi Cysneiros. Em poucos minutos (não exagero: foram poucos minutos entre eu dizer o que tinha e ouvir deles que já tínhamos um pacto), senti-me confortado: José J. Veiga teria seu espaço de honra no SESC de Goiás.

No dia 5 de setembro de 2007, duas semanas antes do oitavo aniversário de morte de José Veiga, inauguramos, na Biblioteca Central (Rua 19, Goiânia), o Espaço José J. Veiga. Como convidados especiais, recebemos o escritor Antônio Olinto (membro da Academia Brasileira de Letras e primeiro crítico do contista goiano), e a biblitecária mineira Dênia Diniz de Freitas, que catalogou os bens de Veiga que constituem seu acervo literário e estão em exposição no SESC.

terça-feira, junho 02, 2009

Três poetas em conluio

Três poetas em conluio

 Luiz de Aquino

 

         Abstenho-me de contar quotidiano, de analisar fatos e façanhas. Hoje, resumo meu texto a um poema decorrente, produto da leitura de dois poemas, dois poetas. E aqui vão as nossas vozes, a começar pela professora e poetisa Sílvia Neves, de Porangatu, Goiás:

 

         Silêncio

 

No silêncio da cidade pacata

Aguça-se a percepção

Da melodia da existência

Contrapondo-se à essência

 

 

Na noite não se ouve ruídos

Enquanto o corpo descansa

A mente grita a ausência

Do barulho cotidiano:

 

 

O disse-me-disse

Da injustiça muda

Do desejo reprimido

Do suor expelido

 

 

Da doença que abrasa

Do desempregado sem casa

Do idoso que chora

Do visitante que vai embora

 

 

Do homem sem dentes

Da dama cega ardente

Do cavalheiro surdo

Da boiada no sol quente


 

 

Do som do berrante

O cansaço do estradeiro

Do mendigo errante

E a labuta do boiadeiro

 

 

Da moça que namora

Um amor que aflora

Com rapaz anda de bonde

No jogo do esconde- esconde

 

 

Da mulher que trabalha

No varal roupas anis

A animação do cachorro

Meio ao canto dos bem-te-vis

 

 

Do zunzunzum do mosquito

Um bando de periquitos aflora

Um despertar pelo canto do galo

No frescor da afetuosa aurora

 

 

No silêncio

A vida prossegue

Numa luta sem voz

Suave..

Atroz...

 

 

E aí vem Brasigóis Felício, poeta em tempo integral, analítico em profundidade das coisas humanas, incluindo-se a múltipla alma do poeta Pessoa...

 

       O ESTEVES DA TABACARIA

 

Queria ser como

o Esteves da tabacaria

- sem poesia

e sem metafísica. Não como

Fernando Pessoa, o poeta,

que lá ia comprar

o seu fumo e a sua palha.

 

Olharia a pedra

e veria a pedra

e não uma forma imóvel

do rosto de Deus.

 

Se eu não fosse tão cheio

de certezas, tão carregado

de livros e medos,

seria simples e humilde,

como os que renunciaram

à vitória e à derrota.

 

Sabendo que a verdade

é uma terra sem caminhos,

seria tão silencioso

como as folhas na relva,

ou a solidão da neve

ou tão vasto como as aves

que não precisam de escadas

para voar na amplidão do céu.

 

Passaria a vida entregue

à minha desimportância

a fumar minha cigarrilha

na calçada do nada,

dando bons dias aos passantes

sem me sentir consumido

pelas moendas do tempo.

 

Passaria pelos dias

sem lamentar a passagem

da vida que viria

se tudo não tivesse dado em nada

como tudo dá, quando tudo acaba.

 

Seria um ser

tão sem destino

que todos os caminhos

levariam a quem Eu Sou.

 

Passaria pelos outros

mortos vivos como eu

indiferente ao vazio em que vivem

sem ter que cumprimentar os vizinhos

por mero protocolo

de civilizado aparente.

 

Não seria tão irônico e sibilino

como um cão filosófico

a vagir teorias pós-tudo

como animal raivoso a rosnar

em defesa de seu osso.

 

Se eu não fosse tão cheio

de certezas, tão carregado

de livros e medos,

seria simples e humilde,

como os que renunciaram

à vitória e à derrota.

 

 

Sabendo que a verdade

é uma terra sem caminhos,

seria tão silencioso

como as folhas na relva,

ou a solidão da neve

ou tão vasto como as aves

que não precisam de escadas

para voar na amplidão do céu.

 

 

 

Abelhudo, cheguei com a minha colher-de-pau...

        

Meu canto à Silvia

 

Os versos de Sílvia silvam

no silêncio dos meus tímpanos

vetustos (por isso, cansados).

 

Os versos de Sílvia

têm cores de madressilvas

e rostos comuns de pessoas

sonantes, suadas, silentes.

 

Verseja a mestre-mestra

de letras e formas de artepalavra

e desperta olhar de analista

do poeta em brasa

que não dorme, nem é cinza.

 

Cinza é a cor da minha cabeça,

cabeça armazém de ecos

em meses repetidos tantas vezes, somatório

de dores e de flores, que não se é poeta

impunemente, nem esteio,

nem dormente.

 

Meu nariz não aceita, minhas vias

de ares e aromas não suportam. Por isso, abro mão

do Esteves e da cigarrilha, beijo Pessoa, abraço

a brasa do poetamigo sulgoiano e elevo

salvas à Silvia, a nevar no cerrado

nortegoiás.



 

Um beijo, L.deA. (Sílvia, permita-me sempre a revisão).

 

 

Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras (poetaluizdeaquino@gmail.com). 

sexta-feira, maio 29, 2009

A arte, aliada à esperança


A arte, aliada à esperança

Luiz de Aquino 


Vários alunos do Lyceu, e um número ainda maior de ex-alunos, referem-se à minha participação um tanto fora do cerimonial quando da homenagem aos ex-alunos, promovida pelos responsáveis pelo evento Casa Cor, centrada nas pessoas do presidente do Banco Central, Henrique Meireles, e do governador Alcides Rodrigues Filho. Grande parte deles exalta o evento, reconhece méritos nos que simbolizaram os ex-alunos.


Já disse, senti falta de Pedro Wilson. Afinal, foi seu pronunciamento na Câmara, em novembro de 2007, o texto escolhido para ilustrar a parede de uma sala de aula, antiga e estilizada. Nesse discurso de Pedro, regozijo-me por encontrar, como intertexto, trechos de meu discurso na sessão solene que a Academia Goiana de Letras realizou no auditório do colégio no transcurso do septuagésimo aniversário do educandário em Goiânia.

Não pergunto muito quando as coisas me parecem óbvias. Refiro-me à iniciativa de se realizar a Casa Cor no velho casarão da Rua 21, sede do nosso Lyceu (veja só, Vander Arantes! Você me venceu, já escrevo com Y). Poderiam, seus organizadores, ter escolhido o Centro Cultural Marieta Teles, na praça Cívica, magnífico exemplar de “art déco”, um dos primeiros edifícios da cidade. Ali, o evento disporia de maior espaço e o resultado seria muito bem aproveitado pela Agência Goiana de Cultura, certamente reduzindo custos. Mas a escolha veio para o Lyceu e isso traz de volta o colégio à mídia.

Pofessor Egídio Turchi e eu

Para nós, ex-alunos e antigos professores, o momento foi de despertar saudades. Na noite da sexta-feira, dia 22 de maio, a homenagem aos ex-alunos ilustres levou-me até lá. E levou também, como ênfase maior, o professor Egídio Turchi, que, penso eu, é o decano dentre todos os mestres do velho casarão. A poucos meses de completar seus noventa anos de vida, o professor de Matemática e Latim (ele fez questão de contar aos jovens repórteres que o entrevistaram o que era Latim), concedeu entrevistas e muitos dedos de prosa a tantos quantos dele se achegaram, buscando ouvi-lo e, certamente, aprender algo mais.


O governador Alcides...

                                                      ...e o presidente do BC, Meireles   


Naquela noite, repeti o que fiz em novembro de 2007, naquela sessão da AGL no Lyceu: compareci uniformizado. Não com calça “blu dins” e camiseta, mas com a calça cáqui e camisa branca, a águia símbolo pintada no bolso, lado esquerdo do peito. Com isso, surpreendi os presentes, inclusive o governador e o presidente do Banco Central – mas o professor Egídio lembrou que o uniforme já foi “uma farda” (era comum, até os anos de 1950, os uniformes colegiais repetirem as roupagens militares).

Com a secretária Milca Severino

Meu uniforme despertou curiosidades. Os colegas fotógrafos,  parece, gostaram da coisa, tantos foram os flashes. Posei com Henrique Meireles, Alcides Rodrigues e com a secretária Milca Severino, da Educação. E, inevitavelmente, com Dóris Costa, assessora de imprensa que realiza com emoção e competência seu ofício.

Jornalista Dóris Costa e eu

Nas andanças entre projetos e objetos, inovações surpreendentes e peças dos nossos sonhos de consumo, esbarro com alguns amigos, arquitetos e engenheiros, professores e historiadores. Uma preocupação: o velho prédio voltará ao que era antes? Afinal, ele tem de ser tratado, sempre, como uma relíquia patrimonial, arquitetônica e histórica. Alguém esclarece que o Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico, o IPHAN, não apenas está vigilante, mas também orienta a realização daquela mostra.

Em suma, fiquei feliz pelo reencontro com velhos amigos, pela ênfase que se deu ao meu querido colégio. E, sem disfarçar, lanço o olhar para o futuro próximo – o meu, o do Lyceu e o da Casa Cor.

 



Luiz de Aquino (poetaluizdeaquino@gmail.com) é da Academia Goiana de Letras.

As fotos acima são do craque Sílvio Simões - fotografia@silviosimoes.com.br