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sexta-feira, outubro 25, 2013

Caldas Novas: o fim do Balneário

Depois de muitas reformas, o Balenário Pedro Tupá ficou com essa compleição; e a reforma atual está parada, como se vê. Em 1930, o prefeito Ciro Palmestor comprou-o de Vitor  Ala, tornando-o um balneário público. Foto: Portal caldas.com.br


Caldas Novas: o fim do Balneário


Minha cidade natal, Caldas Novas, tinha poucas referências: três ruas, tendo a avenida Coronel Bento de Godoy como principal e duas paralelas – as que limitavam a Praça da Matriz, a Sul e Norte; e umas oito ou dez transversais, de pequeno porte. Quando dos trabalhos de asfalto (1966), alguns becos desapareceram e surgiram novas ruas – tudo dentro do plano de urbanização que, décadas antes, fora elaborado pelo sr. Juca de Godoy, engenheiro e poeta.

Bem, eu falava das referências. Uma delas era a Praça da Matriz, que já se chamou também Presidente Vargas (a ditadura não gostava de homenagens ao caudilho gaúcho) e agora é Mestre Orlando – homenagem justa ao tabelião que foi, também, mestre-escola e cujas filhas, todas, eram professoras normalistas.

Havia poucos veículos. Lembro-me bem do caminhão da prefeitura – um dos três emplacados na cidade; as placas, amarelas (particulares), vermelhas (de transporte) e a branca (oficial), tinham os números 1-75-xx (xx era suprido por 01 a 99, ou seja, previa-se o limite de 99 veículos na cidade). Bem: um dos caminhões era da prefeitura, os outros eram: um, do transportador Joaquim Chofer; e o outro, do fazendeiro Pedro Tupá.

Duas outras referências fortes: o Tamburi, uma imensa árvore que foi criminosamente derrubada. Ficava no terreno onde hoje há um parque de diversões, bem em frente ao quartel da PM, o prédio construído por injunção do deputado (em 1960) Eliezer Penna (era a gestão do prefeito Oscar Santos; ou de João Ala – não estou bem certo). Para quem estava na Praça, em frente ao bar ao lado do cinema, olhando para o Tamburi sabia-se que, logo além, na beira do córrego das Caldas, ficava o Balneário.

Era um casarão, com a entrada bem centralizada; nas duas alas, dois corredores com cinco banheiros (não eram sanitários, mas salas de banho) de cada lado, perfazendo vinte banheiras. As temperaturas variavam de 37ºC a 42ºC, com as misturas possíveis, pois cada uma das três minas de coleta tinha graduação diferenciada.

Desde 1910, quando foi construído pelo Major Vitor Ala (pai de André e João Ala), o balneário tornou-se o atrativo maior para os turistas de saúde que buscavam os banhos “milagrosos” que curavam reumatismo e alguns incômodos da pele, segundo contava a tradição oral. Aqueles eram banhos reconfortantes; relaxantes por um lado, estimulantes por outro – detalhes que poderei comentar noutra ocasião.

O triste, hoje, é ver o antigo casarão secular, que passou por reformas em 1935, 1940, 1950 e daí outras mais. Num dado momento da história da cidade, um prefeito não nativo (hoje, 90% da população “nativa” da cidade é filha de forasteiros atraídos pelo fluxo turístico inaugurado lá por 1970) decidiu “doar” as minas que alimentavam as banheiras da secular casa de banhos.

Preciso dizer mais? Ah, sim! É lamentável que, além de “matar” um pedaço da nossa história, o prefeito em questão agrediu a memória do fazendeiro Pedro Tupá, que, por lei municipal, cede seu nome, postumamente, ao velho balneário. Ainda no ano passado, recebi da professora Beatriz Tupá, filha do saudoso Pedro (já citado), um histórico resumido e o desabafo ao final:

“O atual prefeito Evandro Magal, não tem se interessado para reativá-lo, pois a água quente que jorrava sem ser bombeada foi cedida para o clube da Asmego, e aí como reaver a água quente, quem toma dos juízes? Assim, estamos perdendo o único patrimônio histórico de Caldas Novas que sobrou. Os atuais vereadores não respeitam nossas raízes, pois, são forasteiros e também estão derrubando leis anteriores e fazem outras. Temo que o mesmo aconteça com o Balneário”.

Com a palavra, o prefeito Evandro Magal.


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domingo, outubro 20, 2013

Festejar a Poesia e o Poeta


Festejar a Poesia e o Poeta


Hoje, 20 de outubro, é o Dia Nacional do Poeta, segundo uma breve tradição: a data agrega-se ao ano de 1976, em torno de uma iniciativa do poeta e homem de múltiplos ofícios (nas leis, nas letras e nas artes) Menotti Del Picchia (1892-1988).

O registro fala em Dia Nacional da Poesia – mas este é festejado, já, há muito tempo, no dia natalício do Poeta dos Escravos, Castro Alves (14 de maio). E, há menos de três semanas, recebi muitos cumprimentos pelo Dia do Poeta (4 de outubro), assim comemorado em São Paulo e no Paraná.

Procurei saber sobre essa multiplicidade de datas e encontrei:

20 de Outubro: Dia Nacional da Poesia / Dia do Poeta - comemoração de brasileiros, que também é conhecida como "Dia do Poeta", para marcar a data da fundação do chamado "Movimento Poético Nacional" brasileiro, ocorrida na cidade brasileira de São Paulo-SP em 20 de outubro de 1976, a partir de um encontro realizado na casa do Poeta, jornalista, tabelião, advogado, político, romancista, cronista, pintor e ensaísta brasileiro, Paulo Menotti Del Picchia.
(Fonte:
 http://diasde.com/20-de-outubro/#ixzz2iGxr4FEf).


14 de Março: Dia Nacional da Poesia - comemorado no Brasil, para marcar a data do nascimento do abolicionista e poeta brasileiro do romantismo, Antônio Frederico de Castro Alves [ou simplesmente, Castro Alves], que veio ao mundo em 14 de março de 1847 e que teve apenas 24 anos de vida, passando à posteridade como o "Poeta dos Escravos", pois suas principais poesias foram marcadas pelo combate à escravidão. (Fonte: http://diasde.com/14-de-marco/#ixzz2iGysxRdY).


4 de Outubro: Dia do Poeta - comemoração dos Estados brasileiros do Paraná [Lei Nº 7.288 de 27 de dezembro de 1979] e São Paulo [Lei Nº 1.478 de 30 de novembro de 1977], surgida a partir de uma sugestão da Academia Cristã de Letras de São Paulo, para ser celebrada no "Dia de São Francisco de Assis", que também foi poeta, com seus cânticos de Louvor.
(Fonte:
 http://diasde.com/4-de-outubro/#ixzz2iGzSv2x0)


Festejemos, pois.

Ontem, 19 de outubro, comemoramos o aniversário de Vinícius de Morais – o centésimo! Bem fariam os brasileiros em consagrar a data ao poeta lírico – a ele e  à bossa nova, o gênero musical que acasala melodias e poemas de finíssima qualidade, capaz de despertar e (ou) aprimorar o sentimento de amor romântico, do sentir telúrico e do amor-próprio (ou auto-estima, como dizemos hoje). A bossa nova é uma forte marca brasileira, tanto quanto a construção de Brasília, a conquista da Copa Mundial de Futebol e outras referências nossas ante o mundo, naquele segundo quinquênio da década de 1950.



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sábado, outubro 19, 2013

Dia do Médico

Dia do Médico


É provável que, no decorrer deste ano, a classe médica brasileira esteja atravessando um dos mais críticos momentos de sua história, com o grande movimento nacional no sentido de prover as regiões mais carentes com a presença dos profissionais de Hipócrates. Nesse sentido, vivemos o recrutamento de médicos estrangeiros e debate-se, com ardor, os procedimentos relativos à acolhida, ao registro e às condições de trabalho não só para os colegas adventícios, mas para os profissionais brasileiros que se interessam em servir em localidades carentes.

Condições satisfatórias de trabalho não são apenas o ambiente de atendimento, o equipamento médico, o aparelhamento tecnológico e a remuneração compatível com a formação e as necessidades, o valor e a importância social do profissional, mas ainda elementos de prevenção, cura e manutenção de boas qualidades de saúde. Boas condições de trabalho implicam também o bem-estar, o conforto pessoal, o ambiente social propício, a possibilidade de boas relações humanas e, por fim, convívio pessoal e profissional de qualidade.

No meu modesto ponto de vista, e com a minha mínima experiência de consumidor de serviços de saúde e observador jornalista, sei que a escolha dos ambientes inóspitos à boa prática da medicina é uma aventura arriscada. Nenhum médico gosta de se sentir vencido por uma doença ou, pior ainda, de perder para a morte. Mas o “sacerdócio”, o “sacrifício” do bem-estar social, das chances de mais aprendizado, de aperfeiçoamento e a solidão dos silêncios precisam ser considerados quando um governante tenta atrair médicos para seu espaço. Na maioria das localidades brasileiras, o salário menor possível para um médico convidado resulta duas ou três vezes maior que o do prefeito.

E muitos são os que, ante o grave desafio do suprimento desse indispensável profissional, evocam o Juramento de Hipócrates, professado há mais de vinte e cinco séculos, na Sábia Grécia de deuses e filósofos. Mas o grande ídolo cristão na História da Medicina recai em outro homem: Lucas, o evangelista, nascido em Antióquia, num país que hoje é Síria de tantos conflitos.

O Dia do Médico, 18 de outubro, segundo informa o nosso mestre e admirável médico e professor Joffre M. de Rezende, é consagrado, em países cristãos, a esse evangelista, Lucas, o terceiro (pela ordem cronológica) dos evangelistas. Dentre tais países, além do Brasil, estão Portugal, França, Espanha, Itália, Bélgica, Polônia, Inglaterra, Argentina, Canadá e Estados Unidos. Além de médico, Lucas foi também pintor e historiador. Ao lado de São Paulo, difundiu os ensinamentos cristãos entre os gentios.

Lucas teria sido o único, dentre os quatro evangelistas, que não conheceu Jesus – logo, escreveu a partir de informações de contemporâneos de Cristo. Desde 1463, a Universidade de Pádua iniciava o ano letivo em 18 de outubro, em homenagem ao santo católico, que foi proclamado patrono do “Colégio dos filósofos e dos médicos”. Seus restos mortais encontram-se em Pádua (ainda de acordo com informações do Dr. Joffre Rezende nas páginas da Wikipédia brasileira).



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sábado, outubro 05, 2013

Goiânia: obras e abusos

A obra na av. Araguaia, no Parque Mutirama, arrasta-se há um bom tempo. Concluída, beneficiará o tráfego.



Goiânia: obras e abusos


No decorrer deste ano, a Prefeitura de Goiânia promoveu mudanças graves em alguns pontos da cidade. Uma delas – a obra que interrompe a Avenida Araguaia nas proximidades do Parque Mutirama – arrasta-se sem que tenhamos perspectivas de sua conclusão; com isso, habituamo-nos a novos percursos. E como os congestionamentos tornaram-se uma constante – não por conta dos atos da administração da cidade, mas da atualidade nacional – a gente se conforma.

É louvável, ainda que em contraponto, o andamento das obras da Marginal Botafogo no Jardim Goiás, envolvendo sobretudo a confluência daquela via expressa com as avenidas E e A, no Jardim Goiás. Neste final de semana, há interrupção de tráfego no local para que sejam colocadas algumas pilastras estruturais dos viadutos.  Em breve, teremos o benefício dessas obras, aliviando o intenso tráfego causado pelo crescimento econômico e populacional na região, polarizada com o Shopping Flamboyant, três hipermercados, hotéis e edifícios comerciais.

Nesse cruzamento múltiplo constroem-se os viadutos, em ritmo muito rápido.

Mudanças drásticas – que ainda geram protestos de comerciantes – deram-se no fluxo de veículos na Avenida T-63, em cujas proximidades estou radicado há vinte anos. Acontece, sim, um esvaziamento nos estabelecimentos comerciais, alguns deles mudaram-se ou fecharam-se, surgiram edifícios não-residenciais e os ônibus ganharam pista exclusiva, com maior fluidez.

Entretanto – e isso é preocupante –, existem os abusos. A avenida tem a característica das vias para velocidade máxima de 50 km/h, mas o comum de se ver são os carros de passeio a mais de 80 quilômetros horários, ameaçando vidas. Esse é um dos abusos; na última sexta-feira, uma jovem e bela motorista parou seu Classic na pista dos ônibus (sentido Pedro Ludovico-Jardim América), nas proximidades de uma agência de automóveis e ligou o pisca-alarma.

Puxador de assuntos que sou, e pensando em ajudar, perguntei-lhe se queria ajuda (imaginei uma pane); ela sorriu e não precisou me responder: uma amiguinha (dela) atravessou, apressada, a avenida e entrou no carro; a bonitinha desligou o pisca-alarma e saiu, entre gargalhadas de ambas – certamente em deboche ao “simpático” senhor grisalho, que, no caso, é este palhaço que lhe escreve.

Mas uma coisa intriga-me por demais: o sinal vermelho aparece, os carros devem parar; mas devem parar obedecendo o espaço disponível, limitado pela faixa de contenção – aquela faixa branca que atravessa a pista, aquém das barras que marcam a faixa dos pedestres. Mas é comum o condutor, em Goiânia, parar longe do sinal, deixando espaço para até quatro ou cinco carros à sua frente e, assim, causando um retardamento a todos os que veem atrás, muitas vezes obstruindo vias secundárias.

Há quem defenda essa prática: “Ah! Aqui o Sol é escaldante, as pessoas preferem as sombras”, argumentam. Ainda assim, eu contesto. O Sol é forte, sim, na Zona Tropical, e daí? E Fernando, meu filho, ainda zomba: “Se a pessoa trafega todo o tempo sob o Sol, é só quando para no sinaleiro que ele quer sombra?”; e eu acrescento: “O carro dele tem capota”.



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sábado, setembro 28, 2013

A princesa de óculos e os salários achatados


A princesa de óculos e
os salários achatados



Criança é coisa complicada… Geralmente, pais e mães acreditam piamente, pois a franqueza infantil é algo tão marcante que muitas vezes fere. E virou moda, no Brasil, apelidar-se a sinceridade das apreciações, análises e comentários infantis com uma palavra inglesa muito em voga nos Estados Unidos, o búlin.

Jovens pais e mães, mais psicólogos igualmente jovens, desconhecendo tudo o que nós outros (os sobreviventes da infância dos anos 50 do século em que nascemos) sofremos e driblamos com alguma criatividade e, não raro, uma certa maestria.
Na sintonia do búlin, Rafaela, uma menina pequenina viu-se vitimada por algo muito incômodo: o uso quotidiano de óculos – coisa que nos lembra máscara do Zorro e que a invencionice da moda transformou em “acessório” até mesmo de elegância.
O mal-estar da Rafaela preocupou seu irmão Alexandre,  dois anos mais velho que ela. Se Rafaela não gostava dos óculos, Alexandre ressentiu-se por ela. E ao tomar tais dores, não podendo enxergar pela irmãzinha,  resolveu motivá-la (talvez ele nem conheça essa palavra). Como? Escrevendo um livro. E, no livro, “nomeou-a” com a nobreza que seu coração menino a via. E surgiu “A princesa que usa óculos”. Escreveu? Não apenas isso: ele escreveu e ilustrou, que Alexandre é bom na pena e no pincel, quero dizer, no teclado e no lápis de cor.

Vi o caso na tevê, no noticiário das 6h30min da TV Anhanguera; horas depois, a história e seus personagens estava na TV Globo, no programa “Encontro”, de Fátima Bernardes.

É muito bom ver que em Goiás acontecem coisas que a grande mídia destaca, além dos homicídios com esquartejamento, as chacinas de adolescentes, os grupos de extermínio e as falcatruas com os fundos de pensão de pobres funcionários municipais, intermediados por deputados que, poucos dias antes, posavam de paladinos na vigilância de procedimentos públicos.

O autor – agora é preciso dizer-lhe todo o nome (enquanto não adota um nome literário mais curto) – é Alexandre Raizer Landim Silva; e sua musa inspiradora é a maninha Rafaela. O livro foi editado pela Kelps, em iniciativa de Antônio Almeida, que busca distribuí-lo no cenário nacional.

Ganhei um exemplar, trouxe-o comigo com zelo e curiosidade. Sinto-me bem por deter, entre tantas obras das minhas estantes – umas boas, outras desprezíveis – essa amostra irrefutável da grandeza de um ser humano.  Alexandre Landim talvez desista desse ofício de escritor, talvez cresça muito e se torne famoso; mas ainda pequenino (tem agora 7 anos, apenas), já é exemplo entre seus coleguinhas do Instituto Maria Auxiliadora – o mesmo educandário das irmãs Salesianas onde o meu Lucas Leão estudou desde os dois anos de idade, até a conclusão da quarta série.

Alesandre, escritor e ilustrador, e a personagem Rafaela, a princesa de óculos.

Alexandre Landim toca o meu coração. E eu, que tenho muitos amigos queridos e grandes do outro lado desta dimensão terrena, recomendo-o à espiritualidade, pedindo bênçãos sobre seus pais, que certamente dotam-no de nobres princípios. Esse menino é um exemplo que deve ser mostrado a essa turba de saqueadores do erário e dos banqueiros que, donos de lucros invejáveis ante o mundo em crise, sonegam míseros 5 pontos percentuais aos bancários – profissão de realce há vinte anos; hoje, um pequeno reduto de trabalhadores que, na realidade brasileira, são explorados quase que nos níveis da opressão chinesa.

Deus abençoe o Alexandre e a Rafaela!



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sábado, setembro 21, 2013

Obstáculos ao mestrado


Obstáculos ao mestrado



Na semana que termina, esteve em Goiás o psiquiatra e educador Augusto Cury – veio demonstrar seu projeto de educação que estimula atividades com o propósito de estimular a inteligência.

Todo mundo – pais, educadores, intelectuais e até mesmo políticos aplaudem! Mas... Bem, sou do tempo em que ter o ginasial completo já era boa referência; o colegial era luxo; o superior, uma relíquia arduamente conquistada! Era o tempo em que o cidadão, caso fosse aprovado no concurso do Banco do Brasil, interrompia os estudos – seu futuro já estava assegurado.

Poucos são os graduados do meu tempo a buscar pós-graduação; e raríssimos eram os cursos no país – o comum era correr atrás de bolsas para se aprimorar no exterior. Agora, multiplicam-se as escolas pelo Brasil afora (ou adentro); e com a inegável queda na qualidade e no conteúdo do ensino de base, todos têm que ser formados, especializados, mestres e doutores. E pensar que Nelson Rodrigues sequer concluiu o ginásio!

O poder público acena com bandeirolas de estímulos à pós graduação – mas só na teoria: conheço vários professores da rede pública que se queixam das sistemáticas negativas de diretores e subsecretários para que possam dedicar-se à conclusão de suas dissertações e teses.

Há casos em que as dificuldades vêm de cima – dos núcleos administrativos da máquina da Educação; outros são negados ou obstaculizados por diretores da unidade escolar.

Fácil de entender: quantos diretores têm títulos de mestre e/ou doutor? A eleição para diretor escolar tem dupla face: foi criada para eliminar o critério da indicação política, mas o que se vê é o mesmo que em muitos casos das eleições para conselheiros tutelares – um mero exercício de campanha e urna, pois a meta desses diretores e conselheiros é a próxima eleição municipal – no fundo, querem ser vereadores.

Pois é... no tempo da minha escolarização, professor era profissional admirado; mal pago, mas respeitado; mal pago, mas culto; mal pago, mas bem vestido (não no que se refere a grifes, mas à equivalência do traje com a dignidade profissional). Hoje, é preciso especialização, mestrado e doutorado, sim. E, ainda assim, já vi currículo de doutor com a palavra “proficional” na capa! Isso mesmo: pro-fi-cio-nal, com C em vez de SS. Não mostrei o erro, receei que o doutor colocasse cedilha.

Conheço doutores que odeiam ler; conheço mestres, autores de livros, em cujas casas não existe sequer uma estante para os livros essenciais. Ou seja: o sistema estimula o crescimento, mas este se dá na certificação sem que a equivalência aconteça. Entretanto, conheço muitos que são dignos de seus títulos e de seus estudos, pois os pecadores, felizmente, são ínfima minoria.

O mesmo, porém, não posso dizer de servidores eleitos; a própria campanha eleitoral os corrompe. A inveja os faz amargos e perversos. As autoridades investidas sabem do que se passa e, não raro, ordenam ou toleram as coisas mal-feitas, sobretudo quando o mal-feito é uma afronta à lei e um acinte ao já desgastado e sofrido professor.

Será que isso muda, gente? Um dia, talvez?


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domingo, setembro 15, 2013

Um "Doze" em Ouro Preto

O famoso guia da cidade, pelo poeta Manuel Bandeira


Um “Doze” em Ouro Preto


No dia 12 de outubro marcará, este ano, o 137º aniversário da Escola de Minas de Ouro Preto. Se o Brasil para, como dizem muitos, Ouro Preto se agita. Alinho-me entre os que veem nesses feriados não uma parada nas atividades e na economia, mas sim a efervescência de um segmento ativo e importante para a sociedade atual – o turismo. Mas não é só isso, quando se trata de algo como a festa em Ouro Preto: é a evocação da História. É o aniversário de um dos grandes feitos nesta conturbada Pátria. Uma data expressiva para o mundo acadêmico, especialmente para a mineração, para a engenharia, e, para atualizar a linguagem e os fatos, a tecnologia. A data é a da concepção do que, depois, veio a ser a Universidade Federal de Ouro Preto, certamente.

O que sei dizer de Ouro Preto vem de alguma leitura e das únicas duas vezes em que lá estive. Ficou-me um sentimento de fé e de força. É mágico pisar aquelas pedras das ruas, visualizar as construções centenárias do barroco, envolver-se no místico daquelas igrejas e embriagar-se de história. No teatro, em 1998, ao lado do poeta Romério Rômulo, assisti à outorga dos títulos de Doutor Honoris Causa a Orlando e Cláudio (in memoriam) Villas-Boas. Romério Rômulo, então pró-reitor da UFOP, morava numa casa pertencente ao artista Carlos Scliar, casa essa construída por ninguém menos que o pai de Santos-Dumont.

Visitei lugares marcantes, casas e repartições que a História imortaliza; encantei-me ao ver as gemas no Museu da Escola de Minas; alumbrei-me ante a riqueza da arte de Aleijadinho e o ouro que capeia esculturas em madeira... Bem: após as 17 horas, os turistas começam a sumir da cidade; os estudantes deixam as escolas e faculdades, ocupam os trajetos até suas legendárias repúblicas e, pouco depois, superlotam os bares e cantinas. Os nativos, pareceu-me, fazem pano-de-fundo para o cenário humano.

Na primeira visita, deliciei-me com uma sopa traiçoeira, mas a madrugada foi-me constrangedora: acordei incomodado, uma cólica fisgava-me o baixo-ventre. Tentei distrair-me à janela (a pousada era na Praça Tiradentes); vi uma carroça solitária, o homem que a conduzia vinha a pé, sem lugar para aboletar-se na carroceria. Esperei que, a qualquer momento, um pelotão de soldados do Século XVIII atravessassem o pátio. Mas a cólica aumentou e, muito constrangido, corri ao vaso no banheiro anexo. Acho que esse infausto fez com que a namorada desistisse de mim. (Ainda assim, trouxe de lá pequenas lembranças. A mais marcante ainda existe – o livro Guia de Ouro Preto, assinado por ninguém menos que Manuel Bandeira. Presente da namorada).

Eurico Martins de Araújo, pela pena talentosa de Rocha.
Voltarei a Ouro Preto – agora, na véspera do famoso “Doze”. Comigo, Mary Anne e a mineiríssima Dênia Diniz de Freitas. Dia 11, meu amigo, ex-colega no saudoso Banco do Estado de Goiás, o engenheiro – civil e de minas – Eurico Martins de Araújo, ex-aluno da secular Escola, vai autografar seu livro “República de Estudantes – Elo de Ouro Entre Antigos Alunos e a Escola de Minas”. O local é a própria Escola de Minas, na Praça Tiradentes.

A volta, já sei, será uma viagem em que me sentirei mais sabido – e mais rico. Não de esperteza, que não me interessa; nem de pecúnia, que isso dá muito trabalho. Voltarei, sim, feliz pelo convívio (ah! Certamente, vou conhecer a professora e poetisa Cláudia Pereira, parceira de informes e versos via Internet; e hei de rever Romério Rômulo) e trazendo o livro que conta a história das famosas repúblicas.


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