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segunda-feira, janeiro 09, 2017

Caldas Novas:



A Praça Mestre Orlando, na década de 1950 - retalhos da memória!



Memórias tristes (*)


Sim, é Caldas Novas...

A cidade em que apenas duas arquiteturas urbanas foram salvas. E, não por coincidência, ambas criadas pela família Gonzaga de Menezes – a igreja, edificada por Luiz Gonzaga de Menezes, dando origem ao povoado (em 1850 foi sacralizada) – mas os desinformados afirmam que a história começa em 1911, o ano da emancipação política (como se nascêssemos ao completar 18 anos).

Essa igreja tinha duas torres, até 1928. Os danos do tempo pediram reforma, mas a torre à direita (de quem a observa) exigia mais investimento e a solução, ante a falta de dinheiro, foi a amputação. Veja, agora, o que escrevi há poucas semanas no grupo (Facebook) “Caldas Novas das antigas”:

Artista e arquiteto, S. Prates projetou a reposição da torre.
A meu pedido, e sobre uma foto feita por mim, o artista plástico e jornalista Sebastião Prates, um dos mais notáveis dentre os artistas goianos, acrescen-tou a torre mutilada em 1928... Essa arte é de 1981, o ano em que um padre um tanto afoito, com o apoio de um Conselho Paroquial intencionalmente montado só com forasteiros, resolveu demolir a Igreja - a mais antiga das edificações, origem do povoado que se formou em entre 1848 e 1850, por iniciativa de Luiz Gonzaga de Menezes. Como jornalista, atuei com dedicação para impedir esse crime patrimonial e histórico - e venci, graças a Deus!

Foi justamente na década de 80 que senti cristalizada a invasão da cidade. Ora, éramos todos descendentes próximos, em primeira ou segunda geração, de pioneiros adventícios. Por isso, suponho eu, aceitamos passivamente a vinda dos novos habitantes, que diziam “ter escolhido viver” na minha terra – mas a motivação não era o amor telúrico, mas a gana ambiciosa da exploração turística. 

E deu no que deu... A segunda edi-ficação é o famoso Casarão dos  Gonza-ga, sobrado onde nasceu o Dr. Osmundo Gonzaga (tio da minha cunhada Lucinha). E a transfiguração dos imóveis sobreviventes – de residências para comerciais – “enfeiou” a cidade. Dezenas ou centenas de construções que só sobrevivem em velhas fotos em preto-e-branco – ou nas memórias de nós próprios, antes que a senilidade as apague ou o tempo nos vença.

O Casarão dos Gonzaga, a segunda arquitetura respeita em Caldas Novas.

Há algumas décadas a sociedade local não tem sequer a tranquilidade de eleger um bom prefeito – o último, se bem me recordo, foi Antônio Sanches – um forasteiro que respeitou a cidade (e não sei de outro que possa ser definido assim). A Câmara Municipal, na atual gestão, tem apenas um caldas-novense nativo em sua composição – Sílio Junqueira. Em vias de reeleger-se para mais um mandato, o atual prefeito (que conclui em 2016 seu terceiro mandato) tripudia sobre a memória da cidade, ignorando sua história e protelando a reforma do tradicional Balneário Municipal Pedro Tupá.
Enfim... É ruim encerrar um ano com este desabafo memorial. É triste, porém, um cidadão portador das vantagens do Estatuto do Idoso ver sua terra natal ser vilipendiada em troca do interesse pessoal de um pequeno grupo de empresários e políticos. Esse mal-estar ensina-me que é compreensível o medo natural ante as mudanças – é que as mudanças por nós permitidas costumam, muitas vezes, virar-se contra nós próprios.

A população consciente de Caldas Novas é mínima... e muito triste.

Mas renovemos nossas esperanças para este novo ano. Quem sabe os poderosos mudem e passem a proporcionar alguma alegria ao povo?


(*) Republico esta crônica, um ano após, na esperança de atingir os brios de quem possa fazer algo, se é que ainda haja tempo.

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Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.



sábado, dezembro 31, 2016

Feliz Ano-Novo!

Os sonhos, o íntimo e o tempo




Carlos Drummond de Andrade, num poema, disse bem (como é de seu feito e feitio):

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Ora, nós sabemos, o homem primitivo concebeu a ideia do ano por observar as estrelas, o Sol, a Lua – a natureza, posto que tudo isso se transforma a períodos certos.

Dias e noites primeiro; a semana, após, que são as fases da Lua, em quatro etapas, que resultam em meses. A cada três meses, na Zona Temperada (as duas faixas entre os trópicos e os círculos polares) dão-se as estações, que são quatro também, e eis que se fez o ano. Ao homem coube notar, memorizar e deduzir.

Recebemos, qualquer de nós, centenas ou até milhares de mensagens de otimismo pela passagem do Novo Ano. E, de uns tempos para cá, tenho visto críticos precipitados a censurar o que chamam de ignorância – achar que mudando o ano tudo muda. Houve até quem me enviasse uma mensagem dizendo que “se branco nos desse a paz, os médicos não teriam depressão” e outras na linha “se amarelo chamasse fortuna” e “se o verde garantisse a esperança” – em todas as frases, a conclusão pessimista de quem anda de mal com a vida.

Por isso voltei a Drummond, fui reler o famoso poema “Cortar o tempo”. A ninguém dou o direito de invadir-me o íntimo e criticar meus sonhos. Deus permitiu-me a vida e incumbiu-me de defini-la; meus pais cuidaram dos meus primeiros passos, primeiras palavras e despertares – e eu fiz do caminhar o meio para a escolha do destino; das palavras, a ferramenta para conviver; e, da capacidade de observar e acordar, fiz meu modo de criação. De tudo isso fiz meus sonhos, e de minhas ações fiz as conquistas.

Usarei branco, amarelo, verde, vermelho ou azul, ou sejam lá quais tons se me tocarem para vestir-me de feliz. Eu não ensaiei a felicidade, não a escrevi, não acreditei que todos os momentos seriam felizes, não. Aprendi que um momento se torna feliz quando paro e o observo, avalio e agradeço ao Criador por permitir-me vivê-lo, experimentá-lo e aprender com ele.

Os sonhos, pois, muitas vezes são exclusivos, dizem respeito à nossa satisfação pessoal e íntima. E também muitas vezes os sonhos são sociais – do casal, da família, do círculo próximo e mesmo da sociedade a que nos integramos. E o tempo, este tempo natalino que se une ao de trocar o ano, é tempo histórico. Sempre nos referimos a algo do nosso passado, que igualmente se confunde com o passado coletivo, ou seja, a História. E há sempre a atenção para como tempo geográfico, o tempo-clima, o que nos sugere a praia ou o edredom, a roupa leve ou os casacos de lã. No nosso caso, neste paralelo 17ºS, só cuidamos se teremos céu límpido ou chuva. Vestimo-nos de quaisquer cores e calçamo-nos com conforto porque queremos festejar e dançar, queremos esticar a noite última do ano e a primeira madrugada com intensidade para, ao fim, “pegar o Sol com a mão” e fortalecer os sonhos, renovando energias.

Com esperança, fé e alegria. Com companheirismo, solidariedade e caridade. Com muitos abraços, muitos olhares de boa luz e beijos de amor.

E termino com os votos do poeta de Itabira (do poema citado):

Para você,
Desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir.
Todas as músicas que puder emocionar.
Para você neste novo ano,
Desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
Que sua família esteja mais unida,
Que sua vida seja mais bem vivida.

Feliz 2017!

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Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.

domingo, dezembro 25, 2016

Feliz Natal!

Luzes, abraços, sorrisos e paz!


Tenho lido, aqui e ali, avaliações descabidas acerca do tempo e do calendário. Ora, leitores, o dia é nitidamente definido pela dança dos astros no que temos por infindável: o Sol nos dá toda a sugestão porque a nossa casa, a Terra, que caminha ao seu redor, parece estática. Em seguida, a semana – conceito lunar sugerido pelas quatro fases do satélite, fases tais que, concluídas, dão-nos os meses.

A outra medida, mais sensível nas zonas temperadas, vem-nos das quatro estações do ano, e o ano já está, pois, definido. O homem antigo festejava os quatro tempos com providências de semear, cuidar-produzir, colher e armazenar. Mas os menos atentos imaginam que a medida do tempo é mero interesse do comércio, e maldizem o comércio em seu todo, contrapondo com a adoração religiosa – sem saber, pois, que os festejos religiosos derivam dos procederes da economia, ciência da sobrevivência tão mal interpretada!

Alguém disse que não presenteará seus queridos porque o aniversário é de Jesus. Uai! Até onde sei, o que fizermos de afeto e carinho, de bem-amar o próximo e demonstrar isso resulta em presentes ao legítimo aniversariante, sim! Portanto, vamos presentear.

De mim, ofereço-lhes este meu sentir ante o Natal do Cristo. É que vivo tempos de meditar e agradecer, de reconhecer que não vivi em vão e que a cada dia uma Graça Divina se repetiu em 365 natais a cada ano, nestes meus 71, três meses e um decêndio. Recebam, amigos, meu carinho nestes versos:


É Natal

Primavera que traz chuva,
que traz paz, que amacia
o ar de se respirar.

Chuva de repor a cor
nos campos de flores
e pastos. E Sol de luz

que aquece os dias, dá vida
às vidas de plantas e bichos,
anuncia o Verão de risos

e nos saúda com sinos
em verde e carmim
de festa e Natal.

É bom festejar, brindar e sorrir
e trocar carinhos e mimos
em fitas, verniz e crepom.

Mas é tempo: oremos
em louvor do Cristo que nasce
e nos brinda em Graças.


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Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.

sábado, dezembro 17, 2016

As mãos da paz

As mãos da paz


Era 1979, agosto. O Brasil vivia ainda o regime do arbítrio, mas os ventos da Anistia já se anunciavam no horizonte de todos os quadrantes. A notícia da morte de Pedro Ludovico correu a cidade, invadindo-nos os ouvidos como a luz de um raio nos enche os olhos. Tinha 89 anos e estava viúvo há algum tempo.

Repórter do Cinco de Março, o semanário que antecedeu o nosso DM, evitei a Assembleia Legislativa ao longo do dia, local do velório. Era perto de meia-noite quando, ao lado de alguns colegas de trabalho, cheguei ao Palácio Alfredo Nasser (sede do Legislativo goiano). O local já se esvaziava quando, de um carro, dois homens desceram e cuidaram de auxiliar o terceiro, idoso, bastante conhecido de todos – o udenista Wilmar Guimarães, ferrenho adversário de Pedro Ludovico Teixeira ao longo de toda aquela era política. Seus acompanhantes, se bem me recordo, eram o seu irmão caçula, William, e seu filho Wilmar (Guima).

Os presentes – jornalistas e políticos, além de alguns populares – olhavam com perplexidade. O embate político entre Pedro e Wilmar era notório; mas o velho adversário, amparado pelos moços, caminhava determinado até o corpo em velório. Levava uma rosa, que depositou no peito do morto e, sabendo que surpreendia, esclareceu que “sempre fomos adversários políticos, jamais inimigos”, e arrematou com referências elogiosas ao caráter, à coragem e à determinação de Pedro, fatores que o marcaram bem.

Esse quadro vem-me à lembrança ao ver a manchete de hoje do DM, dando conta do gesto de paz entre os dois maiores líderes políticos de Goiás desde aquele agosto de 1979 – Iris Rezende Machado e Marconi Perillo. Iris firmou-se no quadro político de Goiânia nos anos de 1950, quando se elegeu vereador. Na década seguinte, elegeu-se deputado estadual, depois prefeito e foi cassado pelo regime militar, punição que os generais haviam imposto também ao senador Pedro Ludovico.

Iris retornou à política elegendo-se governador em 1982. O jovem deputado federal Marconi Perillo – que já cumprira um mandato de deputado estadual – atreveu-se a pleitear o Palácio das Esmeraldas em 1998, enfrentando Iris numa campanha histórica e consolidou-se, assim, sua trajetória de grande líder, só comparável mesmo a Iris Rezende. Mas divergências de postura e escolhas políticas, fortalecidas pelas posições contrárias nos pleitos seguintes, criaram uma barreira ao convívio desses polos das preferências do eleitorado goiano.

O anúncio dessa proposta de harmonização chega-me como um sinal de boas-novas ante as cascatas de más notícias que invadem nosso bem-estar a cada novo noticiário de rádio e tevê. Goiás tem vivido tempos difíceis, também, com o quadro da economia local e a crise que atinge todos os governos nos três níveis da vida pública. Enfrentamos, agora, outras medidas amargas dentre as providências para conciliar arrecadação e gastos, e sabe-se bem que a herança de Paulo Garcia chegará a Iris, mais uma vez eleito prefeito de Goiânia, com “um gosto amargo de fel”, como o verso de Gonzaguinha.

A harmonia entre o Paço Municipal e o Palácio Pedro Ludovico é vital para Goiânia e os goianos, e Marconi tem procurado esse mesmo tom entre o Governo e as Prefeituras em geral. Iris, no pedestal de seus 60 anos de vida pública, o rosário de vitórias e o aprendizado calejado nos ofícios exercidos (vereador, deputado, prefeito, governador duas vezes, ministro de Estado duas vezes e senador, além do retorno à prefeitura de Goiânia, agora, pela quarta vez) conhece bem os benefícios dessa harmonia.

Entendo que ambos, Iris e Marconi, pensam em Goiás. E assim pensando, oferecem-nos a esperança de tempos melhores, como se Marconi propusesse a Iris um fraterno abraço pelo aniversário na próxima semana, e Iris retribui com os afagos natalinos.

E Goiás, todo o Estado, se regozija com esse gesto de sabedoria que bem resultará nas hostes políticas.

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Luiz de Aquino é jornalista e escritor.

Nossas letras têm futuro!

Nossas letras têm futuro!


Amigos e leitores, esta foi uma semana de alegrias, como um sol na tempestade dos noticiários em que o nojo atingiu níveis superiores ao susto ante a desfaçatez, a desvergonha e o cinismo estampado em rostos cercados de luz e microfones ante as câmaras. Não sei de “coxinha” nem de “petralha” que aceite a cara de pau institucionalizada dos rostos do bigode grisalho que macula a menor sociedade da União, a de Roraima e do olhar repugnante encimado pelo implante sofisticado de pelos a desacatar a Constituição, a Justiça e suas decisões – tudo em desfavor do povo.

No DM de sexta-feira, a notícia do armistício político entre os dois maiores nomes da política contemporânea, em Goiás. E festejamos o momento, com a renovação de esperanças, superando o conflito que só interessava mesmo a meia-dúzia de áulicos de cada lado – mas que prejudicava os dois e, mormente, o povo de Goiás.

Outra notícia, de menor monta nas atenções dos leitores, trouxe-me (e a tantos milhares ou milhões de goianos) o desmentido ao derrotismo dos que, descrentes de si mesmos, achincalham-nos por nivelar os demais aos seus porões de desânimo. Refiro-me à notícia da página 5, na mesma edição de sexta-feira, 16/12/16, com a manchete “Três meninas gênios em Goiás” - os textos estão, integrais, na página do DM: https://impresso.dm.com.br/edicao/20161216/pagina/5.

O evento foi a 5ª. edição da Olímpíada de Língua Portuguesa, da Fundação Itaú e do Ministério da Cultura, que envolveu as 27 unidades federativas, 4.873 municípios, 39.662 escolas, 170.244 participantes. Foram avaliados 50.600 textos enviados e vinte estudantes foram festejados como finalistas, dentre eles três goianos. Aliás, três goianas, dignificando suas cidades – Anápolis (poema), Vianópolis (crônica) e Caldas Novas (artigo de opinião) – respectivamente, Ana Letícia Penha Gonçalves, da Escola Municipal Manuel Gonçalves Cruz, sob a orientação da profa. Patrícia Parreira da Silva; Mayara de Aleluia Pereira, da Escola Municipal Antônio de Sousa Lobo Sobrinho, com orientação da profa. Elisete Tavares; e a outra, da minha terrinha natal, é Brenda de Souza Soares, do Centro de Educação de Jovens e Adultos Filostro Machado Carneiro, orientada pela profa. Aldenir Chagas Alves.

Bem! Vivi um ano e alguns meses em Anápolis (1966/67) e sei que existe, sempre houve, um forte núcleo de criação e preservação de arte em várias linguagens. A cidade quis crescer com a marca de boas escolas, públicas e particulares, e boa evidência é o fato de ali se achar o câmpus com a reitoria da Universidade Estadual de Goiás.

De Vianópolis, sei de ouvir dizer. Importante estação ferroviária, referência de grandes lembranças de amigos – e até mesmo alguns parentes afins. É bom lembrar que a mais importante discoteca de Goiânia, nas décadas de 60 e 70, era a de Fabiano Viegas (primo de minha mulher), só para situar. E sei também que a cidade é governada (ele foi reeleito) por um jovem idealista, de pés no chão e muito juízo na cabeça, Issy Quinan, de quem sempre me fala o amigo Cleverlan do Vale.

Já da minha cidade natal, Caldas Novas, sinto rebrotar o amor às letras. Foi ali que nasceu, em agosto de 1889, a primeira poetisa de Goiás, Leodegária de Jesus. Tinha um ano quando a família se mudou para Jataí, onde o pai, professor, conseguiu emprego de professor. O pai eleito deputado, mudou-se para a capital, Cidade de Goiás. Aos 17 anos incompletos, estudante, Leodegária estreou em livro – Coroa de Lírios (poemas) – que mereceu comentário de ninguém menos que o poeta Osório Duque Estrada (ele mesmo! O autor da letra do Hino Nacional Brasileiro). Infelizmente, Caldas Novas, governada nas últimas cinco décadas por prefeitos alheios ao fazer artístico (houve uma ou duas exceções, mas já vai tempo, também), ignora este fato.

Resumindo: além da poetisa Leodegária tivemos, no campo das letras, dignos de realce, Genesco Bretas, Oscar Santos, Celso de Godoy, Juca de Godoy, José Pinto Neto e quase ninguém mais. Somos três, ao menos, ali nascidos, que desenvolvemos o ofício literário fora da terrinha – Waldir do Espírito Santo Castro Quinta, Delermando Vieira Sobrinho e eu. E, agora, muito feliz, vejo surgirem essas três estudantes a destacar-se num certame de tamanha importância e volume de participantes.

Ah, tenho de terminar, o espaço acabou! Mas encerro dizendo que quero conhecer essas três meninas, suas mestras e suas escolas.

Permitem-me?

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Luiz de Aquino é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras.


domingo, dezembro 11, 2016

Vergonha internacional

Renan provocou e o Supremonos proporcionou essa vergonha internacional

De festas e escárnios


Costumo dizer que a única coisa de que não tenho preguiça é de escrever. Sim, porque muitas vezes sinto preguiça até de falar, quanto mais praticar caminhada, ir à farmácia ou ao açougue, ligar para desejar Feliz Natal (a expressão se tornou tão automática que a pronunciamos sem considerar o real sentido) ou repetir bons-dias, quando sempre é possível expressar alegria e formular votos de modo diferente.

Agora, chegamos aos meados do último mês do ano – e aprendemos desde cedo a partilhar a vida em períodos. Ora, dias e noites são fáceis de se conceber, nosso relógio biológico nos sugere a fome e a sede, o sono e repouso, a disposição de encarar fatos e atos do quotidiano. As semanas, estas já medimos sem as barreiras das medidas artificias – já os meses e anos, ainda que com suas marcas fortes, pelos ciclos lunar e solar, estes nos exigem outra forma de atenção.

O tempo, as sete décadas já vividas, prenunciam-me a velhice. Quando será que vou me sentir de fato velho, hem? Por enquanto, tenho rugas e cãs... Pausa! Preciso explicar, por se tratar de palavra pouco usual, que “cãs” é como denominamos nossos cabelos grisalhos ou brancos; inseri a palavra num poema e ele foi publicado como “cães”. E o diagramador me acusa, hoje, de ser “agressivo com os pobres revisores”. Mas, convenhamos, como ser tolerante com revisor descuidado?

Reabro o tema, fecho a pausa. O tempo, que transforma nossas belezas visuais em material descartável, pronto para a reciclagem, o tempo costuma alumiar melhor nosso interior, sobretudo nosso pensamento, que nos sugere novos e saudáveis conselhos.

Nestes dias, tão marcados pelas confraternizações, tenho tido momentos agradáveis de convívio, de variação de cores e de luzes, de musicalidade (poxa! Que lindeza a apresentação da Orquestra Sinfônica Jovem na festa de encerramento do ano pela Academia Goiana de Letras!). Vivi também uma série de bonitas festas literárias, com novos livros de muitos amigos – e até mesmo um livro meu, conjugado com o de Iuri Godinho, quando trouxemos novos livros sob um só título, livros esses com capas que resultam da divisão mediana de uma belíssima tela de Alexandre Liah...

Contudo, amigos meus, contudo, houve também a vergonha escancarada, o deboche público que só mesmo os néscios se encorajam para praticar. Claro, claro: refiro-me a esse ser abominável que os alagoanos mandaram para o Senado e seus pares (os que nós outros, dos demais estados, também enviamos) elegeram para presidir nossa Câmara Alta. Renan Calheiros, que expôs seu desrespeito à própria família ao deixar vir a público um romance paralelo com uma bela jovem, romance esse com frutificação e arranjos para que uma empreiteira bancasse a pensão alimentícia, debochou do Senado, provocou e vilipendiou a Justiça e humilhou a Nação.

Mas ele não agiu só (outro alagoano, há um quarto de século, vociferava na solidão do Palácio da Alvorada – “Não me deixem só!” – mas nós o deixamos só, sim!). Contou com o apoio de um grupo de colegas sobre os quais lançamos nossas mais vis suspeitas. E conseguiu envolver pelo temor (ao que tudo indica) os nobilíssimos senhores da Justiça, e deu no que deu.

A idade é alta, eu sei. E gosto disso, gosto muito! A idade exige de mim posturas mais lúcidas e racionais, mais sóbrias e positivas. Mas, amigos meus, só de mim? Só de nós, trabalhadores, gente que rala sem limites para viver com o mínimo de dignidade?

Eles, os “excelências”, precisam tomar consciência. E se isso lhes for muito difícil, que tomem ao menos vergonha na cara.


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Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.

domingo, dezembro 04, 2016

De dores e livros

Os nossos livros: Família Jaime/Jayme, de Nilson
Jaime, e os gêmeos Amor em Dose Dupla, de Iuri
Godinho e Luiz de Aquino.



De dores e livros


Angústia e ansiedade são, sem qualquer dúvida, os sentimentos reinantes no meio político desta Nação. Estou seguro do que digo, no que tange ao lado passivo da política – o eleitor – nos intervalos de dois anos entre uma e outra votação para eleger um bando de párias que nos aprecem filhos da Pátria, mas...

Bem! O certo é que vivemos estes dias que nos abalam o emocional desde os tempos da campanha presidencial de 2014: de um lado, a incompetência comprovada tentando ficar – e ficou; do outro, a dúvida por feitos nababescos e gastos idem, aliados aos comentários sobre hábitos nada ortodoxos ante o que esperamos de quem se habilita para presidir o Estado, gerenciar o País, ser o elemento de confiança da Nação.

A semana mal começada sacudiu-nos em comoção com o terrível desastre que, ao que tudo indica, não foi acidente, mas a infindável crônica das mortes anunciadas. Um piloto empresário, antes militar, sediado em pátria de Evo, certamente simpático e envolvente, usando de meios que arriscamos imaginar, habilitou-se como preferido por algumas equipes de futebol desta América do Sul. Sugere-se que ele seduzia pessoas de determinados ambientes para conseguir contratos.

De repente, a Chapecoense se tornou mais notícia que o Corinthians e o Flamengo; de repente, a pequena Chapecó tornou-se a meca do futebol mundial; de repente, emocionamo-nos e todo o mundo se emociona com o que vimos acontecer em Medelín. E de repente, não mais que de repente, aconteceu o que todos temíamos – mas esperávamos. Os facínoras que elegemos para a Câmara Federal fizeram outro desastre.

Em que aqueles 300 e tantos deputados se diferem do piloto assassino da La Mia – a empresa de uma só aeronave, com sede na Bolívia e atendendo, de modo canhestro, clientes brasileiros? Cada deputado, desde o que apresentou aquelas malfadadas e espúrias emandas à proposta do Ministério Público até cada um dos que votaram a seu favor emendas, cada qual é um piloto Alejandro Miguel Quiroga.

Escrevo de véspera para que este texto saia no domingo, no Diário da Manhã. Neste domingo, é certo que acordo temeroso, preocupado com acontecerá no Brasil nas manifestações deste 4 de dezembro, pois não temos a conduta dos americanos que, em seus protestos, limitam-se a conduzir cartazes e cantar refrãos que traduzem indignações. Nossos protestos descambam-se para a baderna – o que a opinião pública repudia, a despeito legitimidade da causa.

No contraponto destas más-novas, vivi dias de intensa alegria ao mesclar a tristeza nacional com feitos do meu feitio – quero dizer, livros. Ao lado do meu amigo de infância (a dele, que é duas décadas mais jovem) Iúri Rincon Godinho, lancei Amor em Dose Dupla. Ou ele lançou Amor em Dose Dupla ao meu lado. É que, por ideia dele, assim denominamos, como perfeitos xarás, nossos novos livros de poemas sob a temática do amor e dos hormônios do sexo (quarta-feira, 30/11).

As capas, concebeu-as Alexandre Liah, artista de ponta: um corpo nu de mulher, que, dividido ao meio, foi aplicado em nossos livros, cabendo-me a parte inferior, posto que Iúri preferiu os fartos úberes. Nossos livros, a módicos 50 reais os dois exemplares, ou R$ 30 por um, estão à venda na Contato ( 62 3224-3737); ou comigo mesmo.

O dia seguinte, primeiro de dezembro, foi o da festa da Família Jaime/Jayme, de berço pirenopolino, expandida por todo Goiás (de sempre, contando o Distrito Federal e o Tocantins), Minas, Rio de Janeiro, São Paulo e todo o Brasil, além de meio mundo! Por esses cantos espalham-se os Jaime, Jayme e outros nomes consanguíneos, como Rattes, Mendonça, Lopes, Pina, Siqueira etc, etc. Loas ao autor, Nilson Jaime!

Que as próximas horas, bem como os próximos dias e meses, sejam de paz e juízo. Que os calhordas a que temos de dizer “excelências” se toquem, que se ajeitem e, principalmente, que se danem nas mãos da Justiça que eles, responsáveis pelas maiores mazelas, querem agora incriminar.

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Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.