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domingo, setembro 02, 2007

SESC: Espaço José J. Veiga



SESC:

Espaço Literário

José J. Veiga




Gente de letras. Cultores e construtores de textos, agitadores do imaginário e finalizadores, em textos, de histórias maravilhosas, versos sensíveis, essências da Língua (e, portanto, de idéias) e, numa de suas arestas, sempre críticos impecáveis: Antônio Olinto e Fernando Py.

José J. Veiga e eu, em 1982 (Goiânia)

José J. Veiga, filho da encosta dos Montes Pireneus, ganha, finalmente, espaço onde peças de seu fazer literário ficarão à mostra. Um minimuseu dentro da Biblioteca Central do SESC, viabilizado pela sensibilidade de José Evaristo dos Santos e Giuglio Settimi Cysneiros, líderes empresariais que põem por terra o conceito mal enunciado de que homens de negócios não têm percepção cultural (como também é falaciosa a concepção de que homens de artes não são bons em negócios ou administração).

Ao longo de oito anos, bati às portas de governos, entidades culturais e universidades; as que se entreabriram revelaram-me pessoas desinteressadas (algumas) e apressadas (outras) em função de outros interesses. A bem da verdade, nem mesmo a força do sangue de família e sobrenome sensibilizaram alguém no sentido de se erigir algo para que a memória de José J. Veiga fosse reverenciada: as pessoas do SESC, sim, entenderam ser isso importante.

Dia 5 de setembro, às 18h30min, esse espaço será inaugurado, com a presença do imortal (da Academia Brasileira de Letras) Antônio Olinto. Em seguida, e também no SESC da Rua 19 (Centro), Olinto autografará a coleção Alma da África (três livros: A Casa da Água; O Rei de Keto; e Trono de Vidro), em primorosa edição da Bertrand. Um momento, pois, à altura do talento de José J. Veiga, que, até agora, muito fez por
Goiás e nada havia recebido.

Antônio Olinto, em 2000, proferiu bonita palestra sobre Veiga no
Instituto
Histórico e Geográfico de Goiás. Uma síntese ficou-me na memória: para ele, a literatura brasileira do Século XX começou com Machado de Assis e fechou-se com José J. Veiga. Daí o convite para que Olinto viesse abrilhantar a inauguração do Espaço Veiga, no SESC.

Fernando Py, autor de outra palestra marcante sobre o nosso escritor, esteve em Goiânia, novamente, em maio último. Py, em setembro de 2001, discorreu sobre “Alegoria e Utopia em José J. Veiga”, na Academia Goiana de Letras. Esta, uma palestra escrita, merece ser inserida, com ênfase, em livro de críticas para subsidiar estudos da obra do autor de Sombra de Reis Barbudos.

Aliás, Fernando Py escreveu livro, que lançou em Goiânia na sua recente visita: Escritores Goianos (1985-2005) teve sessão de autógrafos na Academia Goiana de Letras e agradou os escribas estudados pelo grande crítico. Zeloso e educado, Fernando Py cuidou de tecer referências superficiais sobre autores cujas obras não lhe chegaram em volume bastante para uma análise criteriosa, e isso deixou no ar uma esperança de novos textos críticos.

Antônio Olinto e Fernando Py: dois baluartes das letras no Brasil, ambos críticos e autores. Olinto passeia com desenvoltura pela poesia e pelo romance, também. Diplomata e jornalista, crítico veterano, foi dele a primeira crítica a Os Cavalinhos de Platiplanto (1959), livro de estréia de José J. Veiga.

Esta primeira semana de setembro, a Semana da Pátria, é um grande momento para a inauguração do Espaço Literário José J. Veiga no SESC (que aniversaria em setembro, dia 13; essa inauguração e a noite de autógrafos que lhe segue hão de ser, pois, itens de uma grande programação). Para mim (e falo também em nome de Gabriel Martins, sobrinho e herdeiro de Veiga), não há lugar mais adequado: é da Biblioteca do SESC a maior estante de autores goianos de que se tem notícias. Agora... Bem, agora, ainda mais rica!

4 comentários:

Madalena Barranco disse...

Querido Luiz, José Veiga deve estar feliz assistindo essa homenagem de onde ele estiver... Pena que esteja ocorrendo após sua morte - por que será que as pessoas somente dão mais valor aos escritores depois que passaram para o outro lado? Beijos e bom domingo!

Mariza de Castro disse...

Oi Luiz,

maravilhoso seu esforço para valorizar os " agitadores do imaginário" ( adorei a expressão) José J.Veiga e Antônio Olinto.
Gente como você é que é indispensável no meio literário, lutando para que seja reconhecido o ouro da casa e "os outros ouros..."
Mas o notável também foi a sua crônica sobre Niemeyer...Concordo ,sem tirar nenhuma linha, com o que você disse sobre a homenagem a ele. Parabéns! O fato de ele ser comunista em nada altera o seu valor ( e se acrescentasse?)
Acho mesmo que o motivo da hesitação é de natureza ideológica... É uma pena isto acontecer , numa época que a tolerância e a compreensão deveriam sobrepujar todas as divergências...
Obrigada!
Mariza

Antonio César Gomes da Silva disse...

Olá,

Sou aluno de Letras em Sinop-MT, descobri J. J. Veiga este ano e gostei muito, vou fazer minha monografia usando a temática da Morte em um de seus contos, "A invernada do sossego". Se puder me mandar alguma sugestão de como proceder, agradeço.

Antonio César Gomes da Silva disse...

Olá Luiz de Aquino,

Minha monografia será sobre um conto de José J. Veiga, A Invernada do Sossego,
pretendo pesquisar a relação da morte e o fantástico presentes na obra. Como a falta de lucidez gera imagens aparentemente fora do contexto real, fazendo criar a dualidade em que a imaginação e a realidade se mesclam.
Quero entender como se dá a não aceitação da morte do cavalo e conseqüentemente a entrega à imaginação de uma realidade estranha pelo menino que deseja a presença do cavalo e a representação do sossego da tal invernada e seu súbito perigo.
Seus palpites serão muito bem vindos. Se puder me indicar alguma bibliografia, também agradeço.

Obrigado pelo auxílio.

Antonio César Gomes da Silva