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sábado, fevereiro 18, 2017

Assédio moral

O tal assédio moral


Há uns 40 anos, ou pouco mais, um amigo presenteou-me com um livro que achei muito interessante: Relações Humanas na Família e no Trabalho, de Pierre Weil (a edição nova custa algo em torno de 60 reais, mas as antigas estão pelos sebos por preços a partir de R$ 4,00). A época em que li essa obra ainda era marcada, nas empresas e órgãos públicos, por uma hierarquia rígida que, em alguns casos, beirava o trato desumano – e muitas vezes abusivo, por parte de chefes e patrões.

Era o meu tempo no departamento de treinamento do Banco do Estado de Goiás e buscávamos aprender e apreender práticas inovadoras nas relações no ambiente de trabalho, mas esbarrávamos na má vontade dos chefes – aqueles velhos de 40 anos ou mais, porque para nós, pessoas de 20 a 30 anos, todo aquele que percorria a trilha etária dos “enta” era velho.

Atravessando a Praça do Bandeirante, havia o Banco Real. Ali, ganhou fama de cidadão educado um “contador” (como eram chamados não propriamente os contadores, mas os gestores internos das agências bancárias) que oferecia um tratamento cortês e lhano com a clientela, mas ríspido e intransigente com seus subalternos. Ficou famosa a sua iniciativa de colocar uma pequenina mesa de datilografia ao lado da sua para, ali, instalar-se um escriturário que tinha “o péssimo hábito de conversar com clientes” ou, pior ainda, “de ser visitado por amigos” – bem, este segundo item foi alegado pelo tal contador, mas houve dúvidas quanto à legitimidade do argumento.

O chefe bancou o bedel do funcionário por uma semana, ou melhor, pelos cinco dias (ditos úteis) da semana. Nenhuma tarefa foi entregue ao empregado e nenhuma pessoa, colega ou cliente, podia dirigir-se a ele. O contador registrou, dia a dia, os horários de entrada do empregado, os 15 minutos diários permitidos para o café da tarde – mas o fez em horário diferente do geral a fim de não permitir contato de oralidade com nenhum outro colega. Na sexta-feira, o moço pediu demissão.

O contador foi festejado por alguns adeptos da disciplina rigorosa, e houve até quem sugerisse que o caso fosse divulgado para ser mostrado em cursos de administração de empresas etc., mas o moço, ainda que conduzido àquele desfecho, recebeu orientação e procurou a Justiça do Trabalho, no que foi vitorioso em virtude da pressão psicológica sofrida.

A isso, hoje, dão o nome de “assédio moral”.

E há também o tão badalado “assédio sexual” – destes, tenho muitas histórias, mas é tema para outro dia. Ainda que já se tenha um conceito legal para essas práticas abusivas, assemelhadas a atitudes comparadas com o que se fazia nos pátios e nas senzalas até 1888, ainda há chefes que não respeitam sequer licenças médicas de seus colaboradores. Num caso recente, vi uma amiga, com um membro imobilizado em virtude de tratamento ortopédico, ter de se deslocar até o órgão público em que presta o seu trabalho porque o chefe (quase que eu disse o cargo) não entende que quando um trabalhador se ausenta, pelas múltiplas razões amplamente definidas em leis, seu trabalho deve ser desenvolvido por outro funcionário.

Não discorrerei sobre os detalhes, estes interessam pouco. O lamentável é que o funcionário em questão tem o salário (como sempre) aquém de sua competência e do serviço que oferece, mas seu chefe imediato e o mandachuva do gabinete são agraciados com rendas mensais nababescas – mas não conseguem desenvolver providências inadiáveis e abusam da humildade ou do receio que tem a pessoa de perder seu emprego, nestes tempos bicudos.

Paro por aqui, antes que me traia e diga nomes e endereços.


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Luiz de Aquino é escritor, membro da Academia Goiana de Letras.


sexta-feira, fevereiro 10, 2017

Duas crônicas

Hoje, trago dois textos, um com notícia literária, o outro com um desabafo em torno de feitos mal-feitos desta semana, no Brasil e... na Rússia.





1) Os últimos dias – primeiro 
passo de Bela Dias


Ando triste com certas coisas da moda.

Como os gêneros musicais que, à custa de elevados e mal-intencionados financiamentos, removeram das mídias a MPB, oferecendo produtos de consumo rápido e descartáveis. Ou a linguagem péssima que toma conta da fala das novas safras de profissionais de nível superior, e ainda as doenças provocadas pelo aedes aegypti.

Ah, sim! Mas, infelizmente, temos ainda o câncer. Que está na moda há alguns anos – ao lado da dengue, da zika e da chikungunya (e, não bastassem os receios, medos e desesperos, volta também a famigerada febre amarela). O câncer atua, nestes tempos, tão intensamente que não conseguimos mais, numa parada para relembrar, quantificar os parentes e amigos que perdemos pela doença arrasadora, incontrolável.

Mas é assim que caminha a humanidade – convivendo com as maldades, como as guerras e os jogos sujos da política (em qualquer lugar do mundo e em qualquer tempo – e não apenas no Brasil, como pensam os que costumam ter preguiça de pensar).

Além das maldades, convivemos também com o mau uso da inteligência – daí as críticas constantes às pessoas que atropelam a linguagem, a gramática e o bom senso em suas falas. E esta, infelizmente, é uma praga que, nos últimos anos, assolou o Brasil e ouvimos descalabros verbais a todo instante, pronunciados por bacharéis de alta graduação, de professores, de profissionais da comunicação e até mesmo do próprio ensino.

Bela Dias, a jovem autora de Os últimos dias.
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Vem daí a alegria que me invade quando converso com jovens de boa fala e informações salutares – como as que resultam em textos admiráveis, na oralidade e na escrita. Imagine-se, pois, o prazer que experimentei quando recebi, com um pedido de comentários, o livro Os últimos dias, da escritora Bela Dias. Falo de uma jovem que ainda não chegou à marca dos vinte anos, ou seja, se fosse atleta seria qualificada como “subvinte”.

Bela Dias trabalhou um tema da moda (não imaginam como sofro ao aplicar esta expressão para algo funesto como as doenças) – o câncer. Não bastasse, ela nos traz uma história de um menino e uma adolescente acometidos do mesmo mal, ambos em tratamento num hospital especializado. Mas, boa escritora (ou, como ela diz de si mesma, uma contadora de histórias), trouxe-nos a adolescente rebelde, solitária em seu gosto pelos estudos e intransigente com as pessoas comuns. Conhecer uma criança dez anos mais nova, de personalidade diametralmente oposta resultou no fortalecimento da menina para encarar o tratamento e, também, para processar mudanças drásticas em si mesma.

O livro de Bela Dias: vale a pena lê-lo!
Fiquei, sim, feliz com o que li, compreendi que “estou vendo” o nascer de uma estrela das letras – como outros que vi nascerem também e que, hoje, marcam sua presença na galeria das pessoas dotadas de bom texto. Bela Dias sabe captar histórias, absorvê-las, cuidar delas e modifica-las para, enfim, traduzi-las para a grafia, gerando certamente contos e novelas, romances e – não duvido nada – alguns outros gêneros literários, como a crônica, a poesia, o roteiro etc.!

Gostei de perceber a capacidade dessa jovem autora em criar a personagem, dar-lhe características físicas e psicológicas, dotá-la de procedimentos e falas marcantes, como fez com a Princesa Jujuba e seu Pequeno Príncipe. E a movimentação das personagens, o andamento da história, a riqueza de informações em diálogos simples e ágeis – tudo evidenciando sua mente criadora e ansiosa, sem dúvida!

Antevejo essa escritora – caso não tome desvios – crescendo muito rapidamente, trazendo-nos novas e excelentes histórias em quaisquer das linguagens literárias. E hei de procurar sempre saber de Bela Dias e de seus novos escritos.


Luiz de Aquino 


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2) A História na contramão


Motim na PM do Espírito Santo; na Rússia, o Congresso aprova uma lei que autoriza maridos a agredir fisicamente suas mulheres. E o presidente Temer sequer se constrange em repetir Dilma e tenta nomear um cidadão sob suspeita para seu ministério.

Poxa! Se pensávamos que a casa da mãe joana era o ápice da esbórnia em todos os sentidos é porque não sabíamos nada dos bastidores das nossas casas legislativas, dos arranjos nos palácios executivos e por confiarmos cegamente nos incumbidos do cumprimento das leis.

Claro, claro! Assim como creio que há oficiais policiais militares que não concordam com a quebra total da disciplina no Espírito Santo, bem como sei haver políticos confiáveis e procuradores e magistrados que levam muito a sério sua função, creio também que nem todo marido russo bate na mulher, mesmo com uma lei escorchante como essa – e, pasmem!, consta que foi apresentada por uma mulher e obteve aprovação quase unânime (apenas um voto contrário e 300 e tantos a favor).

Mas o que nos interessa são dois pontos – o primeiro é o motim capixaba, o outro o forfait no Planalto.

Aquela cena de um comandante chegando ao portão do quartel e perguntando às mulheres se elas permitiriam a saída da tropa... que ridículo! Cena ensaiada e mal interpretada. Essa é a PM que, lá ou aqui, no Paraná e no Amazonas, em Pernambuco e em Rondônia não mede circunstâncias para descer a mutamba em professores, médicos, garis etc. – qualquer trabalhador, público ou privado, em manifestação. Mas suas doces mulheres, como que treinadas em atividades de guerrilha urbana, respondem categóricas que não, e o comandante, submisso, retorna à caserna, como que vencido.

Cadê o spray de pimenta, as balas de borracha, as bombas de efeito moral? Ah, contra “as de casa”, não... Isso é para o contribuinte que se desespera com os impostos cada vez mais escorchantes e os salários defasados – mas se a dor de barriga é dentro de casa, aí a polícia se faz inoperante, bola um motim sem honra nem glória, pois envolve suas companheiras – aquelas que, machismo à parte, mas romantismo à flor da pele, prometemos (os homens de bem) guarda, proteger, honrar e respeitar.

Uma declaração pareceu-me cheia de fundamentos: o governador capixaba Paulo Artung, ora licenciado por questões de saúde, qualificou essa operação de chantagem, algo que deixa a população refém da omissão policial e da ação criminosa.

Aliás, digam-me: entre os mais de 120 mortos até a manhã da sexta-feira (10/02) havia algum policial militar? Ou algum parente próximo, como cônjuge ou filho? Mas dentre os civis, as pessoas anônimas – essas que na imprensa, até a década de 80, chamávamos de “populares” – sim. E as casas de comércio saqueadas, o governo as indenizará? Não é justo, a conta virá para o contribuinte outra vez, esse ser que constitui a massa popular sem rosto, mas com os sacrificados bolsos sendo saqueado pelas autoridades para cobrir seus desmandos.

Não bastasse todo esse constrangimento e essa falta de vergonha na cara, configurado no empenho dos militares policiais em atribuir às suas mulheres a responsabilidade pelo movimento, conduzindo-as a propor negociação com o governo, um advogado desses militares pleiteou “anistia para os militares envolvidos” – o que, sem dúvida, configura confissão do grupo policial militar quanto à responsabilidade dos oficiais maiores no motim.

E virão os que se intitulam de militantes pelos direitos humanos propor que se exaltem as mulheres dos fardados e que elas não sejam punidas. Claro, claro... elas não são professoras nem enfermeiras, portanto hão de ser, sim, poupadas da ação truculenta dos profissionais repressores que, imagino eu, são doces maridos, carinhosos e compreensivos, muito ao contrário de como se postam nas ruas.

Afinal, nossos policiais militares não são russos.

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Luiz de Aquino é jornalista, professor e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.


sábado, fevereiro 04, 2017

41 anos da Biblioteca Prof. Josino - Caldas Novas

O bâner comemorativo do aniversário da Biblioteca Prof. Josino Bretas, inaugurada em 1976, em  Caldas Novas.

Combinação de ideias
em Caldas Novas


Não é qualquer evento que me leva à minha amada terrinha natal, a (antes) bucólica e aprazível Caldas Novas, no sopé (banda oeste) da Serra de Caldas (na realidade, um dos domos que integram um ciclo vulcânico de milhões de anos no Planalto Central Brasileiro), que os menos avisados chamam de “vulcão”. Mas o evento se marcava, muito significativo: o aniversário de 41 anos da Biblioteca Professor Josino Bretas – pai do nosso muito amado professor Genesco Bretas.

Josino, também mestre, era construtor. Nesse misto de ensinante e pedreiro, edificou, na década de 1920, o Grupo Escolar de Caldas Novas, que, no final da década de 50, foi transferido para um novo local, em prédio especialmente edificado, tornando-se o velho grupo sede da Prefeitura e, mais tarde, o fórum da comarca.

Vale lembrar, também: a escola construída pelo professor Josino ocupava parte de um terreno onde era, até então, o cemitério da cidade e, quando criança, brincando entre ruínas de velhos túmulos, muitas vezes encontrei pequenos ossos humanos e dobradiças de caixões. No local, atualmente, está a agência do Banco do Brasil (responsável pela triste demolição do prédio),

O antigo Grupo Escolar é, hoje, a Escola Estadual de Caldas Novas. O Colégio Estadual é o antigo Ginásio, que se instalou em 1963 com o nome do ministro Júlio Sambaqui, da Educação – mas seu nome foi apagado e sua placa inaugural removida, em abril de 1964, pois os militares não aceitavam homenagens a membros do governo de Jango.

Genesco Bretas, o notável professor (formado na primeira turma da Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil, hoje UFRJ), é o autor da História da Instrução Pública em Goiás e do fabuloso Memórias de um Botocudo. Membro fundador da Academia de Letras e Artes de Caldas Novas, diretor do Instituto de Educação de Goiás e do Liceu de Goiânia, na década de 1960, professor da UCG, da UFG e, antes de tudo isso, diretor regional dos Correios em Goiás, cargo de que se demitiu para ser exclusivamente professor.

Naftali, Stella Fleury, Helena Carvalho, Marcos Barbosa, Sônia Prado e Luiz de Aquino.

Pois bem, a bibliotecária Helena Carvalho, responsável pela ressurreição da Biblioteca Municipal da cidade, marcou a festa. A presidente da Academia já citada, musicista Stella Fleury, associou a ALACAN à festa de Helena e convidou-me. E eu, juntamente com o confrade Cristiano, ladeamos nossa presidente para integrar a ALACAN ao evento da Biblioteca.

Gostei de ver não apenas o secretário da Educação do Município, o jovem professor Higor, com seu chefe de Gabinete, referendando a iniciativa da diretora da Biblioteca. Mas principalmente gostei de ver que o público leitor, usuário da Casa, respondeu ao chamado e compareceu para demonstrar a importância da Biblioteca na vida da cidade.

Não bastasse isso, e nas águas (termais?) da sugestão de que sou um escritor de boteco, a presidente Stella convidou-nos a visitar um novo bar – o “Meu Boteco”, de um casal aficionado pela leitura – Valquíria e Flávio. Muito apropriado o nome! Mormente para mim, seresteiro (com meu pai e o amigo José Pinto Neto) desde 1950, aos quatro anos, como cantor em serenatas e, a partir dos 15 (num tempo em que não se fiscalizava tanto), assíduo frequentador de bons botecos, desde os pés-sujos da periferia até aqueles que, a partir dos anos 70 do meu século, ofereciam-nos o luxo do som ao vivo, a saudoso “banquinho e violão” pelos quais a Música Popular Brasileira veio a ser, em suma, o que de melhor se fez no âmbito social da geração dos nascidos nas décadas de 40 e 50.

Voltarei lá, brevemente! Quero ver nascer o Café com Letras – projeto do casal dono do Meu Boteco – e, com eles e meus confrades, com meus leitores e amigos de infância, meus conterrâneos de ontem e de hoje (dentre os quais sei de muitos forasteiros do bem, em contraponto aos do mal, que só visam à especulação turística), com essa gente quero falar poemas cantarolar boas canções e festejar a vida.

Ao lado, sempre de Helena e de Stella, que fazem ressurgir valores onde parecia ter-se expandido a erva daninha.

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Luiz de Aquino é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras.

domingo, janeiro 29, 2017

Dois artigos de Cleverlan Antônio do Vale



Luiz de Aquino, estou contigo!


Sir Francis Bacon, diz: "Os jovens estão mais aptos a inventar que a julgar; mais aptos a executar que a aconselhar; mais aptos a tomar a iniciativa que a gerir".

Vendo a defesa do vereador Rafael Moraes, de Caldas Novas, pelo Assessor de Comunicação da prefeitura, na tentativa de desmerecer o escritor, jornalista e professor Luiz de Aquino Alves Neto, publicada na coluna Opinião, na última sexta-feira, 20, vejo que, em certas circunstâncias, o melhor a fazer é retroagir e corrigir nossas inevitáveis falhas. Quem não atrapalha já ajuda muito!

Todos têm o direito de expor seus pensamentos, mas precisamos, primeiro, ter uma noção mínima do que estamos falando ou fazendo. Nem sempre conseguimos administrar bem as nossas palavras e ações.

Tenho por Luiz de Aquino muita admiração e respeito. Trata-se de uma pessoa de personalidade forte, porém, de uma sensibilidade ímpar. Esta qualidade pode ser vista em seus inúmeros livros, artigos, palestras e na sua predisposição em colaborar e apoiar incondicionalmente a cultura de nosso Estado. Sua biografia e suas ações falam por si.

Não conheço o jovem vereador Rafael Moraes nem o Secretário de Comunicação da prefeitura de Caldas Novas, João Paulo Teixeira. Não é minha intenção desmerecê-los nem os julgar. Desejo a ambos muita predisposição ao trabalho e seriedade na conduta de suas funções, começando no respeito que é aconselhável a todos. Esta rusga com Luiz de Aquino não os levará a nada.

Precisamos saber respeitar e apoiar as pouquíssimas e raras pessoas que entregam sua vida em prol da cultura no Estado de Goiás. Luiz de Aquino, que teve posição de grande respeitabilidade no antigo Banco do Estado de Goiás (BEG), poderia ter se aposentado em cargo alto, mas nunca foi adepto às exigências políticas necessárias, à época, e nem às de hoje; optou pelo caminho da literatura e continua a ser um defensor das artes. A literatura é o Norte de sua vida.

Se existem os que não gostam dele, basta procurar os motivos: garanto-lhes que não verão questões pessoais, mas algum assunto relacionado ao meio cultural. Ele é um amigo fiel e um ser humano de qualidades que faltam a muitos, que são a honestidade em seus atos, a credulidade em suas razões e jamais a subserviência a terceiros por interesses de cargos ou mandatos.

Quanto à administração de Magal, não quero discutir seus feitos e desfeitos, méritos e deméritos; desejo-lhe boa sorte e pleno sucesso, abraçando carinhosamente todos os caldas-novenses. Minha opinião aqui é tão somente para expor minha indignação, que julgo desrespeitosa e indelicada, a quem tenho profundo respeito: Luiz de Aquino Alves Neto.

Se Aquino mexeu num vespeiro, pode estar certo que não lhe faltarão pessoas para protegê-lo e se aliar a ele contra as ferroadas de afoitos marimbondos. Estes devem, sim, proteger sua colmeia, mas tomar cuidado com as ferroadas, pois como nos insetos que se tornam suicidas, deixarão parte de seu corpo, que neste caso, podemos chamar de indelicadeza desnecessária.

Firmeza, fortaleza e selvageria, há de se lembrar que para se sobressair, necessita de capacidade para tal. Existem muitas formas para evidenciar suas capacidades intelectuais, que percebo que neste caso, evidencia somente a obscuridade de uma admoestação desnecessária por parte do vereador e secretário.

Receba meu abraço, querido escritor Luiz de Aquino!





Boteco do Luiz de Aquino


Ele é singelo, porém, repleto de ternura, afeto, amizade, boa prosa, muita música, literatura e arte.

Cardápio variado: Iniciando com bons petiscos de poesia, acompanhado, é claro, de uma boa cachaça artesanal de Caldas Novas ou, se preferirem, servem uma muito boa de Pirenópolis.  

Atendimento personalizado. Cerveja geladíssima. Boa carta de vinhos. Destilados de ótima qualidade. Tudo de boa procedência.

O que mais me encanta e canta neste boteco é a boa música goiana, frequentado pela nata dos cantores da terra do pequi. Aliás, poucos são os que conseguem agrupar tanta gente boa.

Neste aprazível local reina a paz e a harmonia, pois seu proprietário é gente boníssima, que possui lastros de amizade em todo o Estado de Goiás. Traz consigo um pouco do espírito carioca, pois na adolescência, foi aluno do tradicional colégio Pedro II, não deixando de existir, portanto, o bom e tradicional samba.

Na parede, várias charges de cartunistas goianos, amigos do proprietário. Retratam fases de sua vida, todas elas repletas de grandes histórias.

Do lado de fora, em frondoso pequizeiro, que acolhe a morada de abelhas Arapuã, também conhecidas como Abelha-Cachorro, Abelha-Irapuá, Arapica, Arapu, Arapuá, Aripuá, Axupé, Caapuã, Cabapuã, Enrola-Cabelo, Guaxupé, Mel-de-Cachorro, Torce-Cabelo, Cupira, e Urapuca. Não gosto desse inseto.

Elas atacam outras abelhas, a Arapuã destrói os botões florais de algumas plantas. Para fazer seu ninho, utiliza as fibras de vegetais, atacando as flores e as folhas novas e até a casca do tronco da planta, para retirar resina.

Quando as plantas estão em flor, o prejuízo é ainda maior, pois a Irapuã faz um orifício nos botões florais, prejudicando a frutificação. O crescimento das plantas também é retardado devido ao ataque destas abelhas. Além dos citros a Irapuã ataca bananeiras, jabuticabeiras, jaqueiras, mangueiras - e até mesmo insistem em partir para cima de alguns escritores.

Existem “vespeiros” realmente indesejáveis, que não nos fariam nenhuma falta. Mas temos que suportar e conviver com certos tipos de insetos, mesmo que tentem nos incomodar.

Não será este ninho que conseguirá tirar o brilho deste boteco, tão bem comandado pelo amigo Luiz de Aquino.


quinta-feira, janeiro 26, 2017

NOITE NA TAVERNA OU NOITE NO BOTECO

NOITE NA TAVERNA OU NOITE NO BOTECO

Ercília Macedo-Eckel
Para Luiz de Aquino

Uma Noite do Século XXI
Estamos na Praça da Cirrose, Boteco Bate-Papo, do Hamilton, no Setor Oeste, Goiânia. Criamos aqui uma roda literária acompanhada de petiscos e muita caipirosca. E não há como fugir das músicas interpretadas por duplas sertanejas goianas, para a tristeza de alguns de nosso grupo.
Depositamos nossos celulares numa cesta e, depois de algumas doses e conversas leves sobre musas, últimas leituras, etc., chegamos à morbidez dos assuntos políticos, da corrupção e outras mazelas que assolam o Brasil e o mundo: barbárie nos presídios - o quarto poder no país - Estados em falência, cheios de “elefantes brancos”, acidentes trágicos, soterramentos, aguaceiro, epidemias e surtos diversos. Finalmente, discutimos a degradação da política e dos costumes americanos na pessoa egocêntrica e narcisista do presidente Trump, recém-empossado. Agora, correm na mesa espetos de contrafilé, travessas de feijão tropeiro e de mandioca. E mais goles de caipirosca, antes das falas e reflexões de cada personagem sobre literatura.

Gabriel Ene
Nos últimos dias tem havido uma polêmica nas redes sociais sobre “literatura de boteco”. Seria a nossa, pejorativamente? Quem me ajudaria, aqui, a melhor conceituar ”alta literatura”, a formar o cânone dos supremos escritores-modelo, o arquétipo do bom gosto? Não me refiro ao “cânone didático” tão odiado pelos estudantes de nosso país e do qual muitas vezes fiz parte. Mas sim às várias listas propostas por escritores-críticos de renome internacional que visavam e visam à comparação e à análise de tudo o que fora escrito antes, preferencialmente desde Homero. Acredito, Miguel, que, nesse contexto, os afortunados leitores-críticos serão capazes de distinguir “literatura de boteco” de “alta literatura”. O problema é a carência de leitura por aqui.
Miguel Jota
Verdade, amigo! Sei as regras do jogo literário. Além de seu sentido lúdico, ativa a imaginação, a criatividade, como nosso jogo de bilhar nessa mesa. Minha maior preocupação é para que a bola-capítulo não se suicide e seja deletada, sepultada na lixeira. Daí minha diversidade: do campo das artes plásticas ao palco, do palco à literatura, como formas de driblar a realidade, “promovendo delírios, feito febre” nas “Copas e nas Cópulas”. Selma, os amantes dos bons escribas deveriam conhecer “Altas Literaturas”, de Leyla Perrone-Moisés, a fim de aprofundarem seus julgamentos de valor. Pois o melhor crítico é aquele que também cria textos. Quem cultiva jabuticaba fala melhor sobre jabuticaba, não é mesmo?
Selma
Peça aquela rabada ao molho. Dizem que é a melhor da cidade.
Conheço essa obra de Leyla Perrone e concordo com o que você acabou de dizer. E acrescentaria que o bom crítico analisa e discute o poema, o texto; não o poeta-autor, o escritor. Podemos considerar, ainda, que a diferença não está entre os vários conceitos de cultura, mas entre a “cultura e a descultura” de quem escreve e de quem julga o texto. E que há também o silêncio diante das grandes ( ou medíocres) obras de arte. Pois gritos, falatórios e ofenças ameaçam a literatura e o ato de criação, não é Mestre?
Jota Fernandes
Isso mesmo e mais: precisamos dessacralizar a literatura, levá-la aos botecos, torná-la profana, exposta. Isto é, abrir caminhos para produções emergentes e não canônicas. E, para julgá-las, melhor seria nos submetermos à categoria do escritor-crítico, aquele que, além de publicar suas obras – também faz crítica literária – depois de saber “tudo o que é, foi e será” até chegar ao Paraíso de um sábio julgamento. Concorda, Augustinha?
Augustinha
Sim, Mestre. Essa abrangência nos permitiria uma leitura comparativa dos temas, no tempo e no espaço, entre as diversas classes de escritores com os quais podemos aprender e apreciar vários aspectos da criação literária.
No Brasil temos uma deficiência séria, como já foi dito aqui. Mal lemos e escrevemos em nossa própria língua, diferentemente de países europeus, por exemplo, nos quais o escritor e leitor são fluentes em mais de uma língua. O conhecimento e a erudição vêm depois da leitura e da escrita ingênuas. Chegam com o tempo, a experiência e deixam para a posteridade a língua melhorada. Até mesmo aquele tipo de linguagem utilizada por um “escritor de boteco”, não é mesmo, Luís?
Luís
Deixe-me, antes, tomar um gole de caipirosca. Esse é para o santo...
Tenho refletido muito sobre isso nos últimos dias e cheguei à seguinte conclusão:
Se sou “escritor de boteco”, devo submeter-me à crítica sociológica, que tem como ponto de partida a expressão cultural e civilizatória de um povo, no caso os goianos, nas diversas fases do desenvolvimento desse tema (“literatura de boteco”) nas obras publicadas em Goiás. Isso, porque deve haver uma interação escritor-sociedade, ligada aos problemas de seu grupo; à língua, que é uma instituição coletiva; à mensagem e texto produzido, que devem ser de interesse do leitor, o qual vive os mesmos problemas políticos, sociais, financeiros, religiosos e éticos do autor. Dessa forma, percebemos que há uma pluralidade de enquadamentos na produção e leitura do texto literário, sendo o leitor um co-produtor, caso tenha a capacidade de captar-lhe o sentido.
Pessoal, nossa noite avança, chega a madrugada misteriosa, de anjos e demônios, bandidos. Cadê a saideira?
O Último GoleJá estamos enxergando Dionísio com uma jarra transparente, cheia de vinho tinto: entre luz e trevas. Nossa máscara cai diante da epifania divina. Todos falamos ao mesmo tempo, num diálogo dramático. Impossível um fruidor que nos entenda, pois, nesse momento, retratamos uma sociedade fragmentada, egoísta, despótica, cuja língua se dispersa em confusão babélica, conforme as condições de sua produção no aqui e agora dessa saideira.
E quem se livra desse diálogo teatral? Praticamente todos falam ao mesmo tempo, perdem o foco, fogem do assunto, fazem digressões repetitivas e dificilmente aceitam o desvio.
Os mais alterados em suas falas já esperam um parente ou amigo, a fim de levá-los de volta para casa. De resto é só monólogo interior e, como nos mistérios gregos, entraremos em contato direto com o Outro-Mundo, aquele dos deuses.
Então até, leitores.


www.erciliamacedoescritora.com.br
membro da AFLAG, sócia da UBE-GO,
e da Academia Petropolitana de Letras – RJ.

sábado, janeiro 21, 2017

Affaire em Caldas Novas

Boteco: o lar dos poetas e de outros artistas desde o tempo em que era chamado de taberna.


Bem, começou assim:

Fui informado que um vereador de Caldas Novas, minha cidade natal – o nome é Rafael Moraes – postou em seu Facebook que eu, Luiz de Aquino Alves Neto, sou “um escritor de boteco”.
Coitado... Mal sabe que sou mesmo – tal como meu pai era um músico que gostava de botecos, como também meu querido e inesquecível parceiro José Pinto Neto (para falar de artistas da própria terra), como também milhares de grandes artistas brasileiros, como Lima Barreto, Olavo Bilac, Raimundo Menezes, Vinícius de Morais, Tom Jobim, Chico Buarque etc.
Pois bem. Procurei, na página do vereador, a tal postagem. Não a encontrei e a mesma pessoa que me avisou da “cutucada” esclareceu que “alguém deve tê-lo prevenido e ele a removeu”.
Enfim, postado foi – ou não teriam me avisado: “Chamou o senhor de escritor de boteco”.
Mas eu sou de boteco, sim, e sou de Academia. Estou, como escritor, na Enciclopédia de Literatura Brasileira, deixei a minha terra para estudar, aprender e bem servir - e tenho títulos de Cidadão Honorário de Pirenópolis e de Goiânia, POR RELEVANTES SERVIÇOS PRESTADOS a essas cidades.
Quanto a Caldas Novas, a cidade que me é berço e da qual tanto me orgulho (infelizmente, como tenho denunciado, foi monstruosamente danificada pelos invasores), também tenho excelentes serviços prestados, inclusive coube a mim, SEM AJUDA DE NINGUÉM e sob perseguição de forasteiros, salvar a Igreja de Nossa Senhora das Dores ( que é a primeira arquitetura da cidade) de ser demolida. Um Conselho Paroquial cuidadosamente formado por FORASTEIROS tentou destruí-la..
Agora, o julgamento de analfabetos não mancha a minha biografia. Esse vereador certamente pouco sabe da História da nossa terra.
Vi que o edil discorre sobre educação na cidade – espero que ele, além de ostentar a bandeira do ensino, que estude o bastante para não falar bobagens.
Sou de boteco, sim, com muito orgulho e às minhas custas! 
E ele que se poste muito bem como vereador. Que não se envolva em falcatruas, como o fizeram alguns de seus pares (ele foi reeleito? Se o foi, está entre aqueles listados no Fantástico, mas imagino que seja novo no ofício). Não quero ter o desprazer de ouvir - nos botecos e nos jornais, referências ao seu nome. 
Imagino-o forasteiro. A ira do moço decorre, certamente, a crônica que publiquei (na realidade, republiquei-a, pois é a mesma que saiu no DM no primeiro domingo de 2016). Mas diz a pessoa que me informou da postagem que “dizem ser ele nascido em Caldas Novas”.
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Se ele de fato nasceu lá, deve ser analfabeto funcional (desses que leem mas não compreendem). Ele não percebeu que eu critiquei a influência de forasteiros que não respeitam a nossa história.





Pois bem, esse foi o texto que postei no Facebook no dia 18/01, isto é, há menos de 72 horas. Recebi centenas de manifestações de amigos leitores de todo o país, da América do Norte, da Europa e até do Japão, nenhuma delas contrária a mim. 
Como se pode ver, não me senti ofendido com a qualificação, mas com a intenção ingênua do vereador Rafael Moraes.


Em apoio a ele, e levando em conta que a melhor defesa é o ataque, o secretário de Comunicação da prefeitura de Caldas Novas, publicitário João Paulo Teixeira, elaborou um artigo em duas versões - primeiro, ele publicou o rascunho no Facebook; depois, enviou ao Diário da Manhã, onde é articulista, amenizando na baixaria - mas não o bastante para ser respeitado. O artigo de João Paulo em defesa de Rafael está nesse endereço eletrônico - https://impresso.dm.com.br/edicao/20170120/pagina/22; e aqui posto o recorte de seu malfadado texto.

Contudo, o que ele publicou foi, eu disse, uma versão amaciada, amenizada, menos grosseira que o rascunho por ele próprio divulgado, publicamente, no Facebook (e cliquei "print screen" sobre tal rascunho). Eis o rascunho:

"Escrevi o artigo que disse que faria em resposta. Encaminharei, amanhã, depois de algumas revisões gramaticais que o cansaço agora não me permitem. 

Aquino: Caldas Novas evoluiu

Li o artigo do jornalista Luiz de Aquino republicado na edição do dia 18 de janeiro no caderno de opinião do jornal Diário da Manhã. Aquino é um filho ilustre de Caldas Novas, muito admirado por todos aqueles que militam nas letras e nas artes, que são às centenas aqui na “Cidade da Família”. 

É bem verdade que o bem lustrado Aquino muito conhece do passado da bela terra das águas quentes, mas, no artigo republicado no dia 18, cometeu as incongruências típicas daqueles que, há anos a fio, não vistam demoradamente a terra natal. Passam, assim, por ela, como balaços, rápidos e descuidados. 

É notório que Caldas Novas vem seguindo em passos amplos e firmes para a preservação do patrimônio histórico e da imagem da cidade. Um deles é o slogan de turismo familiar, que, somado à ações concretas da Prefeitura e do Governo do Estado, trouxeram os turistas de volta à cidade, mesmo na maior das crises econômicas. Praticas assim mantiveram a economia local em alta, consolidando em 2016 (ano do artigo) como o município goiano que mais gerou empregos em Goiás, conforme manchete de capa do jornal O Popular do dia 31 de janeiro daquele ano. 

Antes de adentrar o mérito das análises, é preciso-lhes submeter-se às jurisprudências. Sabe-se, de antemão, que Aquino é crítico das gestões de Magal desde tempos imemoriais. Denota desde a época de legislativo estadual, quando o atual prefeito era deputado e líder de governo. Mas, o direito de não gostar é inerente à Aquino. Há quem o diga que o faz por apoio deliberado aos setores oposicionistas. Eu, particularmente, não creio. Acredito que discorda pelo simples gosto primário de contrariar. 

Ainda assim, aquele Aquino ferino e desvairado de outrora se manteve com uma fagulha de lucidez ao prever no texto (foi inicialmente publicado em janeiro de 2016, mais de um ano atrás), a vitória de Magal, que se reelegeu pelo voto livre e via sufrágio democrático para a gestão do quarto mandato.

Sabe-se que ninguém anódino chega a façanha de governar a maior cidade turística de Goiás por tanto tempo. O fez por que tem méritos reconhecidos em áreas importantes, como a saúde, a educação, a infraestrutura, o turismo e a preservação da história de Caldas Novas. 

A administração pregressa e sua atual continuação anotou avanços sólidos, como pode, à larga, enumerar, detalhar, simplificar e, quiçá, desenhar, a amiga de Luiz Aquino, a professora emérita da Pontifícia Universidade Católica e atual secretária de Cultura, Gabriela Azeredo. 

A própria Gabi, como é carinhosamente chamada, é filha de Mauro Santos, neta de Oscar Santos, patrimônios morais da cidade. Ela por muito coordenou, seja na Cultura ou na Educação, pasta que já ocupou, ações de desenvolvimento e pacificação da ordem urbanística. Marcos históricos da cidade receberam completa restauração, observando cuidadosos métodos arquitetônicos. 

O próprio Casarão dos Gonzaga está hoje como era quando aqui chegaram os tropeiros e, antes deles, os bandeirantes vindos de São Paulo e de Minas Gerais há quase 300 anos. Restaurado, belo, organizado, recebendo atrações sociais e turísticas de todo o País. No campo da literatura, prosperou as bibliotecas públicas, em muitos embaladas pelo ímpeto de Magal e da Gabi ao oferecer os clássicos nacionais e internacionais das letras aos estudantes e moradores locais. 

Rebrotou aqui, caso não saiba, Aquino, a Biblioteca Josino Bretas, batizada com o nome de um dos maiores professores destas terras. Aqui está também a Biblioteca Bernardo Elis, complexo amplo e aberto ao público que leva o título do Machado de Assis de Goiás, o bastião de obras memoráveis como “O Tronco”, “A Enxada” e “Veranico de Janeiro”. 

Na baila, brotaram junto com as águas quentes o Balneário Municipal, hoje completamente revitalizado e revivido na gestão de Magal. Estava parado no tempo há 20 anos, sujeito às intempéries da natureza e a força marginal do homem. O complexo que foi inaugurado em meados de 1950 com JK recebeu em 2016 comitiva de gestores, Marconi entre eles, o senador Wilder, Magal à frente, conduzindo as torneiras que jorram o liquido preciso que saem das fendas profundas da Serra de Caldas. 

Para sair das obras físicas, que são abundantes e pacificadas, Aquino arremessou à época contra à Câmara Municipal, que acusou blasfemadamente de ter apenas "um nascido em Caldas Novas”, como se tal escolha popular fosse crime mortal. Não é, claro, por que é a força migratória ajuda a crescer Caldas Novas, Goiás e o Brasil. Ainda que falasse da legislatura 2013-2016, Aquino também errou. Compunha, e se reelegeu, reservas morais como o progressista Otaviano da Cruz, figura tradicionalíssima e querida na cidade. 

No Poder Legislativo de hoje, não há o que se questionar. Existem naquela tribuna oito filhos de papel passado de Caldas, muitos outros naturalizados, que vivem aqui há mais de 30 anos, e ainda aqueles que chegaram e já deram suas contribuições significativas à municipalidade. 

Aquino mexeu num vespeiro e será digladiado pelo jovem de 29 anos e aguerrido vereador Rafael Moraes, do PTB, líder de Magal na Câmara e eleito com mais de 1100 votos. A luta será firme, forte e selvagem, sempre no campo das letras e das ideias, como é de praxe para Rafael e para Aquino também. 

A mim, fica o meu humilde pedido ao colega de tribuna do Diário da Manhã Luiz de Aquino, ou de Equino, como alguns chamam nas alcovas: não deixe que a raiva lhe turve o coração. Use a lógica e os fatos. Não faça que a malfadada alcunha equestre transpasse da anedota para a crua realidade. 

João Paulo Teixeira

Publicitário pela UFG, pós graduado em marketing pela FGV. Atual secretário de Comunicação de Caldas Novas".

Respondi a esse moço, que se sentiu num pedestal ou palanque para me atacar - e nivelar-me por baixo, na altura de seu pífio olhar.
Atentem para o final: "...
Luiz de Aquino, ou de Equino, como alguns chamam nas alcovas". Ele não sabe o que é alcova, e de imediato esclareci que ninguém, nas alcovas, me chamou de equino, pois minha anatomia íntima nada tem em comum com os cavalos (coitado desse publicitário secretário; fosse eu seu chefe, demiti-lo-ia somente pelo nível baixo desse artigo)!


Enviei ao DM o artigo que publico abaixo:






João Paulo & Rafael – uma dupla desafinada

Eu tento muito não tomar conhecimentos dos desmandos acontecidos em Caldas Novas. É que sofro demais com a agressão ao visual da cidade, que demoliu fachadas históricas, que jogou ao chão o imóvel que se fez na década de 1920 para ser o Grupo Escolar (construção realizada pelo professor Josino Bretas, em ação descrita com finura e amor por seu filho, o também professor Genesco Bretas) para dar lugar ao Banco do Brasil – como se, ao tempo, faltassem imóveis vazios para se erguer a filial do BB. Em 1981, sendo eu repórter da Folha de Goiás, consegui, lutando sozinho, evitar que jogassem por terra a Igreja de Nossa Senhora das Dores, como o queriam alguns forasteiros que um padre mal-intencionado juntara num conselho paroquial em que nenhum caldas-novense tinha assento.
Em 1990, ou logo após, vi desaparecerem o bucólico Hotel Avenida, e também um belo casarão verde, com reboco pontilhado de partículas de malacacheta (ou mica), feito purpurina. Na esteira, dezenas de saudosos casarões desapareceram para dar lugar a galpões comerciais, como a casa onde viveu meu bisavô Donato Rispoli.
Na praça Mestre Orlando, o último imóvel a ser desfigurado foi a casa de meus tios Filadelgo Ríspoli (Dedeco) e Maria das Dores (Dorinha) – ela, filha de Mestre Orlando Rodrigues da Cunha. E o trecho de rua entre a histórica casa de Ilídio Lopes e a de Mestre Orlando (todas as seis casas desfiguradas para se tonarem imóveis comerciais) desapareceu, com a prefeitura permitindo o “aproveitamento” da rua como espaço livre de bares e restaurantes.
Isso, o secretário de Comunicação da Prefeitura, João Paulo Teixeira, entende ser “evolução”.
Não quero entrar no mérito das administrações de Evandro Magal. Conheci-o na privacidade da casa de meus pais, que o acolheram como a um parente próximo, pois tanto meu pai quanto minha mãe traziam, de suas famílias, o hábito de acolher parentes e amigos. Tenho ene críticas a ele, mas nunca as publiquei, esperava que ele entendesse minhas razões. Mas vejo que não. Agora, faço a segunda crítica a Magal – a primeiro foi com a demora na reforma do Balneário, que redigi e publiquei no meu espaço tradicional aqui no DM, a pedido da professora e minha querida amiga Beatriz Tupá (na ocasião, falava-se numa verba federal de 500 e tantos mil reais cujo destino era ignorado). Magal tapou o sol com a peneira.
Mas não vou criticá-lo, não é o caso. Interessa, agora, apenas dizer que ele não prima pela boa qualidade de suas gestões, considerando a qualidade de pessoas que o representam – como o vereador Rafael Moraes e esse secretário João Paulo Teixeira.
Lamentavelmente, ele modificou o final de seu artigo. Ele postou, ontem (e cuidei de salvar essa página) dizendo, entre outras sandices, que “nas alcovas” eu sou conhecido como “Equino”. Respondi-lhe estranhando, porque nunca ouvi, nas alcovas, nenhuma parceira chamar-me de equino pois, ao contrário, não há na minha anatomia íntima semelhanças com os exageros penianos dos equinos.
Em seu artigo publicado ontem (“Aquino: Caldas Novas evoluiu”, https://impresso.dm.com.br/edicao/20170120/pagina/22) ele modificou o final, certamente orientado por alguém com melhor domínio da Língua, dirigindo o antigo trocadilho à minha petulância em não engolir desaforos, nem mesmo de um profissional rasteiro e mal preparado, mais conhecido em Caldas Novas como “o japa dos fakes”, pois é de seu hábito exercer a comunicação com recursos falsos. No artigo publicado nesta sexta-feira no Opinião Pública, ele preferiu me chamar de equestre – de novo dá mostras de não conhecer nossa rica Língua.
Já o vereador que ele enaltece por ter 29 anos e ser “aguerrido”, ao contrário do que define João Paulo, não tem competência para um debate de ideias. É um sujeito entrão, atrevido e despreparado que, em apenas 19 dias (como alguém postou ontem no Facebook) já conseguiu aumentar o descrédito de que desfruta entre os pensantes da minha amada cidade.
Tentando ser fino, diz João Paulo que mexi num vespeiro. Eu esperava, francamente, uma reação civilizada e fundamentada, e não esse relatório fajuto em que ele evoca nomes respeitáveis e tenta envolver pessoas do meu gostar. Bobagem! Nestes tempos de duplas sem qualidades, João Paulo e Rafael já começam desafinados – vejam que centenas de comentários e curtidas, de vários pontos do Brasil, referendam-me na contestação à qualidade do vereador de 1.100 votos (tem ponto, sim; milhar sem ponto, só em datas) carreados de segmentos que se dizem religiosos cuja meta é a mesma do edil – “só querem se arrumar”.
Não pretenda, pois, João Paulo, nivelar-me com Rafael Moraes senão por um quesito – ambos nascemos em Caldas Novas. No mais, somos tão diferentes que eu jamais envergonharia minha cidade, como vocês dois o fazem, confirmando o dedo podre de Magal para escolher auxiliares.


Luiz de Aquino Alves Neto, escritor de boteco

Apreciei o epíteto e adoto-o a partir de hoje, assinando como recomenda o
vereador Rafael Moraes, edil caldas-novense que conta com a cobertura (?)
 de João Paulo, o comunicólogo de poucas letras.