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domingo, dezembro 10, 2017

Os 80 anos do Liceu em Goiânia

Liceu: há 80 anos em Goiânia


A História há de ser sempre recontada, ou cairá no limbo da desmemória. Com ligeiros cortes e retoques, trago de volta um fato importante na vida social e cultural de Goiânia – a vinda do Liceu de Goiás para a nova capital, em 1937. E volto ao tempo ainda mais, 100 anos antes, ainda...

O Brasil era um país de homens rudes, afeitos às lides do campo, fosse a criação de gado para o leite e a carne, fossem as lavouras de alimento e vestuário. As letras e as ciências eram ocupações da nata citadina. Surgia, naqueles anos da Regência, a preocupação dos governos, tanto na Corte quanto nas províncias, de se dotar o país de escolas. Ou de Liceus, como era a moda na Europa que nos servia de exemplo.

Em 1837, o Ministro do Império Bernardo Pereira de Vasconcelos apresentou ao Regente Pedro de Araújo Lima uma proposta para a organização do primeiro colégio secundário oficial do Brasil. Nove anos depois, a província de Goiás criaria o seu Liceu, por iniciativa do presidente Joaquim Inácio de Ramalho. E em 1904 o Liceu de Goiás começou um processo de equiparação ao Ginásio Nacional (Colégio Pedro II).

Com a mudança da capital, o Liceu ficaria na Cidade de Goiás. Pelo menos, fora essa a promessa de Pedro Ludovico Teixeira, interventor federal e fundador de Goiânia, aos vila-boenses. Mas, na prática, a permanência ficou inviável: os estudantes, em sua grande maioria, eram filhos de funcionários estaduais, transferidos para a nova cidade. O colégio precisava, pois, ser também transferido. Mas o Estado não teria condições financeiras, nem recursos humanos à altura, para manter dois colégios, um na Cidade de Goiás, outro em Goiânia.

E este solene sobrado da Rua 21, tombado pelo Patrimônio Histórico, é o que festejamos hoje. Inaugurado no dia 27 de novembro de 1937, sob a direção do professor Iron Rocha Lima, ele abrigou, também, o Grupo Escolar Modelo, do qual o artista José Amaury Menezes foi aluno neste prédio.

O velho Liceu, que na cidade de Goiás foi escola para Pedro Ludovico e seu filho Mauro Borges Teixeira, servira também de formador de centenas de outros goianos ilustres nas mais variadas profissões. Por ele, na antiga capital, passaram escritores do quilate de Bernardo Élis e de José J. Veiga, além de juristas, médicos, arquitetos e engenheiros, artistas de pincel e partitura.

Em Goiânia, onde se instalou em 29 de novembro de 1937, o Liceu não só continuaria sua vida de glórias, mas seria consolidado como um dos mais importantes estabelecimentos na história da educação pública do País. E enquanto nos formava para as letras e as ciências, éramos também forjados na luta de consciência social.

Ainda é tempo! Resgatemos a História do Liceu de Goiás. Hoje, com o fechamento de todos os demais liceus e colégios criados antes de 1846, à exceção do Colégio Pedro II, somos o segundo mais antigo dentre todos os educandários do Brasil.

O Liceu já viveu muitos momentos de crise, mas sempre sobreviveu. Sua águia, às vezes, é uma fênix. E a nós, que absorvemos deste Liceu centenário os ensinamentos científicos, artísticos, culturais e morais, havemos de fortalecê-la para resistir às chamas.

Por isso, eu vim aqui para falar de amor. É que falar de amor é uma das poucas coisas que faço bem. Sou muito amor. Sou amor ao próximo e a todos os que contribuíram para que eu, hoje, fosse feliz. E o Liceu me ensinou boa parte deste caminho.


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Luiz de Aquino é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras.


sábado, dezembro 02, 2017

Dois livros de Miguel Jorge

"Natal de Poemas e "Os frutos do rio" - obras de Miguel Jorge


Do que (de fato) vale a pena



Ando cansado desses que têm aspecto de gente, vestem-se como gente tradicional, falam como se acreditassem nos princípios saudáveis das relações respeitosas entre os humanos, com os quais tanto se parecem. Ando cansado desses que se dizem políticos – pessoas que, por conceito, deveriam se ocupar de bem-servir ao “polis”, à massa humana que, por lei, deveriam representar. Sim: esse tipo de político já me cansou!

Não quero mesmo falar neles, não!

Escolhi não mais ouvir notícias – os locutores, repórteres, âncoras e entrevistados de tevê e de rádio são não apenas despreparados (os profissionais) e cínicos (os políticos), já que parecem convencidos de que nos iludem, nos enganam e nos convencem de que estão passando informações sérias e irrefutáveis. Até que uma nova operação policial-judiciária resulte em mandados de prisão e condução coercitiva de tantos famosos.

Condução coercitiva é o termo novo para “buscar debaixo de varas” ou, de modo mais sintético, “aos costumes”.

Pois os meus costumes, que são vários, resultam em abraços e sorrisos felizes quando me isolo do noticiário e vou ao convívio dos meus pares. E por pares entendo-os muito além das fichas de filiação neste ou naquele clube ou sodalício, identifico-os pelos gostos muito especial pelas artes em figuras de duas ou três dimensões, em sons de músicas e canções, em letras de poesia e prosa.

Miguel Jorge, escritor de prosa e verso.

Imagine-se, pois, o momento em que pessoas de várias artes se encontram, motivados pelo chamado de algum, como se deu na noite da sexta-feira, o primeiro dia deste dezembro de 17, quando Miguel Jorge se dispõe a autografar seus poemas natalinos ajuntados num livro rico não só dos versos admiráveis, como também da impecável arte de Amaury Menezes que ilustra o novo Natal de poemas. Aproveitei a ocasião para adquirir também o livro anterior, Os frutos do rio, em que o poeta Miguel juntou seu poemário sobre o nosso amado Araguaia.

Em pouco tempo, juntavam-se poetas, pesquisadores, contistas, atores, artistas plásticos, músicos (maestros, instrumentistas e cantores) em indisfarçável congraçamento em torno do grande autor de tantas obras também em prosa, teatro e romance, além de seus incomparáveis contos. Com a casa cheia, e após abraçar todos os que ali estavam, Mary Anne e eu despedimo-nos-dispostos a tomar a estrada rumo a este meu Canto de amar – também chamado de Boteco do poeta – em terras de Hidrolândia. Mas à minha saída contrapunha-se, para a minha alegria, o poeta Ubirajara Galli e Lena, sua par-perfeita.

Abraços de “oi, boa noite, até mais, já vamos” etc. E a notícia: o bom e velho Bira anuncia-me que, em breves dias, trará a público a republicação de seus sete livros de poemas. E que haverá de juntar os amigos desta longa jornada a que chamamos ainda de “estrada da vida” – pois que são, agora, 40 anos de vida livresca!

“Não quero discursos, nada de formalismos, não vou sequer autografar – quero mesmo é que os amigos constituídos nestas quatro décadas estejam lá comigo, quero conversar, recordar, dar vazão às lembranças e às saudades, só isso” – esclareceu o poeta. E recitamos, ele e eu, muitos nomes destes 40 anos, absolutamente certos de que não recordamos sequer um décimo de tantos amados nossos, dos quais alguns de foram sem dar “té-logo”.

Sem nada dizer, comunguei o ideal de Ubirajara Galli. Fomos, ambos, associados a União Brasileira de Escritores pelo autor da noite, Miguel Jorge. Muitos dos que testemunharam nossa jornada de quarent’anos estavam ali, bem perto, e de alguns sorvemos solene aprendizado.

Não quero contar os nomes, eu não poderia esquecer nenhum e não me atrevo. Então, e antes do primeiro passo rumo à saída, olhei para o ícone das nossas artes, o paisagista Amaury. E senti vontade de dizer ao Bira que, nesta caminhada quase que de mãos dadas, fomos muito felizes.

E, como bom goiano, apenas acenei com quem dissesse “Quá! Num é preciso falar nada”.


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Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.

sábado, novembro 25, 2017

Aviltamento

Depois dos fatos nocivos e a cena acima (foto: Polícia Federal), não vejo como preservar o respeito a Temer na presidência.


Aviltamento



Primeiro ato: Houve um tempo em que comunismo era uma palavra tão perigosa, tão apavorante e temida que era o bastante para fazer as crianças dormirem mais cedo, os ricos tremerem de medo e os católicos parecerem mais fiéis (maridos também). Era o tempo da comunicação incipiente, a notícia de um evento no Leste Europeu ou na Ásia levava semanas para chegar aqui (quando chegava) e o fato passava por tradutores meticulosos e ainda pelas censuras dos políticos e dos militares.

Hoje, fala-se muito em manipulação das notícias e a culpa é do sistema Globo, como se não houvesse concorrentes. Era o tempo das madames empoadas desfilando em “família com Deus pela liberdade”. Para aquelas pessoas, liberdade era o direito que elas, somente, tinham de produzir, faturar e viajar, importar sem ônus, pagar baixos salários e assegurar para si e seus descendentes o melhor da vida brasileira.

O comunismo acabou, como regime, mas sobre-existe como filosofia, não passa de um conceito abstrato e de uma utopia sabidamente imprópria, mas as carências sociais continuam. Há pessoas que se preocupam, seriamente – sem vinculação ideológico-financeira – e que insistem em buscar soluções que minorem as dores da expressiva parcela de brasileiros miseráveis.

Segundo ato: Ao longo da vida política brasileira, sempre se falou em corrupção. Os portugueses colonizadores vigiavam seus mandatários na colônia, vigiando-os de perto. Muitos caíram em desgraça por, efetivamente, apropriarem-se de parcelas “clandestinas” dos minerais explorados em Minas e Goiás. A vinda da Família Real (com toda a corte) em 1808 mudou a vida brasileira, que logo passou a Reino Unido e, na sequência, fez-se independente. O império foi marcado pelas inevitáveis mudanças, veio a renúncia de Pedro I, os nove anos de regências e, por fim, a emancipação precoce de Pedro de Alcântara, aos 14 anos, que governou por 49 anos e a nação conheceu muito da luz inovadora do Século XIX. Já se tinha planejado e pronto para se aplicar o III Império quando se fez esta malfadada república, inaugurada com um golpe em que até o dito autor – Deodoro da Fonseca – não sabia de nada.

Terceiro ato: Naquele 15 de novembro, em 1889, nasceram todos os males que nos afligem hoje. Deodoro, feito líder, foi escolhido presidente da República, tendo por vice o mentor daquela coisa. Num lampejo de consciência, talvez, Deodoro renuncia dois anos após e restaria ao segundo marechal o mandato tampão – porém, Floriano impôs, “no grito”, que ficaria quatro anos, pois “fora eleito para quatro anos” – e a cúpula corrupta ou medrosa da república aceitou. A alma brasileira comete, talvez inconscientemente, uma breve vingança ao apelidar Florianópolis de “Floripa”. O marechal, no dizer dos mais antigos, “certamente se remexe no túmulo” cada vez que assim se fala.

Foram tantos e tão variáveis os desmandos da República Velha que o Brasil, “desaguou” na revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas, que ocupou a cadeira da presidência por quinze anos, foi deposto, voltou pelo voto e morreu, dizem que de suicídio, com uma carta-testamento que (dizem) estava escrita por algum assessor desde uns dias antes do fatídico 24 de outubro de 1954.

E aí vieram a tentativa de golpe em novembro de 1955; outra em agosto de 1961 e, por fim, vitorioso, em 1964, quando se definiu que “as elites civis estão falidas”. Foram 21 anos de ditadura por revezamento, a distensão ou abertura, a passagem do poder aos civis, um vice improvisado como titular, um inconsequente eleito pela massa, o impeachment, outro vice que aplicou com eficiência um plano que acabou com a inflação, um eleito com pose de príncipe, outro com as marcas do povão, uma mulher que engrandeceu a ala feminina, mas que caiu por prepotência, num golpe armado sob definições ditas legais.

A falseta ficou clara quando, num arroubo de bondade, o presidente do Senado propôs e o presidente do Supremo Tribunal aplicaram uma atravessada na lei, afastando a presidente sob apenas meia punição, já que o impedimento implicava suspensão dos direitos políticos.

Até uns meses após a investidura estranha – mas calçadas em preceitos legais – do vice escolhido por Dilma cuidei, sempre, de preservar o respeito à pessoa que ocupava o posto de Getúlio e Juscelino, mas Temer não se faz por merecer. Além das suspeitas das conspirações tão decantadas antes, vieram as denúncias que ele não consegue refutar senão perante a Câmara em que dezenas de deputados são investigados, o Senado com membros já em vias de serem condenados e que se mantêm fiéis ao presidente sob as propinas que já não mais se escondem, tudo custeado pelo povo, sem chance de alívio enquanto perdurar essa coisa.

Francamente, é difícil manter o respeito.

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Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.

domingo, novembro 19, 2017

Tudo se transforma


Era assim, nos anos 70



 Tudo se transforma




A não ser da memória de uns tantos jovens e adolescentes – todos eles, hoje, ostentando o algarismo 7 como inicial de suas idades – ninguém (mais moço) saberá do bucólico da dita nova capital. Goiânia daqueles tempos orgulhava-se de seu crescimento, tinha pelo menos duzentos mil habitantes, tinha um comércio pujante e uma indústria incipiente – salvo pontos esparsos de serraria, serralheria e alguns outros menos expressivos, nossa indústria se representava por costureiras e alfaiates.

Os automóveis eram poucos. Parte da frota era anterior ao início do fabrico nacional de carros Volkswagen, DKW Vemag e Simca. A Willis fabricava jipes com projetos visuais e mecânicos como os da guerra mundial, a Ford e a GM (Chevrolet) fabricavam caminhonetes e caminhões. Eram essas as marcas das máquinas que transitavam pelas ruas, admiradas pelos pedestres que as reconheciam, associando cada um aos seus poderosos proprietários.

A juventude de que falei acima se ocupava de estudar e suas referências fortes eram os colégios públicos – o Liceu e o Pedro Gomes, mais o Instituto de Educação (formador de professoras normalistas) – e os particulares Ateneu Dom Bosco, Externato São José, Maria Auxiliadora, Assunção e Santa Clara. O lazer era nos cinemas, aglutinados em dois polos – o centro novo, aquele projetado por Atílio Correia Lima, e o antigo, o bairro de Campinas, que fora município independente até que se fundisse a outras terras vizinhas, mudando o nome para o recém-escolhido Goiânia.

Na realidade, o que comemoramos a 24 de outubro é a data da pedra fundamental da nova capital. A cidade, respeitando-se a História, é a mesma Campinas (ou Campininha das Flores) que desaparece da lista de municípios, substituída por Goiânia.

A que vem isso? A nada. Estou relutando para ver se dói menos. A semana foi marcada com duas notícias tristes. No domingo, dia 12, faleceu solitário o jornalista Luiz Jayme, amigo e colega de ofício no DM. A notícia chegou-me um tanto lacônica, dando conta de sua passagem para o outro plano, acrescentando que fora cremado, como era de sua escolha. Filho do meu amigo e mestre, na PUC, José Sizenando Jayme, Chi (era o seu apelido) era, pois, neto do genealogista Jarbas Jayme.


Ainda sob o efeito dessa triste notícia, chega-me outra de igual teor, na quinta-feira, 16: o seresteiro William José, que enfeitou as noites goianienses desde aqueles verdes anos de 60, isto é, no albor de sua adolescência, também se foi, para tristeza de nossos ouvidos e corações. Nos primeiros momentos do encontro de despedida, na capela do Cemitério Jardim das Palmeiras, notáveis músicos do cancioneiro goianiense – cantores e instrumentistas, muitos deles também compositores e, enfaticamente, parte expressiva de tais musicistas se constitui de irmãos e sobrinhos do grande cantor de tantos gêneros.



Lembrei-me dos que se foram antes e que, também, desfrutaram da companhia de William: Josafá Nascimento, Geraldo Amaral, Nappa, Anete Teixeira, Paulinho de Assis, Cláudio Vespar...


William José, o seresteiro


De memória excelente, o violonista Hermes da Fonseca Júnior registra que ele próprio e Willian começaram sua carreira num conjunto de adolescentes, Os Invictos, na década de 60. Em seguida, o jovem e inquieto cantante integrou-se a Marquinhos e seu Conjunto (destes, somente o baixista Alemão e o baterista Xará continuam entre nós).


Em pouco, dezenas de colegas, companheiros e amigos que praticaram a feliz parceria com William reforçavam o grupo, cada qual trazendo suas lembranças para demonstrar o quanto o pranteado amigo enriqueceu a vida goianiense.


Sim! Não é só de asfalto e automóveis, edificações e regras que se faz uma cidade. A cidade é gente, na mais ampla variedade de tipos e ofícios. Alguns se dedicam a construir, outros a distribuir comercialmente, outros a educar e refinar espíritos – como os professores e os artistas.





Luiz Jayme espalhava notícias e se fazia bom amigo de atos e falas felizes, folclóricas, animadas. William chegava marcante, com aquele corpanzil visível de longe e a voz de risos e saudações para, em pouco tempo, atingir-nos mais fortemente n’alma com seu canto e seus acordes, sempre com variadíssimo repertório.




Sem eles, ficamos tristes. E a cidade, mais pobre.


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Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.

sábado, novembro 11, 2017

Brasil doente

Brasil doente



A tristeza é enorme, mas ainda cresce! E cresce para o alto, causa formigamento nas pernas, cólicas intestinais, hiperacidez no estômago, refluxo e coriza... E turva os olhos, chama as lágrimas e finaliza em enxaqueca.

– É uma virose – diagnosticou Ademir Hamu, confirmado por Abdalla Amuy e Ciro Ricardo.

Talvez um laxante resolvesse, mas o distúrbio é de tal ordem que não se pode arriscar, o paciente corre risco de vida – o que um professor radiofônico condena, conclamando o populacho e os locutores a “nunca mais“ falarem assim, pois o certo é risco de morte”. Os da locução, contaminados por discrepâncias gramaticais e violência contra a regência, dizem amém e acreditam piamente que não existe “margem”, no singular.

O festival de esquisitice, bancado nos palácios federais, em Brasília, não havia chegado ao ápice na semana anterior, não... O mestre-sala dessa alegoria carnavalesca ainda tinha muito o que girar, sem reverências nem arte, mas com a indisfarçável associação deletéria com eminências pardas poderosíssimas! Seus bafejadores palacianos não se cansam em articular anomalias que envergonham a Nação e corroem o Erário. Os negócios na bacia das almas resultaram em sangria que não se estanca. E esta não é do interesse do senador que preside o partido dos déspotas descarados.

E nós, do populacho anônimo e quase que totalmente ignaro, ficamos por entender um monte de coisas. Uma delas foi o fato de a Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado, a que investigou o famigerado “rombo da previdência”, ter concluído que não existe tal rombo. Inexplicavelmente, a Rádio CBN noticiou isso – mas parece-me que foi uma vez só. A tevê – por todos os canais – decidiu também omitir-se sobre isso. E o Merlin Meirelles continua a vociferar quanto à urgência de se aprovar tal reforma.

Poxa! Não lhes bastava a reforma trabalhista, essa que extinguiu benefícios arduamente conquistados? O fantoche remunerado com o teto salarial e agraciado com as mordomias de praxe falou no rádio e na tevê... E falava com a hiena que ri, tentava convencer, “principalmente os jovens em seu primeiro emprego”, de que o Brasil se moderniza etc e abobrinha!

Nas horas anteriores a essa pantomima, o dono da caneta e do destino de seus áulicos, aquele que só age em detrimento do bem-estar da Nação e da Pátria, “canetou” e nomeou um apaniguado de Sarney para a Polícia Federal – e uma de suas primeiras medidas foi substituir o superintendente da PF em Curitiba, sem sequer tentar disfarçar quanto às ordens recebidas de seus padrinhos. Depois, correu até a Procuradora Dodge, cortejando a titular da PGR para mascarar um possível acordo de harmonia entre as instituições.

Mas o xou não havia acabado, não. Outra canetada temerária e o manda-brasa humilhou sua assessoria de comunicação ao transferir para o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, o encanecido Moreira, que de Franco só tem o nome, as incumbências naturais do órgão de comunicação.

Ora, ora! Nada disso causa espanto. Há poucas semanas, a imprensa divulgou gastos extravagantes do casal-presidente com o famoso cartão corporativo, aquele cartão de crédito confiado a detentores de cargos importantes. O chefe, ao que parece, não gostou. E um general, figura importante no mais alto gabinete desta malfadada república, “decretou” sigilo sobre os gastos da família presidencial.

Ou seja: no atual governo, ministros e chefes de agências têm o poder de violar a Constituição e as leis que deveriam ser muito bem aplicadas por eles próprios. Mas o que esperar de um governo que institui, de novo, a escravidão no país?

Sei não... Receio que a cura esteja ainda distante.


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Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.

domingo, novembro 05, 2017

Que governo é esse?


Castro Alves, poeta mentor da abolição. A malta do governo viola a História e o respeito á dignidade do homem brasileiro.

Que governo é esse?


Uma Lei do Império, assinada a 13 de maio de 1888, decretou a extinção da escravidão no Brasil. As consequências foram complexas, com os escravistas arrancando os cabelos e a Monarquia claudicando, pois a campanha abolicionista desembarcou no leito republicano, apropriado por altos oficiais do Exército (insatisfeitos com os parcos ganhos ao término da Guerra do Paraguai).

Tivemos uma constituição em 1891, que preservou a Lei Áurea. A de 1934, também, e o golpe de 1937, com uma constituição outorgada, apelidada de “Polaca”, a manteve. Isso se repetiu em 1946 e a Constituição outorgada em 1967 – e reformada dois anos após – preservou o que já se tornara uma condição pétrea. Obviamente, a Carta Magna de 1988, com todos os seus defeitos, manteve o Brasil livre de escravos – ao menos teoricamente.

Eis que, súbito, um mero ministro marionete expede uma Portaria revogando a Lei Áurea e afrontando a Constituição. O mandachuva recomenda, a despeito da fortíssima reação nos mais variados segmentos da vida pública, que só se cuide disso após a votação da denúncia contra ele próprio e dois de seus imediatos – um deles, sintomaticamente, manda demitir uma funcionária de realce por ter qualificado a tal portaria como sendo “um desrespeito à Constituição”.

Até a ONU e alguns de seus destacados órgãos manifestaram-se contra a medida do obscuro ministro (a realidade nacional mostra-nos apenas três ministros – um na Fazenda, outro na Casa Civil e o terceiro, na Secretaria Geral do chefe-mor). E, súbito, o Tribunal Federal do Distrito Federal revoga uma medida do Ministério da Educação que manda atribuir nota zero às redações em que os alunos sob o teste do ENEM manifestem opiniões que ofendam os direitos humanos – o MEC recorreu, logicamente.

Uma ministra, também até então não referida, ganha espaços no noticiário por reclamar pagamento que extrapola o teto máximo. Estranhamente, essa senhora é ministra dos Direitos Humanos – mas nada disse quando seu colega do Trabalho decidiu revogar o ato da Princesa Isabel – mas ela própria, essa ministra de sobrenome francês, alegou que se lhe negassem o que pedia, poderia passar fome, pois estava em regime de trabalho escravo.

O poderosíssimo ministro da Educação, cioso do respeito que se deve aos Direitos Humanos, condena os estudantes que se manifestarem contrários a qualquer dos Direitos Humanos – mas também não se manifestou sobre a violação dos Direitos Humanos pelo ministro que pretende restaurar o trabalho escravo – atitude que tinha, segundo líderes da tal bancada ruralista, segundo o presidente da República e seu ministro da Agricultura (entre outros áulicos) o propósito de agradar os deputados ruralistas.

Ou seja: o ministro do trabalho quer instituir legalmente o trabalho escravo e recebe aplausos do ministro da Agricultura, somados esses aplausos ao silêncio da ministra dos Direitos Humanos e à omissão do zeloso ministro da Educação.

A Procuradora Geral da República manifestou-se contra. Algum ministro do Supremo disse não ter tido tempo de ler a tal Portaria, mas deixou um rastro de simpatia à restrição. Os ruralistas regozijaram-se.

Não bastasse as falas e atitudes de parlamentares simpatizantes dos atos de corrupção e das práticas de propina, não bastasse o empenho pessoal do presidente investido na função, não bastasse o saque desmedido ao Tesouro em atos de compra de votos (coisa que não se permite nas eleições populares), não bastasse a vergonha que sente todo brasileiro de bem, temos de engolir mais essas.

E parafraseando Francelino Pereira – ex-presidente da extinta ARENA dos tempos da ditadura por revezamento e ex-governador imposto à Assembleia Legislativa de Minas Gerais, pergunto:

– Que governo é esse, hem?

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Luiz de Aquino é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras.

sábado, outubro 28, 2017

As cotas e os tempos

As cotas e os tempos



Quando aprendemos a ler, ficamos encantados: “Como pode isso? Uma série de desenhos a que chamamos de letras, dispostas em ordem tal que se tornam palavras nas nossas mentes, ouvidos e voz, traduzem coisas tão abstratas quanto as ideias e, feito mágica, tornam-se coisas concretas”.

O tempo que passa por nós ensina-nos muito mais coisas. Das letras, entendemos, pouco a pouco, que não basta formar palavras ao juntá-las, será necessário aprender e seguir incontáveis regras para que as escritas se tornem, de fato, algo capaz de nos informar – e nos formar. Os textos ensinam-nos muito mais! E o tempo “cura” o nosso aprendizado. Aprender enriquece, dá alegria, felicidade, prestígio e, ainda, os meios para nos cercarmos de seres, que se tornam amigos e até mesmo irmãos eleitos!

Todas as coisas, porém, têm dois lados, ou mais. E nessas variantes descobrimos que existem, também, armadilhas que a vida nos prega, como a interpretação unilateral, radical ou fundamentalista, porque subjetiva. A diferença, porém, não significa tristeza, derrota ou desânimo: ela nos prepara para o tão propalado contraditório – uma das palavras na moda nesta segunda década do século vinte-e-um. O contraditório soa-me como acorde musical, ao contrário de neologismos de sons ruins, como “empreendedorismo”, que bem poderia ser, apenas e corretamente, “empreenderismo”; ou “empoderamento”, aplicado como coisa-nova que se consolida. Bem podiam ser mantidas as anteriores: “força”, “conquista” e a raiz “poder” – mas sempre há quem se atreva a sugerir uma novidade que os menos esclarecidos esforçam-se por impor. É a época do politicamente correto – outra novidade calcada muito mais em vocábulos do que em ações. Sim: os líderes desse movimento “neodicionarista” (terrível, este também... desculpem-me) empenham-se na construção de palavras, mas as ações, ah! Ficam sempre relegadas.

Nessa onda, e em atitudes ou atividades a que muitos se alinham sem sequer saber a razão, veio a luta contra as cotas nas universidades, visando a dar chance aos “excluídos por razão de cor ou raça”. E veio a luta contra as cotas para pretos, índios etc. E quem mais prega contra isso são os admiradores baba-ovos do “american way of life”, sem saber que a moda veio “de lá”.

Vejamos o que conta o engenheiro agrônomo Nilson Gomes Jaime – mestre e doutor, escritor, genealogista e cidadão coerente em seu esforço social e suas atividades profissionais. Pincei o texto de uma discussão entre ele e o primo Dido Gonzaga Jaime. Não enfatizo o embate, mas o destaque que colhi, onde se lê:

Meu pai era militar, radical defensor da "Benfazeja Revolução de 1964". Na 7a. JSM, em Palmeiras (GO), onde ele expedia as certidões de reservistas, tinha que se vestir paletó e gravata, cortar o cabelo, jurar a bandeira e cantar o Hino Nacional. Aos 14 anos eu já lia artigos militares que ele me repassava e revistas de cunho lacerdista e militarista. Só que comecei a ver realidades menos evidentes àquelas anunciadas pelos militares e pelos órgãos de imprensa, sob censura. Aos 16 já lutava contra a ditadura. Se alguma coisa faltava para ver as injustiças de um regime de direita, o vestibular que prestei, e em que fui aprovado para a Universidade Federal de Goiás, me levaria a ele. Ingressei na UFG concorrendo a apenas 50% das vagas, porque não tinha fazenda, nem era proprietário rural. Isso mesmo: 50% das vagas dos cursos de Agronomia e Veterinária da Universidade Federal de Goiás – e nas de todo o Brasil – eram reservadas para filhos de fazendeiros. Ou seja, cotas para ricos. Hoje quando se fala em cotas para negros, o mundo cai. Entretanto, quando entrei na UFG (em 1980), de uma turma de 40 alunos, apenas uns cinco eram pardos, como eu. Nenhum preto. Isso em um país em que mais de 50% da população é de negros (pretos e pardos). O que cabia a um jovem de 17 anos que já pensava? Ficar do lado dos que tentavam embargar-lhe o caminho da universidade por força de um decreto ditatorial que privilegiava ricos? Não! Absolutamente não! Juntamente com Osmar Pires Martins Junior e centenas de outros companheiros pelo Brasil, intensificamos nossa luta contra a Lei do Boi e contra o perverso regime que a criara e a sustentava. Derrubamos a Lei do Boi, a cota social para ricos.

E aqueles estudantes não criaram neologismo algum. Apenas agiram.


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Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.

domingo, outubro 22, 2017

Falar e escrever

Cronistas, professores e mestrandos em Letras da PUC Goiás

Falar e escrever (II)

(Crônica publicada em maio de 2013, republicada em agradecimento à atenção dos mestrandos de Letras da PUC Goiás, pela acolhida que propiciaram a nós, escritores de crônica (Lêda Selma, Leonardo Teixeira, Brasigóis Felício e eu), na III Jornada de Leitura da Literatura Produzida em Goiás.





Ah, língua brasileira! Não haverá, jamais, acordo internacional capaz de propiciar ao linguajar humano uma homogeneidade, seja qual for. Alegam os defensores do famigerado acordo que a escrita, em língua castelhana, é padronizada desde a Terra do Fogo, a fronteira Sul entre o Chile e a Argentina, até as margens do Rio Grande, que separa México e EUA; e também nas ilhas oceânicas em que pisaram os naturais de Espanha.

A escrita será igual; a linguagem, não – afirmam. Sim, isso é perfeitamente compreensível, haja vista termos aprendido que as vogais têm sons abertos – a, e, i, o u –, mas, ultimamente, os coleguinhas jornalistas dos veículos falados referem-se à Avenida Ê – mas até há bem pouco tempo dizíamos Avenida E (é). Sei que há forte influência dos paulistanos e sulistas, presenças marcantes em Goiás desde o início do agronegócio; então, porque eles falam “éstra” no que entendíamos, até recentemente, como “extra” (ê)?

É certo que apreendemos e incorporamos muito do que ouvimos de nordestinos, nortistas, sulistas e cariocas, mas o sotaque de nossa herança passa, obviamente, por transformações interessantes. Está desaparecendo, por exemplo, o modo de falar das nossas cidades auríferas – Vila Boa de Goiás, Jaraguá, Meia-Ponte, Corumbá, Santa Luzia, Bonfim... quem viveu os anos que vivi (estou na segunda metade da minha década de 60) sabe que a musicalidade do falar goiano está muito diferente, agora.

Brasigóis Felicio, Leonardo Teixeira, a coordenadora Fátima Lima, Leda Selma e Luiz de Aquino.

Gosto de ouvir nossas palavras cortadas, abreviadas; de uma, apenas, não gosto da síncope: gueiroba em lugar de guariroba. Na escrita, alguns escribas, de livros e de jornais, substituem a bonita forma pequi por piqui, alegando a pronúncia. Ora: a gente escreve futebol e pronuncia futibol. E há quem banque o chique escrevendo – especialmente como nomes próprios – theatro em lugar de teatro. E falam “tê-atro”, em vez de tiatro, como seria o regular da nossa fala local.

Leda Selma e eu.
“Vontá dimbora durmi”, é frase comum no falar coloquial. E responder, gritando, a um chamado com o infalível “Tô ino”, em lugar de “Estou indo” é goiano demais da conta! Mas o que mais se nota – e a frase já se espalha por todo o país, especialmente entre os entrevistados na tevê – é “O marrapossível”. É o que respondem políticos e técnicos, delegados e coronéis, professores e populares diante dos repórteres.

Ah, os repórteres! Destes, no rádio e na tevê, ouço sempre e me divirto: “departamento pessoal” em vez de “departamento de pessoal”. O mesmo se dá quando devem dizer “corpo de delito” – o “de” é novamente omitido. E a moda, que saiu das falas dos “da imprensa”, alcança agora advogados e delegados de polícia.

Meu  livro de crônicas sob o tema da linguagem brasiuleira


Na escrita, porém, essa que foi “padronizada” pelo acordo entre os países de línguas lusófonas, o bicho pega! Mesmo profissionais que deviam saber misturam C com S, não sabem onde entra o Ç e usam X, SS e Ç como se isso fosse tão normal quanto escrever Pollyanna ou Hytallo. Ou Rhackell.
     
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Luiz de Aquino é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras. 

domingo, outubro 15, 2017

Sinais dos tempos... Quais?

Vênus de Milo - obra da Antiguidade, encontrada em 1874 no Monte Esquilino




Sinais dos tempos... Quais?



Sim... Quais? Que tempos são estes, em que um segmento da sociedade, ocasional e oportunamente, se emerge em nome de uma moral reinante nas cercanias das paróquias inquisitoriais?

Vejamos... Vivemos a falência de importantes valores morais, mas não se aplica tal oposição à hipocrisia, ao cinismo e ao descaramento que conduz “ilustres” políticos – parlamentares e ministros, capitaneados por autoridades do Executivo e do Judiciário – à ostensiva defesa, em atos e palavras, sem sequer se corarem!

Adotam atitudes que equivalem a indisfarçáveis confissões de culpa!

Expressam votos “técnicos” que carimbam a decisão com a evidente destinação da atitude assumida – e, repito, não se envergonham por isso!

E então, numa mostra de arte bancada por um banco na capital mais ao sul, Porto Alegre, artista desta época dá ares atuais à arte mais refinada do milenar Kama Sutra. E a moralidade da famigerada (de triste memória) TFP se expressa em defesa “da família, da moral e dos bons costumes”!

À falta de sustentação filosófica, apelam para os clichês de “combate aos comunistas” (o que me remete a um provérbio da roça da minha infância: “Depois da onça morta, qualquer vira-lata quer mijar no couro”).

Davi, de Michelangelo, mostrada ao público em 8 de setembro de 1504.


Na Renascença, a par com o rigor da Santa Inquisição (merece maiúsculas? Não, salvo pela mera identidade com uma fase da História), Michelangelo concebeu nus, em pintura e escultura, admiráveis até hoje!

Outra mostra, com atores em movimento, expõe um homem grisalho nu e uma mãe estimula a filha criança a tocar o homem.

Vozes a favor e contra elevaram-se e ganharam admiradores e contestadores. Divulguei alguns vídeos, sem opinar. Seria necessário? Mas fui acusado de “divulgar o indesejável”. Uai! Minhas práticas sexuais, como as de quem quer que seja, de John Lenonn a Chiquinha Gonzaga, de Madame Satã a Fábio Júnior, são itens individuais. E esta mesma humanidade, há três mil anos, pratica muita coisa no quesito sexo que, quando adolescentes, pensamos que nós os inventamos.

Desde que os textos ganharam formas e imagens poéticas, o erotismo virou literatura. Cínicos são os que torcem narizes a isso, mas enchem o mundo de filhos – como os religiosos que “condenam” os fiéis, mas lambuzam-se de luxúria com mulheres (e homens também, uai!) em suas intimidades.

E aparecem os pregadores da “moral cristã” ou das doutrinas “judaico-católicas”, dos preceitos difundidos por pastores e padres em colheitas seletivas no Antigo Testamento, estimulando seus “fiéis” a demonstrarem que “destruir a família é meta do comunismo, desde Marx e Engles”.

Poxa! Como manipulam a História e deturpam tudo! Digam, pois, que Platão era comunista dois mil e tantos anos antes de Marx, pois ele sugeria uma “república” em que as crianças eram transferidas pelos pais ao Estado para se formarem trabalhadores braçais, profissionais de ofício e até o ápice de poetas e filósofos – a estes cabendo o governo.

E o sexo fora do preceito religioso de “papai e mamãe, e só para a procriação”, tão enfatizado pelos religiosos e falsos moralistas, escapa das artes plásticas, em duas ou três dimensões, da literatura, do teatro e do cinema.

No paralelo, essa estranha “ideologia de gêneros” que contesta a ciência e diz que “todos nascem sem sexo, a escolha vem depois” – e nisso, pelo que se propaga, até mesmo poderosíssima empresa de alimentos e cosméticos pega carona por conta de um antigo trocadilho do vulgo em tono das palavras “homo” e “omo”.

Que tempos, hem? Tempo de péssima escolaridade! E este texto sai no jornal justo neste 15 de Outubro de 2017, Dia do Professor – desta vez, consagrado à heroína de Janaúba, Minas Gerais, a professora e mãe Helley Abreu Batista, por ter conseguido, indiscutivelmente, conter o número de vítimas de um ato de insanidade.

Aos moralistas de plantão, só um recado: deixem as artes em paz, escolham vocês, caso sejam pais e educadores, como educar seus filhos para serem felizes e bons cidadãos, livres e determinados, em lugar de erotizá-los antecipadamente ou de impor diretrizes às suas identidades sexuais.  


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Luiz de Aquino é escritor, membro da Academia Goiana de Letras.