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sábado, fevereiro 20, 2010

Festa do Livro, Pirenópolis



Festa do Livro, Pirenópolis


Luiz de Aquino


Enquanto nasce o sol, viajo à memória e sonho manhãs de outras alvas. Há muito deixamos de olhar estrelas, inventar constelações, descobrir cometas e prever imprevisíveis. As possibilidades literárias permitem-nos metáforas e enchemos nossas vidas de novos conceitos, calçados em velhas verdades. Ou realidades.

O cinema, indústria de arte criada e potencializada no Século XX dos “irmãos do norte”, elevou as pessoas à altura dos astros e estrelas. Confusão com as origens, já que toda estrela é astro. Cometas era como se referiam os avós de nossos avós aos caixeiros-viajantes dos anos de 1900. E a Lua, coitada, símbolo dos boêmios, era vista como o habitat dos loucos. E dos poetas lunáticos.

Enquanto espero o sol, releio páginas e antevejo dias, os mais próximos. Especialmente os meados de março, com eventos literários de boa envergadura. Em Palmas, mais um Salão do Livro, este ano antecipado em dois meses para adaptar o calendário, já que a vida brasileira concentrará atenções na campanha eleitoral, festa sócio-política que mobilizará cento e muitos milhões de brasileiros.

Em Pirenópolis, cuidaremos de livros e de letras. Esse empenho, estreado no ano passado, pretende firmar-se no cenário cultural de Goiás para que tenhamos a nossa festa de livros. A cidade dos velhos casarões e do Rio das Almas busca repetir Parati (Estado do Rio de Janeiro) . Para isso, sustenta-se na história com um atestado: a antiga Meia-Ponte do Rosário é o berço da imprensa no Centro-Oeste brasileiro (1830). Soma a esse feito a tradição das artes plásticas e da música e tem nomes indeléveis nas letras. O que não dizer de seu acervo folclórico e das ocorrências de filmes?

Pirenópolis, diria o professor Gomes Filho, tem sempre alguém estudando ao violão ou treinando o sopro em metais e madeira, ao ritmo de pau-e-couro. Alguém mais instala um cavalete e seleciona cores na palheta. Uma pena fina e decidida molha-se ao tinteiro para nascer um poema (ou letra de música) e um mestre de banda desenha fusas e colcheias num pentagrama.

Os jovens de 2010 estudam ao violão, sopram clarins e requintas e pintam com guache ou óleo sobre telas. As penas (de escrever) de ontem dão lugar ao discreto som das teclas de um computador e há quem se atreva a cometer arte pictórica com recursos cibernéticos. Mas continuam sendo música, literatura e arte. E arte ainda é o cuidado com que outros moços atuam nas cozinhas e garantem, também à sombra dos Pireneus e do Morro do Frota, os festivais gastronômicos que se consolidaram na terra de Jarbas Jaime.

Essa Festa do Livro de Pirenópolis foi pensada e posta em prática pelo secretário da Cultura, Gedson Oliveira, e pelo prefeito Nivaldo Melo. Diferente, esta, de tudo o que marca o calendário local. Mas, sem dúvida, o fazer de letras na vetusta Meia-Ponte do comendador Joaquim Alves de Oliveira e do padre Luiz Gonzaga de Camargo Fleuri ajunta a vida de muitas cores na arte em prosa e verso.

Voltarei ao tema, é claro. Agora é hora de evocar as musas e os faunos, reverenciar Pan e Afrodite, saudar Eros e Baco. Sem sua licença, é arriscado dignificar as artes.

Faço isso, pois, enquanto nasce o sol.


Luiz de Aquino é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras. E-mail: poetaluizdeaquino@gmail.com


12 comentários:

Iracema disse...

Luiz, causa-me inveja (no bom sentido, claro) saber que você está aí, em Piri, cercado de tanta cultura. Torça para que no próximo ano você acrescente a esse festival de livros, o meu pequeno "A viagem das folhas de
outono", história infantil.

Diacho difícil para eu dominar, esse tal de lap top, que ganhei de minha sobinha Lorena, no último Natal. Se sair alguma falha de digitação, é pura culpa dele....

Ridamar Batista disse...

Linda sua crônica.
A casa de meu avô Joaquim Goulão ficou linda na foto. Copiei, eu não tenho uma que seja tão boa.
Voce está cada vez melhor, se é que isso seja possível.
Parabens.
Um abraço desta sua amiga que agora só pensa em ser avó. Martha está nas vésperas de dar a luz e eu estou com ela brincando de casinha...
Rida, Lisboa manhã de muito frio.

Luiz de Aquino disse...

Iracema,

Vou aguardar com ansiedade seu livro. Ano que vem, estaremos juntos na III FLIPIRI!


Ridamar,

A casa de seu avô Joaquim Goulão foi meu lar (de meus pais) por dois anos (1978/79), por aluguel. Continua linda, agora sediando uma pousada. Muita saudade!...

Roseli disse...

Sempre gostei de cidades históricas e a primeira vez que estive em Pirinópolis fique encantada. A rua do lazer ponto de encontro de festas, shows, gastronomia e lazer. A magia da cidade me envolve e faz querer voltar sempre. O último réveillon foi em Piri estava feliz, com o coração calmo, tranqüilo e em paz...

Abraços

Ps: Aguardo seu novo livro também...

Mara narciso disse...

Luiz,


A julgar pelo lirismo da sua crônica, -ah Pirenópolis que instiga e inspira!-, a feira do livro terá uma repercussão maior, como ainda não aconteceu. É preciso atualizar e acompanhar a tecnologia, como você fez, trazendo teclados e arte cibernética para a praça. Mas antes de ler livros em telas de plasma, é preciso gostar de ler. Você é um dos autores que tem trabalhado nisso.

Bom dia!

Abraço, Mara

Wanda disse...

Foi ótimo estar nessa cidade linda com você ontem, poeta. A gente pisa lá e já fica feliz. Lugar encantador.
Beijos!

Sandra Silva disse...

Vou embora pra Pirenópolis.
Lá serei amiga do Luiz.

Anônimo disse...

Aquino, saudações. Parabéns por relembrar Pirenópolis em sua crônica e por participar de outra edição da festa do livro.
Adriano Curado
adrianocurado@hotmail.com

Cairo Trindade disse...

Caro Luiz de Aquino,
li e gostei da crônica de Pirenópolis!
Saudações poéticas.

Maria Luiza de Carvalho disse...

Visitar Pirenópolis já e maravilhoso.
Conhecer pessoas que moram nesta cidade e que amam a mesma ainda mais fascinante
Agradeço a oportunidade de partilhar uma pouco dessas historias nos seus escritos e também na conversas que tivemos com o amigo Zezico... e o seu primo Luiz Antonio.
Deixe registrada tão emoção através deste poema-


(Três Anjos: Encontro com seus amigos em Pirenópolis)
Três anjos.

Nesta noite sob o céu estrelado
quero falar do brilho do meu olhar
do brilho do teu olhar...
dos vários olhares...
Cem palavras, sem palavras para expressar.
a contemplação do belo.
Percebi que tem pessoas que escolhem desaguar num oceano.
Majestoso exagero da natureza!
Comparo vocês ao Oceano –
quando sinto o respeito ao ser humano,sem a influência das compotas sociais.
Ah. Poeta!
...o seu jeito especial de arriscar, a sua coragem em deixar de ser rio
de se atirar sem medo no oceano.
A sua busca constante no renascer de cada dia.
Nesta noite, senti um doce encontro das águas.
Amigos, cúmplices e sonhadores.
Anjos!
Malu Carvalho

Maria Luiza de Carvalho disse...

Visitar Pirenópolis já e maravilhoso.
Conhecer pessoas que moram nesta cidade e que amam a mesma ainda mais fascinante
Agradeço a oportunidade de partilhar uma pouco dessas historias nos seus escritos e também na conversas que tivemos com o amigo Zezico... e o seu primo Luiz Antonio.
Deixe registrada tão emoção através deste poema-


(Três Anjos: Encontro com seus amigos em Pirenópolis)
Três anjos.

Nesta noite sob o céu estrelado
quero falar do brilho do meu olhar
do brilho do teu olhar...
dos vários olhares...
Cem palavras, sem palavras para expressar.
a contemplação do belo.
Percebi que tem pessoas que escolhem desaguar num oceano.
Majestoso exagero da natureza!
Comparo vocês ao Oceano –
quando sinto o respeito ao ser humano,sem a influência das compotas sociais.
Ah. Poeta!
...o seu jeito especial de arriscar, a sua coragem em deixar de ser rio
de se atirar sem medo no oceano.
A sua busca constante no renascer de cada dia.
Nesta noite, senti um doce encontro das águas.
Amigos, cúmplices e sonhadores.
Anjos!
Malu Carvalho

Reginajardim disse...

MEU QUERIDO AMIGO!!! QUE LINDO!
AGORA CONSEGUI ENTENDER COMO SE FAZ UM COMENTÁRIO AQUI!
KKKKKKKKKKKKKK
CHEGA DE ABOBRINHAS: SEU BLOG É UM VERDADEIRO CANAPÉ DELICIOSO!
UM GRANDE BEIJO!
REGINA JARDIM