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domingo, julho 06, 2008

Civilidade é bom, mas...

Ando com a sensação de que estou em estado de graça. Acabo virando anjo, se continuar assim. Coisas da idade, já rompida a barreira simbólica do sexagésimo aniversário há quase três anos, combinadas com os tempos atuais. Tempos atuais: coisa engraçada, que já se chamou de “tempos modernos”. Moderno... Hodierno!

A grande mídia já deixou de lado o famigerado “caso Isabela” e não deu muita atenção a um crime semelhante ocorrido em Ribeirão Preto (mãe e padrasto são suspeitos de matar um garotinho), nem ao assassínio, por um maníaco ex-policial com características de anormalidade. Da mesma forma, pouco se fala do caso de Curitiba, onde a mãe lançou pela janela seu bebê de oito meses.

O tema é a lei-seca para condutores de veículos automotores. Medida boa, diz a sociedade em seu todo (ou em seu quase todo). Alguns juristas questionam a legitimidade constitucional dessa lei, que radicaliza as medidas ao nível zero de incidência de álcool no sangue das pessoas que dirigem veículos. É muito bem ver a sociedade se ocupando de medidas que visam à melhor qualidade de vida, à segurança de todos. Infelizmente, existem os que a gente qualifica, genericamente, por “espírito de porco”, esses que “não estão nem aí” e que gostam mesmo é de desafiar o poder constituído e as autoridades igualmente constituídas. Como os pichadores de paredes e muros das propriedades públicas e particulares, desde que não sejam as dos próprios “cabeças de bagre”.

Engraçado, de novo: ainda não vi muros de quartéis e de colégios da Polícia Militar pichados; mas os de escolas-monumentos como o Liceu, o Instituto de Educação e o Pedro Gomes, esses não duram uma semana após uma reforma sem receber os hieróglifos imbecis de autores não menos imbecis. E covardes: não fazem isso à luz do dia.

Estranhamente, tenho visto fumantes chatos, desses que afirmam que fumar é bom para eles, então há de ser bom para todo mundo e, por isso, fumam onde bem entendem e incomodam quem não gosta da fumaça. Mas há fumantes conscientes de que, ao tragar, envenenam-se; mas poupam outras pessoas, buscando fumar em solidão, ou, ao menos, entre seus iguais.

Mas não vejo exceção num tipo específico de gente: os criadores de cães. Que gente estranha! Dizem amar animais, mas são eles os que maltratam essas criaturas. Boa parte desses “protetores” de animais criam-nos em espaços exíguos, como apartamentos, cerceando-lhes a índole libertária. Alimentam-nos com rações químicas que lhes ressecam os intestinos para evitar que defequem sobre sofás e pelo chão de salas, quartos e cozinhas. Resultado: os cãezinhos, que esses “benfeitores” chamam de filhos têm as fezes ressecadas, para poupar o serviço de limpeza e, não raro, acabam com câncer de intestino. Isso é amor aos bichos?

Não bastasse isso, donos de cães acham que todas as pessoas têm obrigação de tratar seus bichinhos tal como eles os tratam: tê-los na conta de filhos, sim (ou sobrinhos, no caso) e aceitá-los de qualquer maneira.

Dia desses, uma ex-moradora do prédio onde moro veio visitar antigos amigos e trouxe consigo nada menos que dois cãezinhos mal-cheirosos. E invadiu os elevadores com aqueles peludos, para meu incômodo (e de vários outros moradores). A senhora visitada perfilou-se em defesa da inconveniente visitante, alegando que a convenção do condomínio não proíbe a presença de cães, e (advogada boa de argumento), o que não se proíbe está autorizado.

Resumi, pois: a convenção não proíbe, também, que se urine nos elevadores, que não têm câmaras. Logo, qualquer pessoa sozinha no elevador, se achar necessário, pode urinar no elevador. E não será repreendido: afinal, a convenção não prevê...

8 comentários:

Mara Narciso disse...

O egoismo passa perto, mas a civilidade passa longe das boas normas de convívio social, em prol do comodismo de uns poucos. A maioria fica naquela de "faço sim,e que danem-se os demais". Nessa costura comum ao nosso cronista,Luiz de Aquino passeia pelo esporte de jogar filhos longe das vidas incomodadas por eles; pelo fumar com o próprio pulmão e dinheiro e que ninguém se atreva a incomodar-me; e pelo entrar em lugares públicos com animais, por vezes perigosos em matéria de ferocidade e mais ainda em termos de doenças. A esse conjunto todo de maus hábitos chamamos "civilização".
Mara Narciso

Andréa Motta disse...

Querido Luis
Ora pois pois!! realmente só em estado de graça, para aceitar tais coisas!.
boa semana,
beijos

Sinésio disse...

AquiNU, poeta pelado e SEXOgenário fogoso,você acertou em sua crônica. Que amaor é esse aos bichos, criando-os em lugares apertados, privando-os do seu cocozinho básico, com direito a comer um capinzinho?
Pelo manhã, em minhas caminhadas no Parque Vaca Brava, presencio muitas empregadas domésticas passeando matinalmente com os bichos no parque..., e aí entra a merda deles deixada no local.
Isso é uma dor pequena perto dos crimes apontados por você, mas é uma dor. Abraços

Maria Elisa de C. Carvalho disse...

Luiz,



Como vai?

Foi bom descobrir você nos amigos da Sirlene (BEG).

Minha lembrança é a do professor que saía para tomar chope no Chafariz depois da aula de sábado, com os alunos. No BEG não trabalhamos juntos.

Estou enviando e-mail por que trabalho no computador mas tem coisas da civilidade que ainda não me acostumei ou adaptei.

A Civilidade é isso tudo que você escreveu realmente.

Estou com 56 anos mas acho que ainda bem que nossa geração tem uma bagagem maravilhosa. Não é pretensão mas na minha opinião vivemos coisas que ninguém viveu. Imagine um professor de Geografia que depois da aula aos sábados ía tomar chope com os alunos e nem por isso deixava de ser professor e talvez por isso fosse ainda mais respeitado e querido. Só nós mesmos, não é?

Hoje os alunos andam batendo e agredindo professores em sala de aula.

Mas também graças a essa civilidade é que podemos nos falar como estamos falando agora.Hoje temos algumas coisas também maravilhosas.

O terrível é que nesta civilidade atual é conforme você escreveu mesmo, as pessoas querem tomar conta e ter notícias de tudo que é ruim. Vou ver se acho um e-mail que recebi e envio pra você. A crônica está ótima é isso mesmo.

Abraços.

Maria Elisa

Madalena Barranco disse...

Querido Luiz,

Seu texto reflete uma triste realidade, onde muitas pessoas se "esqueceram" de respeitar os direitos e o bem estar do outro. Será que para "amar" o próximo, a humanidade precisa ser estimulada com multas? Teremos, então, perdido a capacidade de agir bem apenas por agir bem, e não com medo de ser multado? Você me fez refletir.

Beijos.

Sueli Catão disse...

Minha filha, Paola, é mais civilizada do que muito filhote da espécie humana...
kkkkkkk

Vc viu o video da minha entrevista com o Zé Luiz ? Do ano passado. Tá no ORKUT.

Beijão

Celinha disse...

Relutei em fazer qualquer tipo de comentário acerca de sua última crônica. Mas como a apreciei, imensamente, bem como tenho gostado das anteriores, tomei coragem.
Você é um poeta e os poetas, para mim, estão acima do bem e do mal. E mais: você é um escritor, um jornalista. E eu sou uma ávida leitora, às vezes, um pouco enxerida. Mas vamos lá! Seu estilo é interessante, cativante, perspicaz, sensível, de fácil compreensão e absorção. Hoje em dia, os cronistas são, em sua maioria, muito maçantes.Você é diferente! Reuniu um apanhado geral das últimas notícias que têm aparecido na mídia e a comparação que fez entre elas, se bem entendi, foi exemplar. Realmente, basta que ocorra, hoje, uma nova barbárie para que, logo, as notícias anteriores sejam esquecidas."Pequenas" notícias deveriam ter importância mais relevante mas, essas, os leitores sequer tomam conhecimento e deixam, dessa forma, de exercer sua cidadania.
Adorei o ocorrido com os cães!
E, quanto à civilidade... estamos cada vez mais distante dela.

Estrela da Manhã disse...

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Pois é, Sueli...

Quão civilizados são alguns pets...

Cerca de 27 milhões, só no Brasil.
Lamentável é a incivilidade e Má Adestração de alguns Humanos, que tanto têm a aprender com eles: seus pets...
Sociabilidade, simpatia, fidelidade, companheirismo: na alegria e na tristeza, saúde e na doença, no azul ou no vermelho...

Como 'Pet Dog Mamãe' e 'Pet Cat Titia"...
Altamente, civilizada, assim como os meus saudáveis "FILHOtes"...

Recomendo a leitura do trabalho científico sobre os benefícios ao Bem Estar e Saúde dos Humanos pelos Pets...
http://www.homopetsapiens.com/project/PetsHPSP.pdf
Ajudam sem pagamento, até aos que os ojerizam. Focinhos desinteressados, sem pré-conceitos.
Sem Aids, não fumam, não bebem, não pixam...
Cagam e mijam, sim. E nós também.
Civilidade é recolher os dejetos dos seus.
Incivilidade é homem mijando em poste...

Civilidade, sim.
O Não-Suportar, é aceitável e respeitável.

Já o radicalismo e, principalmente, o generalismo... Ahhh, isso não cheira bem mesmo!

Fumantes são inconvenientes, cheiram mal e deixam seu mau cheiro onde passam...

Bêbados são inconvenientes, cheiram mal e deixam seu mau cheiro onde passam. Causam acidentes, brigas, vomitam asneiras... E não limpam...tsc, tsc...
Convenhamos, papo de bebum é mais chato que latidos de uma matilha de cães ou miados noturnos de namoros felinos...rs

Radicalismo nem no bafômetro!

Happy hour com toddynho, não rola!E ser punido, por um drink relaxante com os amigos, após um dia de trabalho, é justo?...

Justiça... Dizem que é Cega. Acrescento que anda Surda, Muda, Sem Tato e, desconfio que cheirando um barato.
Se bebe? Não sei, de fato.
Que tal instalar um bafômetro no Planalto?
Antes de uns e outros se sentarem para despachar, discursar, votar e decidir nossas vidas?...
Hummm... Sei não... Penso que se instalar, essa Lei vai gargalo abaixo... On the rocks!

Saudações, Luiz!

Soraya Vieira (re e voltando...rs)
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