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terça-feira, abril 14, 2009

Vem aí a Bienal do Livro. Bienal?

O autor com Bariani Ortêncio, Placidina Lemes
e Maria do Rosário Cassimiro



Vem aí a Bienal do Livro. Bienal?


Luiz de Aquino


Pois é. Alguns hão de perguntar, mas os do meio (e os bem-informados) sabem que não houve Bienal do Livro em Goiás há dois anos. E aí, tenho de bancar o chato, redundantemente, com a indefectível pergunta: “Não falei?”. Sim, eu preveni, desde as primeiras reuniões, lá pelos idos de 2003, que não devíamos falar em bienal, pois a experiência já nos ensina, infelizmente, que nem sempre esses compromissos de datas são cumpridos. A única pessoa que considerou meus argumentos foi Nasr Chaul, o inesquecível e competentíssimo presidente da Agência Goiana de Cultura, a nossa Agepel. Mas, também, por muito pouco tempo. No ano seguinte ele bancava a expressão “bienal”.

Podem ir aos dicionários. Bienal é um evento que ocorre a cada dois anos, lógico. Menos em Goiás. Quando presidente da Caixego (Caixa Econômica do Estado de Goiás, extinta em 1990), no final da década de 1970, Índio Artiaga realizou a Primeira Bienal de Arte. Ninguém fez a segunda. A bienal do livro também foi uma, em 2005. A de 2007 não aconteceu e não falta quem jogue pedras no Governo. Mas a gente sabe que Alcides Rodrigues tem um carinho muito especial para com a área. Infelizmente... Bem, vou deixar essa análise para outro dia.

Não sou dos escritores que festejam uma bienal do livro. A rigor, esses eventos são ótimos para os livreiros, isto é, para editores, fabricantes e comerciantes de livros. Nós, os escritores, somos lembrados para o banquete, mas não somos o prato principal, nem os adereços. As moças da recepção tornam-se mais importantes que nós.

Somos o louro da feijoada. Lembro-me bem que, na infância, meus primos Inazinha e Colombo infernizavam a mãe por pôr louro no feijão. A mãe, Tia Iná, punha, efetivamente, folhinhas da especiaria, removia-os cuidadosamente após, mas as crianças (hoje, respeitáveis cinquentões) detectavam o sabor. Sabe-se bem que é perfeitamente possível fazer feijoada sem louro.

Livros sem escritores existem aos montes. Vejam aí os de autoajuda, os didáticos, os técnicos e os religiosos. Livros literários são hoje menos de dez por cento numa livraria. Iremos todos à Bienal, é claro! Afinal, o homenageado é Bariani Ortêncio, um dos mais antigos membros da Academia Goiana de Letras (A propósito, a AGL, no dia da abertura da Bienal, 29 de abril, completará 70 anos). Eu próprio irei lá prestigiar o confrade. É que para nós, os nativos, nada virá além das querelas. Os livreiros contam conosco para formar a claque aos escritores famosos, aos sacerdotes que prometem o reino dos céus e aos espertalhões que prometem limpar nossas almas e mentes das nossas angústias.

Enfim, aplaudo o governador Alcides Rodrigues por realizar essa feira. Será, sim, a ocasião para nos confraternizarmos, para o encontro de companheiros que há tempos não se veem. Mas continuo achando que o Governo deve aos escritores um evento que nos valorize. Este, a feira, valoriza os empresários do livro e, por isso, deviam ser realizados por esses empreendedores. A nós nos interessa, sim, a motivação à leitura, as oficinas de análise e construção de textos, de encenação etc.

Vamos conversar, Governador?



Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro
da Academia Goiana de Letras
.
E-mai: poetaluizdeaquino@gmail.com


10 comentários:

Anônimo disse...

Mil vezes parabéns. Se é preciso ensinar ao povo que Bienal acontece a cada dois anos, vamos ensinar. Nõs, das letras, nunca vamos perder o fôlego para repetir, teclar de novo, digitar mais uma vez, gritar se preciso for, mas vamos estar sempre a postos, ao lado da leitura, da boa postura e da cultura. Neusinha Gedoz.

Carlos Máximo disse...

Olá querido poeta!

Seu blog está fantastico.

Parabéns!!!

Mara Narciso disse...

Achei você bonito na foto maior. A menor eu já conhecia. Mas é claro que o conteúdo da crônica é mais importante do que a ilustração. Um jeiro não muito doce de ver a situação do livro, mas é a realidade. O escritor não é a principal parte da bienal. Mas só de ela acontecer já é uma festa ao intelecto. Quisera poder prestigiá-la.

Maria Helena Chein disse...

Estarei lá na Bienal para abraçar meu compadre Bariani (é padrinho de um filho meu).
Como você disse, bienal é isso mesmo, um acontecimento que se realiza de dois em
dois anos. Então...

Abraços.
Maria Helena

Iuri Rincon Godinho disse...

Luiz,
Que beleza o artigo de hj. É aquilo que eu penso. Vc sabia que eu não quis participar da "bienal" deste ano como editor? Acho que o Estado dando de graça os estandes (quem participa deve dar livros para pagar o estande) nunca vai profissionalizar o mercado. E livreiro não faz livro pra ganhar dinheiro? Então tem de pagar para participar de feira. Ora, paga no mundo todo. Por que não aqui?
A "bienal" devia ser voltada para o escritor, como vc disse. Deveria ser um espaço pra quem quisesse lançar um livro, um cd, ir lá e lançar. Sentar num banquinho, vender, autografar, sem intermediário. Livreiro que quisesse participar teria de pagar. Até para valorizar.
E achei seu artigo tb muito equilibrado, bem pensado, etc. Mas eu sou suspeito pra falar hehehehehehehehehe

Iúri

Irinéa Maria disse...

E dando a pitada de tempero especial( que nada tem a ver com o louro do feijão da tia Iná)o poeta coloca na mesa do governador a comida de que o povo tem fome: cultura!
Parabéns por mais essa!

Placidina Lemes de Siqueira disse...

Bienal ou quaternal, não sei se irei, pelo estado de saúde de pessoa na família... Mas valeu a ida ao salão dona Gercina Borges, veja de novo: Bariani, Professora Cassimiro, Você e eu.

Abraço, amigão!

Simone Araújo disse...

Boa tarde jornalista e escritor mediamente conhecido na cidade!!!
Ontem li o seu artigo no DM sobre a "Bienal do Livro".
Compreendo a sua critica enquanto escritor, concordo com as referencias ao mercado literario de auto-ajuda tenho uma resistencia muito grande a este tipo de leitura,geralmente são os que batem recordes de vendas.
Mas, enquanto consumidora vejo a "Bienal "como uma grande oportunidade de ampliar o meu pequeno acervo com novos livros.
Na primeira Bienal comprei mais de dez livros, sendo estes, obras importantes para a minha formação intelectual e profissional.Me lembro bem que acontecia varias atividades culturais simultaneamente.Passei uma tarde no Centro de Cultura e Convenções, no final, eu estava exausta de tanto correr atrás do meu filho. As vezes eu deixava ele assistindo alguma coisa, participando de alguma oficina e ia as compras, ver as novidades,rsss.
Acho que os promotores do evento precisam melhorar e valorizar a participação dos escritores, incrementando os eventos com mais debates,rodas de conversas, jogral,lançamentos com noite ou tardes de autografos,etc. Ou seja, proporcionar uma melhor aproximação entre leitores e escritores, procurando descaracterizar esta ótica comercial de evento só para livreiros.
Penso que o objetivo da Bienal do Livro deve ser mais do que só vender livros.
Ah!!! Já estava esquecendo de dar a minha opinião sobre feijoada sem louro.
Feijoada sem louro é muito sem graça e insonsa como dizia minha avó (risos).
Um grande abraço
Quero ve-lo na bienal do livro.
Bjs

Anônimo disse...

Não irei ao evento, mas gostaria de estar ai, pelo menos para rever todos e principalmente vc. Publiquei o evento no overmundo e usei sua foto, veja em
http://www.overmundo.com.br/agenda/2a-bienal-do-livro-em-goias
bjs
sinva

Luiz de Aquino disse...

Querida Sinvaline, muito obrigado pelo carinho! Pois eu gostaria que você viesse, estamos com a conversa em compasso de atraso, rs.