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sábado, abril 09, 2011

Livros e jornais na Câmara Municipal

Página do semanário Cinco de Março; Goiânia,  outubro de 1972.


Livros e jornais 
na Câmara Municipal


Conversa minha com muita gente, comum nos últimos 15 anos: a Internet está para o Século XXI como a prensa de Guttemberg para o Século XVI. E, tal como aconteceu há quinhentos anos, isso que aí está veio para ficar e transformar radicalmente o modo de vida. E, para repetir uma frase que se tornou clichê (nesta palavra, a homenagem ao inventor dos tipos móveis), direi que “nada será como antes”.
Máquina de escrever da década de 1920; e uma impressora
de computador.
A magia do nosso tempo, estas décadas do pós-guerra, está no fato de convivermos com coisas tão rudimentares como o monjolo de um lado e o celular do outro. O que não muda? Muita coisa... Muito mesmo será sempre como antes: a roda sempre será redonda, só lhes mudamos o que não interfere em sua função; a sede e a fome só se saciam com a ingestão de água e alimentos; e o nosso sentir – este, sempre será igual: amor, admiração, amizade, ódio, ciúme,  inveja, ternura etc. e tal.
Foto do casamento de meus avós paternos, pesos de balança, tinteiro,
máquina de cortar cabelo e a imagem de Nossa Senhora, do Século XIX.
Cuidei, nas últimas décadas, de juntar alguns objetos que marcaram minha vida: um pé-de-ferro, objeto pesado, indispensável nas oficinas de sapateiros nos tempos em que sapatos precisavam de prego; tinteiro (tenho dois) e algumas penas; mata-borrão; máquina de costura a manivela; ferro de brasa para engomar; duas máquinas de escrever, antigas, que uma criança qualificou como “teclado esquisito”, supondo tratar-se de um periférico de computador; duas “eletrolas” (toca-discos) e uma razoável coleção de discos de vinil.


Conto tudo isso para chegar a um evento, para o qual já convido meus leitores, em nome do vereador e presidente da Câmara Municipal de Goiânia, o ministro Iram Saraiva. Trata-se, aliás, de um duplo evento:– uma feira de livros de autores goianos, organizada por Antônio Almeida, da Editora Kelps, e uma exposição de capas de jornais, nacionais e estrangeiros, desde 1889 até algumas atuais.

A mostra de livros envolverá autores locais, obviamente. E o promotor do evento conclama os autores interessados a encaminhar suas obras a Leandro Almeida, dono da Leart (distribuidora do grupo Kelps). Mas a mostra é ampla, não se restringe apenas ao que produzem as empresas dos irmãos Almeida.


A exposição de jornais é do acervo de Iuri Godinho, jornalista e empresário, da Contato Comunicação, escritor editor, membro da Academia Goiana de Letras. Essa mostra tem o patrocínio do SICOOB e do SECOVIGOIÁS. É um agradável passeio pela história, através das manchetes. E além do aspecto informativo, estes 122 anos desde a Proclamação da República sugerem também  uma viagem pela evolução tecnológica que marca profundamente o “modus faciendi” dos jornais. As mudanças mais expressivas, inegavelmente, aconteceram depois de 1960, ganhando mais agilidade nos últimos vinte anos, com a popularização do computador e da telefonia celular, com o inestimável  surgimento da Internet.

Acho que, agora, ficou claro o preâmbulo desta crônica: sinto-me muito feliz por fazer parte deste trecho da História, pois convivi de perto com os objetos descritos nas linhas iniciais; entendi como novidades a caneta esferográfica, a máquina de escrever elétrica, as calculadores eletrônicas, os terminais do grande computador que, nos anos de 1980,  permitiam aos clientes de bancos consultar suas contas sem recorrer a funcionários; fui dos primeiros a adotar o computador como ferramenta profissional e doméstica e pioneiro no uso da Internet (tive um site de poesia que foi o terceiro no Brasil; com ele fui dos primeiros brasileiros a integrar o Portal de Poesia da UNESCO).

Com este entusiasmo, convido-os, repito, a prestigiarem a abertura dessas mostras no saguão da Câmara Municiipal, dia 12, terça-feira próxima. Claro, o convite não é meu, é do presidente Iram Saraiva, e estes eventos simultâneos constituem a segunda ocorrência no propósito do ministro e vereador que, em sua cerimônia de posse, preveniu-me, já me envolvendo: “Quero fazer da Câmara de Goiânia um ambiente de atividades culturais”. Mês passado, com o inestimável apoio das entidades literárias de Goiânia, reforçado pela participação dos jovens poetas do grupo LetraViva, aconteceu o Sarau por Castro Alves e pela Poesia.

Como se vê, outros eventos virão. É da vontade de Iram e nós, ativistas culturais e criadores de arte, estamos sempre presentes.

* * *

Luiz de Aquino, escritor e e jornalista.


5 comentários:

Adriano César Curado disse...

Caro Luiz, a que horas é o evento na Câmara Municipal?

Luiz de Aquino disse...

Adriano, será à noite, 20h30min.

Mara Narciso disse...

Característica interessante esta de você cultuar o antigo e ser pioneiro no moderno, sem nenhum traço de ambiguidade.Poucos avançam no futuro sem receio e sem se desligar do passado. Também vivi nos dois mundos, mas com precaução devido a asma e a alergia aos ácaros, mofos e poeira. Do outro lado, apenas há onze anos senti que a informática e a internet em casa eram para sempre. Que os jovens não se iludam quando criticam os inventos anteriores. Como alguém já falou, somos o que somos hoje pelo simples fato de estarmos sobre os ombros dos que vieram antes de nós.

Jacir Silva disse...

Caro Luiz,

Ao ler seu artigo hoje (10.04.11) no DM viajei no tempo, nos meus tempos de criança e de adolescente.
Como você, também sinto orgulho de ter vivido momentos inesquecíveis, lá no interior, onde, naquela época as coisas demoravam a chegar, aí a gente se sentia satisfeito com o que tinha sem perceber que o mundo do pós-guera estava em franco desenvolvimento trazendo invovações tencnológicas, ainda que de maneira lenta nos idos de 50 e 60 do século passado.
Vou parar por aquí, pois não quero falar de coisas óbvias que você conhece de sobra.
Mas o objitvo desta mensagem é para cumprimentá-lo pelo agradável artigo "Livros e Jornais na Camara Municipal".
Um forte abraço com admiração e respeito,
Jacir

Fanzine Episódio Cultural disse...

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