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terça-feira, dezembro 18, 2012

Leandra Felipe, jornalista, estreia em poesia


Leandra Felipe. Antevejo muitas novidades, em prosa e verso - obras que virão para enriquecer o acervo brasileiro do imaginário e das letras.

Leandra Felipe, jornalista,
estreia em poesia


A jornalista Leandra Felipe, goiana de nascimento, criação e formação intelectual e acadêmica, repórter do DM que, em dado momento, mudou-se para Brasília e atualmente é correspondente de importantes veículos brasileiros em Bogotá (Rádio CBM e Globo News), tirou de seus segredos de menina o talento para os versos. E marca este dezembro já com duas noites de autógrafos – uma em São Paulo, na primeira semana, e outra em  Goiânia, na segunda-feira, 17, na FNAC (Flamboyant Shopping Center).
Tive o privilégio de ler os poemas de Avesso antes que se tornasse livro; e o privilégio maior de prefaciá-lo, com o pecado a minha emoção.
Um autógrafo para eu me orgulhar dele...

A seguir, o meu texto, antecipando a delícia da leitura de alguns poemas do livro:



O livro: a peça escrita é criação; a obra em forma, papel e tinta, é produto e excelente presente natalino...



 

Traços de afeto ao livro feito feto



A autora deste livro, minha amiga e colega Leandra Felipe, desenhou o seu próprio prefácio ao conceber essa bela prosa poética:
Carta de um poema ao seu poeta

                  Caro poeta,

Peço-te que não me guardes em refratário. Não me deixes ficar presa no vácuo entre seu desejo e sua mania de ficar contido. Libere-me, por favor. Não quero ficar guardado no vasilhame dos seus pensamentos soltos e das suas palavras solitárias.

Por favor, querido poeta, não prendas este dom que tens, que bens sabes ser eu mesmo. Não me prenda em lugares isolados, ou pior, não deixes de pensar em mim. Não me evite em seus momentos de conflito. Lembre-se: Sou poderoso nos conflitos, criativo nos amores, reflexivo em tempos de inércia.

Meu querido poeta, não me sufoques, antes disso, produza-me. Escreva-me. Dê-me asas para voar. Deixa-me ter a chance de ser lido, deixa-me mostrar aos outros quem tu és. Deixa-me colocar encantamento nos olhos daqueles que me lerem. É claro, querido, que irão me julgar, irão me classificar. Mas estou pronto para julgamentos. Os louros e as críticas serão colhidos por nós dois.

         Não te detenhas mais. Escreve-me. Estou pronto.

         Com amor,
         Teu poema
 . . . . . . . 

Continuei a leitura com o espírito ativo de quem sabia que as surpresas continuariam a chegar, e chegam a cada página que se vira. Em O chamado do ventoencantei-me dessa estrofe:

                  Já era tarde quando o vento soprou
                  Antes do tempo de sua chegada
                  Mas lá fora ele dizia que ficaria
                  Como um outono fora de hora

Tempo, vento e horários; lugar e estação – marcas geográficas na poesia de Leandra. E chegam também marcas da história, tal como em Virtual:

                  Inauguram já faz um tempo 
                  A categoria do virtual
                  Amor virtual, amigo virtual
                  Gente virtual, paixão virtual
                  Sexo virtual, crime virtual
                  Tudo isso levanta a intriga
                  Se uma coisa ocupa tanto espaço
                  Se toma tanto tempo
                  Ela já não é real?


E meandros de sabedoria ponteiam nas pautas de poemas outros, assim:

Obtuso
(...)
                  No universo da língua
                  Sou adjetivo do incapaz,
                  do inadequado, do ineficaz
                  Com frequência qualifico
                  o rude, o confuso, o grotesco

Mulher de seu tempo, Leandra estende sentimento e talento, erudição e informação profissional ao conceituar-se e, no mesmo empenho, louvar suas iguais lutadoras de modo autêntico, sem pieguice nem radicalismo inútil e estéril:

Mulheres poetas

                  Não tenho o retrato de Clarice
                  Nem seu olhar distante
                  […]

                  Não tenho o mistério de Cecília
                  Nem sua tristeza doce 
                  […]
 
                  Não tenho a sabedoria de Cora
                  Nem sua simplicidade complexa 
                  […]

                  Eu tenho minhas vontades
                  Minha ânsia por saber expressar
                  O que falando não sei dizer

                   […]
E tempo há de se posar em casa, no íntimo do lar e na nobreza da procriação. Quem, poeta, não terá feito versos aos filhos? Louvamos amados e amadas, pais e mães, reverenciamos irmãos e amigos. Mas filhos, estes fermentam da criatividade e os sentidos, frutos que são dos sentimentos e da essência que se estende do sacro ao animal. A nossa poetisa não seria diferente!

Luísa em seu ensaio de cores. 

Luísa

De que planeta veio 

esse sorriso arteiro 
De onde veio?


De onde vem 

o olhar inquieto 
que explora o mundo?


Como pode 

em tão pouco tempo 
Ocupar todo esse espaço 
            dentro da gente?



Ora: Leandra Felipe é fruto de Goiás – o Planalto Central revestido de cerrado, chão vermelho coberto de mangaba, pequi e jabuticaba, frutos aromáticos da flora incomparável que dá à nossa pele o cheiro da roça. E Goiânia, berço de sua formação, tem forma e cheiro de poesia e os poetas atropelam-se nas esquinas e nas noites – em comunidade ou na solidão do ofício das leituras e escritas. Ser poeta em Goiânia não é razão de surpresa. Antes, de felicidade coletiva!

Faz um tempo, já, que o silêncio entremeia nossos meses e anos. Vez por outra, alguma notícia ágil como quem apenas quer contar que sobrevive. Há que se viver e a luta é contínua, horária! Crescemos a cada frase nova, a cada informação colhida, a cada notícia feita e divulgada. Renovamo-nos em novas edições nos noticiosos impressos ou eletrônicos. Nascemos todos os dias como um novo profissional que se arquiva ao adormecer para renascer aos novos albores. É o ofício!

E aí, vem para nós o desenho do futuro: o jornalista quer ir além de cada amanhã; e o jornalista é fruto do poeta, eu sei. Não basta, pois, fazer jornais e noticiários falados, é preciso alongar a existência de cada frase, de cada verso. É preciso virar livro – talvez seja esse o sonho de cada jornal.

É assim, com este sentir, que acolho a gestação deste Avesso, da Leandra Felipe. E espero-o formatado entre capa e contracapa, enfeitado de desenho e cores, peça de boa leitura para já, adorno íntimo em minha estante logo após. Espero com a ansiedade dos familiares em torno da grávida. O tempo de maturação se abrevia, expira-se breve.

E seja bem-vindo, pois! O mundo é seu!

Luiz de Aquino Alves Neto, poeta e jornalista 

(membro da Academia Goiana 

de Letras). Em 31/10/2012.

5 comentários:

Mara Narciso disse...

Cada um derramou no outro um rio de poesia, para o nosso deleite e admiração.

Mirian Silva Cavalcanti disse...

valeu, Poeta! e adorei o xópin!
Bj
Mirian

Leandra Felipe disse...

Obrigada, mais uma vez!

Leandra Felipe disse...

Mais uma vez, obrigada! 4

Maria Helena Chein disse...

Meu querido Luiz,

Conheci um pouco da poeta, também jornalista, Leandra Felipe (Avesso), graças à sua crônica.
Vou adquirir o livro, porque a amostra dos poemas me agradou demais. Sou fascinada pela boa
poesia.
Lu, gostei muito de sua companhia nesse rasgo de tarde, a chuva caindo doce e refrescante.

Bjs.
Maria Helena