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segunda-feira, janeiro 07, 2013

Bom dia, futuro!





Miro
Lupe


 Bom dia, futuro!


Feliz Ano-Novo! – repetimos muitas vezes, milhares! E ao dizê-lo despertamos o passado que, se foi feliz, há de se repetir com mais intensidade; se foi morno ou ruim, que sustente o bom que há de vir. E sempre que falo em passado e futuro, ocorre-me que o presente, sim, é o que importa, mas é tão pequenino o presente! Surge e passa como paisagens na janela de um trem-bala, ou de um avião ao decolar.

O poeta Mário Quintana entendia bem o tempo. É dele um verso isolado que me acompanha há décadas: “O passado não reconhece seu lugar; está sempre presente!”. E lembrar Quintana é perambular pelas ruas históricas e boêmias de Porto Alegre – a região da Rua da Praia, cenário da tradicional Feira do Livro, onde reina concreto, imóvel e solene o antigo Hotel Majestic, hoje Casa de Cultura Mário Quintana. Essa região foi também o palco da vivência e ocorrências de outro poeta, o compositor Lupicínio Rodrigues.

Numa das Feiras do Livro de Porto Alegre, comprei, a preço miúdo, um livro de Lupicínio. O título é o mesmo de uma de suas canções – “Foi Assim” – e a organização da obra, póstuma, é de Lupicínio Rodrigues Filho. Um livro de crônicas belas, compostas assim: a crônica em si, a letra de uma das canções do imortal autor de “Se Acaso Você Chegasse” e a frase de despedida: “E até sábado...”. O jornal era a versão gaúcha de Última Hora, que virou Zero Hora. E o dia, ficou claro, era o sábado, esperado com ansiedade pelos leitores. A coluna chamava-se “Roteiro de um Boêmio” e a série começou com “O que é um boêmio”, seguida, de imediato, de “Boêmio deve casar?”.
Comprei o livro a R$ 3,00 na Feira do Livro de Porto Alegre, em 2001;
hoje, ele é oferecido no Mercado Livre a R$ 100,00
(http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-455931185-foi-assim-lupicinio-rodrigues-_JM)
Vez em quando, pinço esse livro na estante e releio um ou dois textos; devolvo-o ao ninho para, noutra ocasião, repetir o ato e o fato. Esta semana, que começou com os últimos dias de 2012 para abrir 2013 com cheiro e sabor de futuro, repeti esta mania; o motivo de agora é reforçado: ganhei, dos meus amigos Kleber Oliveira Veloso, escritor, e da minha querida colega jornalista e editora Sueli Raul, um livro muito especial: O Jornalista, o Poeta e o Homem - Waldomiro Santos.

Um punhado de poemas, crônicas e outros textos jornalísticos com a chancela de um talento
impecável do homem,  jornalista e poeta Waldomiro Santos
Foram poucos minutos, o do nosso encontro nesse final de 2012! O bastante, porém, para evocar-me uma emoção forte, como se ali estivesse também o meu colega de tão curta temporada nos tempos do semanário Cinco de Março e do início do Diário da Manhã. Imaginei-o ao nosso lado, em silêncio, ostentando um expressivo sorriso observador – e critico, tenho certeza! –, como era de seu feitio.

Li o livro, saltando trechos. Os textos de abertura, assinados por Walterli Guedes, Javier Godinho e Kleber Veloso, seguidos das homenagens de Maria Divina e Marcos, viúva e filho do enfocado, prenunciam o sentimento que dominará o leitor até a última palavra – uma emoção indescritível que só se sente em momentos especiais, como a leitura dos escritos do velho jornalista. Velho? Que nada, morreu moço!

Pedro Ludovico, fundador de Goiânia, entrevistado pelo repórter completo, Waldomiro Santos, para o semanário "Cinco de Março".

Escrevi, certa vez, e teimo nessa tese: um bom cronista contém um poeta. Waldomiro é tido, pelos que o conheceram de perto, como o repórter perfeito. Eu diria mais: um poeta perfeito. E um profissional dedicado ao ofício da notícia, um cidadão exemplar como peça indispensável em sua sociedade. E um homem próximo demais da perfeição – como colega, como amigo e, sabemos desde sempre, marido e pai. Um boêmio perfeito, diria dele Lupicínio – caso o tivesse conhecido.


Esse livro precisa chegar ao grande público. Goiânia, tão nova e em formação, precisa formalizar sua História. E essa História não se escreve sem Waldomiro Santos – que alistou-se rapidamente na reconstrução do DM, em 1987, incluindo-se entre o “punhado de sozinhos” que, com Batista Custódio, escreveu um pedaço indelével da luta pela liberdade de expressão nesta terra.

* * *



7 comentários:

Joãomar Carvalho disse...

Luiz,
sua crônica está uma maravilha....só de lembrar o Waldomiro, meu colega
no Cinco de Março, já valeu a pena....Waldomiro não foi embora....ficou
encantado....
abs,
joãomar

Maria Lindgren disse...

Caro Luiz
Muito obrigada por ter me ensinado sobre gente e coisas de Goiânia que eu desconhecia
Um grande abraço de feliz 2013.


Maria Lindgren

Mara Narciso disse...

O livro de Lupicínio Rodrigues deve ser ótimo. A dramaticidade das suas músicas, o exagero, o passionalismo levado ao extremo, e ainda explicados os motivos pelo próprio autor, tem de ser muito interessante. Gostaria muito de lê-lo.

Maria Helena Chein disse...

Meu querido Luiz,

Bom dia, futuro! que delícia, às vezes um tanto pungente! Lupicínio Rodrigues e Waldomiro Santos, talento,
boemia, poesia, com Mário Quintana por perto.
Lu, gostei muito de sua companhia nesse rasgo de tarde, a chuva caindo doce e refrescante.
Bjs.
Maria Helena

Deveras disse...

Faz-se necessário, sempre, visitar a memória daqueles que tiveram boa vereda aqui nesta terra e que com seu modo de viver e os exemplos que deixaram, legaram tão rica herança cultural.

Bela homenagem, Poeta.

ficanapaz

Cristiano Deveras

MARCUS DIAS disse...

Fiquei muito feliz em ler sua cronica!
Grato pelas suas palavras tão carinhosa sobre o meu Pai!(Waldomiro dos Santos)
Na realidade o nosso projeto original na publicação do Livro foi para doações e distribuição nas bibliotecas.Se algum leitor tiver interesse em realizar uma doação para a biblioteca de sua cidade, por favor envie o seu endereço. Atenciosamente, Marcus Dias
Segue o Link para o Livro em PDF, podendo ler em Aparelhos eReader.(iPad,KOBO,ETC)
https://www.dropbox.com/sh/d8vap6pfltaa3p7/iUFMbghjmb

MARCUS DIAS disse...

Fiquei muito feliz em ler sua cronica!
Grato pelas suas palavras tão carinhosa sobre o meu Pai!(Waldomiro dos Santos)
Na realidade o nosso projeto original na publicação do Livro foi para doações e distribuição nas bibliotecas.Se algum leitor tiver interesse em realizar uma doação para a biblioteca de sua cidade, por favor envie o seu endereço. Atenciosamente, Marcus Dias
Segue o Link para o Livro em PDF, podendo ler em Aparelhos eReader.(iPad,KOBO,ETC)
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