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Da Internet: pátio do Instituto de Educação do Rio Janeiro, excelente centro de formação de professoras, no passado. |
Elas, as
mestras
Houve um tempo em que as
chamávamos “professoras de Português”. E no andar dos dias, os tais de novos
tempos, os cursos de Letras – antes: Letras Vernáculas; Línguas Neolatinas;
Letras Modernas – ocuparam-se não somente de bacharelar e licenciar estudantes
que gostam da tal língua-mãe, mas a formá-los também para a crítica literária.
E os tais sinais dos tempos continuaram atuando, proporcionando desdobramentos
inimagináveis.
Sei que, naquela década de
60 do século passado, os estudantes de terceiro ano dos cursos colegiais –
Científico e Clássico – tinham nada mais que sete ou oito disciplinas; e,
assim, sem ter de estudar em dois turnos (hoje, os garotos nessa fase não têm
um turno de estudos, mas dois quase todos os dias e três em pelo menos metade
da semana, reservando-se os sábados e domingos não para o descanso, mas para as
provas experimentais). E nós, os sessentões de agora, passávamos nos
vestibulares sem precisar de cursinhos; hoje, esses meninos pré-vestibulandos
estudam mais de vinte disciplinas – sim: para continuar falando em Língua
Portuguesa e seus conteúdos de literatura e análises, esta se divide agora em
quatro disciplinas, com quatro professores que, não raro, entram em choque de
cunho filológico, filosófico/ideológico ou, ao menos, pedagógico.
Pois é! Houve um tempo em
que as chamávamos “professoras de Português”; hoje, são as professoras de
Letras. E por que mesmo quero falar nessas profissionais? Ah, primeiro de tudo
porque atuam nas Letras – as palavras, em suas categorias, origens, variações,
derivações etc. e tal; depois, porque sempre têm uma informação nova a nos
perguntar ou a nos ensinar, e eu gosto demais de trocar essas informações.
Se isso fosse pouco, resta
dizer que são pessoas que, obviamente, empenham-se no complexo processo da
Educação em várias óticas, desde a formação da pessoa infante como indivíduo e
como cidadão até a elevada missão de mostrar-lhes as possibilidades que os
esperam no futuro – o futuro de crianças e jovens que, para elas, mestras, são
o presente e um pedaço do passado que se situa entre as duas idades – a do
educador e a do educando.
Em suma: são pessoas que
tentam formar um bom cidadão para que o mundo futuro seja melhor. E se me
restrinjo a professoras é cumprindo a minha vontade de, aqui, tomar a maioria
numérica por genérico – os homens são, sim, minoria nesse universo. E acho
desnecessário repetir a ênfase que dou às mestras da Língua, mas não posso
jamais ignorar as de Geografia, de História, de Matemática e das demais
disciplinas (todas as outras derivam dessas quatro, afinal).
Quem lê meus escritos há
mais tempo, ou há mais anos ou décadas, sabe que costumo ser meio lerdo sobre
as datas festivas. Mas algumas ficam fixadas em minha vida, mesmo que eu não me
refira a elas nas páginas das minhas crônicas – como o Natal, a Páscoa, a
Independência do Brasil e outras mais. É comum também eu deixar passar sem
referência, de minha lavra, o Dia Internacional da Mulher. Para que a ênfase,
se dediquei toda a minha vida a paparicá-las?
Mas neste domingo que abre a
Semana da Mulher – já que o conceito internacional fica com um dia, o
brasileiro estende a comemoração por toda a semana; eu gosto disso –, escolhi
destacar nas professoras, e muito especialmente nas de Letras, a minha humilde
homenagem a essas heroínas que, com seus salários simbólicos, dão de si, em
suor e lágrimas, e sangue e paixão, pela melhoria da qualidade da vida no
futuro.
* * *
16 comentários:
Parabéns, Luiz. Homenagem justa. E, hoje, isto vale ouro, porque rara. Abraços Moema
Parabéns, Luiz. Homenagem justa. E, hoje, isto vale ouro, porque rara. Abraços Moema
Sem palavras para agradecer já receber o texto antes de ser publicado e ainda mais nos homenageando!
Vou imprimi-lo! Um vou guardá-lo com muito carinho, outro vou trabalhar nas minhas turmas e outros anexar nas escolas!
Fiquei muito honrada e emocionado ao lê-lo...
De coração, muito obrigada...
E realmente aos finais de semanas não descansamos, pois hoje já estou aqui selecionando, lendo e relendo livros para trabalhar em minhas turmas...
no próximo sábado retorno para meu "cursinho de espanhol"...
...
...
mas espero estar contribuindo com alguma coisa nesse mundo...
abraços, Luane Rosa.
Embora só tivéssemos aulas em um turno, estudávamos mais. Vestibular enfrentávamos "com a
cara e a coragem", confiantes na bagagem. Na Faculdade de Letras nos dedicávamos à Língua e às Literaturas da Língua Portuguesa, com algumas pinceladas da Inglesa, Germânica e Francesa.
Quanto às datas festivas, escreva se tiver vontade, pois daqui a pouco teremos os dias das várias consciências, no calendário. E ninguém merece excesso de comemoração para pouco mérito. Puxa! Queria ser uma das paparicadas, mas isso é privilégio para poucas...
Mas é claro que você está entre elas, Sueli Soares! E com todas as honras e conquistas, isto é, por seus títulos e práticas!
AMEI !!!
Tenho orgulho de ser sua amiga, reconhece nosso valor. Em nosso país, infelizmente, nós mulheres somos reduzidas pela mídia a nádegas, nomes de frutas e outras futilidades. Em nosso país machista esta semana será importantíssima, é a semana de dizer às mulheres que estão submersas em um machismo velado, protegido pela hipocrisia de outras mulheres, e que existe um mundo além dos muros da agressão moral, tão silenciosa e presente...
Sou apaixonada pela língua devido a minha professora de Português como bem a nomeou, Luiz.Aos 11 anos uma professora muda tudo, o interesse, a vontade, o estilo e muito mais. Era Dona Marta Pimenta, de roupa e maquiagem extravagante, com seus olhos verdes, e muitos filhos. Lecionava no Colégio Imaculada Conceição e despertou a mim e outras colegas( só mulheres) para a literatura. Obrigada por fazê-la voltar, pois já faleceu depois de dez anos em hemodiálise.
Obrigada pelo carinho! Na condição de mulher, e, graças à Deus, de ser professora , me sinto muito agraciada pelas palavras.Ainda mais
por saber que o texto "está fresquinho", o que o torna mais próximo do coração.Foi um prazer conhecê-lo. Aguarde nosso convite para o "sarau da EJA" ,no Instituto Municipal João Paulo II.Um abraço.
Luiz, como sempre, você falou tudo com sensibilidade, tom crítico e aquela dosaça de nostalgia e sentimento. Bela homenagem à mulher, professora nata, independente de sua formação. Parabéns! Beijão. Lêda
Somente pessoas com a sua sensibilidade escreveriam algo tão lindo, Luiz de Aquino! Parabéns, amigo! Eu me emocionei e me senti homenageada. Obrigada pelas lindas palavras! Tenho certeza de que todas as educadoras as irão adorá-la também.
Meu Caro Escritor, sua crônica fez-me nostálgica pelos sonhos que cultivei como professora. Saudade de tantos momentos, pessoas e ideais, mas triste pela pouca valorização.
Aline Batistella
Gostei, senti-me homenageada também.
Tua crônica valoriza uma classe necessária e mal paga,a das professoras por serem a grande maioria. Tenho saudade das minhas e sempre lembro que se hoje leio muito foi por uma dessas professoras me dizer, QUEM LÊ SABE, QUEM NÃO LÊ OUVE CONTAR. OBRIGADO POETA!!!!!
Miriam Clara Dilkin Consul
Não sou educadora, mas me coloco no lugar dessa classe, laboriosa e pouco valorizada. Ao mesmo tempo em que agradeço pela linda homenagem que presta às mulheres. Parabéns pela sensibildade.
Sirlene Pereira de Oliveira
É muito gratificante saber que ainda existem pessoas que valorizam a nossa graduação e profissão! Parabéns!
Lu,
bela crônica! E uma homenagem sincera e amorosa você faz às suas professoras
e, consequentemente, a todas as mulheres. Há quem seja contra ao Dia Internacional da Mulher,
porque blá, blá, blá, blá,
não é o meu caso.
Bjs.
Maria Helena
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