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O famoso guia da cidade, pelo poeta Manuel Bandeira |
Um
“Doze” em Ouro Preto
No
dia 12 de outubro marcará, este ano, o 137º aniversário da Escola de Minas de
Ouro Preto. Se o Brasil para, como dizem muitos, Ouro Preto se agita. Alinho-me
entre os que veem nesses feriados não uma parada nas atividades e na economia,
mas sim a efervescência de um segmento ativo e importante para a sociedade
atual – o turismo. Mas não é só isso, quando se trata de algo como a festa em
Ouro Preto: é a evocação da História. É o aniversário de um dos grandes feitos
nesta conturbada Pátria. Uma data expressiva para o mundo acadêmico,
especialmente para a mineração, para a engenharia, e, para atualizar a
linguagem e os fatos, a tecnologia. A data é a da concepção do que, depois,
veio a ser a Universidade Federal de Ouro Preto, certamente.
O
que sei dizer de Ouro Preto vem de alguma leitura e das únicas duas vezes
em que lá estive. Ficou-me um sentimento de fé e de força. É mágico pisar
aquelas pedras das ruas, visualizar as construções centenárias do barroco,
envolver-se no místico daquelas igrejas e embriagar-se de história. No teatro,
em 1998, ao lado do poeta Romério Rômulo, assisti à outorga dos títulos de
Doutor Honoris Causa a Orlando e Cláudio (in
memoriam) Villas-Boas. Romério Rômulo, então pró-reitor da UFOP, morava
numa casa pertencente ao artista Carlos Scliar, casa essa construída por
ninguém menos que o pai de Santos-Dumont.
Visitei
lugares marcantes, casas e repartições que a História imortaliza; encantei-me
ao ver as gemas no Museu da Escola de Minas; alumbrei-me ante a riqueza da arte
de Aleijadinho e o ouro que capeia esculturas em madeira... Bem: após as 17
horas, os turistas começam a sumir da cidade; os estudantes deixam as escolas e
faculdades, ocupam os trajetos até suas legendárias repúblicas e, pouco depois,
superlotam os bares e cantinas. Os nativos, pareceu-me, fazem pano-de-fundo
para o cenário humano.
Na
primeira visita, deliciei-me com uma sopa traiçoeira, mas a madrugada foi-me
constrangedora: acordei incomodado, uma cólica fisgava-me o baixo-ventre. Tentei
distrair-me à janela (a pousada era na Praça Tiradentes); vi uma carroça
solitária, o homem que a conduzia vinha a pé, sem lugar para aboletar-se na
carroceria. Esperei que, a qualquer momento, um pelotão de soldados do Século
XVIII atravessassem o pátio. Mas a cólica aumentou e, muito constrangido, corri
ao vaso no banheiro anexo. Acho que esse infausto fez com que a namorada
desistisse de mim. (Ainda assim, trouxe de lá pequenas lembranças. A mais
marcante ainda existe – o livro Guia de Ouro Preto, assinado por ninguém menos que
Manuel Bandeira. Presente da namorada).
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Eurico Martins de Araújo, pela pena talentosa de Rocha. |
Voltarei
a Ouro Preto – agora, na véspera do famoso “Doze”. Comigo, Mary Anne e a
mineiríssima Dênia Diniz de Freitas. Dia 11, meu amigo, ex-colega no saudoso
Banco do Estado de Goiás, o engenheiro – civil e de minas – Eurico Martins de
Araújo, ex-aluno da secular Escola, vai autografar seu livro “República de
Estudantes – Elo de Ouro Entre Antigos Alunos e a Escola de Minas”. O local é a
própria Escola de Minas, na Praça Tiradentes.
A
volta, já sei, será uma viagem em que me sentirei mais sabido – e mais rico.
Não de esperteza, que não me interessa; nem de pecúnia, que isso dá muito
trabalho. Voltarei, sim, feliz pelo convívio (ah! Certamente, vou conhecer a
professora e poetisa Cláudia Pereira, parceira de informes e versos via
Internet; e hei de rever Romério Rômulo) e trazendo o livro que conta a
história das famosas repúblicas.
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Um comentário:
Ouro Preto é mágica. Propicia uma gostosa volta ao passado, a reflexão, e a imaginação. A imagem dos inconfidentes acaba sendo pensamento obrigatório. E os poetas? Lugar enriquecedor.
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