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sábado, janeiro 12, 2008

Saúde Pública e Literatura: temas opostos (tanto quanto DF e Goiás)





Saúde, letras e cegueira



Há vinte anos, foi com o acidente radioativo: o Brasil se voltou de cuidados contra Goiás e tudo o que aqui há. E, estranhamente, o famoso Quadrilátero Crulz ficou isento, como uma “ilha da fantasia” protegida de todos os males, inclusive do mal-estar de fazer limites com o território do Estado que lhe deu origem.

Agora, autoridades do Distrito Federal, a organização política assentada no Quadrilátero Crulz (incrustado no que é Goiás) revivem as práticas do último trimestre de 1987, com agravante: naquele tempo, o acidente com o Césio se deu em Goiânia, sim, mas Brasília rejeitava qualquer coisa, ainda que viesse de Mineiros (400 km a sudoeste), sob o argumento de “é tudo Goiás”, apesar de a capital federal estar a 220 km, por rodovia, do foco (Goiânia). A tônica, agora, é impingir a Goiás todos os focos de febre amarela, imunizando o quadrilátero encantado onde reinam deformidades morais advindas dos mais remotos rincões nacionais, com o Erário bancando tudo.


A morte do empresário Graco teve por “causa mortis” o fato de um fim de semana em Pirenópolis. Tudo bem, isso é plenamente possível, já que um dos apelos turísticos do local são as cachoeiras, cercadas de belas e atraentes matas, habitadas por macacos possivelmente portadores de febre amarela e por nuvens incontáveis de insetos, dentre eles os vetores da famigerada doença.

Estranhamente, a maioria dos jornais de tevê omitiu, de modo acintoso, a declaração de um irmão de Graco: a vítima havia saído de Brasília já doente. E ainda: era hábito dele, o morto, alimentar macacos das vizinhanças em seu quintal no Lago Norte. Mas, numa campanha ridícula, a mídia brasiliense quer nos convencer de que macacos de Goiás, não adentram os limites de Arruda, Roriz, Luís Estevão e Wigberto. Ou seja, todas as mazelas surgem em Goiás.

Façamos, cada um de nós, juízo deste caso. Enquanto isso, cuidarei do que me dá prazer fora da alcova: a literatura.


Foi muito bom integrar a festa dos 71 novos livros da Coleção Goiânia em Prosa e Verso. O salão do Jóquei Clube, imenso, foi pequeno para o evento. Curiosamente, os idealizadores e organizadores esclareceram que não se fez nenhuma seleção sob critérios, pois o propósito foi o de esvaziar gavetas, ou memória de computador, numa versão hodierna. Prazer meu em trazer à luz mais um livrinho, desta vez de poemas possíveis de se ler em escolas sem a censura de professores contaminados pelos pruridos de moral sectária: removiam meus poemas de suas escolhas, tiravam-nos das estantes mas levavam-nos para suas casas; lá, seus filhos da mesma faixa etária dos alunos podiam ler meus poemas... Nunca entendi!


Ao meu lado, e também entre os outros 69 livros, Lucas, meu filho mais novo, envergava gravata e caneta e distribuía autógrafos e entrevistas a um sem-número de câmeras de tevê. Nilson Gomes se divertia: “Luiz de Aquino o quê? Agora, você é tão-somente o pai do Lucas”.


Entendi a festa como algo voltado realmente para o escritor, pois as feiras de livros atendem muito bem ao livreiro mas nos discrimina, pois a quase totalidade das obras comercializadas advêm de campanhas de marketing muito bem cuidadas. Assim, não nos sobram chances: os best-sellers saem na frente, no meio e nos tomam quase toda a retaguarda.

Infelizmente, o noticiário tem muito o que falar da febre amarela; e as letras perdem para as vacinas.

12 comentários:

mgracapinto@hotmail.com disse...

é a vida poeta, infelismente a mídia brasileira só aprendeu a dar
destaque ao que eles acham legal e esquecem que tem muita gente com cérebvro além da hiocrisia
Parabéns pelo Lucas e pela crõnia de hoje

Madalena Barranco disse...

Olá Luiz, ah, se as letras fossem lembradas como merecem, não teríamos chegado ao caos da saúde e de vários setores no Brasil... Parabéns é pouco pela alegria que tenho em saber do sucesso do lançamento do seu livro em conjunto com o do seu filho (que graça de menino)! Espero um dia poder abraçá-los pessoalmente. Beijos aos dois escritores.

BETH disse...

Luiz

Mas o que importa a saúde ,senão para desvio de verbas e propaganda política?

Mas, o que importa a educação e as letras , se existe o disparo social e o não querer de um povo sábio e culto?

Binômio equivocado para "ELES": educação e saúde......sem comentários!!!!!!!!!

Parabéns ao filhote e a esposa...

Você ? Continua o mesmo POETAÇO,( termo que sei lá se existe, mas sei que não gosta!)cumprindo sua parte ,com todos os brasileiros: enfeitando nossos corações com a dignidade de seus comentários !

E ,onde está o blog do Lucas?

BETH disse...

Luiz

Mas o que importa a saúde ,senão para desvio de verbas e propaganda política?

Mas, o que importa a educação e as letras , se existe o disparo social e o não querer de um povo sábio e culto?

Binômio equivocado para "ELES": educação e saúde......sem comentários!!!!!!!!!

Parabéns ao filhote e a esposa...

Você ? Continua o mesmo POETAÇO,( termo que sei lá se existe, mas sei que não gosta!)cumprindo sua parte ,com todos os brasileiros: enfeitando nossos corações com a dignidade de seus comentários !

E ,onde está o blog do Lucas?

Amarilis disse...

VACINAÇÃO EM MASSA.....

Brasiiiiiiiiiiiil, acooooooooooordaaa!!!!!!!

Isso é só início de campanha política disfarçada.
...................................

Parabéns Poetas Luiz e Lucas!!! Sucesso sempre !!!

Saramar disse...

Luiz, meus parabéns pelo seu livro e, especialmente meus parabéns pelo filho escritor, confirmando aquela história de filho de peixe...
Infelizmente, não pude ir, o que lamentei demais porque queria ter o prazer de receber ambos os livros das mãos de seus autores.

Quanto ao "isolamento" do Distrito Federal", não se sustenta por um dia.
A imprensa brasileira, realmente, mais se parece com os políticos que com os leitores. Afronta nossa inteligência com falsa retórica (??) como se mosquito conhecesse fronteira geográfica que nem os homens conhecem. Tanto é falsa que o Aedes, nosso velho conhecido, agora cismou de morar na cidade. E onde ele chega, você sabe, o estrago é feio. Não respeita nem Niemeyer.
Goiás, certamente sairá muito prejudicado com a epidemia que o ministro nega de pés juntos (opa!!).
mais uma vez e tudo por absoluta falta de previsão e interesse dos que fingem nos governar.

beijos, parabéns pelo excelente texto.

Mara Narciso disse...

Como o nosso histórico de epidemias camufladas já é antigo, quando ressurge uma doença, todos, compreensivelmente, correm para a vacinação. O governo trata de esconder alguns números e aponta as causas e locais mais convenientes para a época. Evitemos o pânico, mas vamos exigir e vacinar todos ainda desprotegidos. Como não dá para colocar tela em volta de todas as cidades, vamos ler as mais belas poesias.

sylvinhoqueiroz.brothers disse...

meu brother poeta,
amarelamos de força e
envermelhamos de coragem para pensar,dizer e destacar o nosso cerrado socio/cultural e os forasteiros que os aproveitam.
parabéns pelo poetinha...Lucas,
que seja mais um para multiplicar
as nossas idéias esperançosas... e dignas...Brasileira....
abraços e beyyyjos musikkais
queirozísticos...quânticos

Maria José Lindgren Alves disse...

Maria José Lindgren Alves


Que coisa mais injusta esta implicância com Goiás!
Vamos protestar!
maria lindgren

Jorge Elias disse...

Olá Luiz,

Eis-me de volta para uma visita.
Quanto ao tema de sua crÔnica: não importa os holofotes da imprensa, façamos filhos leitores e escritores (sigamos o exemplo de do Luiz).
Que se acheguem os homens descentes!
Um abraço,

JEN

Soraya Vieira disse...

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Que fique aqui registrado, os meus parabéns a você – Lucas Leão – por suas primeiras letras prensadas, e a "seu pai" também, né?...rs...

Bem, Luiz "de quê", se olharmos por outro prisma... Orgulho em Dobro!

Espero que se tornem concorrentes e competidores! Só nós leitores teremos a ganhar.

Dois beijos!

Soraya

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sinva disse...

Querido poeta, bom dia! Hoje percorrí o seu blog e me senti melhor. Ainda bem que existem os poetas, é uma libertação da opressão cotidiana o contato com seus escritos. Grande beijo
sinvaline