Páginas

sexta-feira, junho 13, 2008

Impostos em excesso e respondabilidade em falta

CSS e estagiários

Seis meses depois da queda (dizem que histórica) da CPMF, lá vêm os deputados da situação com uma nova versão da malfadada contribuição. Contribuição, no jargão “governês”, quer dizer imposto que a União não divide com Estados e Municípios. Ou seja... já nasce malfadado. A CPMF foi criada por sugestão, no começo, do ministro Adib Jatene, da Saúde.

Pois bem! O ministro caiu. Ele nasceu para cientista, e não para ministro. E foi seu sucessor, menina-dos-olhos do chefão, quem herdou a gorda verba e tornou-se personagem coadjuvante (dizem) no escândalo das ambulâncias superfaturadas etc. e tal e coisa.

O resto da história todos sabemos. Corta! Cai o pano. Nova cena.

A proliferação das profissões de nível superior e das faculdades particulares é tão diversificada quanto o elevadíssimo volume de automóveis nas ruas das cidades. Vemos aí um sem-número de advogados e médicos (principalmente estes dois segmentos) a proclamar pela não abertura de novas faculdades e até mesmo pelo fechamento de algumas. Eles têm razão: estão zelando pela qualidade dos profissionais.

Curiosamente, os cursos de Direito não foram prejudicados quanto os demais na malfadada (de novo) reforma do ensino da Lei 5.692, há quase quarenta anos. Ninguém mexeu nas faculdades de Direito, nem nas academias militares. Anatole Ramos chamou atenção para isso. Disse ele: “Se essa reforma fosse boa, os militares começariam reformando suas academias; mas só querem reformar as civis”. Os nichos do Direito, ao que parece, não ofereciam preocupação aos militares; os de Direito sempre foram mais para a direita, dizia o bom-humor dos estudantes (apesar de tudo).

Saltemos para hoje, novamente. O que mais se vê por aí, nas empresas e instituições, são estagiários universitários em lugar de trabalhadores. Mão-de-obra barata, disfarçada em aprendizado que não acontece. Infelizmente, isso não se dá apenas em balcões de atendimento, não... A área de saúde está infestada deles, e, o que é triste, sem supervisão adequada. Não que os supervisores sejam displicentes, é que estes são também vítimas.

Numa clínica de tratamento de pessoas carentes, portadoras de necessidades especiais, ou seja, aleijados e deficientes físicos, auditivos e mentais, algumas estudantes atuam como “estagiárias”. Deveriam cuidar dessas pessoas (inclusive crianças) especiais, mas as tratam de modo tal que não se compara ao carinho que seus colegas da Veterinária oferecem a porcos, cabras e vacas.

Esse grupo de jovens estagiárias vem de importante estabelecimento de ensino universitário; e já se indispôs com uma colega porque esta, zelosa e interessada, estuda noutra escola, de menor renome que o das moças displicentes. O resultado é uma gama de hematomas, dentes quebrados, cortes em testas e cotovelos de seres humanos que não têm como se expressar sequer para denunciar os culpados.

A moça da escola menos colunável questionou com seu supervisor, que se mostrou um tanto impotente: seu antecessor foi demitido justamente porque denunciou à “famosa escola” o mau desempenho das alunas dondocas (sim: são filhas da classe A). E o atual supervisor tenta resolver problemas sem perder o emprego.

Imagino: em poucos meses, essas moças desinteressadas estarão em festa, de beca e capelo, entornando uísque e espumante na formatura. E nós, desavisados, vamos pagar caro por seus serviços mal-aprendidos.

Parece-me que o ministro Temporão espera os recursos da nova contribuição para erradicar essa gente. Ou estarei mais ingênuo do que me supõe a Leda(ê) Selma?

Ah, leitores... Enquanto nada se resolve, visitem meu blog: http://penapoesiaporluizdeaquino.blogspot.com e opinem. E, também, escrevam para a redação. Vamos tentar, é o que nos cabe.

4 comentários:

Mara Narciso disse...

É preciso que nos manifestemos sim, especialmente em prol da melhora do ensino e dos serviços prestados. Em todas as áreas há pessoas bem treinadas do ponto de vista teórico e também do ponto de vista prático.Em algumas áreas é permitido levar o dever para casa e estudar, mas em outras a resposta tem de ser imediata, como na saúde. Aí começam os problemas, por vezes graves. Numa emergência o curriculum de quem nos atende não aparece. Quando há incompetência vamos reclamar para quem? Falar ao bispo não resolve.

Thaís Veloso de Gusmão Santana disse...

Luiz,

Achei sensacional sua crônica desta semana, abordando estes dois temas vergonhosos do Brasil, Parabéns.
Beijos

Madalena Barranco disse...

Querido Luiz, mais uma vez seremos bitributados. A CMPF "caiu" e o IOF apareceu para valores menores a 1.000 reais. E agora, se a CPMF voltar, com certeza ninguém se lembrará de "corrigir" o IOF. Aqui em SP, até hoje pagamos a taxa de luz de rua bitributada, desde que a dona Marta Suplicy achou que tínhamos que pagar na conta de luz o que já pagávamos junto com o IPTU. Meu amigo, é revoltante e hoje estou brava com tudo isso. Cai uma taxa e aparece outra pior.
Beijos.

Paulo Rubem disse...

Caro Luiz
Parabéns, mais uma vez pela ótima Crônica, onde retrata a realidade do nosso país. O Temporão, apesar de nosso colega, Ex-aluno do CPII, não vai tomar nenhuma providência, pois faz parte do grupo que tem como prioridade a "doação de bolsas",
Um grande abraço.