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quarta-feira, março 18, 2009

Calçadas impróprias

Calçadas impróprias

Luiz de Aquino

 

Qualquer pessoa medianamente observadora sabe que, quando da construção de Goiânia, lá pelas décadas de 1930/40, as calçadas receberam, como pavimento ladrilhos hidráulicos em tom natural de cimento. Lá pela década de 70, a calçada do Banco do Estado de Goiás (hoje, do Banco Itaú) recebeu ladrinhos especiais, como é da praxe de comércio, mas ainda ladrilhos hidráulicos.

No final dos anos 80,  participei de reuniões, na Prefeitura, em que se discutia um novo caminho para as calçadas. Muitas delas já aparentavam grave desgaste, em boa parte causados pelas raízes dos flamboyants e mongubas.  Como é fácil de se deduzir, aquelas foram reuniões inócuas.

Foi justamente naquele final da década de 1980 que a Prefeitura abriu a Avenida Quinta Radial, mais a T-63, emendando-as com ruas de outros bairros além do Pedro Ludovico, do Bela Vista e do Bueno, criando a Nova Suíça e valorizando o Jardim América, e o Parque Anhanguera, aplicando-lhe um só nome – Avenida T-63. E, para compactar o solo que receberia pista dupla de asfalto, optou-se pelo mais fácil: as máquinas perambularam pelas ruas dos setores Bueno e Bela Vista, afundando seus pisos que, em seguida, foram também asfaltados, mas sem as galerias de esgoto pluvial.

Ao pavimentar as ruas transversais (e também as paralelas) à T-63, a Prefeitura escolheu aumentar a largura das calçadas, que então já mostravam graves desníveis entre a divisa dos terrenos e a linha do meio-fio. O resultado está aí, à mostra, há mais de vinte anos, sem qualquer providência satisfatória.

Ao inaugurar a T-63 renovada, a via até então chamada de Rua S-1 ganhou, também, pista dupla, como extensão da Avenida 85. E ganhou também o nome da avenida que vem desde o Setor Sul. Mas, agora, descobriu-se que o velho nome S-1 não foi corrigido para Avenida 85, tal como se fez com a T-63. E, para maior mal-estar, as calçadas do trecho da antiga S-1, especialmente o lado leste da avenida, também ostenta desníveis enormes no perfil das calçadas.

Esses passeios são impróprios para pessoas comuns. Imaginem, agora, deficientes físicos e visuais, idosos com limitações e bebês em carrinhos. Um arquiteto meu amigo diz que, em Goiânia, cuida-se muito do urbanismo e das obras, mas sem se levar em conta o acabamento da cidade.

Curiosamente, a própria Prefeitura, ao entregar ao público o Viaduto João Alves de Queiroz, cuidou de trocar o piso das calçadas próximas. Só que escolheu o piso errado, em pedras portuguesas, de perfil ruim (especialmente para quem usa salto alto, como as mulheres elegantes) e... sem corrigir o desnível!

Ao que parece, moradores e transeuntes (eta! Esta palavra eu busquei num arquivo antigo memória) da parte alta do Setor Bueno, bem como os do pequenino Setor Bela Vista não têm uma associação de moradores. E, parece-me ainda, também não têm um vereador sequer que os represente.

Terei prazer em convidar o prefeito Iris Rezende (ele e os que o antecederam, desde a segunda metade da década de 80) e seus auxiliares para um passeio a pé por esses bairros. Tenho certeza de que, em poucas horas, a quase totalidade deles, em sua condição de pedestres, procurarão ortopedistas e fisioterapeutas para repor suas colunas no devido lugar.

 

 

Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras. E-mail: poetaluizdeaquino@gmail.com.

Um comentário:

Hiago Rodrigues Reis de Queirós disse...

Olá Luiz... parabéns pelo blog...!

estarei sempre aqui, lendo e comentando!

Um forte abraço!