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sábado, abril 17, 2010

Tempo de ronqueira e banda-de-couro



Tempo de ronqueira e banda-de-couro






Manhã de sexta-feira, dia 16 de abril. Dia memorável, para mim, e contarei, já-já, o motivo (claro, todos sabem que, se o jornal circula no domingo, nossos textos são elaborados com antecedência). Em 16 de abril de 1994, sob a iniciativa de Maria Eunice de Pina e José Sizenando Jaime, fundava-se a Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música. E, enquanto festejávamos o feito, no restaurante da Quinta Santa Bárbara, morria em Goiânia o professor, jornalista e escritor Anatole Ramos.


A esses dois motivos de emoções díspares, somo agora um outro, novíssimo: A Festa do Divino Espírito Santo, em Pirenópolis, com suas inseparáveis Cavalhadas, são, oficialmente, desde a tarde deste 15 de abril, Patrimônio Cultural Imaterial. Abro mão das notícias de jornais e tevês, passo-lhes, aqui, o que informa um carioca amante de Pirenópolis, Felipe Berocan:

“Prezados amigos de Pirenópolis, foi com grande alegria que estive hoje no Palácio Capanema, no Centro do Rio de Janeiro, assistindo à histórica aprovação da Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis como Patrimônio Cultural Brasileiro pelo IPHAN - Ministério da Cultura, (ao lado de) Prefeito de Pirenópolis Nivaldo Mello, o Secretário de Cultura Gedson Oliveira, a coordenadora do IPHAN em Goiás Salma Saadi, a historiadora Ana Claudia Lima e Alves, responsável pelo parecer técnico do IPHAN, o geólogo Tadeu Veiga. Segue o link com essa excelente notícia! http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?id=15055&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia”.



Confesso: senti uma breve dor-de-cotovelo. Gostaria muito de estar lá, também, ouvindo a notícia de viva voz. Certamente, esta crônica seria mais emocionada. Mas, enfim, satisfaçam-se, queridos leitores, com as minhas limitações. Sei apenas que, desde o momento em que vi a entrevista de Salma Saddi na televisão, na última quarta-feira, falando da expectativa e do otimismo na espera, voltei-me aos velhos papéis que ainda me restam e aos arquivos de computador, curtindo fotografias que, por si, valem mais que essa hora e meia de voo até o Rio de Janeiro. É que, indo lá, faço a viagem no espaço; vendo fotos, faço-a no tempo. E estes dias são para viajar no tempo.


Reli velhos textos, também. Como uma crônica quase que pioneira, que pincei nos microfilmes de O Popular, sob o título “Tem Maromba, ronqueira e banda-de-couro”, marcas fortes na Festa do Divino. Maromba é um grupo de jovens de todas as idades, hoje, e seu nome

se aplica tanto a um time de futebol quanto a um grupo de mascarados que atuam com muita alegria e presença em torno das Cavalhadas. Ronqueira é o nome que damos, em Pirenópolis, aos fogos de tiro forte e seco, indispensáveis nas grandes festas da vetusta Meia-Ponte do Rosário. E a banda-de-couro, também chamada de “banda dos meninos” (pela predominância de garotos e adolescentes) faz a marcação rítmica nas procissões da Alvorada (gosto de me lembrar da vez em que, lá por 1974 ou 75, atrapalhei, sem querer, o retorno da procissão à Igreja... Ah, isso é tema de outra crônica, que já escrevi e que integra o meu livro “Meia-Ponte do Rosário, Pirenópolis”, lançado em outubro de 2009, quando fui honrado com o título de Cidadão Pirenopolino.


Vou resumir, que o espaço é democrático e, por isso mesmo, curto. No meu coração meia-pontense reúno agora amigos de muita festança e com os quais ainda privo grandes momentos: Luiz Antônio Godinho, Manoel Inácio (Eli de Sá), Altamir Mendonça, Taciano, Vera Siqueira, Edinho de Nhonô, Nivaldo Melo, Nazian, Edinho de Tovim, Marina de Pina, Tovico, Gedson, Fatinha de Maria Beni, Roque Pereira, Sandra de Décio, Ita Pereira, Mirim, Fernando e Lílian e Solange, meu pai (Israel), os tios vivos e os que deixaram saudades, como meu avô Luiz, Professor Gomes Filho, Bidoro, Tia Rute... Gente demais!

Quero abraçar todos eles e mais a vila-boense Salma Saddi, grande vitoriosa nesse empenho. Agora, lutemos para que a Procissão do Fogaréu, na antiga Capital, também receba esse título. Seus méritos são inegáveis!


Luiz de Aquino é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras. E-mail: poetaluizdeaquino@gmail.com

12 comentários:

LiLa BoNi disse...

Gosto de passar p ver tuas novidades...me encanta!!!
Beijos e bom final de semana!!!!

Salma Saddi disse...

Prezado Luiz de Aquino,

Acabo de retornar do RJ , fiquei feliz com sua mensagem, a vitória é de todos nós.
Vamos nos encontrar em Pirenópolis para comemorar. Quanto ao Fogaréu vc pode ajudar muito, aguardo sua visita.

Abraços da,

Salma Saddi

Luiz Antônio Godinho disse...

Parabéns pela Crônica, quero ver se outros que se dizem Pirenopolinos fazem o que você fez.

Ridamar Batista disse...

Parabéns, Luiz de Aquino, pela bela crônica.
Parabéns a todos nós, pirenopolinos de coração e de nascimento.
Aquela cidade é mesmo muito mágica. Tudo ali acontece.
Outro abraço para o dia de hoje.
Rida

Gedson Oliveira, Sec. Mun. de Cultura, Pirenópolis disse...

Parabéns pela Crônica Luiz.
Viva o Divino Espírito Santo!
Gedson

Mara Narciso disse...

Valorizar a tradição reconhecendo-a como importante é caminho para sua ampliação e permanência. A julgar pelas belas fotos, que me fizeram apaixonar por ela, Pirenópolis merece tudo e muito mais.

Luiz Delfino de Bittencout Miranda disse...

Meu caro poeta,

Voce absorve com propriedade a essência da vida e da história - separa-se, aqui, vida e história para uma questão de expressar-se - com propriedade impar.

Se sentiu uma "ponta de inveja" em não estar no Rio de Janeiro saiba que eu sinto todas as inveja do mundo em não poder estar em Pirenópolis para respirar do mesmo ar deste amado povo.

Forte abraço

Luiz Delfino

Leda(ê) Selma disse...

E sua crônica festejativa merece parabéns! Que grande conquista, hem, Luiz? Beijocas. Lêda

ELIA disse...

Gosto sempre do que escreve e muito me emociona o que escreveu nesta crônica pois sei um pouco do seu amor por Pirenópolis...Também me senti orgulhosa demais.
Beijo pai
Élia Maria de Aquino

Marluzis disse...

Parabéns Pirenópolis!
Parabéns IPHAN por decisão tão acertada!
Parabéns Brasil!

Heloisa Campos disse...

Luiz de Aquino, que bom ouví-lo e rever amigos.
Acho que a minha terra já anda me chamando.
Abraço, Heloisa

Felipe B. Veiga disse...

Prezado Luiz de Aquino, agradeço a citação de minha breve notícia em seu blog sobre a aprovação pelo IPHAN do registro Festa do Divino como patrimônio cultural brasileiro. Só lhe peço um pequeno reparo em seu texto: embora more no Rio, sou goiano: questão de identidade. Grande abraço, Felipe.