Fotos por Adriano Curado, Regina Jardim,
Renata Pina e Luiz de Aquino
Festa Literária de Pirenópolis – a Flipiri
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Luiz de Aquino com Elisa Lucinda |
De repente, a cidade se veste de letras. E, obviamente, os sinais mais fortes acontecem nas escolas da cidade e dos povoados. Inúmeros escritores misturam-se aos professores de cada dia, envolvem-se de alunos – todos pequeninos – curiosos e capazes de entender o que se lê, o que se fala, o que se encena. É a Festa Literária de Pirenópolis, que, este ano, marcou sua terceira ocorrência.
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Iris Borges, escritora e curadora. |
Iris Borges, poetisa e agente literária, idealizou e organiza essas feiras. É ela a curadora desse evento, bem como presidente do Instituto Casa de Autores. Gosto do modelo: a festa é das letras, dos livros como produto de ficção e poesia, é de pequenos estudantes, é dos autores. Nesta festa, a evidência fica para a relação autor-leitor-professor-estudante. Assim, o comércio de livros é exercido, sim, mas não é a ênfase, como acontece nas feiras de livros. Este meu registro tem justificativa: nas vendas de livros, os autores significam apenas 10% do custo de capa, enquanto os livreiros – fabricantes e comerciantes – equivalem aos demais 90%. Há que se considerar os encargos; mascara-se o custo dos livros com a “isenção de impostos”, mas o comércio não se mantém sem custos altos – como aluguéis (nos xópins, por exemplo, esses custos são exorbitantes) e encargos sociais nas folhas de pagamentos dos empregados, para ser sucinto.
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Valéria Perillo, primeira-dama |
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Governador Marconi Perillo |
Voltando às letras, quero contar do bom. A III Flipiri estreou com um café da manhã na Sala Dona Gercina (Palácio das Esmeraldas), oferecido pelo casal Valéria e Marconi Perillo. As duas edições anteriores não receberam do governo estadual sequer um apoio de formalidade, como é da práxis política, muito menos recursos materiais. Agora, com o casal pirenopolino no Governo do Estado, temos a certeza de que Pirenópolis retorna a Goiás.
Gilberto e José Mendonça Teles, irmãos e poetas. |
O grupo liderado por Iris Borges é sediado no Distrito Federal, daí a forte afluência de escritores residentes na Capital da República; no ano passado, incluíram-me na programação, e coube-me convidar escritores de Goiás para o evento. O pouco tempo fez com que eu tentasse envolver os membros da Academia Goiana de Letras e uns poucos outros companheiros, e inscrevemo-nos para um painel integrado (Maria do Rosário Cassimiro, Fátima Lima, Leda Selma e Guga Valente, além de mim; e lá, envolvemos também José Mendonça Teles, Brasigóis Felício e Elder Rocha Lima).
Elder Rocha Lima e Luiz de Aquino |
Este ano, por iniciativa de personalidade alheia ao trabalho de programação e ajuntamento de autores, quase fiquei de fora. Mas a delicadeza dos organizadores envolveu-me e a outros goianos, como os irmãos Gilberto e José Mendonça Teles, Elder Rocha Lima, Adriano Curado, Renata Normanha, Eliane Lage, Heitor Rosa, Ita Pereira, Lúcia Mendonça de Andrade, Marieta Sousa e muitos outros.
No programa, Café com Poesia e Café com Prosa – eventos realizados no ambiente acolhedor que foi morada do diplomata e escritor Isócrates de Oliveira, marcaram–se pelo intercâmbio feliz entre escribas moradores de Goiás e Distrito Federal. No primeiro, as apresentações pessoais e a leitura de poemas de cada um; no segundo, a alegria de ouvir a voz do contista José J. Veiga, falecido em 1999, na leitura de dois de seus maravilhosos contos.
Ênfase para a professora Marina Pina, que discorreu sobre a personalidade do autor de Sombra de Reis Barbudos na intimidade das ruas tortas da velha cidade, das serenatas e da alegria do contista. Coube-me contar dos esforços, ao longo de oito anos, até conseguir instalar o acervo literário de José Veiga na Biblioteca Central do SESC, em Goiânia.
Além disso, vale registrar os saraus de recitação, com poetas vários. E dois momentos também elevados, como a apresentação da poetisa, cantora e atriz Elisa Lucinda e o xou de Maria Eugênia e Pádua, produzido por Cláudia Mendonça, com a banda dirigida por Luiz Chaffin.
Marilda Bezerra e João Bosco B. Bonfim |
O patrocínio foi da Petrobrás, do BNDES, da Oi, da Caixa Econômica e do Governo do Estado de Goiás. Apoio da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música. O público: cinco mil alunos, de vinte e duas escolas públicas do Estado e do Município, e cerca de dez mil pessoas, visitantes e em audiência dos espetáculos, que tiveram a produção cultural de Marilda Bezerra (com o estimado apoio direto do poeta João Bosco Bezerra Bonfim).
Ah! Momento alto, também, para enfeitar uma tarde... A revoada de pipas, com a meninada ensinando poetas adultos a levitar seus poemas... Era o voo dos versos, ponteando de cores o azul límpido do céu de outono, alegrando o cenário do velho casario e das margens verdes do Rio das Almas.
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Luiz de Aquino, escritor e jornalista.
3 comentários:
Que maravilha de acontecimento.Esse evento podia se dar em todas as cidades de goiás, incentivando assim, crianças e jovens ao uso adquado dos livros e o gosto pela leitura. Parabens à poetisa Iris Borges pela inicitiva que contribui de maneira significativa para o crescimento cultural daqueles que serão o futuro do Brasil.
Bonita festa!!!!
Saudade sem nunca ter ido em Pirenópolis. Tudo por culpa sua, Luiz. Agora esta festa literária para nos fazer inveja. Como foi grande, abrangente e sucesso total, e mais ainda, com a sua queixa, ninguém vai esquecê-lo daqui pra frente. Gostei especialmente da frase "temos a certeza de que Pirenópolis retorna a Goiás" e da presença da poetisa Elisa Lucinda lendo o seu magnífico livro de poemas "As uvas, seus mamilos tenros". Na próxima, me chama que eu vou.
PS: Mudei de ideia, e agora acho que as academias de letras promovem as letras e as pessoas, e não apenas as pessoas. Amanhã tomo posse na Academia Feminina de Letras de Montes Claros. Tenho de dar o braço a torcer. Estou contente por isso e não é por vaidade não.
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