Rir para não
sofrer
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Carmo Bernardes |
Carmo Bernardes,
escritor goiano nascido em Patos de Minas (MG), autor de vários livros e
crônicas em que o falar roceiro ganhava a nobre vestimenta das letras de
imprensa, enfatizava que era perfeitamente possível falar e escrever todo
aquele vocabulário regional sem erros de Português (indispensável, aqui, a
maiúscula). Ele era, no meu círculo de amigos, um dos mais notáveis
intelectuais, por sua linha de trabalho e coerência entre o pensar, escrever,
falar e agir. Recordo-o sempre que vejo (e ouço) os ferimentos causados na
derme da língua justamente pelos que têm o dever de tratá-la com zelo.
Não estou só. Nos canais da Internet, por telefone e
nos encontros pessoais recebi variados comentários sobre a crônica de domingo
passado - Moda, gíria e mau gosto
(está no meu blog: http://penapoesiaporluizdeaquino.blogspot.com/).
Eis alguns comentários, dentre os que recebi por escrito:
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Rogério Lucas |
“Com toda sua verve a serviço do falar (e escrever
mais ainda) bem, sem deixar de acompanhar o pulsar dos tempos. Irretocável,
exceto no que diz respeito a uma crítica mais ácida a este acordo ortográfico
Houaiss (com um nome destes, muito se explica) que, me parece, tem sido
solenemente ignorado pelos lusos, cheio de excepcionalidades incompreensíveis
para nós brasileiros, e que em nada contribui em seu propósito original, de
unificar duas línguas que, ao contrário, tendem cada vez mais se distanciar
pela diferenças culturais e pelo cotidiano (ou quotidiano?)”. De Rogério Lucas,
jornalista, de Goiânia.
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Madalena Barranco |
A escritora Madalena Barranco, de São Paulo, foi
objetiva: “Bom domingo!!
Então, eu também acredito que o idioma deve ser bem
cuidado, pois é nossa melhor fonte de expressão humana, contudo, não é necessário
alterar tanto assim a ortografia, com algo que não acrescenta nada”.
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Mara Narciso |
Também escritora, médica e jornalista, Mara
Narciso, de Montes Claros, MG, dá o diagnóstico: “Quando se usa demais a mesma
palavra, alguma coisa está errada. É preciso diversificar, fugir do óbvio e das
frases adivinhadas. Velhas palavras com novos sentidos, quando pegam demais,
melhor esquecer. Também não gosto desses modismos e encontro dificuldade em
escrever as palavras com hífen e sem ele, pois algumas o adquiriram, como micro-ondas
que não tinha e passou a ter. Outras palavras o perderam”.
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Osair Manassan |
Irônico e brincalhão, Osair de
Sousa Manassan (homem de letras e artes visuais, de Goiânia), foi
lacônico: “Excelente, Luiz!
Uma crônica com foco, enquadramento e belas cores”.
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Guga Valente |
Professor de Literatura, o goianiense Guga
Valente divertiu-se: “O Luiz tem ainda esse apreço pela linguagem elegante.
Gosto de uma língua bem construída e insisto na busca incauta de escrever o
não-óbvio. Mas, como sabemos, se só escrevermos ou falarmos como gostamos, tem
gente que não vai nos entender; tem gente que vai achar pobre; tem gente que
não vai achar nada – é o caso da maioria, penso.
No site da revista de
divulgação científica Ciência Hoje deste mês, a gente encontra um artigo do
professor Sírio Possenti sobre o mesmo assunto
(http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/palavreado/lingua-e-sociedade).
Mas
Luiz, tipo assim, será que no meu comentário eu perdi o foco, a nível de
entendimento?”.
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Klaudiane Rodovalho |
De Klaudiane
Rodovalho, professora da rede pública estadual, em Goiânia: “Li e adorei!
Terminei a leitura
rindo da situação...
Fico indignada com termos utilizados nas vitrines – off é
o fim! Por que não arrumam um termo nacional? – Lembrei-me de uma situação que
vivenciei por não usar o termo Xerox e sim cópia. Fui corrigida de imediato,
"quer dizer Xerox, né". Respondi que Xerox era a marca da máquina que
copia, e que o correto era cópia mesmo.
Detesto o termo foco, até em reuniões
as pessoas têm que falar "foco gente, foco!". Ultimamente tenho
ouvido muito a expressão "Obrigado eu", dito de modo solene”.
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Virgínia Soraggi |
Virgínia Soraggi, professora na UEG: “Do jeito que as coisas andam vamos acabar
nos comunicando com sinais de fumaça.
Ontem vi uma placa: Escola - meio períldo”.
Pois é, então? Em
algumas escolas públicas, encontrei a palavra “Municipal” abreviada “Mul” –
isso já dura alguns anos.
* * *
6 comentários:
Caro Poeta! Nota 10! Estou tão insegura Com a mudança que tenho medo de dizer tudo que penso e errar...Adorei! Belíssimo texto, Parabéns! Seu blog sempre maravilhoso.Ireci Maria.
Quando lemos nos apropriamos dos pensamentos alheios e isso é um ganho para nós. Quando escrevemos nos expomos, mas não nos importamos com isso. Essa troca propiciada com maior agilidade pela internet pode elevar a discussão, como foi o caso. Obrigada pela citação do meu nome.
Carmo Bernardes, deixou saudades não só por seu trabalho, mas, acima de tudo, pela pessoa encantadora. Um mineiro que virou goiano. Articulista de primeira. Escritor dos bons...Parabens Aquino, pela crônica.
Ter apreço e lutar por uma língua elegante, correta, bem escrita e falada é mesmo para quem tem consciência nos caminhos obscuros pelos quais andam a nossa última Flor do Lácio. Adorei a crônica!
Lu,
Li, viajei, fui e voltei, vi tanta coisa boa com suas crônicas. Li esta última, depois a penúltima e as duas outras logo
atrás. Foi tão bom! Diverti-me e recebi ótimas informações.
Obrigada, querido Luiz.
Bjs.
Maria Helena
Luiz, concordo com essa mulherada linda que você põe no seu blog. Gilberto
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