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Eu, feliz, entre professoras e estudantes no Colégio Mauro Borges |
Com estudantes, em Nerópolis
Costumo dizer às pessoas, especialmente às que
se deprimem por “perder” um projeto na vida, que os sonhos, quando não se
realizam, devem ser substituídos. Conformismo? Não: condicionamento pela
sobrevivência. O importante é escapar da depressão e dos seus efeitos.
Como toda criança, sonhei com a vida adulta, fiz
planos de família e, sobretudo, de profissão. As crianças sabem, sem que alguém
lhes ensinem, que é muito importante ser feliz com o trabalho. Era assim, ao
menos – hoje, os sonhos dominantes entre os pequeninos é a “corrida para o
abraço” após o gol, ou os aplausos da platéia quando do desfile. E há as
variantes: ser atriz ou ator, ganhar medalha nas Olimpíadas, disputar votos
para ganhar um lugar no céu, em Brasília, ou nos palácios regionais.
Eu sonhei diferente. Queria ser professor. Quis, tentei, fui. E quando
muito pouco faltava para eu ter o diploma, algumas gestões de ciúme e delação
tiraram-me das salas de aulas. Havia a perseguição sistemática e, em sua
esteira, a ameaça de prisão, e prisão sugeria tortura, humilhação, ostracismo.
Fui obrigado a mudar o sonho. Elegi o que me vinha logo em seguida – ser
jornalista. E sem sonhar com isso, fiz-me escritor de livros muitos anos depois
dos primeiros versos, das primeirinhas historinhas inventadas. O primeiro livro chegou tardio, aos 33 anos. Mas
a escrita, para mim, era prática de duas décadas.
O jornalismo foi o modo da sobrevivência; a
escrita, o do prazer. Então, ainda que distante das escolas, achei uma fórmula
feliz de trabalho. E o ofício dos livros, inevitavelmente, encaminhou-me de
volta às salas de aulas. E o prazer de estar com jovens estudantes é enorme! A
adolescência, penso eu, é o momento da vida em que mais processamos o
aprendizado; na infância, assimilamos; na adolescência, processamos; quando
adultos, aplicamos.
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Mauro Borges Teixeira, patrono do Colégio |
Há poucos dias, tive esse prazer de modo
redobrado. A escola, em si, já me seria acolhedora pelo seu patrono: Colégio
Estadual Mauro Borges (em Nerópolis). Mauro Borges governava o Estado em 1963,
quando voltei do Rio de Janeiro (aonde fui para poder estudar o Ginasial). Eu
estava na Avenida Goiás quando os aviões da FAB ameaçavam Goiânia com toneladas
de bombas caso o jovem governador não entregasse o cargo; naquele dia, Dona
Josefina, sua avó materna, faleceu sob o som das esquadrilhas.
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Com Fernanda Carine, diretora do Colégio Mauro Borges |
Nos primeiros anos deste novo século, ajudei-o
como editor, quando da publicação do seu livro de memória – Tempos Idos e
Vividos, Minhas Experiências. Esse convívio foi, também, o cumprimento de um
sonho; teria gostado de trabalhar com ele – pensei sempre – e tive esse
privilégio. Naquela manhã uns dias atrás, revivi, de certa forma, esse
convívio, ao ser entrevistado pelos estudantes do 9º Ano, Turma A (Ana Paula,
Tatiane, Vitor, Helena, Carlos Antônio, Hugo, Bárbara, Maria Eduarda, Fernanda,
Everaldo, Daniel, Hygor, Luana, Lucas, Carlos Eduardo, Wânia, Alisson, Edmilson
e Edna). Ouvi perguntas inteligentes e desafiadoras, com a coragem que poucos
repórteres demonstram, mas sustentadas por posturas respeitosas, dignas –
coisas de estudantes que querem, mesmo, apre(e)nder alguma coisa... E que sabem
que é bom buscar com os mais velhos.
Estive lá a convite da professora e mestre
Allyne Pimenta; fui recebido pela diretora Fernanda Caroline e também pela
professora Fernanda Farias. Respondi ao que me perguntaram (Júnior Cotonete,
meu amigo cinegrafista, documentou tudo; e a cada pergunta, sorria, gozador:
“Ih, Luiz, eles estão te apertando mesmo!). O encontro durou cerca de uma hora
– acho que ficaríamos por outras horas,
se possível nos fosse – e culminou com um saboroso lanche. Prometi
voltar em agosto; espero que me recebam outra vez.
* * *
7 comentários:
Nossa.Amei a crônica...Não tenho nem palavras pra descrever o quanto estou feliz pelo Colégio Mauro Borges,muito obrigado e felicidades para o Senhor.
Contamos com sua presença em agosto.
Bárbara.
Poeta Luiz De Aquino,
A iniciativa da escola Mauro Borges ,de convidar um professor escritor para falar aos seus alunos, é sem sombra de dúvida, uma ação de respeito e compromisso para com eles. É uma prática na qual sempre acreditei; ouvir a experiência de uma pessoa,que tem na bagagem de vida, o conteúdo que o senhor acumulou com sua profissão de professor ,de jornalista e de grande escriba,é uma oportunidade rara ,que irá enriquecer e aguçar esses jovens que estão por decidir seu futuro.Parabéns à escola,parabéns ao senhor por disponibilizar seu tempo em prol de tão bela causa!
Pelas fotos e pelo texto leve e saboroso, vejo que o encontro foi uma delícia. Você parece remoçado, elegante. O convívio com os jovens dá energia extra para vencer o dia. Parabéns!
Muito interessante!
Mais interessante ainda.
Obrigada,Luiz, por nos proporcionar tamanha alegria e conhecimento.
Sua presença em nossa escola, renovou os nossos, talvez, já casados, espíritos em relação à educação e como fazê-la diferente e atraente. Você nos deu a oportunidade de sonhar, planejar, e ver tudo se realizar. Vi, nos olhos de nossos alunos, o brilho de saberem que estavam fazendo parte de tão famosa "cidadania". Você e sua grandiosa humanidade em demonstrar mais uma vez , à sua maneira, que "popularizar" não é , de forma alguma, tornar-se menor. Saiba que você cresceu muito mais no coração de pessoas simples, porém que amam verdadeiramente o que estão fazendo. E quem melhor que o "poeta do amor" para entender sobre amor... não é mesmo?
Obrigada, infinitamente, por este momento que, com toda minha certeza, será eterno.
Professora Allyne Pimenta
Obrigada,Luiz, por nos proporcionar tamanha alegria e conhecimento.
Sua presença em nossa escola renovou os nossos, talvez, já casados, espíritos em relação à educação e como fazê-la diferente e atraente. Você nos deu a oportunidade de sonhar, planejar, e ver tudo se realizar. Vi, nos olhos de nossos alunos, o brilho de saberem que estavam fazendo parte de tão famosa "cidadania". Você e sua grandiosa humanidade em demonstrar mais uma vez , à sua maneira, que "popularizar" não é , de forma alguma, tornar-se menor. Saiba que você cresceu muito mais no coração de pessoas simples, porém que amam verdadeiramente o que estão fazendo. E quem melhor que o "poeta do amor" para entender sobre amor... não é mesmo?
Obrigada, infinitamente, por este momento que, com toda minha certeza, será eterno.
Professora Allyne Pimenta
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