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quarta-feira, julho 04, 2012

Preocupações sobre quase nada


Preocupações sobre quase nada


Gosto de ver a Prefeitura de Goiânia cuidando de instituir, cidade afora, calçadas ajardinadas, ornadas de caramanchões aprazíveis (modernamente, o romântico caramanchão é chamado de gazebo).  Nesta fase pós flores – inaugurada por Nion Albernaz e sequenciada por Darci Accorsi e Pedro Wilson e, lamentavelmente, esquecida por Iris – é possível sonharmos com o retorno das cores em flores de petúnias, gerânios, azaleias e outras espécies que tornam nossa vida mais bonita. É voltarmos à década de 1970, quando dizíamos que, em Goiânia, a Primavera tem 12 meses.

Gosto de falar de flores e suas rimas. Gosto de música que incita a felicidade, o raciocínio, o bem-estar íntimo. Música que dá fundo aos sentimentos, aberça o amor e enriquece o sonho. Música que oferece às multidões um sentimento de alegria e paz, que nos dá energia para demonstrar que gostamos de viver e,  por isso, não tememos enfrentar dissabores para que, em breve, tenhamos essa decantada paz social.

Gosto de pássaros e bichinhos domésticos – só não os quero em meu espaço de morada; cada um em seu mini-habitat, com direito ao espaço corporal, território demarcado e confortável. Não gosto de pisar em cocô de cachorro nas calçadas públicas, muito menos de colher pelos de gato em sofás visitados. Não gosto de ver pássaros presos, pois sua gaiola verdadeira são os galhos das árvores de frutos e o amplo céu de anil ou nuvens.

Gosto de xópins – esse aglomerado de gente fora de casa, essas cavernas imortalizadas em título e tema de romance de José Saramago, esse território comunitário que sucede, em milênios, a ágora grega e, em décadas, as seculares feiras ao ar livre que marcaram ruas do Oriente Médio, os cais mediterrâneos e toda a Europa, além das urbes nordestinas nacionais. Não gosto de ver, num grande centro comercial de Goiânia, no subsolo que abriga centenas de automóveis e retém no ar a fuligem dos escapamentos, uma loja de cães onde madames falsamente amantes dos animais legitimam o comércio que estressa filhotes de raças e, talvez, pedigree. Cadê, a esta altura da vida (e àquela profundidade do subsolo), a vigilância sanitária e as sociedades de amparo aos animais?

Gosto dos canteiros centrais da Avenida Goiás e das calçadas remodeladas dos bairros mais novos; gosto da beleza urbana da Goiás Norte (aquela avenida carece de nome próprio; nada tem a ver com a já histórica Avenida Goiás; ou as avenidas 84, 90, Primeira Radial e Terceira Radial hão de chamar-se Goiás Sul). Gosto dos gazebos (continuo preferindo caramanchões) dessas novas calçadas e praças. Não gosto dos desníveis criminosos que marcam as calçadas de bairros como Bela Vista, Bueno e Nova Suíça, nas cercanias da Avenida T-63, onde as pessoas com dificuldades de locomoção (os que detém deficiências nas pernas e pés, os cadeirantes, os cegos, os velhos e outros igualmente limitados) não conseguem deslocar-se e recorrem à dita “faixa de rolamento”(o asfalto).

Gosto de sentir esperança. Gosto de pensar que tudo isso está nos planos da Prefeitura e que a Câmara Municipal – talvez na próxima Legislatura – atente para o seu papel fiscalizador e cuide de normalizar o que já é preconizado em Lei. Gosto de acreditar que, como ouvi do prefeito Paulo Garcia, a Municipalidade ocupa-se, também, dos resgates históricos, do respeito aos vultos que enriquecem nosso passado e de garantir à História do futuro o alcance aos tempos de agora.

Amém!

* * *



9 comentários:

Clara Dawn disse...

... coisa linda. Quando um poeta escreve, até os personagens políticos são vistos como Quixotes fora do tempo. E daí parece-me que viver nesta cidade é coisa de gente privilegiada. Bravo, poeta!

Amaury Menezes disse...

Bravos meu amigo poeta.
Você falou de tudo que todos que amam Goiânia gostam.Esta cidade é assim porque teve gente que merece ser imortalizada. Gente como Pedro e Venerando.
Amaury

Papepi disse...

Amigo Poeta.
Sei do seu amor pela sua terra natal, entretanto, ao usar sua "pena", esse sentimento fica muito mais explícito, tornando o texto perfeito. Meu abraço pirinopolitano amigo.
Paulo

Papepi disse...

Amigo Poeta.
Sei do seu amor pela sua terra natal, entretanto, ao usar sua "pena", esse sentimento fica muito mais explícito, tornando o texto perfeito. Meu abraço pirinopolitano amigo.
Paulo

Adriano César Curado disse...

Parabéns pela singular postagem, caro escritor. Ver a cidade assim bonita e cheia de vida é um privilégio. Você bem soube abordar com poesia esse passeio virtual por Goiânia.

Particularmente, não gosto de shopping center e nem de aglomerações, mas eu sou um "bicho" rural que não se acostuma com a cidade grande. Você é diferente, urbano, e por isso sabe compor poesia onde outros só veem concreto.

Mara Narciso disse...

Prosa poética inspiradora, gostosa e, por que não dizer, energizadora? Vejo que os bons tempos voltaram e com eles a sua alegria de viver. Bom ver que a primavera de 12 meses o faz novamente feliz, Luiz.

Eliana Leal Matos disse...

acho que esta cronica serve para quase todos municipios do Brasil, principalmente nestes tempos de eleição abs.

Eliana Leal Matos disse...

O TEXTO SERVE PARA QUASE TODOS OS MUNICIPIOS DESTE BRASIL, PRINCIPALMENTE NESTES TEMPOS DE ELEIÇÃO, ABS

Mirian da Silva Cavalcanti disse...

que beleza, Luiz! sempre que leio tuas crônicas me sinto íntima de Goiânia, passeante dessas calçadas, vivente dessas histórias. Abraços! Mirian