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sexta-feira, abril 19, 2013

É festa!


É festa!


E já começou. Logo após a Missa de Sétimo Dia pelo passamento de Mauro Borges – e ainda que ele fosse pouco lembrado como membro da Academia Goiana de Letras – aconteceu o primeiro telefonema. Jefferson Bueno ligou, conversamos longamente, eu já o conhecia de nome e de uns raros encontros em que não lhe despertei qualquer interesse – ainda que, de certa forma, fôssemos colegas de trabalho sob a sigla do Banco do Estado de Goiás.

Passaram-se outros dias e recebi o segundo telefonema – dessa feita, de uma escritora com quem troco ideias e conceitos acerca das letras e ainda muitas considerações sobre nosso ofício comum; amiga, pois. Outros mais se movimentam, mas não chegaram a mim; soube, por exemplo, que um famoso publicitário, autor de livros publicados em outro âmbito, procura também se fazer notado entre os 39 eleitores, membros efetivos da AGL.

As pessoas ainda não se manifestaram de pronto, até porque a Academia ainda marcará a data da Sessão da Saudade, quando um de seus membros discursará em homenagem ao confrade falecido. Certamente, serão exaltados as qualidades e os feitos do pranteado ex-governador e, ao término, o presidente da entidade, o acadêmico Getúlio Targino Lima, declarará aberta a vaga e anunciará o período de inscrições de candidatos.

Oficialmente, é nesse momento que começam as campanhas – os contatos indispensáveis, por norma e tradição, com visitas aos votantes e muitos telefonemas, e-mails e outras formas de que se valerão os pleiteantes.

Ainda assim, crescem – à boca miúda, ou talvez nem tanto – as referências ao professor Nasr Chaul – historiador, compositor (letrista) e gestor cultural. Talvez o próprio sequer tenha se manifestado, ainda. Nos contatos com os acadêmicos, senti que há essa predisposição em tê-lo entre os imortais goianos, mas é preciso que ele próprio se interesse, e isso se demonstra não apenas nos contatos com os eleitores, mas inevitavelmente com a formalização da candidatura.
As exigências são claras e simples: o candidato precisa ser autor de livros (quero lembrar que livro tem definição legal: além da forma, sobejamente conhecida, há de ter 50 ou mais páginas, dispor de ficha catalográfica e o indispensável ISBN – um registro que se obtém na Biblioteca Nacional; esclareço isso porque já ouve casos de se eleger, na própria AGL, autores que não atendiam a tal exigência, e o senador Fernando Collor foi eleito na Academia de Letras de Alagoas sem ter, ainda, publicado seu livro, que, segundo se contou à época, estava no prelo).

No caso específico da AGL, o pretendente há de ser goiano nato ou ter vivido no mínimo cinco anos em Goiás (o estado). E, obviamente, há que se juntar cópias de documentos pessoais e comprovante de residência. A eleição se dá em data marcada pela presidência e anunciada nos jornais locais e há que se levar em conta o “quorum” mínimo para instalação da sessão eleitoral; o eleito terá de atingir uma quota mínima de votos e há uma variante na hipótese de candidatura única ou com a competição entre dois ou mais candidatos.

Eu, particularmente, aguardo a manifestação de alguns escritores que, noutras ocasiões, demonstraram-se interessados em integrar a Academia Goiana. Terei, é certo, dificuldade caso eles se candidatem, pois já lhes manifestei, antes, minha preferência – mas na hipótese de haver dois dos meus preferidos candidatando-se, terei de escolher entre um deles, situações a quem já me expus, por exemplo, quando da disputa entre Delermando e Adelice e eu já havia declarado meu voto à romancista, quando o poeta enfim decidiu-se.

Uma coisa é certa: quando eu definir o voto e declará-lo previamente, essa escolha é a que consagrarei na urna (que no nosso caso não é uma urna, mas dois chapéus em que colocamos a cédula – o primeiro, de Zoroastro Artiga e o segundo, de Altamiro de Moura Pacheco). Fixei este procedimento no dia em que fui eleito, pois, dentre os que compareceram para votar, eu contava com tantos votos, mas o resultado mostrou-me que três deles mudaram sua escolha à última hora.


* * *

3 comentários:

Mara Narciso disse...

Estou achando muito interessantes os seus relatos sobre a eleição, porque traz para perto do povo algo até então misterioso e longinquo. Estou vibrando. Viu como as coisas podem mudar? E em pouco tempo.

Ireci Mariah Fernandes disse...

Bom dia, Poeta Luiz. Eu não sabia os requisitos para ser candidato a membro da Academia. Então breve teremos eleição.Muito bom o seu esclarecimento.Belíssimo texto.

Adriano César Curado disse...

Torço apenas para que o eleito para a vaga de Mauro Borges na AGL seja um lavrador da literatura. Não me convence ser um membro de tão importante entidade, por exemplo, autores de livros científicos ou didáticos. Literato, para mim, é o romancista, o poeta, o contista etc.