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Em 1979, o ano da Anistia, entrevistei Mauro Borges padra o jornal Cinco de Março, quando ele era eleito presidente do MDB, que muito em breve seria PMDB. |
A homenagem inesperada
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Memórias de um estadista |
No decurso de 2002, enquanto trabalhava a edição do livro Tempos Idos e Vividos – Minhas Experiências, de Mauro Borges, fui procurado pelo prof. Alfredo Ribeiro da Costa, da UFG – queria o currículo do eterno governador para propor uma homenagem. Eu lhe disse que Mauro Borges merecia, “no mínimo”, o título de Doutor Honoris Causa. Deu certo; para documentar, publiquei o artigo abaixo, no Jornal Opção de 24/22/2002.
Mauro
Borges, Doutor
Honoris Causa
Honoris Causa
Nesta
quinta-feira, dia 28 de novembro de 2002, o governador Mauro Borges, cujo
mandato foi violentamente interrompido em 26 de novembro de 1964, foi
homenageado pela Universidade Federal de Goiás na mais alta distinção que a
universidade brasileira concede – o título de Doutor Honoris Causa.
A
reitora Milca Severino, acompanhada de professores membros do Conselho
Universitário, esteve na casa de Mauro Borges no dia 22 de outubro. Integrava a
comitiva o professor Alfredo Ribeiro da Costa, da Escola de Engenharia, autor
da propositura, que teve aprovação unânime. Mauro recebeu-os com ingenuidade,
pensando tratar-se de mais uma das incontáveis visitas que recebe. Apenas
mostrava-se feliz por receber a reitora da UFG e professores com quem, ao longo
dos anos, já convivera de alguma forma. Milca contou-lhe, por exemplo, que
fizera o primário no Grupo Escolar Mauro Borges, em Quirinópolis. Glacy
Antunes, diretora da Escola de Música e Artes Cênicas, recordou a amizade de MB
com seu pai.
Senti-me
obrigado a confessar que surrupiara, discretamente, o currículo de Mauro Borges
e o entregara ao professor Alfredo para dar sustentação à sua proposta de
homenagem ao grande estadista, vítima da sanha de vingança de alguns generais
da chamada linha-dura – a cúpula do golpe militar de 1964. Aliás, no próximo
dia 17 de dezembro, será lançado o livro Tempos Idos e Vividos – Minhas
Experiências, que vem a ser a síntese das memórias de Mauro. No livro, ele
recorda sua infância em Rio Verde, a adolescência na Cidade de Goiás e
juventude como aluno da Escola Militar do Realengo; conta de seus contatos com
o presidente Getúlio Vargas, de cuja guarda pessoal foi comandante. Diz de sua
experiência de administrador da Estrada de Ferro Goiás, conta dos tempos de
deputado federal no Rio de Janeiro e da mudança do Congresso para Brasília; a
campanha para o Governo de Goiás, o convívio com o pai, Pedro Ludovico Teixeira.
Momento
decisivo foi aquele em que, aliado a Leonel Brizola (governador do Rio Grande
do Sul), em 1961, ofereceu resistência legalista à tentativa de golpe militar
contra a posse do vice-presidente João Goulart quando da renúncia de Jânio
Quadros. Dois anos e meio depois, os mesmos militares fizeram a revolução de
1964. E, com o estímulo da até então inexpressiva UDB de Goiás, os militares
revanchistas cuidaram de tirar Mauro Borges do Governo de Goiás. Mas não
conseguiram apagar seu nome, sustentado num trabalho sistemático de
planejamento a partir da constatação das necessidades do Estado. Mauro Borges
implantara, em Goiás, uma estrutura administrativa que nem mesmo seus mais
ferrenhos adversários conseguiram mudar.
Quando
a reitora Milca Severino lhe contou o motivo da visita e lhe falou do título
que lhe era outorgado, Mauro não se conteve e chegou às lágrimas, emocionado:”Tenho
recebido muitas homenagens, mas nunca me imaginei digno de uma honraria tão
expressiva, vinda da Universidade Federal de Goiás”, disse ele.
O
professor Alfredo, carioca radicado em Goiás há mais de duas décadas, autor da
iniciativa, teve também uma surpresa durante suas andanças com vistas e
distinguir o ex-governador. Vendo cópias do processo em que o Superior Tribunal
Militar inocentou Mauro Borges das acusações que o governo federal lhe faziam
para viabilizar a intervenção em Goiás, encontrou lá a assinatura de seu tio, o
ministro Orlando Ferreira da Costa. Mauro foi absolvido por unanimidade pelos
ministros do STM.
* * *
2 comentários:
Que se conte a verdadeira História e se faça Justiça. Pessoas de grande destaque tem detratores. Quem é de bem perto como você, tem de vir contar como foi. Gostei das duas fotos, cada uma delas mostra-nos político e jornalista em pé de igualdade, cada um com sua peculiaridade. Boas fotos.
Uma verdadeira aula de história.Belas fotos. Parabéns, Poeta Luiz. seus textos são uma riqueza de detalhes, contando os verdadeiros fatos, como realmente aconteceram.
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