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sexta-feira, abril 05, 2013

A homenagem inesperada




Em 1979, o ano da Anistia, entrevistei Mauro Borges padra o jornal Cinco de Março, quando ele era eleito presidente do MDB, que muito em breve seria PMDB.

A homenagem inesperada




Memórias de um estadista



No decurso de 2002, enquanto trabalhava a edição do livro Tempos Idos e Vividos – Minhas Experiências, de Mauro Borges, fui procurado pelo prof. Alfredo Ribeiro da Costa, da UFG – queria o currículo do eterno governador para propor uma homenagem. Eu lhe disse que Mauro Borges merecia, “no mínimo”, o título de Doutor Honoris Causa. Deu certo; para documentar, publiquei o artigo abaixo, no Jornal Opção de 24/22/2002.



Mauro Borges, Doutor
Honoris Causa



Nesta quinta-feira, dia 28 de novembro de 2002, o governador Mauro Borges, cujo mandato foi violentamente interrompido em 26 de novembro de 1964, foi homenageado pela Universidade Federal de Goiás na mais alta distinção que a universidade brasileira concede – o título de Doutor Honoris Causa.

A reitora Milca Severino, acompanhada de professores membros do Conselho Universitário, esteve na casa de Mauro Borges no dia 22 de outubro. Integrava a comitiva o professor Alfredo Ribeiro da Costa, da Escola de Engenharia, autor da propositura, que teve aprovação unânime. Mauro recebeu-os com ingenuidade, pensando tratar-se de mais uma das incontáveis visitas que recebe. Apenas mostrava-se feliz por receber a reitora da UFG e professores com quem, ao longo dos anos, já convivera de alguma forma. Milca contou-lhe, por exemplo, que fizera o primário no Grupo Escolar Mauro Borges, em Quirinópolis. Glacy Antunes, diretora da Escola de Música e Artes Cênicas, recordou a amizade de MB com seu pai.


Eu e Mauro, em 2002


Senti-me obrigado a confessar que surrupiara, discretamente, o currículo de Mauro Borges e o entregara ao professor Alfredo para dar sustentação à sua proposta de homenagem ao grande estadista, vítima da sanha de vingança de alguns generais da chamada linha-dura – a cúpula do golpe militar de 1964. Aliás, no próximo dia 17 de dezembro, será lançado o livro Tempos Idos e Vividos – Minhas Experiências, que vem a ser a síntese das memórias de Mauro. No livro, ele recorda sua infância em Rio Verde, a adolescência na Cidade de Goiás e juventude como aluno da Escola Militar do Realengo; conta de seus contatos com o presidente Getúlio Vargas, de cuja guarda pessoal foi comandante. Diz de sua experiência de administrador da Estrada de Ferro Goiás, conta dos tempos de deputado federal no Rio de Janeiro e da mudança do Congresso para Brasília; a campanha para o Governo de Goiás, o convívio com o pai, Pedro Ludovico Teixeira.

Momento decisivo foi aquele em que, aliado a Leonel Brizola (governador do Rio Grande do Sul), em 1961, ofereceu resistência legalista à tentativa de golpe militar contra a posse do vice-presidente João Goulart quando da renúncia de Jânio Quadros. Dois anos e meio depois, os mesmos militares fizeram a revolução de 1964. E, com o estímulo da até então inexpressiva UDB de Goiás, os militares revanchistas cuidaram de tirar Mauro Borges do Governo de Goiás. Mas não conseguiram apagar seu nome, sustentado num trabalho sistemático de planejamento a partir da constatação das necessidades do Estado. Mauro Borges implantara, em Goiás, uma estrutura administrativa que nem mesmo seus mais ferrenhos adversários conseguiram mudar.

Quando a reitora Milca Severino lhe contou o motivo da visita e lhe falou do título que lhe era outorgado, Mauro não se conteve e chegou às lágrimas, emocionado:”Tenho recebido muitas homenagens, mas nunca me imaginei digno de uma honraria tão expressiva, vinda da Universidade Federal de Goiás”, disse ele.

O professor Alfredo, carioca radicado em Goiás há mais de duas décadas, autor da iniciativa, teve também uma surpresa durante suas andanças com vistas e distinguir o ex-governador. Vendo cópias do processo em que o Superior Tribunal Militar inocentou Mauro Borges das acusações que o governo federal lhe faziam para viabilizar a intervenção em Goiás, encontrou lá a assinatura de seu tio, o ministro Orlando Ferreira da Costa. Mauro foi absolvido por unanimidade pelos ministros do STM.

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2 comentários:

Mara Narciso disse...

Que se conte a verdadeira História e se faça Justiça. Pessoas de grande destaque tem detratores. Quem é de bem perto como você, tem de vir contar como foi. Gostei das duas fotos, cada uma delas mostra-nos político e jornalista em pé de igualdade, cada um com sua peculiaridade. Boas fotos.

Ireci Mariah Fernandes disse...

Uma verdadeira aula de história.Belas fotos. Parabéns, Poeta Luiz. seus textos são uma riqueza de detalhes, contando os verdadeiros fatos, como realmente aconteceram.