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A obra na av. Araguaia, no Parque Mutirama, arrasta-se há um bom tempo. Concluída, beneficiará o tráfego. |
Goiânia: obras
e abusos
No decorrer deste ano, a
Prefeitura de Goiânia promoveu mudanças graves em alguns pontos da cidade. Uma
delas – a obra que interrompe a Avenida Araguaia nas proximidades do Parque
Mutirama – arrasta-se sem que tenhamos perspectivas de sua conclusão; com isso,
habituamo-nos a novos percursos. E como os congestionamentos tornaram-se uma
constante – não por conta dos atos da administração da cidade, mas da
atualidade nacional – a gente se conforma.
É louvável, ainda que em
contraponto, o andamento das obras da Marginal Botafogo no Jardim Goiás,
envolvendo sobretudo a confluência daquela via expressa com as avenidas E e A,
no Jardim Goiás. Neste final de semana, há interrupção de tráfego no local para
que sejam colocadas algumas pilastras estruturais dos viadutos. Em breve, teremos o benefício dessas obras,
aliviando o intenso tráfego causado pelo crescimento econômico e populacional
na região, polarizada com o Shopping Flamboyant, três hipermercados, hotéis e
edifícios comerciais.
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Nesse cruzamento múltiplo constroem-se os viadutos, em ritmo muito rápido. |
Mudanças drásticas – que
ainda geram protestos de comerciantes – deram-se no fluxo de veículos na
Avenida T-63, em cujas proximidades estou radicado há vinte anos. Acontece,
sim, um esvaziamento nos estabelecimentos comerciais, alguns deles mudaram-se
ou fecharam-se, surgiram edifícios não-residenciais e os ônibus ganharam pista
exclusiva, com maior fluidez.
Entretanto – e isso é
preocupante –, existem os abusos. A avenida tem a característica das vias para
velocidade máxima de 50 km/h, mas o comum de se ver são os carros de passeio a
mais de 80 quilômetros horários, ameaçando vidas. Esse é um dos abusos; na
última sexta-feira, uma jovem e bela motorista parou seu Classic na pista dos
ônibus (sentido Pedro Ludovico-Jardim América), nas proximidades de uma agência
de automóveis e ligou o pisca-alarma.
Puxador de assuntos que sou,
e pensando em ajudar, perguntei-lhe se queria ajuda (imaginei uma pane); ela
sorriu e não precisou me responder: uma amiguinha (dela) atravessou, apressada,
a avenida e entrou no carro; a bonitinha desligou o pisca-alarma e saiu, entre gargalhadas
de ambas – certamente em deboche ao “simpático” senhor grisalho, que, no caso,
é este palhaço que lhe escreve.
Mas uma coisa intriga-me por
demais: o sinal vermelho aparece, os carros devem parar; mas devem parar
obedecendo o espaço disponível, limitado pela faixa de contenção – aquela faixa
branca que atravessa a pista, aquém das barras que marcam a faixa dos
pedestres. Mas é comum o condutor, em Goiânia, parar longe do sinal, deixando
espaço para até quatro ou cinco carros à sua frente e, assim, causando um
retardamento a todos os que veem atrás, muitas vezes obstruindo vias
secundárias.
Há quem defenda essa
prática: “Ah! Aqui o Sol é escaldante, as pessoas preferem as sombras”,
argumentam. Ainda assim, eu contesto. O Sol é forte, sim, na Zona Tropical, e
daí? E Fernando, meu filho, ainda zomba: “Se a pessoa trafega todo o tempo sob
o Sol, é só quando para no sinaleiro que ele quer sombra?”; e eu acrescento: “O
carro dele tem capota”.
* * *
4 comentários:
Como de hábito, uma crônica denunciativa, esclarecedora e bem escrita, estilo aquiniano.
Esse seu modo personalíssimo de contar as peculiaridades da sua cidade me encanta. Gostaria que você participasse, nem que fosse uns poucos dias, do cotidiano da cidadezinha onde moro. Isso aqui é muito diferente de tudo o que já vi; num dia me irrito e no outro me divirto muito. Ô povinho abestado!
O trânsito atual em todas as latitudes está como todos sabemos e por isso, merecedor de muitos protestos. Que as obras citadas possam beneficiar quem nelas trafega.
Parabéns pela escolha do tema e pelo texto bem escrito! Um abraço,
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