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Tonicesa Badu e Eva Perillo, os organizadoares e anfitriões do Sarau. |
Lembra de mim?
(Título atrevidamente apropriado, por mim, do original de
Baduzinho, cronista e fotógrafo)
Baduzinho, cronista e fotógrafo)
A vida gravitava em torno da Rua 8, aquele trecho que virou calçadão; esse eixo migrou para a Tocantins, depois para a Tamandaré e à medida que nos dispersávamos ainda mais (chegaram os anos 80 e nossos filhos começaram a “mandar” na cidade), as luzes festejaram a Alameda Ricardo Paranhos, atraindo a nova juventude...
Fizemo-nos universitários, empregados, profissionais, maridos e mulheres. Lembra de mim? – perguntava o Baduzim; parece nome de música. Eram as primeiras horas da noite, ele e seu irmão Tonicesa Badu, músico talentoso e competente, ser humano especial feito Chicão Paes. Dos moços que, desde a década de 60, infernizavam com ingênua petulância a vida goianiense, um leque de músicos muito especiais, como os meninos do Língua Solta, Marquinho do Violino, Márcio Veiga e Cesinha Canedo (que viveu na zona; e morri de inveja). As meninas, cada qual mais linda, cuidaram de se manter e demonstrar que a beleza não se esvai no tempo, apenas muda de linguagem.
Eram tantas e belas e eu as simbolizo em Ângela Baiocchi (é simples: foi minha aluna no Liceu, e eu era aluno de sua mãe, Mari, na UCG). Aliás, dos presentes éramos muitos os liceanos, inclusive os inseparáveis Lauro e Murilo, com quem tive o prazer do convívio também em épicos instantes de eu-professor. Momento marcante, também (para mim), foi rever Wera Rakowitsch, das minhas lembranças de aluno no Casarão da Rua 21 (mais precisamente, no antigo “forninho” – um pavilhão de pré-moldado).
Claro, claro!... Demos por falta de muita gente que, dias antes, afirmavam suas vontades de comparecer, mas as rotinas nos pregam surpresas, mudando sempre de rumo, feito os ventos e as nuvens. Foram horas de regozijo, de felicidade pelo reencontro, de despertar velhas lembranças e ressuscitar sentimentos talvez adormecidos – jamais esquecidos, porém!
Programa-se um novo encontro, uma festa que terá, sem dúvida, a marca dos nossos tempos, mas a identidade do que acontecer agora, nestes tempos de tecnologia instantânea – como a que fez com que as fotos (183) e os vídeos (dois) de Baduzinho chegassem “ao ar”, chegando aos que não puderam comparecer.
Até a próxima, portanto! Será no dia 5 de setembro, ou seja, sob o signo de Virgem, nos prenúncios da Primavera e com a alegria de uma geração que, ainda que asfixiada pelo silêncio imposto por duas décadas, conseguiu driblar o tempo.
Até lá, gente querida!
* * *
Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia
Goiana de Letras.
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