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quinta-feira, junho 25, 2015

Um casamento em Pirenópolis




O propósito era fazer diferente, isto é, unir-se formalmente pela Lei dos Homens e sob as de Deus, mas sem os signos e marcas dos segmentos religiosos convencionais. Assim, convidaram-me para celebrar essa união, que se deu num dos mais aprazíveis ambientes deste Planalto Central, sob a égide da Poesia e, obviamente, do Amor que os motiva (L.deA.). 









Lorena e Ricardo, 20/06/2015


Estamos juntos nesta tarde de sábado, dia 20 e é junho, atendendo ao chamado de Lorena Fernandes Gomes e Ricardo de Pina Freitas, esses jovens lindos e amorosos que, encantados numa noite pelos sons do ambiente, na harmonia musical dos cantadores destas terras dos Pireneus, decidiram unir suas vidas. E fazem isso evocando o nosso testemunho, para nossa alegria, envolvendo-nos em sua história.
...

Eu sei, como poucos, o quanto nos encantam os sonhos destas serras e cachoeiras. Não somente pelo cantar dos pássaros ou o esturro das onças que povoavam as matas em nosso redor, não apenas pela cascatas que cantam, sob o arranjo do vento nas folhagens e no troar das chuvas. Há o Sol e a Lua, astros atrevidos aos nossos olhos e sentidos. O resultado é a sugestão das artes, desde a mistura das cores e formas sob os pincéis e os cinzéis, tão familiares ao grande santeiro Veiga Valle até os mais sensíveis olhos e ouvidos de tantos nativos e visitantes, adventícios e passantes.

Esta terra, no sopé dos Pireneus de Goiás, atrai viajores eventuais e, sobretudo, os voluntários, os que aqui vêm para confirmar nossas práticas, nosso folclore, nossas artes e nossas vidas – e muitos tornam-se parte delas, sim!

Das artes plásticas aos registros documentais e poéticos, das histórias contadas e dos versos cantados, aparece a música – a mais expressiva dentre todas as artes, no conceito deste poeta – que é o referencial maior na história de Pirenópolis das ruas tortas e dos luares de tantos sonhos e delírios!


E voltando a Lorena e Ricardo, sinto que as palavras trocadas após o cruzar de olhares, gestos e presenças, essas coisas costumam seguir-nos nas horas seguintes, embalam nosso sono e muitas vezes invadem os nossos sonhos.

Foi assim com eles, sem dúvida!

A gente sabe, a lembrança fica forte no dia seguinte, e dela, dessa lembrança, nasce a vontade do reencontro. E este, quando se dá, semeia no peito da gente a semente do doce, do meigo e do amor.

E foi assim! Alguns encontros mais, a certificação da alegria e dos prazeres, a sinceridade de propósitos, a comunhão de ideias e planos... Até que, poucos meses depois, dá-se um grande momento – precisamente no dia 9 de março – em que o moço olha com doçura e firmeza no olhar da moça e lhe pede: “Namora comigo!”...

Ela não vacila, põe mais brilho no belíssimo olhar e aquiesce.

As conversas seguintes são mais sólidas e profundas, nenhum dos dois oculta mais o desejo de consolidarem-se, de comungarem suas vidas. Quem sabe não é tempo de se pensar num futuro longo e promissor, com o propósito de lançar ao futuro a continuidade de suas origens?

Ora! Tudo isso está no ideal das pessoas e define-se no mais importante livro da Civilização Ocidental – a Bíblia – quando conceitua a “continuidade das espécies” num modo poético e universalmente apreciado, que o poeta traduz assim:

Juntou Deus a água ao pó, e fez-se o barro. 

Soprou Deus a escultura e fez-se o Homem.



“Deixará o homem o pai e a mãe e se unirá a sua mulher e se tornarão uma só carne”. Lorena e Ricardo buscam, juntos, esse caminho: o da feitura de “uma só carne” a partir de sua união.

Nada mais justo, nada mais limpo e lindo que isso: a união de gêneros e sexos, com afeição sincera e lealdade recíproca. Lorena traz consigo projetos e sonhos, que absorve em amor, porque é de amor que se faz a vida. E, certamente, a vida, agora nova, há de se expandir para ela e Ricardo: “Uma só carne”, como preceitua o texto bíblico.

Fiat pax” (faça-se a paz) entre os gêneros, porque é nosso propósito a harmonia dos seres com o almejo à reprodução e à boa formação moral e intelectual, saudável e duradoura dos nossos frutos.


Quando os nossos corações pulsam, pela nossa sobrevivência, ou se aceleram pelas nossas emoções, repetem a energia que imprime a música de todos as coisas. Cada um de nós é peça de uma grande máquina chamada universo, mas nada é mais importante para cada um de nós do que nós mesmos – até que encontremos alguém cujo olhar invade o nosso, cujas palavras se confundem com as nossas e nossos pensamentos começam a parecer iguais. É o amor que nasce!

O amor é grande, muito grande! O que nos cabe é pequenino e pouco; se nos parece grandioso é porque nossas forças são limitadas, mas somos indispensáveis a nós mesmos e aos que nos são mais próximos – especialmente aos que nos são queridos, como os que aqui estão em regozijo com este propósito de Lorena e Ricardo.

Somos, então, seres sensíveis e racionais, ativados por um espírito que nos induz e nos conduz a um constante aprimoramento social e moral. Não nos unimos em matrimônio sob o êmulo das riquezas materiais, mas pela ânsia de melhor fazer pelos que nos são pósteros e, de um modo egocêntrico, mas não egoísta, de também crescermos.

Hoje, o móvel de Lorena e Ricardo é o amor. E, ao se unirem, fazem-no com preces ao Criador, pedindo-Lhe que lhes fortaleça esse amor. E que lhes proporcione a paz para a tolerância ante suas diferenças.

Que Lorena e Ricardo tenham também, sob a luz do Pai Criador, otimismo para vencer os dias e seus testes, o futuro e suas surpresas. Sejam abençoados, pois, para alcançar, se não todos, os principais sonhos dessa união.
...

“O maior compromisso no amor é ser feliz sem receio”, canta em sua mais recente canção, em parceria com Paulinho Pedra Azul, o nosso Pádua Cantador – e essa música me foi mostrada por ele ontem, é muito nova!

Acrescento ainda que o amor é o desejo de se possuir o que é bom.

O amor é o desejo do belo, ele é delicado, é virtuoso... O amor é poeta!

Mas é preciso ter cuidado... O amor pode deixar entrar o ciúme – e o ciúme costuma matar o amor! Quem ama confia. E o amor vira flor, o amor cria asas e nos leva longe e alto!

Abençoe-os o Pai dos Homens, dos bichos e das plantas, das águas e das montanhas, dos horizontes visuais e dos nossos sonhos.

Que assim se faça!



* * *


9 comentários:

Cristiane Favacho Nogueira disse...

E que sejam felizes para sempre!
Parabéns Luiz, arrepiada aqui com tamanha sensibilidade desse texto. Percebe-se que vc conseguiu sentir a grandiosidade do amor dos noivos. Parabéns pelo belo trabalho. E que venham os próximos casamentos que vc abrilhantará com suas palavras.

Cleide Oliveira disse...

Nossa! viajem agora,e me senti uma convidada, emocionada desse matrimonio.Lindo. Texto perfeito.Parabéns Luiz !

Sônia Elizabeth disse...

Que beleza de crônica texto para a união desse casal, Luiz Aquino. Gostei muito. Prosa verdadeiramente poética.

Edna Ferreira disse...

Esses noivos foram muito abençoados: pelo Amor que os une, pelo Ritual lindo, também pelo "olhar" do poeta que presenteou os nubentes e todos nós com um texto tão emocionante e carinhoso. Parabéns, Lorena, Ricardo e Luiz De Aquino Alves Neto!

Nei Cardoso disse...

Simplesmente encantador. Apaixonante!!!

Elenise Gumy Silva Pólli disse...


Ai que lindo! Deve ter sido uma experiência inesquecível...

José Fernandes disse...

Dom Luiz De Aquino Alves Neto, você exorbitou o belo estético, o sublime, nessa crônica! Parabéns, meu caro amigo!

Tatiane Aquino disse...

Nossa, fiquei emocionada!! Que coisa mais linda e fantástica! Senti uma paz inexplicável, como se estivesse presente nesse lugar! Que eles sejam muito felizes!

Thayane Cordeiro disse...

Que texto lindo, tive que compartilhar.