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sábado, abril 21, 2007

Prêmios de tempo e trabalho

Prêmios de tempo e trabalho


Vetusto e solene, aquele Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. E conservador, por que lidar com História e Geografia implica compreender que a vida é dinâmica, mas não há como mudar o passado. Pois o venerável IHGG fez festa esta semana para a posse da diretoria. O presidente Aidenor Aires foi reeleito. Mas a festa foi além da posse: o presidente da Academia Mato-grossense de Letras, Carlos Gomes de Carvalho, foi empossado como Membro Correspondente; e o homem de comunicação Salvador Farina, tornou-se Sócio Honorário.

Teve mais: representando a Câmara Municipal de Goiânia, o vereador Hélio de Brito, com seus colegas Virmondes Cruvinel e Otaviano Nascimento (este, de Inhumas), entregou a Aidenor o título honorífico de Cidadão Goianiense. A noite de formalidades teve lado emocionante nos discursos dos três homenageados: algo para nos lembrar sempre que o homem das atitudes de selvageria traduzidas em assaltos e tiroteios ainda se mostra capaz de dar novos rumos à humanidade.

Registrei, com particular alegria, a declaração de Salvador Farina de que todo o seu acervo de gravações do programa “Nossa gente, nossas coisas” será doado ao IHGG. São muitas dezenas, já na casa de centenas, os discos DVD com entrevistas demoradas de personalidades variadas goianas desde políticos e empresários até artistas de todos os setores, educadores e cientistas. Por gentileza de Farina, estou nesse elenco.

Outro ato de prêmio pelo trabalho e que se faz marcar pelo tempo envolve o músico Fernando Perillo, que festeja jubileu de prata na fonografia. Fernando, pioneiro na prática do som de boteco em Goiás, deixou as boates para tocar num palco improvisado num bar da Praça Tamandaré, o Sirius. Era 1976. Até então, as casas que ofereciam som ambiente valiam-se das vitrolas. Os bares da Tamandaré desapareceram, dando lugar a bancos, farmácias e até hipermercado. No lugar do Sirius funciona, hoje, o Cateretê...

Fernando Perillo é, para a minha geração, o ícone do “banquinho e violão” nos botecos, o que deixou tanta saudade. Repertório variado, centrado na Música Popular Brasileira que, naquela época, vivia seu apogeu, com jovens talentosos e profícuos, a moda se espalhou: do Sirius ao Zero Bar e ao Tot’s, ao Botteko, Saloon, Papillon, Calvert (que virou Beb’s) etc, etc... Chegou, então, a hora de Fernando mostrar suas composições.

Parcerias importantes na vida artística de Fernando já eram notótias: Bororó, o baixista virtuoso e companheiro nas apresentações, e Nasr Chaul, o das letras poéticas. Estava aberta a trilha para o disco, e o elepê “Sinal de Vida” surgiu em 1982. O segundo “longueplêi” saiu em 1987: “Do outro lado da Lua”. E Fernando festeja seu jubileu de prata com um novo cedê, reunindo os dois elepês dos anos oitenta. Ele não me falou em festa, xou ou coquetel, mas algum evento haverá para marcar estes 25 anos de discografia, certamente. Por enquanto, a agenda cheia: ele canta dia 4 de maio em Itumbiara, dia 6 no festival gastronômico de Nova Veneza, dia 14 na Fasam (Goiânia)...

E assim, fechando estas linhas, regozijo-me com estes bons amigos, presente de Deus para enfeitar nossas vidas. Egoísta, sinto-me importante como Farina, que entrevistou tanta gente importante; sou meio artista, na pele de Fernando Perillo, ansioso pelo novo cedê; revisito Carlos Gomes de Carvalho na memória de seu livro de estréia, patrocinado pelo BEG, e fui a pessoa de contato com ele, naquele meado dos anos setenta; e fico meio que cidadão goianiense, na “camisa que faltava” ao Aidenor.

4 comentários:

Fátima Paraguassú disse...

Voce poderia ter mencionado em sua crônica, ou melhor, não...
Por que tanta pretensão minha achar que deveria ser mencionada a homenagem que prestei ao Farina,naquele dia?
Eu não disse na tribuna que se tratava de um acróstico, para não ser criticada. Sem perceberem do que se tratava e vendo apenas meu pretexto,fui parabenizada por muitos que ali estavam, assim que terminou a solenidade.
Alguns disseram: "Eu senti que estava agradecendo ao Farina dentro de sua fala. Obrigada!"
Digo tudo isso porque apesar de minha pequenez diante deste furacão de intelectuais, eu também sou parte deste acervo que será doado O IHGG.
Há tempos eu acompanho o programa do Farina.Há tempos eu ligo para ele durante o programa, parabenizando-o pelo serviço prestado à Cultura Goiana. Não pensava eu que um dia eu seria um personagem daqueles.
Lembro bem, o dia que voce me enalteceu para ele no bar do Medeiros, afirmando tudo que ele já pensava a meu respeito.
Então devo agradecer-lhe também. Voce é um grande amigo e incentivador, porque sempre vivi pela e para a música, agora estou embrenhando também pelo mundo da escrita, graças a seu incentivo.
Tenha um bom fim de semana, meu caro amigo e grande poeta...

Madalena Barranco disse...

Oh, querido Luiz, confesso que fiquei com muita vontade de conhecer Goiás... O centro mágico do Brasil, gera gente ilustre! Beijos.

FOTOARTEDIGITAL disse...

BOM DIA COM MUITO PRAZER!
SOU SUA FÃ INCONDICIONL.
FIZ ARTES DA UFG MAS NUNCA ME DEDIQUEI A ME PROMOVER FAÇO POR PURO PRAZER MESMO OU PREGUIÇA.
HOJE FAÇO ARTE DIGITAL PRICIPALMENTE COM FOTOS MINHAS E DE AMIGOS, E GOSTARIA DE MOSTRAR ALGUNS TRABALHOS PRÁ VC DAR UMAS OPINIÕES, SERIA UMA GLÓRIA.
UM GRANDE ABRAÇO E ESTOU SEMPRE EM SUA MIRA.
GRÁCIA MARIA.

Luiz de Aquino disse...

Grácia Maria,
Tentei me comunicar com você diretamente, mas não foi possível. Escreva-me para poetaluizdeaquino@gmail.com, terei muito prazer em conhecê-la.
Luiz