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quarta-feira, dezembro 28, 2011

“Meu mais novo velho amigo”







“Meu mais novo velho amigo”


As mensagens de Ano-Novo – que a gente já chamou também de Ano-Bom – são repetitivas, giram em torno dos prenúncios de uma felicidade sempre sonhada, jamais sentida no presente e constatada somente quando passado o tempo. Mas continuamos a sonhar com dias melhores, alegrias imaginadas, encontros desejados. Ah, e com dinheiros extras também – e sempre em grande soma!

Há quem deseje saúde, para si e para os outros. E amores. E colóquios, e compromissos para a vida toda, na saúde e na doença. E a gente aplica as simpatias conhecidas, procura com boa atenção novidades do ramo, compra roupa nova, escolhe adereços especiais (verdadeiros amuletos infalíveis) – enfim, aos sonhos aliam-se gestos e danças, preces e provérbios, tudo em busca da felicidade que, parece, jamais se teve!

De minha parte, lá pela metade do tempo que vivi, ouvi a frase citada linhas acima a propósito da felicidade. A pessoa me falava de como não sentimos a felicidade, mas um dia constatamos que fomos felizes. Desde então, passei a observar melhor os momentos, os eventos, as pessoas, o ambiente, as luzes e as cores, os cheiros e tatos. E aprendi a sentir quando estou feliz. A soma dos desafios dolorosos com o sentimento pleno da superação dessas dores, mais a paciência indispensável para perceber as alegrias e os prazeres, a realização nos encontros e na harmonia, a consciência do poder da amizade e, ainda, a capacidade de apreciar tudo isso, com a competência de saber guardar na memória – tudo isso nos faz sentir que somos felizes.



Não quero sonhar 2012. Quero, sim, encerrar 2011 nestas horas últimas, seja dia ou noite, do mesmo modo como faço há algumas décadas – apreciando o realizado como quem saboreia frango com pequi em Hidrolândia, ou acarajé com cerveja numa praia da Bahia. Quero sentir as bolinhas do espumante ao festejas as 100.000 visitas ao meu blog (http://penapoesiaporluizdeaquino.blogspot.com) justo no dia de Natal; quero o prazer de uma cerveja num boteco do Setor Universitário, desfrutando a boa prosa e as ricas lembranças de Fernando Antônio, que me saudou neste Natal como “meu mais novo velho amigo”.

“Mais novo velho amigo”. Eis aí um título que nenhuma câmara de vereadores, nenhuma faculdade, nenhum clube de serviços nos pode dar – somente um amigo! E Fernando Antônio é esse amigo. Amizade que se consolida agora, pouco mais de quatro décadas desde que nos conhecemos.

Fachada do velho e saudoso Liceu: capa do cedê em MP3
Ele, Fernando, foi meu alunos nos tempos de Liceu, antes do Y. Era um garoto de 15 anos, gordinho e feliz, que não gostava de ser chamado de gordo. Em casa, desfrutava de um ambiente rico de livros e sapiências, proporcionado pelos livros e cultivado pelos pais. Eu, professor, tinha 24 anos. A vida me tornou escritor e jornalista; deve, fez engenheiro e especialista em “processamento de dados” – nome anterior do que agora chamamos “informática”.


Já contei aqui, há cerca de três semanas, do encontro de antigos estudantes do Liceu no Bartolomeu Restaurante, de iniciativa, dentre outros, de Pedro Dimas, Pedro Vasco e  Fernando. Eles convocaram os colegas, cutucaram alguns professores (que alegria reencontrar o prof. José Maria e a diretora Teresinha Vieira, bem como Sônia França e Marieta Cruz!) e deu-se a festa!

Aqueles meninos, hoje grisalhos, calvos ou de cabelos tingidos, continuam especiais para todos nós! Fernando foi quem levou uma camisa do  uniforme da Banda daquela época (1969/71); eu empertiguei meu uniforme de aluno; Pedro Dimas idealizou um cedê com músicas da época, selecionadas por Fernando Antônio (cento e sessenta e cinco músicas nacionais e estrangeiras! Uma audição de mais de seis horas; somente esse disco realiza uma verdadeira “festa de arromba”, para usar o título de uma das canções).

Nada menos que 165 canções (em MP3) para marcar bem o temo...

Resumindo, 2011 foi um ano bonito, cheio de problemas e dificuldades que contornei ou solucionei, caso a caso; alguns de tais item atravessam a fronteira da data, e sei que serão igualmente findos. Angariei novos amigos, expurguei alguns que escolheram posar de ex-amigos – e tudo isso me faz muito feliz. Talvez alguns dos que, inesperadamente, entraram no meu coração venham a esvair-se na mesma névoa que remove as más memórias, mas hão de me causar tanta alegria como quando chegaram.


Autógrafos de ex-alunos e ex-professores presentes


Ficam, pois, minhas boas vindas aos novos amigos, mas muito especialmente ao Fernando Antônio e outros da mesma equipe (e estirpe) dos velhos tempos liceanos. Gosto muito de ser seu “mais novo velho amigo”!


Fernando Antônio e eu, com a camiseta da Banda (uniforme de 1970; acervo dele)


* * *

8 comentários:

sônia elizabeth disse...

Muito certo tudo que disse, Luiz. Todo novo ano na verdade é uma continuidade das alegrias, tristezas. É a vida se expondo a nós com todos os seus matizes. O mais novo velho amigo é aquele que encontramos novamente depois de já tê-lo conhecido. Parabéns pela beleza e simplicidade da crônica.

Leida disse...

Verdade Sónia Elizabeth,minha dedicada (amivizinha), todo ano novo fazemos uma avaliação das alegrias e tristesas do ano que finda. Sei que você e o Luiz tiveram algumas tristezas. Espero que as alegrias de vocês tenham superado em muito as tristezas.Agora Luiz, eu não tenho ex amigos, pois para mim amigãooooo mesmo é aquele que podemos passar anos sem encontrar e quando nos encontramos é como se nunca tivéssemos estado tão ausentes.É Luiz, estou há quase dois anos praticamente fora da Net, faço plantões noturnos por conta do estado de saúde de meu pai que é bastante sofrido e delicado.Ah poeta, na verdade estou mesmo é aproveitando um momentinho de sono do meu pai para ler você, e ao me deparar com o comentário da Sônia fiquei ainda mais feliz.
Luiz, adorei a beleza e o conteúdo da sua crônica.Parabéns e um 2012 de mais alegrias e boas realizações a você e todos os seus, aos da Sônia e aos meus.Vixii menino, aqui não é um divâ nem tão pouco o Muro das Lamentações,he,he...Talvez o Lucas já possa avaliar-me.Parabéns ao Lucas e aos seus pais pela aprovação em Psicologia da PUC!!

Marília Núbile disse...

Beleza pura, Luiz de Aquino! Afinal, "amigo é coisa prá se guardar do lado direito do peito...."""
Um beijão,
Marília.

Mara Narciso disse...

Ano novo celebrando a amizade. Muito boa essa abordagem. Na retrospectiva, imaginei que falaria da morte do seu pai, como maior marca do ano que passou. Mas deixemos as tristezas para lá. E que venham novos amigos!

De coração pra coração disse...

Simplesmente perfeito.

Ireci maria fernandes disse...

Parabéns, poeta preferido!Belíssimo texto.Novas esperanças, pequí, cerveja gelada, papo com os amigos, enfim, Feliz ano novo! Ireci Maria.

Ana Cárita Margarida Figueiredo disse...

Oi, Poeta!
Parabéns! Conheço seu trabalho. Você merece as 100... .... .... mil visitas.
Sua crônica me emocionou. Sou profassora (afastada da sala de aula por força da circunstância da vida) mas nunca deixei
de amar o ofício que me proporcionou tantos momentos felizes. Os alunos nos acompanham pelo resto da vida. É
gratificante quando nos deparamos com alguém bem sucedido e esse alguém nos reconhece
como "fui aluno da senhora". A mísera recompensa financeira não contabiliza essas coisas. E a gente vai vivendo
com as lembranças e o desejo de melhores escolas, educação de verdade.
Beijão!

Heliany Wyrta disse...

Ando sumida daqui, né, Luiz? Mas você conhece as batalhas que a vida me faz enfrentar! E sabe também que um espaço no meu coração é todo seu! 2012 será um ano muito melhor para nós, porque temos fé e amigos queridos, né?! Um cheiro!