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sábado, setembro 13, 2014

Que campanha, hem?

Que campanha, hem?


Acredito que quem votou em Dilma Rousseff há quatro anos esperava uma espécie de doçura feminina no poder máximo da Nação. Um amigo, que por força de seu trabalho participou de reuniões com ela, definiu-a como truculenta. E ele próprio acredita que, na intimidade, todo líder deve ser assim.

Quando resolveu atuar no processo linguístico, exigindo que a chamassem de “presidenta”, repetiu Collor de Mello, que quis pilotar um caça da FAB, passeou de submarino e tentou reger uma orquestra – aí, a ficha começou a cair. Acredito que o descrédito à primeira mulher no mais alto posto do país começou com essa palavra.

Argumentaram (até mesmo escritoras) que alguns dicionários registram o termo. Só se esqueceram, essas coleguinhas, que existem dicionaristas apegados aos processos da Língua e outros que entendem ser legítimo “dicionarizar” tudo o que se ouve (foi assim que “gueroba” foi parar no dicionário como sinônimo de guariroba). Portanto, ainda que constante do Aurélio e do Caldas Aulete, o termo continua sendo indevido.

Agora, é tempo de campanha. Quantos milhões rejeitam Dilma – e refiro-me aos que há quatro anos (como eu) votaram nela – por conta de abusos como esses e respostas indelicadas à imprensa? Dilma não cuidou de preservar seu eleitorado; penso até que ela é recandidata por exigências partidárias: o outro nome do PT em condições de definir este pleito é o presidente Lula (mas alguma coisa ligeiramente misteriosa deixa-o de fora); fosse Lula o candidato, estaria com índices superiores a 50% das intenções de voto.

Os políticos, em seu quotidiano, acumulam feitos que os adversários e os críticos (inclua-se a imprensa em suas várias linguagens) anotam. Informações a jornalistas são prestação de contas ao público, mas há políticos que não pensam assim; alguns jornalistas também não, e daí vem essa baboseira de se falar em mídia direitista, imprensa golpista e outros eufemismos. O que os políticos não levam em conta é que, quando são cercados por um grupo de repórteres, até se pode vislumbrar alguém “da direita” ou algum “golpista” no grupo, mas ali estão sempre profissionais éticos, os que sabem tratar a informação como notícia a ser levada a todas as gamas ideológicas.

Marina ascendeu na preferência popular por conta da morte de seu parceiro de chapa: virou herdeira de uma tia solteirona que morava longe. A evidência serviu para que ela cometesse disparates questionáveis pela mídia, pelos opositores e até mesmo por alguém que parece ser seu guru, o pastor Malafaia, de tristes referências: é comum aparecer em filmetos orientando “fiéis” a entregar seu suado dinheiro à igreja, ou a vociferar contra o governo e incitando seguidores ignorantes a opor-se a outras correntes da religião. Será ele a eminência parda num provável governo de Marina! Sei não... acho que preferiria Zé Dirceu.

Como campanha, esta é, aos meus olhos de 69 anos (estou feliz por chegar a uma nova idade), a pior, a mais pobre de argumentos e contra-argumentos (e olhem que não falei dos textos das campanhas locais, hem?). Fosse eu juiz, e juiz eleitoral, eu cassaria a candidatura do sujeito que diz querer ser deputado federal “para arrumar a minha vida, a dos meus amigos e familiares”; afinal, é um candidato nítido a corrupto, isto é, comete tentativa de crime e, como tal, tem que ser barrado. Não ponho o nome dele aqui porque aprendi com Carmo Bernardes que gente assim não merece ter seu nome em letra de fôrma.

Enfim, esperemos. Vamos ver o que nos reserva o dia 6 de outubro, que, ao raiar, há de nos trazer a finalização dos votos, ou algo muito próximo disso.


* * *

Um comentário:

Marcos Jorge disse...

Antes de qualquer comentário, esclareço que cheguei nesta página por um atalho em um e-mail com o título "NASA explica fenômeno de N.Srª de Guadalupe".

Não sei se o atalho está errado ou a página foi alterada.

Há que acredite que tudo o que está escrito é uma verdade, mas não penso desta forma, principalmente quando se trata de internet.

Parafraseando essa mesma internet, li que "Compreender as mudanças na fala e na escrita, ocorridas naturalmente ou por causa de leis, é sentir de perto o idioma em movimento",
Taí uma bela descrição para o termo "Lingua Viva.

Quem acredita que está acima desta realidade está mais morto que o Latim.

Comparar a "feminilização" da palavra presidente com pilotagem de caça, é como entender que pequi verde tem a ver com pneu de bicicleta.

Sobre o assunto, palavra "recandidata" está no dicionário?

Desde quando? Foi uma adequação do coloqual para o formal? É este o conceito de lingua viva?

Falando de política, alguma coisa somente é ligeiramente misteriosa na política para quem não entende nada de política.

Não sou religioso e acredito na Marina tanto quanto no Malafaia, mas jamais diria que prefiro um condenado.

E lembrem que o tal sujeito foi condenado no governo atual, por mais incrível que possa parecer.

Enfim, depois que o arruda desistiu da candidatura - não sei se chorou de novo em nome dos filhos, e botou suas mulheres para substituí-lo, só desiste do voto quem não tem consciência da importância dele.

Abraço a todos.