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segunda-feira, março 07, 2016

Tanto em tão pouco tempo...


Luiz Antônio e o pai, Totozão , em foto de agosto de 2015.


Tanto em tão pouco tempo...



Semana agitada... na antevéspera, 27 de fevereiro, faleceu meu tio Antônio Gomes Godinho. Em Pirenópolis, onde os nomes próprios valem pouco, ele era, simplificadamente, o Totozão, figura enorme e marcante não só pelo físico, mas pela doçura no trato com as pessoas, sem limites sociais, financeiros ou de aparência.

Uma triste coincidência: num mesmo 27, há exatos três meses (novembro, pois) faleceu meu primo Luiz Antônio – filho primogênito da tia Rute e de Totó, ou Totozão. Luiz Antônio, na maturidade recém-inaugurada (62 anos), foi-me companheiro de tantas décadas, entre canções e luares – e as indefectíveis serenatas da marcante Meia Ponte, Pirenópolis. Herdamos, ambos, a essência do nosso avô, Luiz de Aquino Alves, o mais expressivo dos seresteiros pirenopolinos – foram 71 anos, dos 7 aos 78, executando vários instrumentos, de corda e de sopro, no nobre ofício de encantar enamorados.

E os dias acontecem! Vieram notícias conturbadas da política – as que se tornam costumeiras, como as gafes presidenciais e as revelações inesperadas de correligionários nada confiáveis – ou decepcionados com seus líderes – a medidas assustadoras de magistrados imbuídos de autoridade e coragem – já não nos surpreende mais o informe de que algum poderoso foi conduzido à Papuda, etc.

No plano pessoal, muitas novidades também.

Coisas de casa ou família, como eventos paralelos em encontros de aniversários e outras razões de alegria. Alguns ligam para contar de dengue (muito comum, isso), de zika (epa! Isso é novo e o novo sempre assusta, ou dói, ou decepciona).

Até onde vai nossa descrença com os líderes que aceitávamos há até bem pouco tempo?

Líderes têm tempo de validade. Como o leite no saquinho ou na caixa, os confeitos das padarias, os remédios que – dizem – controlados. O que muita gente não percebe é que também a nossa paciência tem tempo de validade – como a deles. Mas esses acham que a impaciência é um direito exclusivo deles lá. Coitados!

Desmandos de auxiliares do governo, contestando e descumprindo decisões de elevados magistrados. O clima de festa ao instalar-se importante nova unidade policial... Ah! Na área policial, novidades drásticas – como a designação do vice-governador, brilhante bacharel em ciências jurídicas, para a Segurança Pública. E na primeira semana, a inauguração da sede de uma segunda (já havia uma em Anápolis) Delegacia de Apoio ao Idoso. Estranha-me o seccionamento das ações, pois se é preceito constitucional a “igualdade perante a lei”, fico por entender uma Delegacia da Mulher e, agora, Delegacia do Idoso.

Quem me esclarece é a jovem, bela e competente jornalista Flávia Lelis, gestora da Assessoria de Comunicação Setorial na Secretaria da Cidadania. E, para simplificar numa só frase o que conversamos, conto-lhes que adotei por nítida e clara a tradicional frase: “Na prática, a teoria é outra!”, pois no trato com a mulher e também com os velhinhos (confesso: estou com 70 anos, mas ainda não me senti velho), não é qualquer delegacia de política que se reveste das condições necessárias.

Finalizo nesta tarde de sábado, feliz e contente, no convívio de familiares vários, para total alegria! E que as notícias de família sejam mais constantes que as dos desmandos nas esferas políticas e econômicas.



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Luiz de Aquino é escritor, membro da Academia Goiana de Letras.

3 comentários:

Sueli Soares disse...

Boa noite, poeta! Acabei de ler sua crônica e mais uma vez deparo-me com seus voos, dignos de causar inveja a quem cruza os céus noturnos da alma. No flashback que a leitura sugere, fui às delegacias de polícia política, onde precisávamos fazer declarações para assumir cargos públicos, provando idoneidade. Despertei voando entre Vassouras e Volta Redonda, no festivo último fim de semana, desfrutando da alegria entre amigos e familiares, também. Turbulências políticas à parte, pousamos tranquilamente, esperançosos de céus mais azuis. Tenha excelente semana!

Mara Narciso disse...

Desamparo na Política e, contraditoriamente amparo na política de proteção ao idoso. Quanto mais adiantado o país, quanto mais civilizado, mais protegidos serão os fracos, as crianças, os deficientes, os idosos. Quando tudo isso se tornar natural, não serão necessárias as segmentações de delegacias. Com a separação, presume-se que numa delegacia qualquer o cidadão não será devidamente considerado como tal. E já chegando o Dia Internacional da Mulher.

Rosy Cardoso disse...

Querido Aquino, me delicio em seus vôos rasantes e também estratosféricos,delineando o cotidiano com emoções domésticas(familiares), passando para as manchetes agressivas da mídia que colidem com os direitos (supostamente existentes) e aos que temos que deglutir pelo prazo de validade de nossa paciência, em estado total de compreensão e exaustão. A capacidade ofertada de abastecermos de sabedoria o exercício diário na dança das emoções. Parabéns poeta , que bom que está por aqui.