Páginas

sábado, maio 14, 2016

Benedito, Normanha, José Jayme e Dona Nelly


José Normanha com a filha, a poetisa Renata.
 




Esses notáveis centenários


Há alguns anos, constatei, como se ao acaso, que pelo menos quatro dos nossos mais expressivos escritores nasceram em 1915: José J. Veiga (2 de fevereiro), Eli Brasiliense (18 de abril), Bernardo Elis (15 de novembro) e Carmo Bernardes (2 de dezembro). Fixei-me nesses quatro e aguardei o momento de revelar isso, conclamando pessoas, entidades e instituições a festejar as expressivas figuras de nossas letras.

Divulguei os nomes dos quatro no informativo da Academia Goiana de Letras, que Iuri R. Godinho e eu produzíamos, sob a direção do nosso confrade Eurico Barbosa. A ideia seria publicar, no decurso do ano de 2014, textos dos quatro grandes das letras goianas que, no ano seguinte, completariam 100 anos – mas nosso veículo de comunicação foi extinto.

Pouco antes do término de 2014, dirigi-me à diretoria da AGL, propondo homenagens àqueles notáveis – dos quais somente José J. Veiga não fora membro da Casa, “por não morar em Goiás” (ele próprio recusava). E o acadêmico Eurico Barbosa adicionou o quinto nome, o do poeta Pedro Celestino da Silva Filho, que presidiu a Academia. Ele também nascera em 1915, em Corumbaíba, no dia 27 de outubro.


Em 16 de abril, 1994, festa de fundação da Academia Pirenpolina de Letras, Artes e Música - uma das últimas fotos de José Sizenando Jayme (de pé).
  


Sei que despertei interesses. Os nossos cinco escritores foram devidamente lembrados e homenageados na Academia Goiana. E a Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música promoveu sessão em homenagem aos quatro por mim lembrados inicialmente, pois tiveram passagens por Pirenópolis (Bernardo Elis e José J. Veiga, nascidos em Corumbá, têm grande parte de seus familiares na antiga Meia Ponte; Carmo Bernardes trabalhou, quando moço, em fazendas locais e Eli Brasiliense viveu lá, onde se casou).

A Secretaria de Educação e Cultura do Estado também homenageou os escritores centenários, tal como os citei – mas ignorou minha participação em todo aquele empenho, como se partisse de seus técnicos e assessores a “descoberta”. Anotei, também, outras omissões e prefiro esquecê-las, apesar das evidências apontarem para um esforço no sentido de destacar outros confrades ou colegas.


José Normanha com a filha, a poetisa Renata.
No decorrer das homenagens, no âmbito da Academia Goiana de Letras, houve a troca de presidentes, quando foi eleita presidente a poetisa Lêda Selma de Alencar, substituindo Getúlio Targino Lima. Lêda já se mostrava entusiasmada com as homenagens por mim propostas e continuou com a agenda. E no início deste ano, levantei quais seriam os nossos confrades nascidos em 1916. Encontrei os muito queridos Benedito Odilon Rocha (poeta, de Corumbá de Goiás, 7 de abril), José Normanha de Oliveira (contista, cronista e poeta, de Carinhanha, Bahia, 21 de abril)), José Sizenando Jayme (ensaísta, de Pirenópolis, 20 de junho) e Nelly Alves de Almeida (ensaísta e crítica literária, de Jaraguá, 1 de outubro).

O poeta Benedicto Odilon Rocha

No ano passado, tive a alegria de discorrer, na AGL, na APLAM (Pirenópolis) e em eventos externos sobre Carmo Bernardes (a quem tenho a honra de suceder na Cadeira 10 da AGL) e também sobre José J. Veiga, com ênfase para a Semana Cultural do Setor Jaó e da grandiosa festa promovida pelo SESC de Goiás, que trouxe o notável Ignácio de Loyola Brandão para palestrar sobre o nosso autor de Sombra de Reis Barbudos (nessa ocasião, fui agraciado com uma placa, como um agradecimento por eu lhe confiar o acervo literário do goiano traduzido em dezenas de países mundo afora, o nosso Veiga.

Na Academia Goiana, já tivemos duas sessões de homenagens aos centenários de 2016. A primeira delas, dedicada ao acadêmico José Normanha, em palestra proferida pelo confrade Hélio Moreira. A seguinte, em homenagem a Benedito Odilon Rocha, deu-se pelas lembranças e o texto escorreito, límpido e emocionante de seu filho, o jornalista e acadêmico Hélio Rocha. No segundo semestre, o acadêmico Miguel Jorge proferirá palestra sobre a notável professora Nelly Alves de Almeida.


Dona Nelly, à direita.

Na quinta-feira, dia 19, estou incumbido, pela presidente Lêda Selma, para falar sobre José Sizenando Jayme, meu mestre na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de Goiás – hoje, Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Conto com as presenças dos meus amigos e leitores à sessão, que se dará às 17 horas, na Casa Colemar (Rua 20, 225 – esquina com Rua 15 – Centro).

E a Academia Pirenopolina (APLAM) prestará homenagens a três desses centenários, em função da proximidade geográfica e familiar com Jaraguá e Corumbá – Dona Nelly, José S. Jaime e Benedito Rocha. Aguardo apenas que o presidente, escritor Adriano Curado, divulgar as datas para, com a mesma alegria, oferecermos os festejos de nossas almas felizes, pois que pudemos conviver com esses talentosos e profícuos confrades nas letras.


*****


Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.

9 comentários:

Renata Normanha disse...

Obrigada amigo pelas suas iniciativas sempre acertadas. Reconhecer alguém que ofereceu um pouco do seu saber as pessoas que se interessam, faz com que nada tenha sido em vão.

Renata Normanha disse...

Obrigada pela lembrança... Papai deve estar feliz.

Acadêmico José Fernandes disse...

Parabéns, meu caro amigo, Luiz De Aquino Alves Neto, por chamar a atenção dos goianos para escritores tão importantes da história literária de Goiás, Estado em que não se prestigiam os seus escritores. Grande abraço!

Jô Sampaio - escritora disse...

Professor José Fernandes disse o que eu diria. Lembrar dos que se foram e homenageá-los são atitudes de nobreza.

Acadêmico José Fernandes disse...

O papel das academias é esse. É por isso que se diz imortal!

Matheus Felipe disse...

Senhor Luiz de Aquino,meu nome Matheus Felipe,moro em Caldas Novas.Te enviei um email com o remetente de matheusfelipeeduardo@gmail.com .Espero muito ansioso sua resposta.

Sueli Soares, professora e advogada. disse...

Deve, realmente, ser saboroso participar desses eventos que você descreve e dos quais jamais farei parte. Fico a imaginar como era a vida dos homenageados. Somente agora tive acesso à crônica, porque os afazeres domésticos não permitiram que eu chegasse perto do computador. Como é a minha última e mais atenta leitura, vou me recolher dando asas à imaginação. A cada semana, seu trabalho tem o poder de tornar um pouco mais rica. Obrigada, querido!

Mara Narciso disse...

Temos de quebrar ao meio o dizer de que o brasileiro não tem memória, que não quer tê-la. É preciso lembrar e homenagear os que se destacaram em todas as áreas. Faz bem em estar atento, ainda que injustiças sejam cometidas. Boa apresentação, Luiz!

Adalberto Queiroz disse...

Grande abraço, parceiro e "compadre". Goyaz te deve isso. Obrigado e Parabéns!