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domingo, agosto 20, 2006

E o Grande Hotel, hem?

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Alguém precisa avisar o prefeito. Estão aprontando a mil nesta cidade onde a Primavera já teve doze meses e ele não sabe. Vejo-o solene na tevê, confundindo-se com os atuais pedidores de votos, mas chamando o povo a preservar a cidade, mantê-la limpa (tal como o foi outrora, num passando de bem poucos anos).

Alguém precisa dizer ao prefeito que pessoas com uniformes do poder público municipal derrubam criminosamente as árvores que ocultam com suas irritantes frondes umbrosas, os lindos letreiros dos estabelecimentos comerciais. Duvidam? No ano passado, gente da própria prefeitura derrubou uma imensa gameleira no pátio da Creche São Domingos Sávio. A gigantesca planta ocultava parcialmente o mausoléu de mármore branco que serve de sede ao escritório goiano do Tribunal de Contas da União.

Por toda a cidade, Senhor Prefeito, terceirizados da Companhia de Energia põem árvores abaixo sem ouvir protestos do povo indignado. Há poucos dias, mongubeiras e palmeiras imperiais foram criminosamente arrasadas nas dependências do tradicional Instituto de Educação de Goiás. Logo ele, o IEG, que por pouco não virou quartel da PM.

Prefeito, funcionários da sua prefeitura erradicaram da cidade as coloridas flores que nos davam alegria e registro nacional. As flores nos canteiros das praças e avenidas eram a maquiagem de todas as horas da cidade-menina de que tanto nos gabamos. Agora, ficamos sem-graça quando, lá fora, alguém diz: “Ah, Goiânia! A bela cidade das flores!”. Olha, Prefeito, dá vontade de dizer aos adoradores dos nossos jardins que não voltem por aqui agora, pois estamos arrumando a casa, quem sabe no ano que vem?

Ah, mas o senhor precisa saber também que o trânsito não está tão bom quanto lhe dizem, não. Transformações de fluxo no Setor Oeste, sem a indispensável sinalização de placas, orientando os condutores de veículos, só causam confusão. Porque as administrações de Goiânia têm tanta aversão às placas, hem? O cidadão morador e o visitante agradeceriam, caso elas existissem.

Mas, prefeito, é incrível que não lhe tenham dito que a Secretaria de Obras ou a Comob não devem ir para o Grande Hotel. O edifício, um dos pioneiros da Capital, é um marco de memória, mas seus auxiliares estão furando paredes e passando cabos; farão de lá um imenso depósito de materiais que profanará gravemente a História de Goiânia. Ninguém lhe disse nada, Prefeito?
É muito desagradável, isso... Tal como foi desagradável a desfiguração da Avenida Anhangüera sob o pretexto das linhas de ônibus. As guarirobas que identificavam os 14 km da nossa principal artéria de tráfego foram sacrificadas em vão e a paisagem ficou mais pobre. Agora, que queremos a cidade enfeitada de ipês e buganvílias, as moto-serras põem abaixo as árvores.

Prefeito, defenda seu nome ante a História e demonstre seu amor a Goiânia, impedindo ações arbitrárias que só causam prejuízo à paisagem e ao meio-ambiente. Interfira com seu carisma e seu poder de líder, ou se terá a certeza de que, se Maguito for eleito, o Centro Cultural Oscar Niemeyer será transformado em estação rodoviária ou canteiro de máquinas da Agetop.

Ainda há tempo, Prefeito. Assegure à História de Goiânia o destino maior do Grande Hotel, ou o INSS ficará muito à vontade para tomá-lo de volta e, sabe-se lá, cedê-lo para se fazer ali mais um camelódromo.

Aí, prefeito... Só Deus!

5 comentários:

Luiz de Aquino disse...

Esta crônica foi publicada hoje no Diário da Manhã, de Goiânia - http://www.dm.com.br/impresso.php?id=150618&edicao=6862&cck=3 - e já tem comentários polêmicos. Confiram, no endereço citado.
Obrigado,

Luiz de Aquino

Conceição Matos disse...

O Prefeito de Goiânia,que por um regime hipocritamente intitulado democrático, foi eleito não pela maioria, mas graças a um número significativo de ausentes, é um latifundiário e para tal, não importa o estrago feito a fim de atingir seus projetos ambiciosos.

Conceição Matos

VaniaFerro disse...

Pelos acontecimentos nos governos anteriores de Iris Rezende e sua falta de atitude na cultura dete atual, o que devemos fazer é abrir a boca no trombone, pelo menos ficaremos menos revoltados. Seu texto impulsionou-me a expressar o estarrecimento,por nada de bacana acontecer. E que estamos mesmo "no mato sem cachorro".
Com as pesquisas de Lula podendo ganhar mesmo no primeiro turno resultará ele continuar ficando por "cima da carne ceca" e com este governo deixando a cultura de lado. Os artistas a ver navios...
Vaniaferro

Anônimo disse...

Luiz, Deus está ocupado agora. Ele não pode fazer muito, mas uma pessoa que destroi mongubeiras e palmeiras imperiais criminosamente , deve ser responsabilizado por isso. Crime embiental. Aliás, motivos para ele sair da prefeitura tem de sobra, senão não vai sobrar Goiânia...
Você está correto. Será que ele não sabe do que faz?
Um bjo querido poeta.
Maria Luiza Vieira
Salvador_Bahia

Shraddes disse...

Ah! dEUs!!!

há DeuS ou dEUs?
Aparentemente mais EUs que ELE.
E quanto mais EU, menos Deus.
E a destruição continua...
A luta pelo poder.
A agonia da moral.
O sufoco do ar seco.
A queimada escaldante.
O desmatador ignorante.
O prefeito inoperante.
Vamos ter que virar árvores,
para inalarmos gás carbônico
e gerarmos oxigênio
Assim morreremos azuis e
do verde ficará só a lembrança...
Mas se não estivermos mais aqui,
só DeuS poderá apreciar o que sobrou...

Bosco