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sexta-feira, outubro 17, 2008

“Ad immortalitatem”

“Ad immortalitatem”

Em raros momentos a Academia Goiana de Letras está com todas as cadeiras ocupadas, como, também, qualquer Academia, que elas vêm a ser clubes fechados e com quadro vitalício, ou seja, uma vez eleito e empossado, ninguém se desliga, nem pode ser excluído. Assim, um número máximo de 39 votantes elege um candidato. E por seguirem o modo da Academia Francesa, criada em 1635 por Richelieu, as academias de letras só têm quarenta membros.
Poucos sabem, mas a Academia Francesa esteve fechada por dez anos (1793/1803), sendo reaberta por Napoleão (ou seja: o sanguinário imperador tinha seus pendores pela cultura). E a Academia Francesa vem a ser a mais antiga das cinco instituições que constituem o Instituto da França: “As academias incluídas no Institut de France são: a
Académie Française, fundada em 1635; a Académie des Inscriptions et Belles-Lettres, fundada em 1663; a Académie des Sciences, fundada em 1666; a Académie des Beaux-Arts, fundada em 1816; e a Académie des Sciences Morales et Politiques, fundada em 1795” – informa o site Wikipédia (http://pt.wikipedia.org).
A Academia Brasileira de Letras é o padrão que academias de cada Estado brasileiro seguem. Por serem clubes fechados, costumam ser alvo de críticos que as vêem como não são, ou seja, supõem-nas atreladas ao poder público e até mesmo a instituições de cunho religioso, o que não se sustenta. A admissão de novo membro se dá, como disse em linhas acima, por eleição direta dos membros efetivos, que se baseiam em critérios que vão da autoria de livro, conjunto de obras e conhecimentos nas atividades culturais (mais especificamente no que se refere a letras) e relações pessoais do pretendente com os votantes.
Equívocos acontecem: a ABL elegeu Getúlio Vargas e andou perto de eleger JK (que foi derrotado pelo goiano Bernardo Elis). Em Goiás, fez-se membro efetivo fundador, sem que o próprio o quisesse, Pedro Ludovico Teixeira, interventor por 15 anos (justamente o tempo de Vargas no poder, ou seja, de 1930 a 45). Consta que Pedro aceitou sua inclusão como homenagem, mas teria declarado que não participaria do sodalício por não se incluir como (palavras dele) “beletrista”. Cumpriu a promessa.
Daqui a poucas semanas, em data a ser marcada pelo presidente em exercício, Luiz Augusto Sampaio (Modesto Gomes encontra-se hospitalizado), acontecerá a eleição para a Cadeira 27 da AGL. Disputam-na a historiadora Lena Castelo Branco e o poeta Emílo Vieira, que me aponta como “lançador” de sua candidatura (sim, antes que ele se manifestasse, lancei seu nome neste espaço de crônicas). Gostarei muito de ter o poeta Emílio Vieira entre nós, tal como, agora, empenho-me em apoiar meu conterrâneo caldas-novense Delermando Vieira, que se apresenta candidato à vaga do meu amigo José Luiz Bittencourt.
Delermando tem uma disputa acirrada, antevejo eu. É que já fui contactado por dois outros valorosos intelectuais: o jurista e lente acadêmico Licínio Leal Barbosa e o ativista cultural Filadelfo Borges (jataiense, residente em Rio Verde, fundador da Academia Rio-verdense de Letras, Artes e Ofício; este, pelo que consta, tem apoio do acadêmico José Mendonça Teles). A ambos expressei meu apoio a Delermando Vieira, compromisso esse que se arrasta há alguns anos, pois o poeta declinou várias vezes de seu pleito em favor de outros pretendentes. Logo, penso eu, este momento é dele. Reconheço, tanto em Filadelfo quanto em Licínio, competência e qualidades outras que bem os credenciam, mas a escolha se dá, para cada votante, sobre um nome, apenas.
De bom, nessas eleições, destaca-se o interesse de intelectuais valorosos. Da professora Lena, sei que integra a Academia Feminina de Letras e Artes e o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. Licínio faz parte da Academia de Letras Maçônicas, e suponho que também Filadelfo. E agora, constatando que a participação no complexo Instituto da França se dá em cinco instituições sólidas, seculares e de criteriosíssimo processo seletivo, imagino que, se integrássemos as instituições fechadas das atividades intelectuais sob um só guarda-chuva, não seria necessário acolher na Academia Goiana de Letras membros de outras instituições do mesmo gabarito – e vice-versa.
Meus votos, pois, para as duas vagas, são para os poetas Emílio Vieira e Delermando Vieira (que não são parentes).

2 comentários:

Maria Helena Chein disse...

Oi, Luiz, acabo de enviar um e-mail para outro Luiz, meu irmão, que é médico ( e dos bons, em Petrolina, aqui perto), pois hoje é dia do Médico.
Li sua crônica com muito interesse, pois além de bem escrita, elucida os leitores sobre questões acadêmicas, que a maioria desconhece.
Quantos intelectuais pretendendo o ingresso na Academia Goiana, o que mostra que essa instituição está bem viva e atuante. Os nomes citados são de pessoas de grande valor e você se posicionou com firmeza e sendo gentil para com todos.
Um grande abraço.
Maria Helena

Maristella Marinho disse...

CADA DIA MAIS GOSTO DE LER O QUE ESCREVE. É UMA HONRA LHE CONHECER E TER SEUS TRABALHOS NO MEU PC. BJS PARABENS !!!!