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sábado, dezembro 20, 2008

Luiz de Aquino, José J. Veiga e o Sesc

Giuglio Cysneiros, Antônio Olinto (da ABL), Luiz de Aquino 
e, ao fundo, Lucas Leão Alves


Luiz de Aquino, José J. Veiga e o Sesc




Ubirajara Galli


Um dos melhores poemas de Luiz de Aquino – meu afilhado de casamento e companheiro de geração literária – não está em nenhum dos seus bons livros ou simplesmente entre seus guardados à espera de publicação. Encontra-se, sim, na sua atitude. Quando da morte do Veiga ocorrida, na cidade do Rio de Janeiro, em setembro de 1999, Aquino convenceu seus familiares a doarem ao Estado de Goiás o acervo memorial do escritor, revestido de livros, e sua máquina de datilografia, com a qual ele materializou belíssimas obras e outros objetos que faziam parte da latitude e longitude da sua produção intelectual.

Filho da cidade de Corumbá, nascida das costelas de Meia Ponte (Pirenópolis, onde Aquino é membro fundador da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música e tem assentada parte da sua genealogia), Veiga é sem dúvida, da sua geração de ficcionistas goianos, o nome mais importante das nossas letras. Só não entrou na Academia Brasileira de Letras porque nunca manifestou interesse em assentar lugar na Casa de Machado de Assis e nem alcançou um reconhecimento literário internacional igual ou maior ao do nosso irmão latino Gabriel García Márquez porque era totalmente despreocupado em vender seu próprio peixe.

Com o apoio do governo de Goiás, Aquino trouxe para Goiânia o acervo do Veiga, que ficou provisoriamente depositado na Casa de Cultura Altamiro de Moura Pacheco, sob a guarda da Academia Goiana de Letras. Depois de muito esforço, Aquino conseguiu finalizar de forma brilhante o seu poema “José J. Veiga”. Encontrou nas pessoas do presidente da Federação do Comércio do Estado de Goiás, José Evaristo do Santos, e do diretor regional do Sesc, Giuglio Settimi Cysneiros, a sensibilidade para carimbar o passaporte da dignidade memorial de José J. Veiga.


No mesmo local, onde em 1984, no Sesc da Rua 19, Centro, lancei meu terceiro livro, Poemas Balzaquianos, encontra-se aberto, de forma caprichada, à visitação pública o Memorial José J. Veiga, solenemente inaugurado no ano passado. 

Hoje, às 20h, estarei novamente no Sesc, desta feita, no Setor Faiçalville, testemunhando mais um ato cultural da Federação do Comércio do Estado de Goiás, quando serão revelados os vencedores do concurso de monografias sobre a história do comércio varejista no Estado de Goiás, patrocinado pela entidade, cuja comissão julgadora integrei, representando a Academia Goiana de Letras.


Ubirajara Galli é escritor, membro do Conselho de Cultura do Município de Goiânia, do Conselho Editorial da Universidade Católica de Goiás, da UBE-GO, da Academia Goiana de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás

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Esse artigo foi publicado na edição de sexta-feira, 19/12/08 no Diário da Manhã (Goiânia). Apesar dos sentimentos que nos ligam, confesso que me emocionei. L.deA.


11 comentários:

Irinéa Maria disse...

Quando é verdadeiro, reconhece-se o poeta.
Aprendi mais um pouco sobre os escritores goianos e sobre o Luis de Aquino.
Obrigada, José!

maria helena chein disse...

Luiz, parabéns pelo seu trabalho nas artes literárias. Parabéns por ter trazido para Goiás o acervo de José J. Veiga (quem se esquece de seus livros maravilhosos? Ah, "Aquele Mundo de Vasabarros"...). Parabéns por suas crônicas que despertam o leitor para o aqui e agora e, não raro, para o ontem.
Obrigada pelo envio de seus textos que leio, todos.
Dê um abraço no Ubirajara Galli por mim. Gosto muito dele.
Um grande abraço, amigo, e Feliz Natal para você e sua família.
Maria Helena

Mara Narciso disse...

São admiráveis as pessoas que vivem buscando um ideal, ou cheias de idéias, sempre têm muitos planos e projetos que extrapolam em muito o pessoal. Mais intrigante ainda são aquelas gentes que não se cansam de produzir planos e de chamar os outros para viajarem com elas em seus sonhos. Ainda mais quando esses sonhos nem são seus propriamente, mas meros pretextos para beneficiar os outros, jogar luz nos demais ou incrementar a valorização de alguém como homenagem ou benefício, sem adulação.
Falei para uma pessoa uma vez que fazer coisas grandes para ela é o mesmo que para uma cantora lírica cantar: natural. Do mesmo jeito que a outra não faz força alguma, não infla as veias do pescoço em busca do melhor tom, para ela, executar coisas—e eu nem conheço todas, apenas pequena parcela e já me emociono em saber--, flui com extrema naturalidade.

Com você Luiz, é um pouco assim também. E copio aqui o final desse meu escrito que foi feito para outra pessoa, mas que muito bem lhe cabe:

E aqui vai um pouco de adulação, porque ela é necessária até para fazer jus a meritocracia.

Herondes Cezar disse...

Amigo Luiz,
É bom ver que a sua luta pela preservação e divulgação da memória de José J. Veiga e sua obra, em nosso Goiás, vem sendo recomhecida.
Grande abraço

Elizabeth disse...

Eu li ontem. Também achei fantástico.
É bom ver o esforço reconhecido e registrado pra posteridade.


Abraços.
Beth

Urda Alice Klueger disse...

Que lindo!
Urda.

Ubirajara Galli disse...

Aquino,
Você deveria ter um reconhecimento - muito mais amplo - por parte do Estado, das universidades, das casas de cultura, do que o simples artigo que escrevi para o DM narrando sua luta para que a memória do Veiga viesse tomar assento nas terras onde está enterrado o seu cordão ubilical.
Abraços,

Bira

Anônimo disse...

Que beleza, amigo Aquino! Parabéns por mereceres tão altos encômios. sional de que o mérito é muito vivo. A pena do autor é soberba, bem lavrada e com ótimo estilo. Abraços do Joaquim Moncks, opoetinha do Sul.

Edmar Oliveira disse...

Aquino, parabéns por colaborar com tanto afinco e desprendimento para a elevação da cultura goiana. Seu empenho deve servir de estímulo para amantes da literatura e das artes em geral. Um grande abraço.

Madalena Barranco disse...

Querido Luiz,

Eu também me emocionei pelas palavras de reconhecimento do seu trabalho pela preservação da memória de José J. Veiga. Entendo que é algo assim como guardar uma jóia entre páginas de poesia.

Passei rapidamente pelo seu blog para "matar a saudade". Prometo voltar logo! E também para lhe dizer que eu indiquei seu livro "Poemas de amor e Terra" como um dos três livros que eu li em 2008 e gostei mais. O link do Portal Cronópios é http://www.cronopios.com.br/site/lancamentos.asp?id=3728

Beijos e boas festas!
Com carinho, Madalena

Almáquio Bastos disse...

Poeta Luiz,
Parabenizo você pela maneira como defende e divulga a arte, sobretudo a literatura, feita em Goiás. Estendo também os meus cumprimentos ao amigo poeta Ubirajara Galli, igualmente amante das letras. Almáquio Bastos