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quinta-feira, dezembro 11, 2008

Saber Mais Sobre Santa Catarina

Saber mais sobre Santa Catarina


Quem me escreve é o poeta Raul Longo, excelente analista político e crítico bem centrado de costumes e falsetas. Os costumes, nós o sabemos, dizem respeito ao modo de ser das sociedades: as falsetas, estas competem aos que se arvoram de líderes e tornam-se políticos. Bem feito, para nós. Nós somos diretamente responsáveis pelas mazelas que os maus representantes causam à Nação. Tivéssemos nós a disposição de ir à luta nas campanhas e nas ruas e inibiríamos os mal-intencionados. Mas…

Pois é! Então? "Pois é" vem a ser expressão do meu tempo, substituída pelo advérbio de tempo "então" para significar que se vai expor uma conclusão. E haja rima em "ão"! Mas, eu ia dizendo, o poeta Raul Longo apela aos corações brasileiros e de alhures no sentido de entender o que se passou em seu estado sulino.

A missiva de Raul Longo é bem peculiar, tem a sua marca, leiam:

"Até que enfim alguém acordou. Valeu a cutucada!

Ajude a repassar a mensagem abaixo. Nela não se teve coragem de dizer, mas a verdade é que mais uma vez temos de consertar os erros da mídia nacional que, na busca de sensacionalismos, não consegue fazer como fez a imprensa internacional ao divulgar o Tsunami, demonstrando por mapas as exatas regiões atingidas.

Não há tragédia no oeste de Sta. Catarina. Não há tragédia no sul de Sta. Catarina. Não há tragédia nos 500 km litorâneos de Sta. Catarina. O que houve foi uma trágica imprevidência na ocupação desordenada e sem planejamento do Vale do Itajaí, a menor e mais povoada região do estado. Uma região belíssima, que recebe turismo internacional no mês de outubro, por ocasião das Oktoberfest.

Catarinenses agradecem a solidariedade de todos os brasileiros, mas pedem ainda que ajudem a salvar do tsunami de uma mídia irresponsável e sem profissionalismo, o que restou do Vale do Itajaí. Ajude-nos a acabar com mais esta febre-amarela, este caos áereo, esta crise de pânico criada pela mídia. Raul Longo".

E aí vem o panfleto "O que você não sabe sobre Santa Catarina":
"Santa Catarina foi castigada pelas fotes chuvas. ISSO VOCÊ JÁ SABE. Santa Catarina precisa da sua solidariedade. ISSO VOCÊ JÁ SABE.

O que você NÃO SABE é que o estado de Santa Catarina não está destruído. Muito pelo contrário, o estado continua a todo vapor e as indústrias trabalhando em ritmo forte. O que você NÃO SABE é que os principais atrativos de SANTA CATARINA como, belezas naturais, parques, restaurantes, hotéis e grande parte do comércio não foram afetados e que toda essa infraestutura funciona normalmente.


NÃO DEIXE QUE A ECONOMIA DE SANTA CATARINA VÁ POR ÁGUA ABAIXO!
Uma maneira de nos ajudar é continuar escolhendo nosso estado como destino para seus investimentos e suas férias.



SANTA CATARINA está preparada para continuar o seu desenvolvimento".

O apelo do poeta e articulista catarinense é bastante apropriado. Quem de nós, goianos nativos e adventícios, viventes aqui em 1987, não se lembra do que passamos quando do acidente com o Césio? Não houve, no Brasil, um movimento de solidariedade, de apoio e cuidados para com os goianienses e goianos das redondezas, mas, sim, um exarcebado preconceito, um medo injustificado e uma atitude mesquinha de aproveitamento da situação, pois vários empresários de outras terras pressionavam os fornecedores goianos a entregarem mercadorias a preço vil, sob uma ameaça em termos de chantagem: "Ou aceita o meu preço ou eu devolvo a mercadoria".






Lá mesmo pelas terras do Sul (São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), para onde viajei em novembro de 1987, em automóvel, fui alvo de olhares temerosos e frases ameaçadoras quando preenchia um cheque. É que meu carro tinha placas de São Caetano do Sul, SP , e, como é natural, eu pagava a conta ao sair de um hotel ou restaurante. Então, eu invertia a chantagem: "Sim, sou de Goiás, mas já estou de saída; ou você aceita meu cheque, ou meu dinheiro, que também pode estar contaminado, ou eu me vou sem lhe pagar.


Detalhe: todos, sem exceção, aceitaram o cheque ou o dinheiro.

Agora, é a vez de Santa Catarina mostrar à Nação e ao mundo que a vida existe fora do Vale do Itajaí. A garra daquela gente já foi muitas vezes provada e em breve as belíssimas cidades do Vale voltarão a acolher turistas de vários sotaques e de vários idiomas.

Aos governos, pedimos que restaurem ao menos as rodovias. O resto, o povo catarinense, com a solidariedade de um Brasil inteiro, fará por si. Os brasileiros somos assim: um povo bom, ordeiro e vitorioso. Apesar de votarmos errado, muitas vezes.



Luiz de Aquino é jornalista é escritor, membro da Academia Goiana de Letras. E-mail: poetaluizdeaquino@gmail.com










3 comentários:

Mara Narciso disse...

Uma análise geográfica muito bem feita. A derrocada de Santa Catarina será a redução dos negócios e do turismo na esteira da ignorãncia, e não a tragédia localizada em si. As outras regiões estão inteiras, e não ficarão assim caso as pessoas não continuem fazendo o que sempre fizeram: ir para Santa Catarina.

E de quebra foi relembrado o pesadelo do césio 137. Não podemos deixar que o preconceito e a desinformação nos engulam.

Todos já para Santa Catarina!

Maria Helena Chein disse...

Luiz, bom dia!
Manhã de sexta-feira, eu aqui lendo sua crônica, gostando, pois achei interessante o que Raul Longo escreveu sobre Santa Catarina. E você completou com as lembranças do Césio, aquele monstro que aviltou e matou, causou desesperos e preconceitos.
Suas crônicas são oportunas em nosso cotidiano e, tantas vezes, um deleite para o nosso lado que sonha e tem lembranças.
Um grande abraço.
Maria Helena

Antônio Americano disse...

Caro Luiz de Aquino,



Excelente seu artigo de hoje. Infelizmete a mídia so procura divulgar as mas noticias.



Abraços



Americano