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sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Carnaval com qualidade

Carnaval com qualidade


Luiz de Aquino

 

Enfim, o ano de 2009 começa no Brasil. Como sempre, as festas brasileiras inciam-se com o movimento das compras de Natal, embriagam-se sob os fogos do Ano-Novo e estendem as reverências a Baco até os festejos do Rei Momo. E então vem a Quarta-Feira de Cinzas

 (do calendário católico), dois dias e meio de trabalho preguiçoso nas áreas da burocracia e dos serviços e, na verdade, somente na segunda-feira a gente começa um novo ano.

Carnaval…

Em cidades de Minas,  proibiu-se qualquer música que não fosse samba e marcha, excluindo os adeptos de outros sons para a periferia. O propósito foi o de dar entretenimento agradável aos que realmente curtem carnaval e agregar os turistas que efetivamente gastam, porque os outros geram apenas trabalho e despesa para os cofres municipais. Esse exemplo Goiás precisa copiar, especialmente Caldas Novas, Pirenópolis e a antiga capital, Goiás.

A propósito, minha crônica de quarta-feira passada foi considerada nas duas cidades históricas goianas. De Pirenópolis, escreveu-me Daiane Lima, informando que colocaria meu texto no portal da cidade na Internet - www.pirenopolis.com.br -, o que prontamente autorizei. Isso indica que os que trabalham a ideia da melhoria da recepção ao turista na antiga Meia-Ponte pretendem, sim, proporcionar melhor ambiente na cidade. Atualmente, o “auê” no centro histórico de 

Pirenópolis decepciona o turista de verdade, tamanha é a invasão dos vândalos de Anápolis, Goiânia e Brasília (principalmente), o que afugenta o bom turista. Este ano, o brasiliense de gosto refinado prefere Cavalcante, no nordeste de Goiás; até Joãozinho Trinta (que costuma escrever Joãosinho) aconteceu nas margens de outro Rio das Almas (explico: Pirenópolis é banhada pelo Rio das Almas;

 Cavalcante, também – mas são dois rios com o mesmo nome).

De Vila Boa de Goiás, Ademir Hamu me trouxe o CD com as marchinhas classificadas no concurso de marchas que noticiei domingo passado. Em terceiro lugar, “Carnaval é em Goiás”, de Luci Espírito Santo B. L. Gomes; em segundo, “Jóia Rara”, de Idelmar Paiva Neto. A vencedora foi “Sonho de Carnaval”, de Orion Tadeu de Amorim. A letra é um tanto longa, à moda de marcha-enredo, e bonita:

”Eu quero teu confete e serpentina, Menina, se atina, se atina / Que a lua tá no céu e a vida empina / Se atina, se atina. (Refrão) //  A marcha imortal: “Veneno” Carnaval / Eu quero ver raiar o dia // Na Sota ou no Bacalhau, / Meu sonho é nunca igual / Eu rasgo a tua fantasia. // Saí de bem com a vida pra cidade / Teu beijo estricnina de verdade / Que bom morrer assim, na Praça do Jardim / Quem um dia se chamou Liberdade”.

Ademir e João Marcelo gravaram cento e cinquenta cedês e, obviamente, não conseguiram atender a todos os que queriam a gravação das marchas. Resultado: no dia seguinte, o pequeno disco já era vendido, legitimamente pirateado, no Mercado da cidade.

 

 

 

Luiz de Aquino é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras.  E-mail: E-mail: poetaluizdeaquino@gmail.com. 

 

4 comentários:

Mara Narciso disse...

Aqui em Montes Claros, norte de Minas, tocou de tudo, e como não tem carnaval de verdade, ficamos a remedar os baianos com a, para mim insuportável, axé music.

Placidina Lemes de Siqueira disse...

Gostei do "legitimamente pirateado"...

Lenita Naves disse...

Caro Luiz,
Parabéns pelo alcance de número tão expressivo de leitores e admiradores de seu trabalho.
A poesia é linda !!!!
Abraços
Lenita

Piettro Andrade disse...

Carnaval com qualidade – Luiz de Aquino – Opinião,

Sons perturbadores
O cronista tem muita razão quando ataca os abusos cometidos com som automotivo, verdadeira praga que se alastra pelo Brasil e causa uma perturbação do sossego alheio como poucas vezes se viu. Passei o carnaval na cidade de Pirenópolis e, embora a prefeitura tentasse organizar a bagunça, despertei-me no meio da madrugada, quando já silenciavam as marchinhas na rua direita, com potentíssimos sons de carros que passavam nas ruas. Um dia essa batalha contra a perturbação da tranquilidade será vencida, mas até lá é preciso que pessoas como o Aquino escreva, proteste, relembre o que quer ser esquecido.
Piettro Andrade, via DM Online