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domingo, janeiro 23, 2011

Niemeyer em Pirenópolis


Niemeyer em Pirenópolis

Eis uma anotação para a agenda do governador Marconi Perillo: a bucólica Pirenópolis poderá ser mais uma cidade brasileira e ostentar obra do centenário e imortal Oscar Niemeyer. Nesse sentido, três pirenopolinos – o nativo Luiz Antônio Godinho e os honorários Jorge Braga e eu – empenhamo-nos para que alguma instituição privada ou de governo adquira do casal Íbis Ferreira e Otávio Soares Brandão o projeto que, originalmente, seria aplicado em Rio Verde.

Jorge Braga
Luiz Antônio

Essa aquisição, obviamente, implica dispêndio financeiro fora das possibilidades do trio citado. Caberia à comunidade de Pirenópolis tal empenho, que, parece, não encontra eco na administração local. Mas há, contudo, manifestações pessoais de interesse na obtenção de tal projeto, com o qual o arquiteto de Brasília presenteou o casal (o maestro Otávio Soares Brandão é filho de um grande amigo, já falecido, de Oscar).

O projeto é detalhado, mas, pelo decurso de tempo entre sua concepção e as atuais tecnologias de construção carece de ajustes. A obra tem uma estimativa de curso, em termos atuais, da ordem de dez milhões de reais. Carece-se, nesta fase, de um terreno com pelo menos cinco mil metros quadrados, mais o custo da aquisição de direitos sobre o projeto.

Pirenópolis é berço de incontáveis intelectuais e artistas que deram origem ao elenco histórico dos nossos feitos em literatura, escultura, pintura, filosofia, política, música e tantos mais afazeres de espírito e talento. Hoje, como pólo turístico e catalisador de encontros e eventos, atrai olhares e interesses não só do país, como de todo o mundo. Caso se concretize esse propósito, a cidade das Cavalhadas ostentará uma obra de Niemeyer, algo à altura de sua história.  


* * *
Luiz de Aquino é escritor, membro da
Academia Goiana de Letras.





4 comentários:

Saramar disse...

Caríssimo poeta, espero mque esta ideia não se concretize, pois seria uma desvirtuação total da paisagem da cidade.
Ademais, a realidade já demonstrou que as obras do renomado arquiteto, apesar de esteticamente belas, não são funcionais.
Aliás, a posse da Roussef foi estragada não pelas chuvas, mas pela falta de funcionalidade da tão famosa rampa do palácio.

Luiz de Aquino disse...

Saramar,

Fico muito feliz quando você me escreve; pena que demore tanto para isso...
Se me permite, quero lembrar-lhe que Roma, Jerusalém, Paris, Londres e tantas mais cidades milenares estão habitadas hoje habitadas regularmente, com grandes edificações de todas as épocas; nem por isso se perdeu a história, não será, pois, no Brasil que engessaremos o passado sem que o novo possa existir.
O argumento da funcionalidade também não é novo, já o ouvi algumas vezes, mas não será a posse de Dilma que destruirá o valor de Oscar Niemeyer. Note que, desde sempre, existem escadas externas, as quais ficam também não-funcionais quando chove. E o Palácio de Versalhes, que não tem banheiros? Deve ser destruído? E a Muralha de China, será necessário que se instalem lá escadas e esteiras rolantes?
Não vejo motivos - a não ser político-ideológicos - para se opor tanto a Oscar Niemeyer. Um articulista da revista VEJA condenou as pessoas que festejaram o centenário do grande arquiteto brasileiro porque Oscar é comunista. Duvido que seja essa a sua razão.
Beijos!

Luiz de Aquino

Juarez Correia disse...

"Luiz, leio, curto, acompanho e exalto a tua arte. Tivéssemos mais uma duzia de Luiz de Aquino, não seríamos apenas o centro geográfico desse gigantão bobo. Seríamos pra eles o que somos pra nós: a cultura mais bonita e diversificada desse avestruz de cabeça enterrada perto da Argentina. Continue em frente, gladiador cultural."

Adriano César Curado disse...

Caro poeta Luiz, será muito bom para Pirenópolis receber um projeto do Niemeyer, pois a cidade está com uma certa aflição na busca de mais espaço físico. É que as antigas construções, como o teatro e o cinema, não comportam mais o crescente número de turistas que para lá vão. Qualquer evento lota esses prédios. E quanto chega o Canto da Primavera, então?! O único problema para a efetivação do projeto é o que você mencionou, ou seja, encontrar apoio. Pirenópolis, como nós sabemos, é uma terrinha boa, mas complicada...!