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Gesto expressivo para a juventude dos anos 60 e 70... |
Não
desarmam os palanques?
Sim: não os
desmontam, nem descem deles. Os extremistas da situação continuam festejando os
últimos votos que confirmaram Dilma Rousseff presidente para os próximos quatro
anos, e os extremistas da oposição falam em impeachment como se a medida fosse
– como dizem os petistas mais afoitos – um terceiro turno (aliás, petista mais
afoito pareceu-me o ministro Dias Toffoli ao encerrar os trabalhos
pós-eleitorais vociferando o jargão “terceiro turno”).
Pessoas que
tiveram o privilégio da boa escolaridade, portadores de diplomas que lhes
asseguram salários confortáveis, ocupantes de bons lugares ao sol dos recursos
materiais etc. – de ambos os lados – gastam tempo e espaço nas redes sociais,
uns pregando um abaixo-assinado que propõe o impedimento da eleita, outros
tentando demonstrar por meios nada convincentes que os escândalos do Mensalão e
do Petrolão (em maiúsculas pela magnitude do dinheiro e dos reflexos desses
males) foram inventados pela oposição, oposição essa que domina o Supremo
Tribunal Federal (sim, alguns chegam a dizer essa bobagem) e que detém todos os
veículos de comunicação e constitui o PIG – este, sim, um fictício “partido da
imprensa golpista”.
Ainda que mal
aplicadas, ainda que mal interpretadas, ainda que formuladas de modo a manter
brechas pelas quais alguns conseguem escapulir pelos meandros dos procedimentos
processuais, este país tem leis. E são muitas – há quem diga que elas são em
número superior ao ideal. É também real que a impunidade permeia os meandros
judiciários, como também é verdade que a corrupção, o tráfico de influência e
os ouvidos e olhos omissos permitem que uns raros privilegiados cometam
infindáveis séries de irregularidades sem serem incomodados.
Foi incrível e
decepcionante ver o presidente Lula manifestar-se lá no exterior em defesa dos
“companheros” acusados no processo do Mensalão, acusando o STF de “julgar
politicamente”. Parece-me ele se deu conta do erro e procurou silenciar-se,
depois. E a presidente Dilma, que tanto se contradiz em atos quando lembramos
suas frases de campanha, afirma permitir que haja investigações. Mas manter
Graça Foster na presidência da Petrobrás lembrou-me Henrique Hargreaves, que se
demitiu do ministério para ser investigado –ele retornou ao posto, ante novo
convite do presidente Itamar Franco, quando comprovada sua inocência. E não
faltam rumores, capazes de levantar desconfianças, de que manter a amiga Graça
Foster no mais alto posto da nossa mais amada estatal tinha o propósito de
abafar o que fosse possível.
Em suma, são
muitas as teorias da conspiração manipuladas em vários dos ambientes da
oposição – e da situação também. Decepcionam-me os dois lados por seus
exageros, cometidos de tal maneira que nos deixam – a nós, leitores de tantas
baboseiras – ofendidos pelo quanto menosprezam nossa inteligência.
Quem conversa
comigo, quem convive comigo já ouviu de mim que votei na Dilma em 2010 porque
Lula pediu – e eu não a conhecia. Agora, não votei nem mesmo com Lula pedindo,
porque já a conheço. E sinto-me confortável por não ter votado nela, nestes
dias em que o segundo mandato se nos é apresentado como o mandato que – disse a
candidata Dilma Rousseff – Aécio Neves estaria exercendo, com aumentos de
impostos, cortes orçamentários volumosos na verba da Educação, denúncias mil de
corrupção e outras medidas igualmente antipáticas.
Mas daí a pregar
impeachment... Que nada! Ela que continue presidente. Nosso papel é
permanecermos vigilantes, cobrando medidas saneadoras e respeitadoras (andamos
fartos de mentiras, Dona Dilma!) e responsabilizando-se (isto sim!) pelos erros
graves que a fizeram cometer um governo tão ruim que ela mesma o reconhece,
mudando o rumo do discurso de campanha.
*.*.*
4 comentários:
Mais uma vez, quero cumprimentá-lo pela elegância no falar!
Eu, nem tão sutil, chamo de picadeiros ( de circo, mesmo) o que você chama de palanques. Há exatos trinta e cinco anos, quando da fundação da escola petista, meu sétimo sentido mostrou-me o que teríamos pela frente e não me enganei. Em momento algum tentei justificar os atos aterrorizantes praticados durante o regime militar, porque injustificáveis, mas sempre desconfiei dos discursos daqueles que hoje exercem o Poder.. Não deu outra: a máscara caiu!
Equilíbrio e sensatez é o que tem faltado no discurso da situação e da oposição, e que lhe sobrou nessa análise despretensiosa, mas bem feita. Eu votei em Dilma Rousseff pela continuidade dos benefícios sociais. Estou desconfiada de algumas autoridades. Quero mesmo que se esclareçam e que se punam os responsáveis pelo indecente desvio de nossas verbas. Pago impostos escorchantes e me vejo autorizada a reclamar sobre o que fazem com o meu dinheiro. E que não tenhamos de enfrentar outro impeachment. Isso não seria bom para o nosso país.
Ficar vigilante apenas, já não é o suficiente. Nossa passividade faz perpetuar no Poder maus políticos, ladrões disfarçados de "Presidente e Governadores", dentre tantos outros cargos e títulos que escondem a real ocupação desta gente desonesta, organizações criminosas...
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