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domingo, novembro 12, 2006

Unimo-nos, por Deus!

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Juntou Deus a água ao pó, e fez-se o barro.

Soprou Deus a escultura e fez-se o Homem.

Há quem diga que Deus teria feito antes a mulher, se o escriba das Sagradas Escrituras fosse a fêmea da espécie, e não o varão. E a darmos crença a tal falácia a lugar algum iríamos senão ao fomento de uma rixa estéril.

“Deixará o homem o pai e a mãe e se unirá a sua mulher e se tornarão uma só carne”. Priscila e Rafael buscam, juntos, esse caminho: o da feitura de “uma só carne” a partir de sua união.

Nada mais justo, nada mais limpo e lindo que isso: a união de gêneros e sexos, com afeição sincera e lealdade recíproca. Priscila traz consigo Pedro, Fernando e Luca; e Rafael, absorve-os em amor, porque é de amor que se faz família. E, certamente, esta família, agora nova, há de se expandir novamente e, para ambos, “uma só carne”, como preceitua o texto bíblico.

Fiat pax”, pois, entre os gêneros, porque é nosso propósito a harmonia dos seres com o almejo à reprodução e à boa formação moral e intelectual, saudável e duradoura dos nossos frutos.

Deus não criou um Universo preguiçoso, mas um sistema da mais elevada complexidade, dinâmico e contínuo. Por isso nos cabe a missão da reprodução, tal como aos animais e às plantas, sempre com a parceria de todas as forças cósmicas. Estrelas nascem e desaparecem; sistemas planetários existem em incontáveis milhões de ocorrências simultâneas, num perfeito equilíbrio no Universo. Quando os nossos corações pulsam, pela nossa sobrevivência, ou se aceleram pelas nossas emoções, repetem a energia universal que imprime a música de todos os corpos existentes, do éter aos mais gigantescos sóis do céu.

O que nos cabe é pequenino e pouco, se nos parece grandioso é porque nossas forças são limitadas, nossa energia é mínima. Mas somos indispensáveis a nós mesmos e aos que nos são mais próximos. Desarmonizar nossa relação com os mais próximos é dar início ao novo caos.

Somos, então seres sensíveis e racionais, ativados por um espírito que nos induz e nos conduz a um constante aprimoramento social e moral. Não nos unimos em matrimônio sob o êmulo das riquezas materiais, mas pela ânsia de melhor fazer pelos que nos são pósteros e, de um modo egocêntrico, mas não egoísta, de também crescermos.

Hoje, o móvel de Priscila e Rafael é o amor. E, ao se unirem, fazem-no com preces ao Criador, pedindo-Lhe que lhes fortaleça a fé. E que lhes proporcione a paz para a tolerância ante suas diferenças. Que tenham também, sob a luz do Pai, otimismo para vencer os dias e seus testes, o futuro e suas surpresas. Sejam abençoados, pois, para alcançar, se não todos, os principais sonhos dessa união.

Abençoe-os o Pai dos Homens, dos bichos e das plantas, das águas e das montanhas, dos horizontes visuais e dos nossos sonhos.

Assim seja!


(*) Meu sobrinho Rafael Silva Granja casou-se, hoje, com Priscila Áquila Fernandes Granja. Em homenagem a eles, escrevi este texto, que li na cerimônia. Goiânia, 11/11/06)

5 comentários:

Luiz de Aquino disse...

Recebi de Leida Gomes (Goiânia), por e-mail:


Luiz, a sua crônica é ótima,você
se mostra espiritualuzado e nos da a oportunidade de conhecer um pouco da sua forma de conviver com
o cosmo.
Parabéns.

Desejo que Deus cubra de bençãos e glórias a uniaõ de seu sobrinho Rafael Silva com Priscila.

Que assim sejá!

Beijo.

Lêida Gomes.

sol pereira disse...

Luiz,

Parabéns, adorei!!

Fiz uma mensagem para uma amiga que fez encontro de casais.

Esta mensagem aborda sobre o capítulo da bíblia Gênese, igual ao
seu texto,em que fala que DEUS é tão maravilhoso. Ele fez o dia, a noite, os animais, as plantas, mas estava faltando algo para a natureza ficar completa. Aí, Ele fez o homem; não contente, fez a mulher de uma parte do homem. Fez o casal. Apesar de a mulher ser feita de uma parte do homem, isto não lhe dá o direito de ser inferior a ele e sim ela foi feita para andar lado a lado do homem e, junto dele, construir família e habitar o mundo.

Desejo que seus sobrinhos sejam felizes e que este amor que
foi soprado por Deus perpetue.

Beijo,

Sol Pereira

Luiz de Aquino disse...

Recebi, por e-mail, de Conceição Matos (de Goiânia):


Compartilho com você o conceito dinâmico da criação, com participação
contínua de todos os seres. Entretanto há em suas palavras a judaica
teimosia de relacionar amor ao casamento (ou vice-versa).Amor ao sexo. Sexo
ao casamento...Família ao casamento... Com todo respeito, eu preciso
discordar!!!

Creio ainda que somos todos da mesma carne! Da mesma condição: frágeis e
mortais!A concepção de uma felicidade eterna ao encontrar sua alma gêmea é
novelesca. Relacionar esse versículo ao casamento é "forçação de barra" dos
judeus e cristãos...

Contudo compartilho a idéia de que TODOS somos feitos de energia. E somente
nós podemos escolher como utilizá-la. E cada um de nós é responsável por
nossas escolhas.

Que Rafael e Priscila saibam tirar dessa escolha muitas aprendizagens! Mas,
cuidado: não cobrem um do outro a responsabilidade por sua própria
felicidade!!!

Leila M. Gonçalves disse...

Meu amigo e Poeta prefetido Luiz,peço vênia para algumas considerações.Ao ler seu texto lembrei quando aos 18 anos,assisti minha primeira aula de Direito Civil.Disse o professor:"O casamento é um contrato bilateral,de trato sucessivo..",enumerando diversos outros requisitos...então pensei:-só falta acrescentar a onerosidade..rs.Assim,mesmo com ascendência judaica e simpatizando fortemente com a idéia da existência de almas gêmeas,entendo que o amor,o sexo não são pressupostos de um contrato,ou seja,existem independentemente do casamento como instituição,não estando a esta atrelados.
Imprescindível também,nas relações interpessoais saudáveis,a preservação das individualidades.Creio na união firmada com base na autonomia da vontade das partes,que desejam compartilhar amor,sexo,verdade,lealdade,
reciprocidade,procriação se assim desejarem,respeito às diferenças e principalmente às individualidades,sob o mesmo teto, ou não..rs.
No mais,meu Poeta preferido,parabéns pelo brilhantismo habitual,deixando meus cumprimentos aos sobrinhos.
Beijos

Anônimo disse...

Ainda que de forma indirecta, quero por este meio desejar toda a felicidade a Pri.
Tive o prazer de te conhecer muito de fugida (e como a "fugida" me foi difícil...) mas as ténues recordações que guardo, ainda hoje, me confundem...
Um grande beijo, um forte abraço.
Rui