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quarta-feira, agosto 12, 2009

Alguns comentários


Luiz de Aquino


Este é um dos momentos de eu-leitor, de modo narcisista... Ler o que comentam meus leitores. Antes que me acusem de cabotino e vaidoso, esclareço que me agrada, e muito, a visão contrária, também, mas as pessoas, parece-me, não se sentem tão à vontade para contestar. Pena...

Aqui vão alguns dos comentários às minha crônicas mais recentes. Começo pela de domingo passado, em que contei uma viagem a Catalão, vinte e cinco anos atrás. A poetisa carioca Lílian Maial foi sintética: “Que delícia! Fiz companhia a você nessa viagem, com todas as suas flores e notas”.
E Mara Narciso (mineira e, como Lílian, também médica) analisa: “Ficou-me a impressão que foi criada uma outra frase para ficar nos anais históricos, muito mais do que uma lembrança, mas uma citação obrigatória: "uma amizade, ao consolidar-se, pode bem ter raízes que se plantam mais firmes no coração que na fragilidade da lembrança."

Da distante e lírica Itálica, Leda Goulart me saúda: “Ciao, mio scrittore preferito Luiz de Aquino!
‘I fiori sono i messaggi che la gente tentano di mandare e non sanno dire’, 
perfetto per me oggi leggerti e trovare queste parole che hai messo in rima,
Buona Domenica e Buon Giorno del Papà!”.

O estudante goianiense Marcos Carneiro atenta para a linguagem “de autêntica originalidade, faz o leitor se roer de pressa para chegar ao próximo parágrafo. Digo pela atitude sagaz de colocar no papel o que o povo pensa. Assim como o texto "viaturas, calçadas...", este também está carregado de uma função ética que todos nós precisamos - principalmente o eleitor brasileiro : voz”.
 E Leida Gomes concorda comigo: “você acertou na mosca: o Senado é um paraíso e está fazendo do Brasil ‘O Quinto dos Infernos’. (... ) Mas, na verdade, o Collor se despiu da pele de Cordeiro, mostrou a sua verdadeira identidade, e acredito que ele sairá candidato em 2010”. 



A dra. Mara Narciso, que é também articulista do DM e estudante de jornalismo em sua Montes Claros (MG), volta para falar sobre os políticos: De fato, alguns identificam-se mais com o condutor, mas há os que são uma montaria. É o que antigamente se chamava de cavalgadura. Com essa leva de políticos, quem terá pena de nós?”. Já a professora Noemi Almeida denuncia: Gostei!!! Você diz o que a maioria dos brasileiros gostariam de dizer, mas se calam diante de tamanhas barbaridades”.

Eis, então, que se fala de outra crônica, aquela em que falo de viaturas policiais nas calçadas e as máscaras ante a paranóia da gripe. A advogada e professora Sônia Marise narra experiência: “Olá, poeta!
Até que enfim alguém diz alguma coisa a respeito da licenciosidade
da nossa valorosa PM que, sem qualquer cerimônia, estaciona suas viaturas na calçada, inclusive das praças. Incomodada, abordei o garboso PM que apoiava um dos pés no batente do carro, firmando-se na porta aberta deste, assim como patrulheiro rodoviário de filme americano, quando faz pose com o radiocomunicador, olhando ao longe da estrada....Perguntado se não temia estar dando mau exemplo para a comunidade, estacionando sobre o passeio, o que é vedado por lei, respondeu-me, na pose:
‘- PM pode’. Malcriada, contra-ataquei:
‘Pode nada!’. Ele fechou a cara e eu, nem aí”. Maria Helena Chein, escritora e professora, também se incomoda com o tema: “Você dá uma sacudida nesses assuntos tão sérios, reais e os joga para fora. E concordamos com você, cronista que fala pelos que acham, pelos que têm certeza e pelos que já se manifestaram mesmo que de uma forma menos contundente”.


Finalizo com Antônio Americano: “A respeito da crise do senado, um tema interessante para sua crônica seria saber como reagiriam hoje, aqueles estudantes, como por exemplo o Honestino Guimarães e tantos outros, que foram torturados e mortos pela ditadura militar enquanto lutavam pela democracia”.


Meu amigo, prefiro não imaginar. Salvo as famosas “honrosas exceções”, os sobreviventes têm se mostrado não muito diferentes dos ex-algozes (Sarney, Collor e outros de íntimas ligações com o tal “regime de exceção”).



Luiz de Aquino (http://penapoesiaporluizdeaquino.blogspot.com) é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras.

4 comentários:

Mara Narciso disse...

Como se vê, sou muito opinativa. Gosto de ler, capturar novas ou velhas ideias, concordar ou discordar com a forma ou o conteúdo. Sei que você é um pouco assim também. A nossa inquietude nos leva a escrever e a nos mostrar. Ser lembrada faz um bem, e falar disso nem sempre é vaidade. No caso, acabo de ficar muito lisongeada. Obrigada pela consideração Luiz.

Luiza Chagas disse...

Luiz,
Como é bom ser amiga de um leterário! Parabéns pelo seu trabalho.
Luiza

Marcos Carneiro disse...

Caro poeta. Lendo jornal na tarde de ontem, me esbarrei com tua coluna no DM, e esporadicamente, meu nome e comentário sobre sua pessoa. Me sinto honrado em ser reconhecido pelos comentários verdadeiros que faço, o que faz ressaltar o trecho do comentário que fiz: "... colocar no papel o que o povo pensa.", pois até a voz de um simples estudante - representante forte desse povo que falo-, foi parar nas entrelinhas da mídia escrita. Muito obrigado.
Outros comentário estarão por vir.

Leidagomes disse...

Luiz, é muito bom e enriquecedor ter um amigo literário(imortal), pois quando menos esperamos... recebemos um doce afago.

Amigo poeta, obrigada pela consideração.

Leida