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sábado, agosto 01, 2009

Calçadas, viaturas e máscaras

Calçadas, viaturas e máscaras


Luiz de Aquino

Existe aí um código de construções, lei específica a cada um dos quase seis mil municípios brasileiros. E a gente imagina que o que essa lei estabelece há que ser respeitado, mormente no que se refere a uma cidade com mais de um milhão de moradores. Ainda mais se tal cidade for capital estadual. Mas, parece-nos, nem mesmo o governo da cidade se lixa para isso.

Exemplifico: há muitos, muitos anos, constatei que dois condomínios na Vila Jaraguá (ali, pertinho do Parque Agropecuário) invadiram duas ruas, sem a menor cerimônia. Como jornalista, procurei diversas vezes a prefeitura, querendo saber para informar, com base em que dispositivo aquilo se deu, se a Prefeitura tinha conhecimento etc. Tinha, sim. Tem. Mas nenhuma resposta me foi dada, nem a mim nem ao cidadão pagador de impostos de qualquer natureza.

Para duplicar a avenida T-63, a prefeitura abaixou muitos centímetros no nível das ruas do setores Pedro Ludovico, Bela Vista e Bueno, também sem a menor cerimônia. E não cuidou de regularizar o nível das calçadas. Gostaria de convidar o prefeito e alguns secretários municipais para passear por esses bairros, a pé...

Como se isso não bastasse, a Polícia Militar resolveu, nos últimos anos, que deve estacionar nas calçadas, como procedimento operacional padrão. Alega que, assim, o cidadão percebe melhor a presença da viatura e dos policiais etc. e tal. Tudo bem, é claro. O cidadão percebe, sim, a presença da PM, até porque é obrigado a transitar na pista dos carros porque o carro da polícia obstrui o passeio. E como é comum policiais militares empregarem-se em empresas privadas de segurança, carros dessas empresas também param como as viaturas policiais, obrigando pedestres a andar na pista de asfalto.

Isso é segurança? E as calçadas em desnível, que obrigam as pessoas a esforços nada saudáveis? Quem me lê com relativa frequência sabe que venho reclamando providências, sem sucesso, desde os tempos em que o prefeito era Nion Albernaz, em seu segundo mandato. Que se dane o trânsito dos pedestres, pois.

Enquanto isso, o noticiário nacional ocupa-se da gripe tipo A. E a gente vê na tevê muita gente usando máscaras, com medo de morrer. Os médicos não vêem eficácia nessas máscaras, dizem que há um abuso desnecessário e tal... Mas as pessoas insistem.

Pergunto: se o medo de morrer é assim tão grande, porque essas pessoas não se protegem de outras formas? O risco de vida com essa gripe nova é da mesma ordem estatística da gripe comum, mas a gente nunca usou máscaras por isso. Morre-se muito, muito mais em acidentes de trânsito, mas as pessoas continuam dirigindo feito loucas, muitos sequer usam o cinto de segurança no banco traseiro, avançam sinais, ultrapassam na faixa contínua ou enchem a cara de álcool ou de drogas e saem matando.

Será que essa gente tem mesmo medo de morrer ou usa máscara só para ser visto na tevê?


Luiz de Aquino (poetaluizdeaquino@gmail).com) é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.

11 comentários:

Sônia Marise disse...

Olá, poeta!
Até que enfim alguém diz alguma coisa a respeito da licenciosidade
da nossa valorosa corporação da PM que, sem qualquer cerimônia, estaciona suas viaturas na calçada, inclusive das praças. Eu já vi, muitas vezes, ali na praça do Sol,perto da banca de revistas. Incomodada, abordei o garboso PM que apoiava um dos pés no batente do carro, firmando-se na porta aberta deste, assim como patrulheiro rodoviário de filme americano, quando faz pose com o radiocomunicador, olhando ao longe da estrada....Perguntado se não temia estar dando mau exemplo para a comunidade, estacionando sobre o passeio, o que é vedado por lei, respondeu-me, na pose:
- PM pode....
Malcriada, contra-ataquei:
-Pode nada...
Ele fechou a cara ´pra mim e eu nem aí.

eliana disse...

Concordo plenamente com voce. Gostaria de escrever exatamente o que voce registra na sua cronica deste domingo Abração

Mara Narciso disse...

São as diversas variações das medidas. Quando um tema está na ordem do dia, recebe os curativos apressados dew rotina, para simular que está sendo feito algo. A moda passa, e tudo volta ao estado anterior. De fato, atitudes perigosoas e incoerentes são vistas todos os dias. Foi bom ter chamado a atenção para o foco de perigo maior: o trânsito. No entanto, cuidados para evitar a gripe são necessários. Se fossem tomados sempre, a gripe comum não mataria tantos quanto mata.

Anônimo disse...

Talvez para muitas pessoas ver um acidente de transito jà seja comum ao ponto de dar importancia somente para a Gripe Suina por causa da midia, ou seja, os valores foram completamente mudados e estamos sem referencia...

Sônia Marise disse...

Outro?
Tô aprendendo a entrar nisso aqui, poeta...
depois me diga se tá certo o que eu fiz, viu? E isso de campo obrigatório " não pode ficar em branco"...e " a moderação de comentários ativada" ? O dono do blog controla o comentarista? rs rs rs Meu Deus< Tõ burrinha demais ainda ...

Anônimo disse...

Caro luiz
este é um país estranho, que (in)felizmente nascemos aqui. Fiz um trabalho de toda uma juventude de dedicação (na compreensão do fazer). O prêmio, monção de silêncio. Onde um conhecido nosso disse-me: " Yo habo, tu não hablas"
Eric

sol pereira disse...

Concordo com você poeta! A gripe normal, que todo ano muda de nome, pois são outros tipos de vírus. Matou aqui no Brasil muita gente não sei o número, pois eles não divulgam. Vi outro dia em uma entrevista na TV. Mas não prestei atenção aos números de mortes, pois estava como todos estão com as atenções voltadas para outro tipo de problema. E aí os governantes camuflam os problemas existentes no país. Um beijo e amei a tua crônica. Sol Pereira

Leda Goulart disse...

ciao poeta !
ho fatto un commento nel tuo blog dove scrive sulla Influenza Suina rispetto i problemi del traffico nelle strade brasiliani e ho messo come anonimo perchè non sapevo mettere il mio nome, ma devo dirti che ammiro le tue parole e attenzione a tutto quello che scrivi
un bacio ed a dopo, ciaooooooo

Leda Goulart (*)

* Leda refere-se ao quarto comentário entre estes, ou seja:
"Talvez para muitas pessoas ver um acidente de transito jà seja comum ao ponto de dar importancia somente para a Gripe Suina por causa da midia, ou seja, os valores foram completamente mudados e estamos sem referencia...".
(Luiz de Aquino)

Maria Helena Chein disse...

Lu, li a crônica Calçadas, Viaturas e Máscaras. Você dá uma sacudida nesses assuntos tão sérios, reais e os joga para fora. E concordamos com você, cronista que fala pelos que acham, pelos que têm certeza e pelos que já se manifestaram mesmo que de uma forma menos contundente.
Agora, a crônica sobre sua amiga que se foi e que antes viu o seu filho voar para sempre, essa partiu o coração. Meu coração sempre se parte quando tomo conhecimento de tristeza assim. Bela e triste crônica.

Bjs.
Lena

Leidagomes disse...

É, Luiz, "Calçadas, viaturas e mascáras"...teem tudo a ver com
com o momento atual porque passa o Brasil.Calçadas irregulares são comuns em todos municípios, parece até que não ha codígos de postura, pois governantes e governados ferem às leis, e até ignoram ou fingem ignorar as mesmas; parecem desconhecer o que é público e privado, vão levando tudo de qualquer maneira.Viaturas nas calçadas também virou moda. Ora,ora..esta moda é absurda e desrespeitosa, mas os pedestres que se danem.Gripe suina e máscaras?Bom, quanto a tal gripe prefiro não comentar, até porque não sei se ela é pior do que a comum (Influenza).Agora, as tais máscaras estão servindo mesmo é pra encobrir ou mascarar o alienamento nojento da grande mídia... e o vergonhoso e cretino
comportamento ou atuação dos políticos.
Siô, parabéns pela crônica, está ótima!!!
Bjs,
Leida

Márcia Filgueiras disse...

Hum...taí algo a refletir! Parabéns
abçs
Marcia