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sexta-feira, agosto 12, 2011

Maria do Rosário Cassimiro, 60 anos de ensino


Professora Cassimiro entre as poetisas Placidina L. Siqueira e Sônia Cury. 


Maria do Rosário Cassimiro, 
60 anos de ensino


Em crônicas e artigos, por toda a vida, empenho-me pela valorização dos profissionais do ensino e na defesa do patrimônio cultural e físico das escolas e demais instituições de ensino e pesquisa. Sem isso, entendo que uma nação não se desenvolve. Infelizmente, pessoas que conseguem (ou conseguiram) “vencer na vida” sem o aprimoramento escolar e cultural ridicularizam os paladinos, mostrando contas bancárias e patrimônios materiais como provas de seu sucesso. E outra vez infelizmente, gente assim convence...

No noticiário matutino da última sexta-feira (12 de agosto, 2011), vi que policiais militares prenderam três criminosos portanto expressiva quantidade de drogas entorpecentes, além de armas e munição. Tudo normal, a não ser o fato de que os presos eram pai e dois filhos. Essa família traduz os tipos que descrevi acima.

Infelizmente, e a despeito da máquina pública constituir-se de um imenso contingente de profissionais de ensino nas secretarias de Educação de todos as unidades federativas e municípios, o poder público brasileiro, em seus três níveis, desconsidera a importância da Educação como instrumento de valorização do “bicho sapiens” nacional.

Nessa mesma sexta-feira, dia 12, a professora Maria do Rosário Cassimiro, membro efetivo e por duas vezes presidente da Academia Goiana de Letras (na década de 1990), recebeu belíssima e justa homenagem de seus pares do  Conselho Estadual de Cultura. Homenageá-la é fácil, motivos lhe sobram. Mas desta vez a homenagem foi por um aniversário: os 60 anos (sim: sessenta!) do início de sua carreira de educadora.

Procuro e descubro: ela era, ainda, aluna do curso Científico (a fase de três anos que sucediam o curso Ginasial antes da malfadada reforma que decretou o início da decadência do ensino no Brasil). Era secretário da Educação do Estado de Goiás o Cônego José Trindade da Fonseca e Silva, e ele, por indicação de uma senhora cujo nome perdeu-se no tempo (amiga comum da mãe de Maria do Rosário e do padre secretário) nomeou-a Professora Substituta no Grupo Escolar Modelo.

O bendito vírus do ensino inoculou-se de vez na jovem estudante. A Cúria Metropolitana mantinha uma Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, instituição capacitada a licenciar professores para o ensino secundário,  que envolvia os cursos Ginasial e Colegial (essa faculdade foi o embrião da hoje Pontifícia Universidade Católica de Goiás). A moça Cassimiro escolheu Pedagogia. E destacou-se como dedicada e exemplar funcionária da Educação, estudando sempre mais, aprimorando, obtendo com pioneirismo o título de Doutora. De suas ações resultou um sensível dinamismo na gestão da Educação no Estado, incluindo o aprimoramento profissional dos professores.

Ingressou na Universidade Federal de Goiás em rigoroso concurso de títulos e provas – era propósito do então reitor Jerônimo Geraldo de Queiroz elevar substancialmente a qualidade dos docentes. Ali, Maria do Rosário Cassimiro continuou sua carreira com brilhantismo e empenho, chegando aos elevados escalões da UFG e, para surpresa nacional,aconteceu de uma mulher, pela primeira vez na nossa História, vir a ser reitora numa universidade federal.

Maria do Rosário Cassimiro aposentou-se, mas não se recolheu. Criado o Estado de Tocantins, lá foi ela, a convite do governador Siqueira Campos, montar a primeira universidade do novo Estado – a Unitins – da qual também foi reitora.
Este aniversário de 60 anos de carreira no magistério ensina-nos que é possível, sim, ser feliz somente quando se faz o que é de prazer, o que se faz com perseverança e responsabilidade. Há cerca de dez anos, foi nomeada pelo governador Marconi Perillo para o Conselho Estadual da Educação, órgão que presidiu com o mesmo desprendimento, a mesma competência que motivam a homenagem de agora.

Entendo Maria do Rosário Cassimiro como uma bandeira viva, uma evidência na contramão dos que argumentam contra o aprimoramento pelo conhecimento, pelo bom ensino, pela escola com dignidade. Dou-lhe minhas mãos de amigo, orgulhoso de ser seu confrade. E é em nome dela que continuo a insistir com o Governo de Goiás no sentido de investir com o propósito de restaurar a dignidade da escola pública, que simbolizo no Liceu (em suas unidades de Vila Boa e de Goiânia), no Instituto de Educação de Goiás, no Colégio José Carlos de Almeida (saudoso Grupo Escolar Modelo) e no Colégio Pedro Gomes.

Um beijo, professora Maria do Rosário Cassimiro! Deus lhe deu esta vida e, dentro dela, estes sessenta anos ininterruptos de professorado.


* * *

Minha posse na Academia Goiana de
Letras: Cassimiro era presidente (1997).


3 comentários:

shirlene alvares disse...

Parabéns a ela e pela sua produção! Linda Crônica! Eu a admiro muito!

MIRIAM CONSUL disse...

ELA É DIGNA DE APLAUSOS E VOCÊ UMA NOTA 10 PELOS SEUS PARECERES, SEU EMPENHO PELA BOA EDUCAÇÃO NESTE PAÍS QUE AINDA NÃO DESLANCHOU, POR FALTA DE VERGONHA DOS POLÍTICOS DESTE BRASIL VARONIL.

Ester Carvalho disse...

Que conteúdo agradável e como você, com brilhantismo, retrata a competência e a importância da Profa. Cassimiro no cenário da educação e da cultura. Amei!