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quarta-feira, novembro 19, 2008

A nova face da Polícia Federal

A nova face da Polícia Federal



Vi na tevê que em três localidades de Goiás (Goiânia, Anápolis e Jataí) serão plantadas pouco mais de oitocentas mudas características do cerrado, em cabeceiras de córregos. Minha primeira reação foi de alegria; a segunda, de frustração; a terceira, de surpresa. A alegria dispensa comentários; a frustração... Só isso? Oitocentas e algumas mudas, apenas, divididas em três locais? Ou seja, menos de trezentas mudas em cada lugar? O cerrado não apenas merece, mas carece de muito mais que isso. E aí, veio a surpresa: o projeto tem a Polícia Federal como uma das que se empenham para o reflorestamento.


Parei para pensar. Dia desses, em linhas dos meus escritos nestes espaços de jornal, eu disse que “há pessoas lendo na Polícia Federal”. E, agora, tenho mais uma confirmação disso. E me alegro outra vez: a Polícia Federal, desde seu surgimento e por duas décadas, era um dos tentáculos do sistema de repressão da ditadura. Eu e todos os da minha idade, os que tínhamos a consciência (e o sonho) da liberdade, temíamos os rigores da tortura, e a PF alinhava-se fielmente na máquina do terror oficial (sim, não se enganem; se aos que lhe faziam oposição os do governo aplicaram a pecha de terroristas, os deles praticavam o terror de Estado, prendendo e seqüestrando, exercendo a tortura e, por “acidente de trabalho” ou por nítida intenção, matando, às vezes).





Agora, temos uma nova Polícia Federal. Uma polícia mais preparada, tanto na formação acadêmica quanto nas técnicas de investigação e, melhor ainda, com o pensamento em um futuro mais seguro. E segurança não se faz só de investigação e armas.


Investigação é um capítulo à parte. Tanto as instituições policiais quanto as militares têm seus departamentos de inteligência. E inteligência não se faz como no tempo da ditadura, prendendo e arrebentando, não. A esse propósito, a imprensa nacional já mostrou, muitas vezes, incontáveis atos de burrice dos “sistemas de inteligência”. Hoje, já não se aplica mais a antiga piada (daqueles tempos de rigidez do regime): um policial aborda um bêbado na porta do boteco; o bêbado não se mostra intimidado, ao que o policial reage mostrando distintivo, arma e argumenta: “Eu sou da polícia!”. O bêbado, impassível, arremata: “Bem feito, quem mandou não estudar?”.

Em suma, aos poucos a sociedade brasileira começa a confiar na polícia. E é bom que comece justamente pela Polícia Federal, pelas razões que já citei. Não se quer mais uma polícia apenas truculenta, quer-se uma polícia honesta e inteligente. Uma polícia da sociedade, de Estado (e não de governos). Uma polícia que respeite e proteja o sistema de saúde, o sistema educacional e que se una aos segmentos que constroem o futuro. Preocupar-se com as plantas, com o reflorestamento e a qualidade ambiental dos tempos vindouros é um excelente começo, um compromisso que não deve ser mudado.





Por falar em plantas, quero contar. No meu minúsculo apartamento num oitavo andar, tenho uma floreira junto à sacada. Menos de um metro quadrado. E ali, planto plantas de flores e até uma pimenteira feliz e alegre, se não lhe falta água. E com alguma intenção furtiva, cuspi no canteiro sementes de melancia, que fizeram brotar a ramagem bonita e rasteira (agora já dá flores). Minha mulher questiona-me: “Vai deixar crescer? Tá maluco? Melancia nesse mini-canteiro?”. É, ainda não decidi remover a ramagem. Vamos ver no que dá...



Enquanto isso, minha amiga Ana Maria Taveira conta-me que, na casa de seu irmão, Francisco, meu colega de Liceu (o sonetista secreto, como gosto de me referir a ele), tem uma jabuticabeira, plantada por seu pai, o Dr. Taveira, de boa lembrança para os mais antigos moradores de Goiânia. E Francisco, o tabelião, elege um dia, todos os anos, para “inaugurar” a jabuticabeira em profusão de frutas maduras.

Dia desses, Ana Maria invadiu a sombra da fronde e arriscou-se a colher, aqui e ali, algumas bolotas negras (a maioria ainda não estava madura), no que foi severamente repreendida pelo zeloso irmão.


“Ranzinza, ele”, disse-me Ana Maria. Dei razão ao meu amigo, mas não o disse à Aninha, que cometeu o perdoável crime de curiosidade feminina, antecipando o evento que o irmão anfitrião programa todos os anos.


Luiz de Aquino é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letas. E-mail: poetaluizdeaquino@gmail.com

2 comentários:

maria helena chein disse...

Luiz, a crônica LER É MAIS IMPORTANTE mostra-nos uma realidade óbvia, porque ainda falta muiiiiiita gente para entender a necessidade da leitura. Tenho uma amiga, professora, que me disse não gostar de ler, não lê nem jornal ou revista. E professora, hem?!! Não foi à toa que lhe fiz uma correção quando disse "menas gente".
A crônica sobre a Polícia Federal tece verdades anteriores que começam agora a mudar. Tomara que isso aconteça mesmo.
Parabéns pelo seu trabalho de escrever e divulgar ilustradamente para nós, internautas.
Beijos. M. H.

Lilia Levy disse...

Menino, vc tá cada vez melhor! Beijos orgulhosos