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sexta-feira, maio 29, 2009

A arte, aliada à esperança


A arte, aliada à esperança

Luiz de Aquino 


Vários alunos do Lyceu, e um número ainda maior de ex-alunos, referem-se à minha participação um tanto fora do cerimonial quando da homenagem aos ex-alunos, promovida pelos responsáveis pelo evento Casa Cor, centrada nas pessoas do presidente do Banco Central, Henrique Meireles, e do governador Alcides Rodrigues Filho. Grande parte deles exalta o evento, reconhece méritos nos que simbolizaram os ex-alunos.


Já disse, senti falta de Pedro Wilson. Afinal, foi seu pronunciamento na Câmara, em novembro de 2007, o texto escolhido para ilustrar a parede de uma sala de aula, antiga e estilizada. Nesse discurso de Pedro, regozijo-me por encontrar, como intertexto, trechos de meu discurso na sessão solene que a Academia Goiana de Letras realizou no auditório do colégio no transcurso do septuagésimo aniversário do educandário em Goiânia.

Não pergunto muito quando as coisas me parecem óbvias. Refiro-me à iniciativa de se realizar a Casa Cor no velho casarão da Rua 21, sede do nosso Lyceu (veja só, Vander Arantes! Você me venceu, já escrevo com Y). Poderiam, seus organizadores, ter escolhido o Centro Cultural Marieta Teles, na praça Cívica, magnífico exemplar de “art déco”, um dos primeiros edifícios da cidade. Ali, o evento disporia de maior espaço e o resultado seria muito bem aproveitado pela Agência Goiana de Cultura, certamente reduzindo custos. Mas a escolha veio para o Lyceu e isso traz de volta o colégio à mídia.

Pofessor Egídio Turchi e eu

Para nós, ex-alunos e antigos professores, o momento foi de despertar saudades. Na noite da sexta-feira, dia 22 de maio, a homenagem aos ex-alunos ilustres levou-me até lá. E levou também, como ênfase maior, o professor Egídio Turchi, que, penso eu, é o decano dentre todos os mestres do velho casarão. A poucos meses de completar seus noventa anos de vida, o professor de Matemática e Latim (ele fez questão de contar aos jovens repórteres que o entrevistaram o que era Latim), concedeu entrevistas e muitos dedos de prosa a tantos quantos dele se achegaram, buscando ouvi-lo e, certamente, aprender algo mais.


O governador Alcides...

                                                      ...e o presidente do BC, Meireles   


Naquela noite, repeti o que fiz em novembro de 2007, naquela sessão da AGL no Lyceu: compareci uniformizado. Não com calça “blu dins” e camiseta, mas com a calça cáqui e camisa branca, a águia símbolo pintada no bolso, lado esquerdo do peito. Com isso, surpreendi os presentes, inclusive o governador e o presidente do Banco Central – mas o professor Egídio lembrou que o uniforme já foi “uma farda” (era comum, até os anos de 1950, os uniformes colegiais repetirem as roupagens militares).

Com a secretária Milca Severino

Meu uniforme despertou curiosidades. Os colegas fotógrafos,  parece, gostaram da coisa, tantos foram os flashes. Posei com Henrique Meireles, Alcides Rodrigues e com a secretária Milca Severino, da Educação. E, inevitavelmente, com Dóris Costa, assessora de imprensa que realiza com emoção e competência seu ofício.

Jornalista Dóris Costa e eu

Nas andanças entre projetos e objetos, inovações surpreendentes e peças dos nossos sonhos de consumo, esbarro com alguns amigos, arquitetos e engenheiros, professores e historiadores. Uma preocupação: o velho prédio voltará ao que era antes? Afinal, ele tem de ser tratado, sempre, como uma relíquia patrimonial, arquitetônica e histórica. Alguém esclarece que o Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico, o IPHAN, não apenas está vigilante, mas também orienta a realização daquela mostra.

Em suma, fiquei feliz pelo reencontro com velhos amigos, pela ênfase que se deu ao meu querido colégio. E, sem disfarçar, lanço o olhar para o futuro próximo – o meu, o do Lyceu e o da Casa Cor.

 



Luiz de Aquino (poetaluizdeaquino@gmail.com) é da Academia Goiana de Letras.

As fotos acima são do craque Sílvio Simões - fotografia@silviosimoes.com.br 

 

 

9 comentários:

Beatriz Pacheco disse...

Querido!
Desculpe, mas "Coroa saudosista" é redundância! Quem de nós, "coroas", não é saudosista?
Beijo com saudade,
Neca

Lucia Lazaro disse...

Luiz: Crônica desenvolvida com sentimento de ternura e envolvimento pessoal.... adorei.
Parabéns.

Heliane Morais de Castro disse...

Amei, adorei. Vai em frente amigão. Suas palavras são ouvidas e lidas.
Abraço para todos vcs.
Heliane.

Madalena Barranco disse...

Luiz, querido amigo,

Que bonita reunião a favor do Lyceu! Até eu fiquei emocionada ao ver o velho e querido professor de te latim ser homenageado em suas palavras. Boa sorte com esses projetos iluminados pela cultura.

Beijos

Alda do Crítica... disse...

Posastes com o Meirelles? Nossa que invejaaaaaaaaaa ! Este será "o cara" se depender de mim. Pena que não depende.

Bjs poeta
Alda

Irinéa Maria disse...

...E vc , poeta, voltou ao ninho!
É impressionante a cara de felicidade.
Muito bom rever amigos!
Parabéns

Sinésio Dioliveira disse...

Crônica sem lirismo, meu Aquino amigo, é como chupar laranja após escovar os dentes. Você passa longe disso. O deleite estético de um texto emana do lirismo (mas não o piegas, óbvio), sobretudo em se tratanto de crônica. Um abraço.

Marluci Costa disse...

Que orgulho devem ter os alunos desse colégio. Que responsabilidade eles devem sentir em manter a tradição de formar pessoas de destaque que prestam grandes contribuições à sociedade, não importando a área ou lugar em que atuam.
E você, querido poeta, tem mostrado muita garra, trazendo através dos diversos meios, em suas crônicas ou seus poemas, a cultura da sua cidade, do seu estado, do seu país. E isso você passa para esses meninos com muita sabedoria.
Parabéns pelo belo encontro.

Anônimo disse...

Belas Fotos!Sua fisionomia diz tudo...Voltou a ser adolescente! Muito bom recordar!...Ireci Maria.